Semiramis Teixeira

Ex-repórter e cronista esportiva
por Marcos Júnior/ colaborou: Semiramis Alves Teixeira

Semiramis Alves Teixeira foi a primeira repórter e cronista de futebol do Brasil, tendo atuado entre 1963 e 1971 pela Rádio Nacional (Excelsior), TV Tupi e Gazeta Esportiva.

Advogada aposentada, atualmente administra imóveis e continua acompanhando o futebol, em especial o seu querido Santos Futebol Clube.

Semiramis conheceu os bastidores da televisão através de seu pai, o dramaturgo Alves Teixeira, já falecido, das Emissoras Associadas, autor de inúmeras rádio-novelas e de um trabalho marcante para a televisão, a novela "Ana Maria, meu amor", em 1965, pela TV Tupi de São Paulo.

Guarda com muito carinho os prêmios recebidos por seu pai, que ganhou o "Roquete Pinto" por quatro vezes, um "Imprensa" e cinco "Tupiniquins".

O primeiro incentivador de Semiramis foi o falecido cronista Geraldo Bretas, que costumava visitar os estúdios da Tupi, onde começou a trabalhar primeiramente no "Mundo Esportivo" como comentarista e depois como repórter.

Exercendo a profissão de advogada, concomitantemente ao jornalismo, sendo inclusive nomeada de um tribunal em 1993, Semiramis enfrentou muitas dificuldades para vencer o preconceito que as mulheres enfrentavam no mundo esportivo.

Seu pai se preocupava muito com ela, a quem aconselhava não se envolver com jogadores de futebol. Semiramis obedeceu à risca o pedido do pai.

Era setorista dos quatro grandes clubes de São Paulo, além da Portuguesa de Desportos, do Juventus e do Jabaquara (de Santos).

Atenta ao trabalho, costumava levar uma prancheta aos treinamentos para anotar as táticas utilizadas pelos treinadores e as escalações das equipes.

Passou a fazer comentários sozinha, em um programa vespertino, devido aos problemas que teve com a equipe esportiva, segundo ela pelo fato de ser mulher.

Trabalhou também no programa "Almoço com as Estrelas", apresentado pelo casal Airton e Lolita Rodrigues, na TV Tupi.

Vários convidados do mundo futebolístico eram levados por Semiramis, em seu próprio carro para o programa, onde entrevistava os jogadores, entre eles Tostão, Ademir Da Guia e Piazza.

Na Rádio Excelsior foi demitida pois, segundo ela, "deu uns tapas" em um diretor que tentou agarrá-la.

Trabalhou por muiots anos na "Gazeta Esportiva Ilustrada", com Orlando Duarte, a quem Semiramis revela ter lhe ajudado muito.

Até em casa, a jornalista sofreu com o preconceito, pois grande parte dos jornais e fotos da época foram jogados no lixo por sua mãe, que encontra-se hospitalizada há dois anos e que é cuidada por Semiramis.

Formou também a primeira equipe da Rádio Mulher e sente muitas saudades da época em que vivenciou grandes momentos dos grandes times e craques, principalmente do Santos, time por quem torce efusivamente até hoje.

Entre as personalidades que conheceu e por quem guarda enorme carinho estão Mário Américo e Pelé. O massagista foi seu aluno de Português, quando ela tinha apenas 16 anos.

Foi ele quem cuidou de inúmeras torções que ela teve no tornozelo, recebendo-a no Departamento Médico da Portuguesa de Desportos, muitas vezes na companhia do ex-jogador Ivair, o "Príncipe".

Acompanhou o auge de Pelé no Santos, com quem teve a satisfação até de andar em sua Mercedes, revelando que o "Rei" dirigia muito bem.

Foi ao Rio de Janeiro, como repórter, para entrevistar Garrincha, mas o jogador não estava em casa. Semiramis foi recebida por Elza Soares, esposa do jogador à época, a quem entrevistou e considerou muito simpática.

Na infância, apaixonada por futebol, gostava de ira ao cinema para assistir os documentários do Canal 100, para ver aquelas imagens maravilhosas dos grandes clássicos do futebol brasileiro.

Já foi homenageada no programa "Loucos por Futebol", da ESPN, onde também mencionaram seu pai, o que a deixou muito feliz, além de recentemente ter sido reverenciada pela diretoria santista, através do então presidente Marcelo Teixeira, junto de Modesto Roma, Athie Jorge Cury e um representante da família Caldeira, que dá o nome ao estádio do Santos.

Guarda na memória lembranças maravilhosas dos grandes times do Santos, de um jogo entre a Seleção Brasileira e a Seleção da Suiça em São Paulo e o "Expressinho" do Vasco, entre outras.

Mas continua acompanhando o futebol de perto, bem perto até hoje, principalmente o Santos do seu coração. Admira muito o talento do jovem jogador Braitner, meia que se destaca pelo talento especial em cobranças de falta e do menino Alan Patrick, de Muzambinho, que também é admirado por  Milton Neves, que foi muito amigo de Zé Pequeno, avô do garoto.

Em 27 de abril de 2010 visitou a redação do Portal Terceiro Tempo, na avenida Paulista, trazendo um lindo material fotográfico, que ilustrou sua página na seção "Que Fim Levou?".
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