Contra o Peñarol, a noite foi de Felipe Melo, nova paixão da "equipe esmeraldina", fazendo lembrar Almir Pernambuquinho, um dos mais corajosos e polêmicos jogadores

Contra o Peñarol, a noite foi de Felipe Melo, nova paixão da "equipe esmeraldina", fazendo lembrar Almir Pernambuquinho, um dos mais corajosos e polêmicos jogadores

Que susto levou o Brasil na quarta-feira pela TV.

Emboscaram o Palmeiras em Montevidéu e mesmo assim o Peñarol perdeu.

De novo!

E mais uma vez por 3 a 2.

E agora querem punir a vítima, o Palmeiras, sendo o culpado de tudo o time uruguaio.

CA Peñarol atual que tem só 1.07% da extraordinária força que tinha nos anos 50 e 60.

E muitos estão ainda pensando que viram “A Mãe de Todas as Batalhas”.

Ora, aquilo foi apenas “café pequeno” diante do que ocorria igualmente nos anos 60 e 50.

A diferença é que hoje, como fez brilhantemente a Fox Sports, temos a TV como testemunha implacável em todos os bastidores e vestiários.

Antigamente, as verdadeiras guerras tribais, romanas ou medievais entre brasileiros, argentinos, chilenos e uruguaios davam de 7 a 1 “naquela briguinha de amigos” que todos vimos em Montevidéu.

Em jogos de clubes ou da seleção brasileira pelas saudosas Copa Roca, Taça Bernardo O’Higgins e Taça do Atlântico, a pancadaria era total, absurda.

Quem nunca viu fotos do massagista Mário Américo dando forte gravata no zagueiro argentino Varacka, ou de Didi – até ele, “uma moça” – disparando não uma folha-seca, mas espetacular voadora no ponta uruguaio Sasía?

Aquilo sim era briga de rua em campo.

1959: Didi acerta voadora no uruguaio Sasía. Foto: Portal TT

Mas como tudo era só relatado pelo rádio ou registrado por poucos “retratos”, as batalhas ficavam só na imaginação.

E por falar em briga de rua, falemos do injustamente suspenso Felipe Melo.

Nunca falei com ele, no rádio ou na TV.

Aliás, só o vi treinando cruzamentos em 2010 na África do Sul – estava sentado do lado de Fátima Bernardes – e em uma saída de condomínio residencial na Grande São Paulo.

Nós dois, entre tantos, ao volante, com vidros abertos, por força de sinalização manual para que os sempre egoístas motoristas da preferencial resolvessem diminuir a velocidade.

E me chamou a atenção, naquele quase um minuto, o tanto que ele é ligado.

O rosto tenso, acesso e crispado do campo é o mesmo do motorista Felipe Melo no seu carrão.

É um autêntico, como vimos no estádio “Campeón del Siglo”.

Foi bravo, heroico, macho, esperto e até calmo no fim do jogo.

Uma calma de “malandro de rua” ou de ringue.

Acossado e acuado, por uns 12 uruguaios, foi se afastando de forma calculada em busca de seu corner com oito olhos em revezamento.

Dois na frente, dois na nuca, dois na direita e dois na esquerda.

Quando não dava mais para recuar, deu um belo golpe de direita à la Sugar Ray Leonard.

Nem pegou, mas os 12 foram a nocaute e a vítima Verdão ganhou na bola e no braço.

Foi a noite de Felipe Melo, nova paixão da “equipe esmeraldina”, fazendo lembrar Almir Pernambuquinho, um dos mais corajosos e polêmicos jogadores de nossa história.

Parabéns ao Felipe e à Ponte Preta, campeã paulista de 2017.

E nota zero para a Conmebol, por tê-lo punido com três jogos de suspensão.

1966: Almir Pernambuquinho, irado, queria acertar contas com Ladeira, do Bangu. Foto: Portal TT

Foto de destaque: EFE/Raúl Martínez retirada do Portal UOL

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SOBRE O COLUNISTA

Milton Neves Filho, nasceu em Muzambinho-MG, no dia 6 de agosto de 1951.

É publicitário e jornalista profissional diplomado. Iniciou a carreira em 1968, aos 17 anos, como locutor na Rádio Continental em sua cidade natal.

Trabalhou na Rádio Colombo, em Curitiba-PR, em 1971 e na Rádio Jovem Pan AM de São Paulo, de 1972 a 2005. Atualmente, Milton Neves apresenta os programas "Terceiro Tempo?, "Domingo Esportivo? e "Concentraçã... Saiba Mais

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