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Edgard Barros

Jornalista e escritor

O próprio Edgard de Oliveira Barros, em e-mail enviado ao jornalista Milton Neves, conta para nós um pouco de si:
"Meu caro Milton Neves, apesar da "péssima" notícia, afinal perdi uma infinidade de cervejas, foi ótimo ter voltado a contatar você. Não pago e pronto!
Obrigado pelo interesse em saber por onde ando. Diria que pela vida.
Dou aulas na FIAM, onde seu filho estudou, não é?, "contemplo o mundo" (maneira simpática de dizer que adoro vagabundear); escrevo crônicas para quem me pede; moro em Atibaia há muitos anos (tive até um jornal diário, em cores, durante dez anos, rotativa própria, custos em dólar, receitas em merrécas reais. Desisti antes de falir...).
Curto a vida boa que Deus me deu, ajudo (ou sou ajudado?) meu filho, que tem empresa de consultoria telefônica e a maior revenda corporativa Claro em São Paulo, Campinas e Santos, ouço e torço pelo Milton Neves, lembro como o jornalismo era bom, fico triste com a mesmice e burrice do jornalismo atual e chega, pois já fiquei cansado.
Um beijo. Edgard de Oliveira Barros - residência em Atibaia (visite. Tem direito a morangos e não paga nada...) - Fiam - (às quintas, pela manhã e sextas à noite);  escritório CT Telecom-Campinas; e -mail junto, né? Continuemos com Deus!?


Leram? Está aí um pouquinho da história do jornalista e escritor Edgard de Oliveira Barros que marcou época no Diário Popular e, dentre outras publicações, no saudoso Diário da Noite. Ali, cunhou a manchete que calou fundo no Brasil: "Pelé, jogai por nós?. Foi em 1966, no dia de Brasil e Portugal pela Copa do Inglaterra quando precisávamos golear Portugal. Resultado: tomamos de 3 a 1, fomos eliminados, mas a manchete ficou na história.
Já no dia 14 de dezembro de 2005, o próprio Edgard enviou ao site Terceiro Tempo este e-mail:
"Nome: Edgard de Oliveira Barros E-Mail: edgard.barros@cttelecom.com.br  Idade: 67 anos Time: Corinthians Cidade: Atibaia - (E.S.P.) Estado: SP
Pergunta : Milton, não é uma pergunta. Na verdade é um elogio ao seu site. Especialmente ao seu incrível "Que fim levou?" Você me deu a honra de participar dessa seção e, graças a isso, graças à força do seu site, ao extraordinário índice de leitura, tenho sido "encontrado" por vários e vários antigos colegas, ex-alunos e amigos. Por uma questão de justiça, apesar de você massacrar o meu Corinthians, faço questão de oferecer este depoimento pessoal: seu site funciona mesmo e o seu "Que fim levou?" bate no ângulo. Aproveito para anunciar meu blog Mistura Fina, Crônicas do Professor Edgard, que contém minhas crônicas: edgard.zip.net Leia pois você vai gostar. Parabéns, de novo, pelo seu sucesso. Sou seu fã desde os longinquos anos 70 e 80, tempos em que eu dirigia o Diário Popular, e você sabe disso. Edgard Barros, autor da manchete "Pelé, jogai por nós!" Abraços."

Confira o perfil completo de Edgar, retirado do seu site oficial.

A paixão de Edgard de Oliveira Barros pelo Jornalismo começou há 40 anos, quando entrou, pela primeira vez, na redação dos Diários e Emissoras Associadas, a maior cadeia de jornais, emissoras de rádio e de televisão que o Brasil já teve, fruto do sonho do jornalista Assis Chateaubriand. Um de seus orgulhos, por sinal, foi ter convivido, ainda que superficialmente, com Chateau, como era chamado.


Edgard, que é bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie, foi repórter de jornais Associados, tendo trabalhado também nas extintas rádio Difusora e TV Tupi. No meio do caminho veio a propaganda, então Edgard trabalhou na MPM Propaganda, para depois fundar a sua própria agência de publicidade. Ganhou vários prêmios e foi considerado um dos "cobrões" da propaganda. Durante 10 anos foi diretor de redação do extinto Diário Popular, dirigindo o jornal, inclusive em sua edição centenária, glória que poucos jornalistas do mundo podem conhecer. Não é toda hora que um jornal completa 100 anos. Deixando o Diário Popular começou a dar aulas na FACOM/UniFIAM no ano de 1986.

Criou o jornal Imprensa Livre na cidade de Atibaia, com circulação regional. Semanário, o jornal passou a diário tendo inclusive implantado seu próprio parque gráfico com modernas rotativas. Trabalhava no mínimo 18 horas por dia e todos os dias. Cansou. E faltou dinheiro. Parou o jornal e voltou a dar aulas na FIAM. Publicou três livros de crônicas e um livro-manual de jornalismo, "Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê?? para os alunos que estão dando os primeiros passos.

Fonte: www.edgardbarros.net.br

Abaixo, crônica enviada pelo próprio Edgard a Milton Neves, contando melhor a história de sua famosa manchete: "Pelé, jogai por nós"

Jogai por mim, Milton Neves

Pensando bem o Milton Neves sempre teve razão ao enaltecer e considerar a frase “Pelé, jogai por nós”, como uma das principais manchetes do jornalismo esportivo brasileiro. Realmente ela diz muito. Diz da ansiedade, da emoção e da necessidade de realização do nosso povo. O brasileiro é emocionante e emocionável ao extremo, carinhoso e afável, carente e necessitado de uma palavra a mais, um impulso, um empurrão psicológico, um afago, um tapinha nas costas para reagir. E seguir.

A frase nasceu para ser manchete do jornal Diário da Noite, órgão dos saudosos Diários e Emissoras Associadas, uma cadeia de rádio, jornais, revistas e televisão que, a bem dizer e bem ou mal se transformou na grande escola do Jornalismo brasileiro. Aconteceu durante a Copa do Mundo de 1966, em pleno governo militar. Como sempre o povo andava oprimido. Precisava de alguma coisa, precisava de um vento, um alento, alguma coisa que o animasse. Precisava ganhar, precisava vencer. E a Copa do Mundo representava muito.

Melhor ainda que tinhamos Pelé, ainda que meio “bombardeado” por tantas “pegadas” de tantos adversários. Mas Pelé era Pelé. E quem tinha Pelé tinha tudo. O Brasil só tinha Pelé e um time que ainda não convencia. Tudo era contra, só Pelé poderia nos salvar. Criar, dizem os melhores dicionários, significa “tirar do nada, dar existência a alguma coisa. Gerar, formar. Produzir, inventar. Causar, fazer aparecer...”. E por aí vai.

Num momento de inspiração, ou transpiração, sabe-se lá, me veio à cabeça aquela reza, aquela ladainha dos desesperados, quando os crentes católicos pediam e pedem proteção a Deus e a todos os santos: “rogai por nós.” Lembrei dos santos rezados, lembrei do Pelé jogado e troquei o rogai por jogai. Criativamente é assim que se explica o nada. De qualquerforma estava feita a manchete que mexeria com a emoção dos leitores do Diário da Noite no dia seguinte e por anos e anos a fio.   

De 1966 para cá, a cada Copa do Mundo, a história se repete e eu tenho a honra, o prazer, o orgulho de ouvir o meu samba, a minha manchete por aí. Faz todo esse tempo, mas eu continuo me arrepiando de emoção.

O mundo era diferente. Mais emocional, mais romântico, mais sensível, as pessoas se arrepiavam com uma boa música, um bom filme, uma boa novela, uma boa ópera, uma boa sinfonia. Talvez na época o jornal Diário da Noite vendesse uns cem, cento e cinquenta ou duzentos mil exemplares, no máximo, não sei precisar. Diga-se de passagem, a boa manchete, a manchete bem chamativa, como diziam, era o que vendia jornais naquela época. O Diário vendeu tudo e foi um sucesso.

Para falar a verdade eu vivi o meu orgulho e a minha glória até que tudo começou a caiu no esquecimento, afinal o Brasil perdeu aquela Copa, mas o meu samba, minha manchete seguiu pelo mundo a fora.

Porque foi então que apareceu o Milton Neves. Sim, o Milton Neves, claro que você conhece o Milton Neves. Nada mais polêmico, nada mais crítico, nada mais engraçado, nada mais envolvente, nada mais criativo, nada mais stand-up, nada mais briguento, irritante, engraçado, gozador, nada mais envolvente, nada mais que o Milton Neves do rádio, da televisão, jornal e internet. Conheci o Milton Neves quando ele fazia o chamado “plantão esportivo” da Jovem Pan. A voz forte, correta, nunca errava na informação, ele ia tocando sua vida, buscando a sua oportunidade.

Dureza de vida que ele já contou mil vezes, tremenda história de vida, diga-se de passagem. Eu acompanhei, ainda que de longe. Um lutador. Um cara que foi buscar o seu lugar. Mais que isso, um cara que fez, que criou o seu lugar. Um cara que inventou uma maneira diferente de fazer o óbvio. Sim, o óbvio, porque o futebol é o óbvio gostoso que mexe com as pessoas.

O Milton Neves é aquele cara que chega no boteco logo depois de um jogo do Timão, por exemplo, e começa a zoar, provocar, dizendo que aquele pênalti não existiu... Os manos iriam ficar loucos da vida com ele. E ele tourearia a todos, brincaria, daria ótimas rizadas, mostraria cara de cínico, falaria do seu Santos, do seu Atlético Mineiro, ou do Galo, e boa. Ao invés de briga tudo termina em abraços, porque o Milton redescobriu que futebol é isso, uma zoeira incrível. Só não vê quem é politicamente correto demais...

E digo mais: o Milton Neves pode até nem entender nada de futebol, mas entende de gente. Entende o jeito de como as gentes gostam de ser tratadas. Entende o que as gentes pensam. Pega a emoção no ar e brinca com ela. Brinca com a vitória, brinca com a derrota e sai sempre no um a zero pra ele. No mínimo empata com todo mundo, zero a zero e estamos conversados.

Além do mais eu diria que ele é um dos caras que mais vendem no Brasil. Um comunicador nato. Ainda bem que se voltou para o futebol. Se topasse ser político estaria mandando. Mas ele não é nada político. Ao contrário, às vezes fala sério e desce o cacete nos caras e os caras não podem falar nada, porque ele bate com luvas de pelica. Machuca barbaridade, mas não deixa marcas...

O Milton Neves entrou ainda mais na minha vida quando se apaixonou pelo meu samba, pela minha manchete, “Pelé, jogai por nós”. E os cento e cinquenta ou duzentos mil leitores que viram essa frase, essa emoção, foram multiplicados por dez, vinte, por trinta vezes ou mais. A frase ganhou o mundo, porque o Milton Neves soube ler o universo que ela traduzia.

Obrigado Milton Neves. Que o povo brasileiro comece a jogar e a conquistar o seu país por ele mesmo e que você continue jogando por mim. Que os santos digam amém a tudo isso...    

(*) Edgard de Oliveira Barros é jornalista, publicitário, escritor, professor de Jornalismo Impresso das Faculdades Integradas Alcântara Machado – (FMU-SP)

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