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Audálio Dantas

Jornalista

por Marcos Micheletti

Audálio Dantas, um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro, morreu em São Paulo no dia 30 de maio de 2018, aos 88 anos, vítima de câncer.

Ele estava internado no Hospital Premiê, na capital paulista, e lutava contra um câncer no intestino desde 2015. A doença acabou se expandindo para o fígado e os pulmões.

Alagoano da cidade de Tanque D´Arca, onde nasceu no dia 08 de julho de 1929, Audálio Dantas teve um papel importantíssimo durante o período da ditadura militar no Brasil, tendo denunciado a morte de Vladimir Herzog em outubro de 1975 pelo DOI-CODI de São Paulo, orgão subordinado ao Exército, responsável por torturas e mortes.

Por conta de sua luta, Audálio Dantas ganhou da ONU (Organização das Nações Unidas), o Prêmio de Defesa dos Direitos Humanos.

Migrou para São Paulo em 1937 com sua família e começou no jornalismo trabalhando no jornal Folha da Manhã (do Grupo Folha), inicialmente no laboratório fotográfico, em 1954. Mas, em pouco tempo, passou a integrar a redação do jornal, permanecendo até 1959, quando aceitou um convite da revista "O Cruzeiro". 

Ainda passou pelas revistas "Quatro Rodas", "Veja" e "Realidade", e em 1975, ano em que denunciou a morte de Herzog pela ditadura, já era o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Escritor e poeta, Audálio Dantas também participou da vida política brasileira de forma marcante, tendo sido eleito deputado federal em 1978, e considerado o melhor deles durante o período de mandato. Audálio integrou o MDB, então único partido de oposição ao regime ditatorial vigente, em que a ARENA sempre tinha maioria, mesmo que isso não acontecesse nas urnas, através de deputados e senadores chamados "biônicos". Neste período sombrio da história brasileira, os cargos do executivo (presidente, governador e prefeito) eram definidos de forma indireta.

Publicou os seguintes livros: Graciliano Ramos (2005); O Menino Lula (2009); A Infância de Ziraldo (2012); As Duas guerras de Vlado Herzog (2012) e O Tempo de Reportagem (2012).

Também foi importante para auxiliar aquela que é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brsil, Carolina de Jesus. Audálio ajudou Carolina, que morava em uma favela no bairro do Canindé, zona norte de São Paulo, na publicação de seu primeiro livro, Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada.

Lutou, como milhões de brasileiros, pelo retorno das eleições diretas nos movimentos que se espalharam por todo o País em 1984.

Audálio Dantas era casado com Vanira Kunc, com quem teve quatro filhos. O casal tinha quatro filhos e netos.

Eu, Marcos Micheletti, vivi uma noite memorável durante uma palestra mediada por Audálio Dantas no começo dos anos 2000 no Sesc Pompeia, na zona oeste de São Paulo, ocasião em que os escritores Raul Drewnick (meu grande amigo) e Lourenço Diaféria falaram sobre crônicas e outros temas relativos ao jornalismo, literatura e política para uma plateia de mais de uma centena de pessoas. Audálio, além de mediar, também participou ativamente acerca dos temas abordados. Após o encontro, fiquei um bom tempo conversando com os três, um encontro absolutamente inesquecível.

Abaixo, nota sobre o falecimento de Audálio Dantas enviada pelo jornalista Sérgio Gomes do Oboré

O jornalista Audálio Dantas, 88 anos, faleceu na tarde desta quarta-feira (30/05) no Hospital Premier, em São Paulo, onde estava internado desde abril deste ano, vítima de complicações devido a um câncer de intestino.

Dantas completaria 89 anos no próximo dia 08 de julho. Deixa esposa e quatro filhos.

O velório será realizado amanhã, 31/05, das 12h às 20h, no Espaço Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, situado na Rua Rego Freitas, 530 - sobreloja.

O maestro Martinho Lutero junto com o Coro Luther King apresentará um concerto de despedida às 19:30. Em seguida o corpo seguirá para o crematório da Vila Alpina, onde ocorrerá a cerimônia de despedida às 11h de sexta-feira, 01/06.

Nascido em Tanque D ’arca, em 8 de julho de 1929, Audálio Ferreira Dantas veio para São Paulo ainda menino – uma primeira vez com os pais, aos cinco anos, e depois aos 12, para encontrar-se com a mãe.

Autodidata, Audálio Dantas foi jornalista de profissão. Sua história como repórter começou quando ele trabalhava em um laboratório de fotografia na Folha da Manhã (atual Folha de S. Paulo), revelando fotos do italiano Luigi Mamprin, em 1954. Aos poucos ele começou a acompanhar repórteres nas ruas fazendo as legendas das próprias fotos e, posteriormente, escrevendo reportagens sobre temas do cotidiano.

Certa vez, em 1956, foi escalado para viajar até Paulo Afonso, na Bahia, onde deveria escrever sobre a inauguração da nova hidrelétrica do São Francisco. Voltou de lá não apenas com a reportagem sobre o impacto econômico da nova construção como também com quase dez outros textos e fotos sobre assuntos apurados no local.

Seu espírito compartilhador se revela em suas produções jornalísticas. Foi com a ajuda do repórter que a escritora e poetisa Carolina Maria de Jesus tornou-se conhecida. Audálio organizou os escritos da moradora da favela do Canindé, em São Paulo. Essa reportagem é a que ele considerava a mais importante de sua vida.

Audálio passou por quase todos os principais veículos de jornalismo de sua época, como O Cruzeiro, revista Quatro Rodas e VejaSP. Também produziu uma série de reportagens sobre Canudos (BA), que estava fadada a desaparecer com a represa do rio Vaza-Barris.

Em 1975, quando exercia o cargo de presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), foi peça chave na denúncia do assassinato brutal de Vladimir Herzog, seu colega de profissão. O ato ecumênico ocorrido na catedral da Sé em 31 de outubro de 1975 foi fundamental no caminho de redemocratização do país.

Ele também foi presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o primeiro eleito por voto direto.

Além do jornalismo, Dantas foi escritor e leitor ávido de grandes nomes da literatura brasileira, como Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Graciliano Ramos.

Foi também deputado federal em 1978, considerado um dos mais influentes do país. Recebeu o prêmio de Defesa dos Direitos Humanos da ONU e, em 2013, foi presidente da Comissão Nacional da Memória, Justiça e Verdade dos Jornalistas Brasileiros.

Em 2008, recebeu o título de Cidadão Paulistano pela Câmara Municipal de São Paulo. Foi agraciado com o prêmio Intelectual do Ano (Troféu Juca Pato) em 2013 e vencedor do Prêmio Jabuti de 2016. No ano passado foi homenageado com o Prêmio Averroes - Pioneiro e Compartilhador, dedicado a valorizar a trajetória e pioneirismto de grandes personalidades brasileiras.

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