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Equipe inglesa está indo à luta para voltar a ser protagonista. Foto: McLarenF1

Equipe inglesa está indo à luta para voltar a ser protagonista. Foto: McLarenF1

Cair todos caem. 

Mas, parafraseando o genial e saudoso Paulo Vanzolini, nem todo mundo "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima".

A queda, quase sempre, é consequência de besteiras que fazemos, embora tenhamos o mau hábito de sempre acharmos culpados para nossos fracassos.

Não foi a falta de estudo que coloriu nosso boletim de notas vermelhas, mas o professor chato que pegava no nosso pé...

Não foi a distração ao celular que fez com que enchêssemos a traseira do carro à frente, mas os freios que falharam...

Não foi a indolência e a falta de comprometimento que nos colocou na fila do desemprego, mas o chefe que perseguia, assediava...

No futebol, por exemplo, salvo exceções de praxe, a maioria dos grandes clubes rebaixados arrumou desculpas.

"Foi o juíz", "o jogador do outro time que fez corpo mole" para prejudicar na rodada derradeira do campeonato...

Tem clube que até foi rebaixado e nem admite que caiu, vejam só...

No automobilismo, em especial nas equipes, é difícil encontrar um responsável pelo fracasso que não esteja intramuros.

Ah, sim, ainda há aquela desculpa esfarrapada de que "o regulamento deste ano nos prejudicou", ou "os pneus estão desgastando muito" e por aí vai...

Mas, fazendo consciência, um time de F1, por exemplo, avaliando bem sua situação, vendo seus carros no fim do pelotão, sabe bem o porquê disso.

Errou no projeto, o motor é ruim, os pilotos não são fora de série, os mecânicos são de segunda linha, o chefe de equipe não comanda bem seus subordinados. Estes são os motivos, e uma hora alguém precisa dar o murro certeiro na mesa e virar o jogo.

A McLaren, gigante, entrou numa barca furada recentemente.

Não estou falando da parceria com a Honda, alvo de muitas críticas, mas da saída de Ron Dennis.

Ao longo da minha vida, acompanhando F1, sempre li e ouvi coisas ruins a seu respeito. Que era austero, grosso, prepotente.

Até o dia em que tomei conhecimento do lado de Ron Dennis, via Ingo Hoffmann, maior campeão da Stock Car, que foi piloto do time de Dennis na F2, quando Ingo foi meu entrevistado no Bella Macchina em abril de 2014. Está aqui.

Ingo exaltou o profissionalismo e o altíssimo nível de competitividade de Ron Dennis, de quem tornou-se amigo, a ponto de uma vez ter sido convidado para passar alguns dias na casa dele em Portugal, onde ficaram eles e suas respectivas esposas.

Ingo lembrou, que na praia, Ron queria disputar corridas e saltos com ele na areia, e ainda armou uma pequena regata com veleiros alugados. O ainda chefe de F2 queria vencer tudo, até brincando nos dias de descanso no litoral luso.

Por isso, por esse "sangue nos olhos", levou a McLaren ao patamar que levou. Nunca quis perder.

Ah, mas ele teve o Prost, o Senna, o Hakkinen, o Hamilton, entre outros...

Oras bolas, escolhas dele!

Assim como projetistas, mecânicos, fornecedores de motores, combustíveis, lubrificantes.

Tantos acertos trouxeram patrocínios e, consequentemente, lucro. Muito lucro.

Foi parceiro da McLaren, acionista, sócio.

Ganhou dinheiro, mas não passou a perna na empresa com permutas indevidas e patrocínios por "debaixo do pano".

Ambicioso, mas honesto.

A sede da McLaren, que ajudou a construir, é um assombro de linda.

Sede da McLaren, em Woking, uma das contribuições de Ron Dennis ao time inglês. Foto: McLarenF1

Transformou a McLaren numa gigante, a ponto de seus carros "de rua" terem-se tornado objetos de desejo, somente menos cobiçados que os icônicos da Ferrari.

A "americanização" da McLaren, a contratação do diretor esportivo Éric Boullier, que nesta semana pediu demissão após quatro anos de trabalho, mostraram-se inócuas.

Agora, a chegada de Gil de Ferran para o cargo de Boullier, é o primeiro passo que o time inglês dá sinalizando que almeja deixar o fundo do poço.

Quase fundo do poço, porque hoje quem está lá é a Williams.

Gigante outrora, o time de Frank Williams ainda muito forte fornecendo e desenvolvendo tecnologia, mas que em termos de F1 se acomodou.

A ponto de hoje ser o lanterna do campeonato.

Parece ter errado feio a "mão" na construção do seu FW41, ainda que impulsionado pelo ótimo propulsor da Mercedes.

E, de quebra, passou a "alugar" seus cockpits a pilotos endinheirados e não necessariamente talentosos.

A McLaren é aquele sujeito que perdeu o emprego, reconheceu as besteiras que fez e está indo à luta. Dignamente.

A Williams é aquele outro que está em casa, não aposentado, mas sustentado pela mulher, lavando louça, fuçando na internet refestelado no sofá e cuidando do cachorro.

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