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Amarildo, o Possesso

Ex-Botafogo, Milan e Seleção Brasileira
por Milton Neves, Rogério Micheletti e Gustavo Grohmann
 
Amarildo, o "Possesso", o Amarildo Tavares da Silveira, nasceu no dia 29 de julho de 1940, em Campos (RJ). Tem três filhos (duas mulheres e um homem) e três netos e sua esposa é italiana.

Flamenguista em sua juventude, até ser transferido para o Botafogo, ganhou o apelido de "Possesso" do genial Nelson Rodrigues.

Em setembro de 2011, foi diagnosticado com câncer na garganta. Nove meses mais tarde, revelou, em entrevista exclusiva ao Portal Terceiro Tempo, estar completamente curado da doença.

Ele é técnico internacional com passagens múltiplas por times do mundo árabe e por equipes de divisões inferiores da Terra da Bota. Os filhos de Amarildo se chamam: Jennifer (nascida no Rio) e Katiutcha (italiana de Nápoles) e Rildo (nascido em Florença).

"Ele se chama Rildo porque na Itália só me chamavam de ´Rido´. Por isso, eu achei melhor colocar o nome de Rildo no meu filho", conta.

Após residir por muitos anos em Florença, na Itália, retornou ao Brasil em maio de 2007. "Voltei para ficar e trabalhar como técnico de futebol. Um futebol que era muito mais alegre e muito mais bonito do que eu vi desde que cheguei ao Brasil. O esporte virou muita força, correria e técnica quase zero. Temos de incrementar o retorno da técnica e retomar quem ensine os garotos", declarou o ex-jogador e hoje técnico em entrevista à ESPN Brasil.

Até janeiro de 2008, Amarildo estava inconformado por não estar empregado como treinador no Brasil, mesmo tendo um currículo invejável. Amarildo foi sempre um grande campeão, além disso tem experiência internacional como jogador e também como técnico.

No fim de sua carreira, Amarildo teve rápida passagem Vasco da Gama, quando tentou se readaptar ao Rio e ao futebol brasileiro, mas logo voltou para a Itália.

Meia-esquerda de muito habilidade, artilheiro, Amarildo começou a carreira no Goitacaz e chegou a passar dois anos pelo Flamengo antes de explodir no Botafogo. Ele foi figura muito importante na Copa do Mundo de 1962, na qual substituiu o "Rei", contundido, participando de quatro jogos e marcando três gols: dois diante da Espanha e um contra a Tchecoslováquia, na final da Copa.

Em 1963 foi negociado com o Milan, da Itália, onde também brilhou. Jogou ainda na Fiorentina e na Juventus. Encerrou a carreira no Vasco, em 1972.

No Milan, na decisão do Mundial de Clubes contra o Santos em 63, ele integrou o célebre ataque rubro-negro ao lado de Mora, Lodetti, Mazzola (o Altafini) e Gianni Rivera. E no Botafogo é "titular" do maior ataque do Glorioso em todos os tempos: Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Amarildo e Garrincha ganharam "sozinhos" a Copa do Chile para o Brasil.

Copa de 66

Amarildo foi um dos 47 jogadores convocados, pelo técnico Vicente Feola, para o período de treinamento que visava conquistar a Copa da Inglaterra e, consequentemente, o tricampeonato mundial de futebol. Infelizmente deu tudo errado.

Os 47 jogadores convocados, devido a forte pressão dos dirigentes dos clubes, para o período de treinamento em Serra Negra-SP e Caxambu-MG como preparação para a Copa de 66, na Inglaterra, foram: Fábio – São Paulo, Gylmar – Santos, Manga – Botafogo, Ubirajara Mota – Bangu e Valdir – Palmeiras (goleiros); Carlos Alberto Torres – Santos, Djalma Santos – Palmeiras, Fidélis – Bangu, Murilo – Flamengo, Édson Cegonha – Corinthians, Paulo Henrique – Flamengo e Rildo – Botafogo (laterais); Altair – Fluminense, Bellini – São Paulo, Brito – Vasco, Ditão – Flamengo, Djalma Dias – Palmeiras, Fontana – Vasco, Leônidas – América/RJ, Orlando Peçanha – Santos e Roberto Dias – São Paulo (zagueiros); Denílson – Fluminense, Dino Sani – Corinthians, Dudu – Palmeiras, Edu – Santos, Fefeu – São Paulo, Gérson – Botafogo, Lima – Santos, Oldair – Vasco e Zito – Santos (apoiadores); Alcindo – Grêmio, Amarildo – Milan, Célio – Vasco, Flávio – Corinthians, Garrincha – Corinthians, Ivair – Portuguesa de Desportos, Jair da Costa – Inter de Milão, Jairzinho – Botafogo, Nado-Náutico, Parada – Botafogo, Paraná – São Paulo, Paulo Borges – Bangu, Pelé – Santos, Servílio – Palmeiras, Rinaldo – Palmeiras, Silva – Flamengo e Tostão – Cruzeiro (atacantes).

Dos 47 convocados por Vicente Feola, para esse infeliz período de treinamentos, acabaram viajando para a Inglaterra os seguintes 22 "sobreviventes": Gylmar e Manga (goleiros); Djalma Santos, Fidélis, Paulo Henrique e Rildo (laterais); Bellini, Altair, Brito e Orlando Peçanha (zagueiros); Denílson, Lima, Gérson e Zito (apoiadores); Garrincha, Edu, Alcindo, Pelé, Jairzinho, Silva, Tostão e Paraná (atacantes).
 
Entrosamento o ajudou em 62
 
Amarildo afirma que não tinha muitas esperanças de jogar na Copa do Mundo de 1962. "Nós tínhamos um tal Pelé e sabia que a minha chance de jogar era pequena. Mas teve a contusão do Pelé. Eu fui chamado para substituí-lo. A responsabilidade era muito grande, mas eu tinha confiança em mim. Todos os companheiros também confiavam", comentou Amarildo, em entrevista ao canal Sportv, no dia 10 de maio de 2007.

O ex-botafoguense entende que o entrosamento com outros jogadores foi fundamental para que ele fizesse sucesso naquela Copa. "Eu não tive que me adaptar ao time. Existia um entrosamento com os jogadores do Botafogo e isso ajudou muito a minha participação na seleção brasileira", emendou.
 
Bola de Ouro Fifa
 
Em 13 de janeiro de 2014, Amarildo participou da cerimônia do prêmio de melhor jogador do mundo, organizado pela Fifa e da Revista France Football. O Possesso fez um discurso de três minutos durante o evento, deixando os apresentadores Ruud Gullit e a brasileira Fernanda Lima apreensivos. 
 
Todas as camisas

Amarildo vestiu as seguintes camisas: Goitacaz, Flamengo, Botafogo, Milan, Fiorentina, Roma e Vasco, onde parou em 1974 (foi campeão brasileiro pelo time cruz-maltino naquele ano).
 

Texto de Nelson Rodrigues  originalmente publicado em 7 de junho de 1962 (um dia depois do jogo Brasil 2 x 0 Espanha, pelas oitavas de final da Copa do Mundo)

Era também, por conta de Dostoievski, um rútilo epiléptico. Amigos, nunca um só foi tantos. E esse múltiplo, esse numeroso Amarildo acabou enterrando o seu gol, até o fundo, no coração da Espanha. Ali se cumpria a grande profecia: — um novo Pelé estava nascendo. E os Andes estupefatos viram erguer-se o astro recentíssimo, com o seu frenético fulgor.

E o segundo gol, amigos, o segundo gol! Vamos ao lance. O Mané apanha a bola. E, entre parênteses, tem razão o poeta e psicanalista Hélio Pellegrino quando afirma que Garrincha é a maior sanidade mental do Brasil. Exato. O próprio Freud, se conhecesse o Mané, havia de reconhecer, com a humildade dos sábios: — “Rapaz, se todo mundo tivesse a tua sanidade, eu ia acabar apanhando papel na esquina!”. Ontem todo mundo estava emocionalmente em pandarecos. Menos o Mané. Pegava a bola e era o mesmo, sempre o mesmo, eternamente o mesmo, assim na terra como no céu.

No segundo gol, Mané deu uns dez salames dionisíacos. Comeu com aquele apetite imortal toda a defesa inimiga. E comeu o juiz e comeu o bandeirinha. Tudo isso com uma saúde de passarinho, e insisto: — tudo isso com alegria, com bondade, com pureza. No fim, não havia mais ninguém para driblar, ninguém. E Mané, que no fogo mais infernal tudo vê e tudo sabe, passa para Amarildo. Mas não foi um passe qualquer. Nem a cabeça de São João Batista foi tão na bandeja como aquela bola de Garrincha. Estava lá Amarildo, o possesso Amarildo, o rútilo epiléptico. E então ele enfiou a sua cabeçada mortal. Aquilo era o Brasil.

Abaixo, ouça a participação de Amarildo no programa "Domingo Esportivo", da Rádio Bandeirantes, no dia 11 de março de 2018:

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