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Ismael

Ex-lateral do Santos, Palmeiras e Ferroviária
por Rogério Micheletti e Gustavo Grohmann
 
Ismael Mafra Cabral, ex-lateral-direito do Santos e também do Palmeiras, faleceu aos 79 anos, no dia 15 de janeiro de 2009, na casa de idosos Nova Morada, localizada em Santo André (SP), devido a complicações da diabetes.
 
O ex-lateral jogou em grandes times do futebol brasileiro, entre eles Palmeiras, Santos, Fluminense, Ferroviária, São Paulo e Coritiba. Na última década o ex-jogador deixou de ser corretor de imóveis, em Santo André (SP) e tentou a carreira de técnico.
 
"Fui incentivado pelos netos e pelos filhos e tenho certeza que com muita dedicação, estudo e lealdade, conseguirei ter sucesso", afirmou Ismael, que foi entrevistado pelo Terceiro Tempo em janeiro de 2002.
 
No entanto, Ismael não teve oportunidades. Ele, que vivia sozinho e morava na Rua dos Capuchinhos, na Vila Guiomar, em Santo André, perto da Vila Alpina do ABC (não confundir com o bairro da Vila Alpina na zona leste de São Paulo). Ismael passou por dificuldades e por pouco não foi atropelado por um trem na cidade do ABC Paulista.
 
Boas lembranças

O ex-lateral tinha gravado na memória a fase áurea do Santos nos anos 60 e esperava ter como técnico a mesma felicidade que viveu como jogador. "Não é querer ser saudosista, mas o time do Santos era muito forte. Por exemplo, o centroavante reserva podia ser Toninho Guerreiro, Pagão ou Del Vecchio, já que o Coutinho era titular?, lembrava orgulhoso o saudoso Ismael.
 
Na opinião de Ismael, a partida mais difícil e emocionante que disputou pelo alvinegro santista foi a final do Mundial de 1963 contra o Milan, da Itália, no estádio do Maracanã. O Santos perdia por 2 a 0 e virou o jogo. "Os italianos já faziam festa no vestiário, no intervalo do jogo. Eles achavam que a partida já estava ganha, mas tivemos raça e reagimos. O apoio dos torcedores cariocas também foi essencial, tanto que a diretoria do Santos Futebol Clube prestou uma homenagem a eles preparando uma placa especial que está no Maracanã", disse o emocionado Ismael, quando foi entrevistado pelo Site Terceiro Tempo.
 
Ismael nunca se esqueceu do costumeiro recado que seu ex-companheiro Mauro Ramos de Oliveira, um extraordinário zagueiro, costumava lhe passar às vésperas do jogo. "O Mauro costuma dizer: Quando você tiver dificuldade, abaixa a cabeça e chuta pra frente. Sempre vai ter um negrão para dominar com categoria?, brincava.
 
Mas o que poucos santistas se lembram é que Ismael começou a carreira no Palmeiras, equipe que defendeu de 54 a 58. Ele foi envolvido numa troca pelo goleiro Rosan, da Ferroviária. Além dele, Parada também foi defender a equipe de Araraquara na época. Depois de gloriosos anos no time da Vila, Ismael foi jogar no Fluminense e foi substituído por Carlos Alberto Torres no Peixe.
 
No Verdão, Ismael fez 46 jogos (20 vitórias, 12 empates, 14 derrotas) e não marcou nenhum gol.
 
Ismael também teve passagens curtas pelo São Paulo, em 1967 e pelo Coritiba, onde encerrou a carreira. "Fui para o Coxa acompanhando o técnico Francisco Sarno. Também foram para o futebol paranaense, na ocasião, outros importantes jogadores, como: Djalma Santos, Bellini, Rinaldo, Gildo, Ademar Pantera, Modesto, Neiva, Rossi, entre outros", contava.
 
No Tricolor, Ismael fez apenas 10 partidas (6 vitórias, 1 empate, 3 derrotas) e não marcou nenhum gol. À época, ele brigou pela posição de lateral-direito com Deleu, Renato "Gaúcho" Jacaré e com o estreante Claudio Deodato.
 
Alguns dos grandes orgulhos de Ismael foi ter recebido como jogador o troféu Carlos Joel Nelli, da TV Gazeta, concedido aos melhores jogadores da temporada. "Conquistei estes troféus em 1959 (pela Ferroviária), 1962 e 1964 (no Santos)."
 
Fontes: "Almanaque do São Paulo" - Alexandre da Costa "Almanaque do Palmeiras" - Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Ainda sobre Ismael, leia abaixo a história de Milton Neves na coluna  "Causos do Miltão",  da Revista Placar em dezembro de 2012
Nicolau Moran Villar (1913-1968), célebre diretor de futebol do Santos (morreu em Santiago durante um Octogonal do Chile), participou de programa de TV no Rio, um dia antes do clássico Flu x Santos, no Maracanã, ali por 1963 ou 1964. Também presente, o presidente do Flu foi de cara irritando e desafiando Nicolau Moran que então, de imediato, pediu ao apresentador que deixasse o cartola Tricolor comparar jogador por jogador, posição por posição. Dito e feito! Como o presidente do Flu ("nas Laranjeiras optamos por garotos e não por veteranos superados?) foi logo escolhendo Jorge Vitório a Gylmar, Valdez a Mauro, Íris a Zito, Darí a Calvet, Nonô a Lima, Luis Henrique a Mengálvio e Edinho a Dorval, Nicolau Moran, nervoso, interrompeu e desafiou: "Ó, passemos logo para a meia-esquerda, quem sabe assim o Santos ganha pelo menos nessa posição?! Ao que o presidente do Flu respondeu: "Olha, o Pelé até que não é ruim, mas o Joaquinzinho tá numa faaaaseeeeee...? No outro dia, é claro, o Santos goleou o Fluminense e o jogo pelo menos serviu para Nicolau Moran Villar levar o lateral-lenda Carlos Alberto Torres para a Vila, trocado por Ismael e mais uma graninha, em negócio da China.

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