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Éverton

Ex-meia do São Paulo, Guarani, Galo e Corinthians
por Rogério Micheletti
 
Éverton, o Éverton Nogueira, ex-meia do Galo de 84 a 88, Londrina, São Paulo, Guarani, Corinthians e Nissan (Japão), reside em Belo Horizonte (MG). Trabalhou por muitos anos como empresário. Em 2007, passou a treinar times das categorias de base do Clube Atlético Mineiro. Tem dois filhos.
 
Nascido em Florestópolis (PR), em 12 de dezembro de 1959, Éverton começou a se destacar no cenário nacional jogando pelo São Paulo no começo dos anos 80. Ele fez parte do time são-paulino bicampeão em 81. Em 1996 encerrou a carreira aos 36 anos. Segundo ele, após ter ficado longe do Brasil por cinco anos jogando futebol, havia chegado o momento de iniciar uma nova fase em sua vida.
 
No mesmo ano, Éverton fez uma de suas melhores partidas com a camisa tricolor. Contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro, ele foi autor de dois gols (um deles antológico) na vitória tricolor, de virada, por 3 a 2.
 
Em 84, ele deixou o São Paulo para defender o Guarani, que tinha vendido ao Tricolor o atacante Careca. A passagem de Éverton pelo Bugre foi muito curta.
 
Ele foi negociado para o Atlético Mineiro, onde virou ídolo da torcida.
Éverton ficou quase três anos no Galo e deixou o clube mineiro em 1987, contratado pelo Corinthians, do então presidente Vicente Matheus. Éverton chegou ao Parque São Jorge com o rótulo de "Salvador da Pátria" e não decepcionou. O meia foi um dos principais responsáveis por tirar o time das últimas colocações do Paulistão e levá-lo à final. O Corinthians perdeu o título de 87 para o São Paulo, mas a Fiel soube reconhecer o valor dos jogadores na heróica reabilitação.
 
No ano seguinte, a estrela de Éverton continuou brilhando. Depois de chegar a ficar no banco de reservas do alvinegro e quase ser negociado com o Internacional (RS), Éverton retomou sua posição de titular no time comandado por Jair Pereira. O meia foi o peça importante para o título. Gols incríveis contra o São Paulo (do goleiro Rojas), no Pacaembu, no empate por 2 a 2, ajudaram a colocar o Corinthians na final contra o Guarani.
 
Ainda em 88, Éverton se transferiu para o Porto, de Portugal, mas lá não conseguiu render o mesmo futebol dos tempos de São Paulo, Galo e Corinthians. Voltou ao Brasil, dois anos depois, para defender o América Mineiro.
 
Gols salvadores

Éverton não se esquece de seus gols pelos diversos times em que jogou, mas quatro foram especiais para o meia. "Aqueles gols contra o Botafogo, no Morumbi, em 1981, quando jogava pelo São Paulo, foram realmente marcantes. E outros dois gols especiais foram pelo Corinthians contra o próprio São Paulo, em 1988. Nós perdíamos o jogo também por 2 a 0 e eu fiz os dois gols do Corinthians, no Pacaembu. O goleiro do São Paulo era Rojas", conta Éverton.
O jogo São Paulo 3x2 Botafogo, no Morumbi, aconteceu no dia 26 de abril de 1981. "Foi um dia muito feliz na minha carreira. Fiz um belo gol, acertei um belo chute e a bola bateu na trave antes de entrar", fala. Já a partida Corinthians 2x2 São Paulo, no Pacaembu, aconteceu no dia 26 de junho de 1988.
 
Estreia em grande estilo

O leitor Leoberto do Prado, torcedor do Londrina Esporte Clube, lembra que Éverton já mostrava ter faro de gol em sua primeira partida profissional com a camisa do Tubarão. "ele fez três gols contra o Vila Nova, de Goiás, no estádio do Café", revela Prado.
 
Jogos pelo Tricolor e pelo Timão

Com a camisa do São Paulo, entre 1981 e 1982, Éverton disputou 152 partidas (87 vitórias, 28 empates e 37 derrotas) e marcou 41 gols. Já pelo Corinthians, entre 1987 e 1988, fez 68 partidas (28 vitórias, 26 empates e 14 derrotas) e marcou 20 gols.
Fonte dos números - Almanaque do São Paulo- Alexandre da Costa/Almanaque do Corinthians - Celso Unzelte.
 
Abaixo, confira a entrevista de Everton ao Portal UOL, publicada no dia 28 de agosto de 2017
 
Ex-SP virou estrela após decidir semi de Brasileiro e parou até na Hebe

Marcello De Vico e Vanderlei Lima
Do UOL, em Santos (SP)

Meia com passagens por São Paulo, Corinthians e Atlético-MG, Éverton viveu um dos auges de sua carreira em 1981, justamente o ano em que foi contratado pelo Tricolor paulista. O São Paulo tinha o Botafogo pela frente nas semifinais do Campeonato Brasileiro e já havia perdido o jogo de ida, no Maracanã, por 1 a 0. Ainda saiu levando 2 a 0 no jogo de volta, no Morumbi, mas Serginho Chulapa e Éverton, com dois gols, viraram a partida para 3 a 2 e colocaram o time comandado por Carlos Alberto Silva na decisão – seria derrotado pelo Grêmio na sequência.

A partida feita por Éverton, porém, serviu-lhe para ter um salto na carreira. Reserva, ele entrou durante o jogo, marcou um golaço de fora da área (2 a 2) e depois fez outro gol (da virada) que fez explodir o Morumbi – que contou com quase 100 mil pessoas. A grande atuação lhe rendeu dias de fama e até uma aparição no programa da Hebe Camargo, então na Bandeirantes.

"Nossa senhora, sô, eu dei entrevista para Deus, para todo mundo. Eu fui na Hebe Camargo, que me entrevistou, eu fui no Osmar Santos, da Rádio Globo", recorda Éverton, na época ainda com 21 anos de idade e passagem apenas pelo Londrina-PR em times profissionais. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o moço nascido em Florestópolis (PR) que hoje trabalha em BH como coordenador técnico das categorias de base do Atlético-MG (até 15 anos) lembra que, por muito pouco, não foi parar no Palmeiras. "Eu estava vendido para o Palmeiras. O presidente do Londrina tinha feito o negócio, mas parece que não foi muito claro, daí não deu certo, revisaram como seria a minha venda e encontraram algumas coisas erradas. Houve um reboliço e daí o São Paulo aproveitou e o treinador Carlos Alberto Silva aprovou a minha contratação, em janeiro de 81", conta.

"No Londrina eu fiz grandes jogos, fui artilheiro e tal, mas o jogo de maior destaque no cenário nacional foi esse: fiz aqueles dois gols na semifinal do Brasileiro contra o Botafogo e aquilo ali me deu uma força muito grande na minha carreira. Agora que eu estou mais experiente e mais velho, e eu falo assim: o São Paulo foi o vestibular da minha carreira, tipo, se eu ia para frente ou para trás... Então aquele jogo foi marcante na minha carreira por causa disso. Era uma rivalidade grande entre São Paulo-Rio. No Rio de Janeiro nós até perdemos para o Botafogo, gol do meu amigo daqui, o Marcelo Oliveira [hoje técnico], ele fez o gol lá no Maracanã, e depois no Morumbi foi 3 a 2 para gente; eu fiz o segundo e o terceiro gol", acrescenta Éverton.

Defendeu o Corinthians para realizar sonho do pai

Depois de passar por Guarani (1983) e Atlético-MG (1984 a 1987), Éverton chegou ao Corinthians em 1987. Ele lembra que recebeu uma proposta melhor para defender o Grêmio, mas optou pelo clube paulista para realizar um sonho do pai, corintiano roxo.

"O meu pai, já falecido na época, tinha o sonho de me ver jogando no Corinthians. Ele era corintiano roxo. E na época estavam na sede do Atlético-MG um diretor do Grêmio e diretores do Corinthians... Perdi dinheiro na época, foram coisas de luvas, mas perdi para satisfazer o sonho do meu pai. Só que ele não me viu eu jogar no Corinthians, faleceu em 1986... Ele me viu um pouco no Atlético-MG, no Londrina ele me acompanhava direto, só que ele não ficou sabendo do meu acerto com o Corinthians. Mas eu sabia que era o sonho dele e por isso perdi dinheiro e aceitei jogar no Corinthians. Fui vice paulista em 87 e campeão paulista em 88", diz.

Fez a `maior cag...´ da carreira ao ir para o Porto

Em 1988, chegou a hora de Éverton defender, pela primeira vez, um clube do exterior. Ele deixou o Corinthians para jogar no Porto, de Portugal, mas até hoje se arrepende da escolha.

"Foi a maior cagada que eu fiz, vamos falar o verbo certo. Por quê? O Porto é o famosão lá, e não é sacanagem, não, e naquela época meu irmão falou assim: `Está tudo certo com o Belenense, de Portugal´, e aí nós sentamos eu, meu irmão, Corinthians e Belenense, e eu tinha acertado tudo com o Belenense... Daí fomos para a final contra o Guarani, eu joguei mais ou menos, me machuquei na final, e fomos campeões, e eu fiz um bom campeonato, em 88. Depois ligou um cara do Porto para mim, foi lá no meu apartamento e falou assim: `Nós vamos dobrar a proposta para você´", lembra.

"Naquela época eram 3 mil dólares e foi para 6, sô, mais luvas, tudo dobrou, e eu meti o olho grande, e aí eu fiz cagada, por quê? Primeiro começou tudo errado, e depois eu não consegui jogar nada; três anos que eu cumpri o meu contrato eu só joguei um pouco no time titular. No Porto só tinha nego da seleção portuguesa, time campeão do mundo em 87, e só tinham jogadores bons de bola, e eu sempre fui titular no Brasil, e eu falei: `Putz, fiz cagada´, mas eu cumpri o contrato, tudo direitinho. O [lado] financeiro compensou, claro, mas profissionalmente foi péssimo, porque no Belenense eu ia jogar como titular", analisa Éverton.

15 anos na base do Atlético-MG e um sonho a ser realizado

Hoje coordenador técnico das categorias de base do Atlético-MG há 15 anos, Éverton guarda um sonho na atual profissão: revelar um grande craque (camisa 9 ou 10) para o mundo. Ele ainda conta quais jogadores do profissional do time mineiro já passaram pelas suas mãos.

"Teve um jogador que começou comigo no mirim, o Gabriel, e tem o Yago, que está no profissional. Agora o meu sonho é revelar um camisa 9 e um 10. Esteve aqui comigo o Dodô, ele é meia e foi emprestado para a Chapecoense, mas o caminho até o profissional é complicado. O cara tem que estar firme no extracampo, tem que aguentar firme as críticas. Os problemas são as más companhia. Às vezes um menino bom que a gente tomou conta até o sub-15 depois passa para o juvenil e já tem um vício, uma má companhia, é perigoso: bebida, drogas, mulheres, noitadas, e não tem como controlá-los, não tem jeito, mas o meu sonho ainda é ver um camisa 9, um camisa 10, que faça gol, titular, que faça mesmo a alegria do torcedor", revela Éverton, que, ao menos por enquanto, prefere continuar com a mesma profissão.

"Eu já tive proposta para avançar na área de treinador, mas eu penso que me adapto melhor nesse trabalho que faço hoje, o de coordenação", completa.
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    Fonte dos números - Almanaque do São Paulo- Alexandre da Costa/Almanaque do Corinthians - Celso Unzelte.

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