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A costarriquenha, de 28 anos, é uma das oito técnicas na Copa do Mundo feminina disputada no Canadá

A costarriquenha, de 28 anos, é uma das oito técnicas na Copa do Mundo feminina disputada no Canadá

Felipe Rocha

Do UOL, em Moncton (Canadá)

Enquanto uma atleta recebe atendimento médico em campo, Amelia Valverde aproveita a pausa do jogo para orientar a equipe. À beira do gramado, gesticula e cobra um melhor posicionamento das defensoras. O incomum da cena é o fato de Valverde ser mulher.

A costarriquenha, de 28 anos, é uma das oito técnicas na Copa do Mundo feminina disputada no Canadá. O número representa um terço entre as seleções participantes.

''Para mim, ser considerada para representar o meu país é uma honra. É um grande passo, é assim que se abrem os caminhos. Espero que as mulheres tenham mais espaços também nas áreas administrativas, de assistência técnica, preparação física, jornalismo, entre outras'', diz Valverde.

Além da Costa Rica, debutante em Mundiais, os outros países que têm treinadoras são a Costa do Marfim, Equador, Tailândia, Suíça (outras estreantes), Suécia, Estados Unidos e Alemanha. Essas três últimas seleções fazem parte da elite do futebol feminino. EUA e Alemanha ganharam duas Copas cada, das seis disputadas antes da edição canadense. Noruega e Japão, atual campeão, completam a lista de vencedores.

A lista é didática também ao mostrar que, ao contrário do futebol masculino, quem manda no jogo das mulheres são países desenvolvidos, onde o papel delas na sociedade se aproxima mais do conceito de igualdade.

Pela primeira vez, o Mundial está sendo disputado por 24 seleções. Eram 16 na última edição, há quatro anos, e apenas 12 participantes na primeira Copa feminina, em 1991. O acréscimo de equipes tem sido um dos tantos temas polêmicos no desenvolvimento do esporte feminino. Talvez, a oportunidade dada a novos países explique resultados como os 10 a 0 da Alemanha contra a Costa do Marfim, na estreia da competição. Talvez, seja outro exemplo de julgamentos diferentes para casos semelhantes ocorridos entre homens ou mulheres.

''Há um ano, a Alemanha fez 7 a 1 no Brasil na semifinal do torneio masculino. Não me lembro de ninguém ter questionado o nível do torneio à época. Resultados desproporcionais fazem parte de qualquer esporte'', lembrou o técnico norueguês, Even Pellerud.

Se é comum recrutar treinadores homens para o futebol feminino, também é preciso notar uma diferença clara neste recrutamento. Nem todos os países escolhem técnicos com vasta experiência no jogo, argumento recorrente para explicar a opção por um homem. Enquanto a França, por exemplo, tem no banco de reservas Philippe Bergeroo, que fez parte da comissão técnica da seleção masculina campeã mundial em 1998, a Inglaterra optou pelo jovem Mark Sampson, sem grandes marcas na carreira.

A seleção brasileira, dona da melhor campanha na fase de grupos da competição, é comandada por Oswaldo Alvarez, o Vadão. Experiente no futebol masculino, o técnico brasileiro considera que o país ainda está muito atrás das potências na formação de futuras treinadoras.

''Nós temos pouquíssimas mulheres trabalhando no futebol. Espero que a gente possa atender a todos esses pedidos de que as mulheres trabalhem no futebol feminino no Brasil. Mas, antes de mais nada, elas precisam estar qualificadas para isso. Espero que as treinadoras aqui na Copa incentivem as nossas mulheres e ex-atletas para que elas, no futuro, possam servir os clubes e a seleção brasileira'', opinou.

Para a atacante Darlene, a falta de profissionais brasileiras na área é uma consequência natural da falta de incentivos ao esporte feminino.

''Acho que (são poucas técnicas) por não ter muito incentivo o futebol feminino no Brasil. Pode ser que seja isso'', afirmou. Aos 25 anos, a opção de virar treinadora no futuro ainda não faz parte de seus planos. ''Ainda não penso nisso. Não sei mais para frente'', completou.

Pelas oitavas de final do torneio, o Brasil enfrenta a Austrália neste domingo, às 14h (de Brasília), em Moncton.

Foto: UOL

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