Que Fim Levou? - Por Milton Neves

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Que fim levou

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Rubens Barrichello
Recordista de participações na Fórmula 1

por Marcos Júnior

Rubens Gonçalves Barrichello, o Rubinho, ou simplesmente Barrichello, é o piloto recordista em participações na Fórmula 1, tendo largado em 322 provas, e conquistou 11 vitórias, mesmo número de triunfos de Felipe Massa, ambos atrás de Ayrton Senna (41), Nelson Piquet (23) e Emerson Fittipaldi (14).

Em 25 de janeiro de 2012, a "Associated Press" divulgou uma nota dando conta de que Barrichello testaria um carro da equipe KV-Chevrolet da Fórmula Indy nos dias 30 e 31 de janeiro de 2012.

Em 1º de março de 2012 foi anunciado como piloto da KV Racing, equipe da Fórmula Indy para disputar a temporada da categoria no campeonato de 2012, após 19 temporadas na Fórmula 1. Terminou a temporada em 12º lugar, com 289 pontos.

Em 17 de janeiro de 2012, a equipe Williams, pela qual competiu em 2010 e 2011, anunciou Bruno Senna para compor o time ao lado do venezuelano Pastor Maldonado.

Barrichello tinha a esperança em continuar na equipe, mas apesar da decepção, deixou uma mensagem de apoio a Bruno Senna, em sua página no Twitter:

"Pois é, não estarei guiando o carro da Williams este ano.. desejo ao meu amigo Bruno Senna muita sorte. O futuro está em aberto", escreveu Barrichello.

O paulistano nascido em 23 de maio de 1972, morava nas proximidades do Autódromo de Interlagos, zona sul de São Paulo, e passou boa parte de sua infância ouvindo o barulho dos carros na pista e motivado por seu tio, ex-piloto e chefe de equipe da Fórmula 3 Sul-Americana, Dárcio Campos.

Aos seis anos de idade ganhou seu primeiro kart, presente de seu avô materno, que exigia que o menino tivesse boas notas para que pudesse continuar com o "brinquedo". Estreou com um terceiro lugar, foi segundo colocado na segunda prova e venceu na terceira competição da qual participou.

Competiu por oito anos no kart, sendo cinco vezes campeão brasileiro e paulista, uma vez Sul-Americano e nono colocado no Mundial.

Os custos para mantê-lo competindo eram altos para seu pai, o Rubão, dono de uma casa de materiais de construção em Interlagos, mas com esforço o garoto conseguiu subir um degrau importante aos 16 anos, ingressando na Fórmula Ford, categoria de monopostos fundamental para seu apreendizado.

A estreia de Barrichello nesta categoria foi marcada por um episódio interessante e de muita sorte. Sem dinheiro para comprar um carro novo para a temporada, a família adquiriu um modelo usado, pouco competitivo, como ficou evidente nos primeiros treinos antes do campeonato começar.

Mas na primeira prova, na hora de desembarcar o carro do caminhão, seu Fórmula Ford caiu e ficou destruído. Com isso, a transportadora acabou comprando um carro novo, zero quilômetro para o piloto, que estreou com vitória e terminou o campeonato em terceiro lugar.

Em 1990 já estava na Europa, competindo inicialmente na Fórmula Opel, onde sagrou-se campeão em seu ano de estreia.

Em 1991, outro título: o da F3 Inglesa, um dos mais importantes degraus antes da Fórmula 1 e em 1992 competiu na Fórmula 3000, fechando a temporada em terceiro lugar.

Os bons resultados chamaram a atenção dos chefes da Fórmula 1, e foi o irlandês Eddie Jordan, dono da equipe Jordan, que lhe deu a oportunidade de sua estreia na elite do automobilismo mundial, em 1993, após testar em janeiro daquele ano no circuito de Silverstone, sua primeira experiência a bordo de um carro da F1.

As limitações técnicas do Jordan 193 equipado com o motor Hart V10, atrapalharam o ano de Barrichello na equipe, mesmo assim ele conseguiu marcar seus primeiros pontos, na penúltima etapa do ano, no Japão, com os dois pontos, graças ao quinto lugar na prova de Suzuka. O brasileiro teve nada menos que cinco companheiros de equipe em 1993: Ivan Capelli, Thierry Boutsen, Marco Apicella, Emanuelle Naspetti e Eddie Irvine, o outro da Jordan que pontuou naquela temporada, (um ponto, com o sexto lugar, também no Japão, como Barrichello).

Rubens continuou na Jordan por mais três temporadas, entre 1994 (ainda com motor Hart) e 1995 e 1996 (ambas com motor Peugeot V10).

Em 1994, na segunda prova da temporada, subiu ao pódio pela primeira vez, no Grande Prêmio do Pacífico (em Aida, no Japão). Mas aquele ano acabou sendo trágico para o automobilismo brasileiro, com a morte de Ayrton Senna durante o Grande Prêmio de San Marino, em Imola.

Aliás, no final de semana do GP de Imola, Barrichello se acidentou gravemente na sexta-feira de treinos, o que lhe impediu de participar da prova, após bater violentamente no guard-rail e capotar. O impacto provocou a fratura em seu nariz..

No sábado, o austríaco Roland Ratzemberger morreu, durante o treino, após perder o aerofólio traseiro e bater sua Simtek-Ford.

Com a morte de Senna, as atenções da mídia brasileira em relação ao automobilismo se direcionaram aos dois outros brasileiros que estavam na categoria, justamente Rubens Barrichello e Christian Fittipaldi, mas como Barrichello estava em uma equipe mais bem estruturada seus resultados começaram a aparecer, incluindo a sua primeira pole na Fórmula 1, no Grande Prêmio da Bélgica, em Spa-Francorchamps.

O balanço da temporada de 1994 foi positivo para Barrichello, que terminou o ano na sexta colocação, com 19 pontos. Mas os anos seguintes na equipe de Eddie Jordan não foram tão bons Em 1995 foi o 11º no Mundial (11 pontos) e em 1996 foi o oitavo (14 pontos). Mesmo assim, ficou à frente de seus companheiros de equipe em todos os anos em que esteve na Jordan (Eddie Irvine, Aguri Suzuki e Andrea de Cesaris em 1995) e Eddie Irvine em 1996.

Com uma equipe na Fórmula 3, Paul Stewart, filho do tricampeão Jackie Stewart, fundou uma equipe na Fórmula 1, em parceria com a Ford, que forneceu os motores à escuderia. Jackie convidou Barrichello para competir em sua recém criada escuderia, por onde Barrichello competiu entre 1997 e 1999.

Nesse período, Barrichello acumulou alguns bons resultados em 1997, como o terceiro lugar no grid para o GP da Argentina e o segundo lugar na corrida em Mônaco.

Em 1998, apesar do suporte da Ford, o chassi do SF-02 não foi eficiente e Rubens obteve como melhores colocações dois quintos lugares: na Espanha e no Canadá.

O melhor ano da equipe de Jackie Stewart foi em 1999, quando a primeira vitória foi obtida, mas não por Barrichello, e sim por Johnny Herbert (GP da Europa, em Nurburgring. Mesmo assim, o brasileiro terminou a temporada uma posição à frente de Herbert, em sétimo lugar.

A temporada de Barrichello teve um saldo bastante positivo, com a pole no GP da França (Magny-Cours) e a ótima atuação no GP do Brasil, em Interlagos, quando liderou por 23 voltas. Mas o motor Ford não resistiu e quebrou.

No final de 1999, após vários anos de tratativas com equipes de ponta, como McLaren, Benetton e Williams, Barrichello fechou contrato com a Ferrari, para ocupar o lugar do irlandês Eddie Irvine, seu antigo companheiro de equipe na Jordan.

Rubens guiou para a equipe de Maranello entre 2000 e 2005, vencendo sua primeira corrida (o GP da Alemanha em Hockenheim de 2000, após largar em 18º e arriscar permanecer na pista molhada com pneus para piso seco) e conquistar outras oito vitórias: Quatro em 2002 (Europa, Hungria, Itália e Estados Unidos); duas em 2003 (Grã-Bretanha e Japão) e outras duas em 2004 (Itália e China).

Se por um lado as conquistas foram significativas, incluindo dois vice-campeonatos (2002 e 2004), por outro, a convivência com o alemão Michael Schumacher, seu companheiro de equipe, não foi fácil.

O brasileiro sempre se queixou de diferenças de tratamento dentro da equipe italiana, o que ficou evidenciado no Grande Prêmio da Áustria de 2002, apenas a sexta das 17 provas da temporada, quando a equipe ordenou a mudança de posições entre seus dois pilotos, com Barrichello abrindo passagem para o companheiro na reta de chegada da prova, o que gerou uma ampla reprovação no mundo inteiro, a partir da reação do público que assistia a prova no autódromo, que vaiou muito a manobra.

Todos os títulos de Schumacher na Ferrari foram obtidos com Rubens Barrichello como companheiro de equipe, e em 2006 o brasileiro se transferiu para a Honda, à epoca com seu amigo Gil de Ferran como chefe.

A Honda herdou a estrutura da BAR, equipe que contou com Jacques Villeneuve e Ricardo Zonta, entre outros.

Durante o período em que defendeu a equipe japonesa, Barrichello teve um ano razoável em 2006 (sétimo colocado no Mundial), mas também amargou momentos terríveis, como em 2007, sem marcar nenhum ponto e 11 em 2008.

No final de 2008 a Honda anunciou sua saída da Fórmula 1, e Barrichello se viu pela primeira vez em sua carreira sem um contrato assinado para o próximo ano.

Ross Brawn, chefe da Honda na ocasião, acabou adquirindo a estrutura da escuderia japonesa e anunciou Jenson Button para ser um dos pilotos da recém fundada Brawn-GP, para o ano de 2009, contando com os motores da Mercedes.

A outra vaga ficou em aberto. Dois brasileiros, Bruno Senna e Lucas di Grassi foram convocados pela Honda no final de 2008, mas na hora de decidir para ocupar o outro carro da nova equipe, Ross Brawn chamou Barrichello.

Logo na pré-temporada, o chassi 001 equipado com o potente motor Mercedes mostrou-se um conjunto excepcional, e Barrichello ficou muito animado para a temporada de 2009.

Alguns maus resultados na primeira metade da temporada acabaram tirando as chances de Barrichello em brigar pelo título, apesar de ter chegado à penúltima etapa (GP do Brasil) em condições de ser campeão. O título ficou com seu companheiro de equipe, Jenson Button, mas Barrichello conquistou duas vitórias: GP da Europa (Valência) e GP da Itália (Monza). Fechou o ano na terceira colocação, perdendo o segundo posto para Sebastian Vettel na última corrida do ano (em Abu Dhabi).

A Brawn foi vendida para a Mercedes ao término de 2009, mas antes disso Rubens já havia acertado contrato com a Williams para 2010, quando a equipe passou a utilizar os motores ingleses da Cosworth, em substituição aos japoneses da Toyota.

Após ser batido por Schumacher na Ferrari e Button na Honda e Brawn, Barrichello voltou a ser melhor que seus companheiros de equipe em 2010 (o alemão Nico Hullkenberg) e 2011 (o venezuelano Pastor Maldonado).

Em 2010 a Williams até conseguiu fazer um carro razoável, mas longe da competitividade obtida em seus tempos de Ferrari e Brawn, e o brasileiro terminou a temporada em décimo lugar, mesmo assim bem melhor que em 2011, quando fechou o ano na 17ª colocação, pontuando apenas em Mônaco e Canadá, ambas provas em nono lugar.

Após encerrar a temporada na Indy em 2012, acertou um contrato para disputar as três últimas etapas da Copa Caixa Stock Car, pela equipe Medley Full Time, com o cachê de participação revertido para o IBK (Instituto Barrichello Kanaan), que mantém em parceria com o amigo Tony Kanaan. O IBK é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 2005, que tem como finalidade o apoio técnico junto a organizações sociais e escolas públicas brasileiras. Clique aqui e conheça o IBK

Em 27 de dezembro de 2012, Rubens Barrichello anunciou sua participação pela equipe Medley/Full Time para disputar toda a temporada da Stock Car em 2013 e em 27 de março de 2013 a Rede Globo oficializou a presença de Barrichello como comentarista da Fórmula 1 na emissora.

Casado com Silvana Giaffone, Barrichello é pai de dois meninos (Eduardo e Fernando) e além do automobilismo, incluindo o kart, pratica golfe com regularidade em torneios amadores.

A primeira vitória de Rubens Barrichello, no GP da Alemanha de 2000:




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