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Hoje, o empresário-sócio dos craques virou quase o time e o clube

Hoje, o empresário-sócio dos craques virou quase o time e o clube

Sou dos tempos de Samuel Ratinoff, José da Gama e de outros “despachantes” das viagens para o exterior de nossos times e seleções.

Juan Figer também começou assim.

Eles agenciavam “jogos de excursão” dos clubes brasileiros no exterior e ganhavam por volta de 5% do custo de cada amistoso.

O Santos jogava por US$ 30 mil e Pelé levava 7%.

Sem ele a cota baixava para US$ 18 mil, isso quando o amistoso não era cancelado.

A seleção brasileira era “mais cara”: US$ 45 mil, com Pelé.

E esses empresários eram apenas os marcadores de passagens, coordenadores de traslados e os que reservavam os hotéis.

Eram espécie de Tia Augusta, CVC, Decolar, Maringá Turismo, Dimensão Turismo, Stella Barros e etc.

Só isso, mas com o hercúleo trabalho em aeroportos europeus para conseguir acomodar o elenco inteiro no mesmo voo, devido a jogo contratado de última hora, porque todos os jogadores exigiam viajar no mesmo avião do Rei “porque o avião do Pelé não cai nunca”, conta-me o ex-zagueiro Oberdan do Santos-FC, hoje o Rei da Cerveja e da Água Mineral em Florianópolis.

Eram, portanto, os “empresários” da época de ouro de nosso futebol e eles tinham participação zero no então chamado “passe” do jogador.

E hoje?

Com a mamãe “Lei Pelé”, exagerada, o empresário-sócio dos craques virou quase o time e o clube, além de pressionador de treinadores e lutador para expor seu “produto” ou sua “mercadoria” na mídia e nas convocações.

Se antes o jogador era sim escravo do clube, hoje é o clube refém dos “representantes” dos jogadores cujos direitos viraram verdadeiras pizzas de múltiplos sabores: cada um tem um pedaço!

São eles o advogado, o jogador, o representante, o primeiro revelador, o sócio, o empresário, o pai, a mãe e até o outro clube que não recebeu em 100% de seus direitos quando da última transferência do atleta.

Todos são donos da “Pizzaria da Bola”.

Uma festa!

Exagerando, basta ter um escritoriozinho 30x40, uma mesinha, um telefone, dois celulares, uma secretária atendente, boa relação com os transitórios cartolas e treinadores e pronto: o cara virou empresário ao arrumar uma carteirinha da Fifa.

E todo mundo arruma, consta.

E dá-lhe comissão.

Até para quem não merece.

Tanto que temos grandes brigas nos tribunais em lutas titânicas por um pedaço do naco, “purfa” ou não, referentes à transferências famosas ou mais ou menos de jogadores aqui no Brasil e do Brasil para o mundo.

É um Carnaval!

Parece, eu disse parece, até a turma do Mensalão e do Petrolão.

É intermediário demais e muitos dez dedos envolvidos.

Ou até nove, talvez.

Mas aí não é caso de “empresário”, mas de intermediários e até de indicadores de futuros propineiros nas máquinas estatais.

O indicado entra, “propineia”, escala seu indicador-padrinho-sócio como operador-recebedor e racha-se o “produto do roubo”.

Quase sempre dá certo, a gente tem visto no “Estádio do Moro FC”!

Mas será que não temos ou tivemos nesse rolo todo operador-indicador-recebedor que ficou com toda a grana em espécie e não repassou a parte do propineiro-indicado-sacaneado?

Duvido, porque bandido tem “ética”!

Seria um trem feio, sô, diríamos em Minas Gerais.

Mas para essa turma tão grande de Brasília e de várias capitais, “ética” é algo tão raro quanto foi o talento de Pelé com a bola no pé.

Justo ele que, com a caneta na mão, assinou sua “Lei Pelé”, não de todo ruim, mas maravilhosa para os empresários escravizadores dos clubes e supremos donos de jogadores.

De despachantes viraram proprietários do gol, da bola e até dos distintivos dos clubes.

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SOBRE O COLUNISTA

Milton Neves Filho, nasceu em Muzambinho-MG, no dia 6 de agosto de 1951.

É publicitário e jornalista profissional diplomado. Iniciou a carreira em 1968, aos 17 anos, como locutor na Rádio Continental em sua cidade natal.

Trabalhou na Rádio Colombo, em Curitiba-PR, em 1971 e na Rádio Jovem Pan AM de São Paulo, de 1972 a 2005. Atualmente, Milton Neves apresenta os programas "Terceiro Tempo?, "Domingo Esportivo? e "Concentraçã... Saiba Mais

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