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Oldemário Touguinhó

Ex-jornalista esportivo
Oldemário Vieira Touguinhó foi um dos jornalistas esportivos mais importantes da crônica brasileira. Seu maior feito como repórter foi ter participado da cobertura de 10 Copas do Mundo, no período entre 1962 e 1998, além de ter estado presente em duas Olimpíadas.
Touguinhó, botafoguense confesso, faleceu no dia 20 de janeiro de 2003, aos 68 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória, após ter enfrentado uma série de problemas de saúde desde 1999 quando foi submetido a uma cirurgia no coração.
O jornalista trabalhou durante toda carreira no Jornal do Brasil, sendo colaborador da Agência Estado. Touguinhó também é autor de dois livros; "As Copas que Eu Vi? (1994) e "Maracanã? (1998), publicação que conta a história do maior estádio do mundo.
Nascido em Campos (RJ), Touguinhó ganhou uma série de prêmios durante sua carreira, entre eles, dois Essos de informação esportiva no início da década de 80. Também teve artigos publicados em conceituados veículos, como o "The New York Times?, "France Football? e "Number?.
Ele sempre se orgulhou de ter se tornado amigo pessoal de Pelé. Deu o "furo" do primeiro casamento de Édson Arantes do Nascimento. Aliás, para qual jornalista o Rei concedeu mais entrevistas? Para Touguinhó ou para Michel Laurence?
Por Milton Neves

Matéria publicada pelo Jornal do Brasil no dia 03 de dezembro de 1978
Rondinelli, o prêmio pela dedicação
Por Oldemário Touguinhó
A bola veio cruzada sobre a área e Rondinelli entrou de cabeça, fazendo o gol da vitória do Flamengo. Tudo como o zagueiro havia sonhado na madrugada do jogo, tudo como havia desejado desde que voltou à equipe na condição de titular. Por isso, era o mais feliz na festa da conquista do título de campeão carioca.
Rondinelli é um rapaz educado, profissional e dedicado. Treina constantemente. Quase sempre é o primeiro na fila dos exercícios, para servir de guia. Assim, consegue manter uma elasticidade que faz dele o melhor cabeceador do Rio.
- Por não ser muito alto e saber que dentro da área somos obrigados a enfrentar zagueiros fortes, que entram firme nas bolas altas, desde cedo me preparei com empenho para subir nos cruzamentos. Acho que devo muito aos preparadores físicos, porque desde que cheguei à Gávea, faço com eles várias séries de exercícios para manter a forma. Nunca me importei em ser um zagueiro de estilo clássico. Minha principal preocupação foi sempre a de ganhar o lance. Se for necessário entrar duro e desajeitado, entro. O importante é não deixar o adversário não entrar na área. Ainda nos juniores, me esforçava muito nas cabeçadas. Por isso, quando cheguei aos titulares, não tive dificuldades para me manter na equipe.
- Sou um jogador de garra ? e continuou Rondinelli ? e foi com muita luta que cheguei a ser convocado a Seleção Brasileira, durante a fase de treinamentos para a Copa (de 1978). Depois, voltei ao Flamengo e, quando acreditava estar firme no time, me machuquei e quase não pude mais voltar à minha posição. O Flamengo havia contratado novos zagueiros e, contundido, perdi espaço. Uma contusão no joelho esquerdo me obrigou a ficar de fora durante vários meses. Isso me desesperava. Sempre que tentava voltar aos treinos, sentia dores e tinha que recomeçar os tratamentos. O pior é que, aos poucos, senti não haver mais interesse da comissão técnica em me escalar. Mesmo assim, intensifiquei os treinamentos e logo que me senti bem, forcei os exercícios. Mesmo assim, foi muito difícil recuperar meu lugar entre os titulares, já que a dupla de zagueiros atuou muito bem durante o 1º turno e levando o time à vitória.
De fato, no Flamengo, existia interesse de negociá-lo em troca de um atacante. Por este motivo, quase foi parar no Inter, assim como no Galo mineiro. Sentindo que muitos clubes queriam contratá-lo o zagueiro voltou aos planos do técnico Cláudio Coutinho. Inclusive, a própria torcida exigia sua volta à equipe. O jogador se mostrava revoltado em permanecer na reserva e só mesmo se tranqüilizou ao ser escalado para atuar por duas vezes seguidas. E isto aconteceu apenas nos últimos jogos do returno.

- Na verdade, sempre confiei no meu futebol. Só desejava ter uma chance, a fim de poder mostrar ao treinador que merecia uma vaga no time. Ele foi legal comigo e permitiu que eu fosse novamente titular. Realizei bons jogos, mas me faltava um pouco de coragem para ir lá na frente, ajudar o ataque nas bolas altas. Mas durante a preparação para o jogo final contra o Vasco, vivia sonhando em ter uma chance de subir ao ataque e foi isso o que me encorajou a tentar uma jogada ofensiva no final da partida.
Quando vi a bola cruzada, entrei na corrida já sabendo que iria pegá-la no meio do caminho. Vim numa velocidade alta. Felizmente tudo deu certo, entrei de cabeça e joguei a bola para dentro do gol de Leão.
Rondinelli deixou o campo sem camisa. A faixa de campeão cruzada sobre o peito era o maior troféu que acabava de conquistar com muita raça e coração, como sempre lhe foi peculiar.
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