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Joelmir Beting

O mago do jornalismo brasileiro
por Marcelo Rozenberg

Um dos maiores jornalistas que o Brasil já produziu. Joelmir Beting foi e sempre será referência na economia, na comunicação e na memória do povo brasileiro. No dia 25 de novembro de 2012, Joelmir sofreu um AVC e seguia internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde também tentava se curar de uma doença nos rins.
 
Quatro dias depois, em 29 de novembro de 2012, Joelmir morreu no mesmo hospital paulistano.

Em 08 de março de 2013, o Sesi fez a maior homenagem que se pode fazer a um homem: deu o nome do jornalista a sua nova unidade em Tambaú, terra natal de Joelmir.

Devoto de padre Donizette Tavares de Lima, de Tambáu, cidade do interior paulista onde nasceu, Joelmir Beting poderia ter seguido o amigo e vestir a batina. Até porque, como dizia o próprio Joelmir, foi o coroinha quem o ajudou a curar uma gagueira ao lhe oferecer uma sopa de quiabo.

Após rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria, Joelmir começou a falar normalmente. Estava curado. Folclore ou não, não há no Brasil quem não respeite a memória deste grande jornalista palmeirense, que começou escrevendo nas páginas esportivas e ganhou fama e credibilidade atuando na área econômica.

O que poucos sabem é que seu primeiro emprego foi como bóia-fria nas lavouras de cana e café. Residia em São Paulo e foi casado com dona Lucila desde 1963.

Tinha dois filhos, Mauro Beting, grande jornalista, e o publicitário Gianfranco Beting, além de quatro netos. Dois destes netos, Lucca e Gabriel (filhos de Mauro), estão sendo doutrinados para que se tornem padres e usem apenas batinas verdes. Para tanto, deverão morar em Tambaú nos próximos anos. Em 2008 ancorou o Jornal da Band ao lado de Ricardo Boechat. Também foi comentarista e âncora da rádio Bandeirantes de São Paulo e concedia inúmeras palestras em empresas. 

Nascido em 1936, Joelmir chegou em São Paulo para estudar sociologia e jornalismo orientado pelo padre Donizette. Em 1957 começou a carreira jornalística nos jornais "O Esporte" e "Diário Popular". Tempos depois, trabalhou também na Jovem Pan. Foi nesta fase da vida profissional que criou a expressão "gol de placa", após acompanhar uma partida entre Fluminense e Santos no dia 05 de março de 1961 no Maracanã pelo Torneio Rio-São Paulo. Faltando apenas quatro minutos para o término do confronto, Pelé dominou a bola no seu campo de defesa e, com uma arrancada linda, driblou seis adversários até tocar a bola levemente para a meta do time das Laranjeiras, fechando o placar em 3 a 1 para o Peixe. Repetindo o jargão do repórter "Esso", o então jovem jornalista, que naquela ocasião estava a serviço do jornal "O Esporte?" chegou à redação e sugeriu aos seus chefes que fizessem uma placa de bronze para eternizar o feito. A placa, tempos depois, foi inaugurada no maior estádio do mundo.

Mas a paixão pelo Palmeiras acabou atrapalhando a seqüência de Joelmir no dia a dia do futebol. Em um clássico contra o Corinthians no Pacaembu, não se conteve e comemorou um gol do Verdão. Foi recriminado por seu ato e, dias depois, decidiu rumar para outra vertente do jornalismo. A economia já o fascinava e logo já estava redigindo matérias sobre os diversos temas que afetam o nosso bolso. Em 1968 assumiu o cargo de editor de Economia da Folha de S.Paulo. Em 1991 foi para o Estado de S.Paulo. Até 2004, escrevia uma coluna diária reproduzida em quase uma centena de jornais brasileiros. Durante muitos anos trabalhou na Rede Globo, onde ficou conhecido pela forma didática como passava ao público as informações econômicas.

Em 29 de novembro de 2012, a então Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, divulgou uma nota de pesar sobre o falecimento de Joelmir Beting:


Abaixo matéria reproduzida do Site de Joelmir Beting, onde o jornalista conta a história da expressão "gol de Placa":

O HOMEM QUE RIMA NÚMEROS
Ricardo Galuppo-Revista Veja, 21/07/1999
As frases escritas por Beting têm métrica e rimas. Os textos são guiados por metáforas. "Para se fazer entender você precisa repetir uma mesma idéia até cansar. Por mais óbvia que ela seja", recomenda o jornalista, reproduzindo uma frase marcante que escutou em 5 de março de 1961. A lição é inesquecível porque Beting a ouviu do escritor Nelson Rodrigues, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Foi Rodrigues quem ensinou a ele, na época repórter esportivo, essa fórmula que até hoje utiliza em seus textos.
A data é memorável porque, naquele dia, num jogo entre Santos e Fluminense, Beting de certa forma entrou para a história do futebol. O Santos vencia a partida por 1 a 0 quando Pelé recebeu a bola na meia-lua da área do Santos e arrancou em direção ao gol adversário, driblando a tudo e a todos. Passou até pelo Castilho e fez o gol fantástico. Beting, como todos os que viram a obra-prima, ficou encantado. Na volta a São Paulo sugeriu que o jornal O Esporte, onde trabalhava, mandasse fazer uma placa de bronze para registrar a beleza do lance. A sugestão foi aceita. Ele encomendou a placa e pagou com dinheiro do próprio bolso (até hoje não foi ressarcido). No domingo seguinte, a placa foi afixada no saguão do Maracanã e descerrada pelo próprio Pelé, antes do jogo contra o Vasco. Joelmir, portanto, foi o criador, não da expressão gol de placa, mas da própria placa do gol, tornado por ele assim inesquecível. "Nunca fiz um gol de placa, mas fiz a placa do gol", diz.
Matéria Reproduzida do Jornal "O GLOBO" do dia 6 de março de 1961:
No dia 5 de março de 1961, no Maracanã, o Santos venceu o Fluminense por 3x1. O foi nesta partida que Pelé marcou o seu gol de placa. Aos 40 minutos do primeiro tempo, depois de uma defesa do goleiro santista, a bola sobrou para Dalmo que serviu a Pelé na entrada de sua área. Ele controlou a bola e como uma possante máquina, engrenou a primeira, passou a segunda e imprimiu velocidade na terceira, atravessando todo o gramado sob a vigilância dos adversários. Já na área tricolor, Pelé driblou Pinheiro que estava ao seu encalço, se livrou do desesperado Jair Marinho e, diante de Castilho, tocou fora do alcance do goleiro que se atirou todo mas seu esforço foi inútil. Alguns mais exaltados, afirmavam que aquele gol teria que valeu por dois. De fato, o gol foi tão espetacular que arrancou aplausos de todos os torcedores que, de pé, esquecendo-se de suas paixões clubísticas e embora empunhando bandeiras tricolores, proporcionaram uma cena jamais vista no Maracanã. Foram quase dois minutos de palmas, contados a relógio, enquanto Pelé desaparecia debaixo dos abraços dos companheiros.
Com relação ao jogo, podemos afirmar que, tornar-se cada vez mais difícil encontrar adjetivos para traduzir o que está jogando a equipe do Santos. No mínimo, teríamos que repetir o chavão, frisando que é verdadeira máquina. Máquina que se encontra bem ajustada, engrenada e azeitada, peças perfeitas e que se ajustam de forma incrível. Começaríamos por Pelé e Coutinho que, no futebol, repetem os fechos das histórias românticas: nasceram um para o outro. Quando uma parte, o outro sabe o que fazer, como se tivessem estudado as jogadas dentro da pensão onde moram, em Santos. Eles se juntam aos demais jogadores que forma um conjunto harmônico de futebol bonito, rápido e eficiente.
O Fluminense, antes de tudo, teve um comportamento técnico e disciplinar exemplar. Jogou bem, mas o Santos está numa forma esplendorosa. Um clube difícil de ser vencido. Castilho realizou milagres e se tornou uma das grandes figuras da partida.
5 de março de 1961

Competição: Torneio Rio São Paulo.
Fluminense 1 x Santos 3.
Gols de : Pelé. Pelé. Pepe e Jaburu.
Local: Maracanã.
Juiz: Olten Ayres d Abreu.
Renda: 2.685.317,00
Santos: Laércio, Fioti, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengalvio (Nei); Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe (Sormani).
Fluminense: Castilho, Jair Marinho, Pinheiro, Clovis (Paulo) e Altair; Edmilson e Paulinho; Telê Santana (Augusto), Valdo, Jaburu e Escurinho.
 
No dia 28 de novembro, o filho Mauro Beting escreveu um texto lindo sobre um ano da morte de Joelmir Beting.
 

GIANFRANCO BETING, FILHO DE JOELMIR BETING, FOI ENTREVISTADO POR MILTON NEVES NO DOMINGO ESPORTIVO DA RÁDIO BANDEIRANTES EM 04/12/2016, FALANDO SOBRE O ACIDENTE COM O VOO DA CHAPECOENSE EM MEDELLÍN

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