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Videla

Ditador argentino na Copa de 1978

* Página do jornal argentino "Página 12",  sobre a morte de Jorge Videla

Por Ednilson Valia, @eddycalabres

O mais cruel ditador argentino, chefe do país na conquista da primeira Copa do Mundo (1978), nasceu na cidade de Mercedes em 25 de agosto de 1925 e morreu solitariamente, sentado no vaso sanitário, na prisão de Marcos Paz, em Buenos Aires, aos 87 anos, em 17 de maio de 2013.
Nenhum platino, patagão, mendocino ou fueguino pode considerar o período de Videla no comando da Argentina uma boa fase.
 Ele assumiu diante de um Tribunal de Justiça ser o responsável por oito mil mortes diretas e pelo seqüestro de bebês, filhos de militantes políticos críticos ao seu governo, nos anos que comandou o país vizinho entre 1976-1981 e por decisão da Justiça Argentina foi condenado a prisão perpétua.
Em 1978, Videla quis promover o regime ditatorial argentino sediando a 11ª Copa do Mundo, com o auxilio do então presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange.
A seleção alviceleste levantou o caneco de campeã mundial sob muitas suspeitas. 

Leia o texto de Aline Ferreira Martins e Cléverson José dos Santos que contam em detalhes a Ditadura Argentina e o Campeonato Mundial de futebol

Copa em Discussão nº 12: Argentina 1978 - futebol e ditadura

Das estratégias coercivas ? e nada inéditas no contexto esportivo ? dos militares argentinos para blindar os problemas do regime na época da Copa de 1978, passando pela análise das cifras extraordinárias que envolvem o mundo futebolístico, até chegar à divulgação dos dados mais atualizados das obras para a Copa do Mundo de 2014 ? nesse caso, o Brasil irá investir cerca de R$ 6 bilhões para a construção e reforma dos estádios nas cidades-sedes.
A Copa do Mundo de futebol realizada na Argentina no ano de 1978 foi um evento controverso. A ditadura civil-militar que estava estabelecida no país teve grande controle sobre a competição, tornando-a uma forma de propagação de ideais nacionalistas internamente e buscando melhorar a imagem do país no exterior.
Segundo Dowdle (2011), a política e o futebol apresentam relações intrínsecas na América Latina. Os governos utilizam tal esporte como ferramenta para defender o nacionalismo, sendo que, até hoje, é usado como arma para o controle das massas, pois unifica diferentes classes sociais, esquecendo, mesmo que temporariamente, as diferenças. A autora também aponta que o futebol é uma forma de ascensão social, já que proporciona a oportunidade de atletas, das classes baixas da sociedade, crescerem economicamente.
A importância do futebol na política da Argentina era evidente. Assim que chegou ao poder, a Junta Militar passou a gerenciar a programação das emissoras de televisão que, a partir de então, só exibiam programas estatais, com exceção, é claro, das partidas de futebol, que puderam ser apresentadas livremente. Além disso, o futebol era um grande motor da popularidade de um indivíduo; de sorte que, antes de ingressar na política, os aspirantes iniciavam sua carreira como líderes de times de futebol, assim seu reconhecimento estava garantido (Dowdle, 2011).
A ditadura de Jorge Rafael Videla durou cerca de cinco anos, e, apesar da curta duração, foi um dos mais sangrentos regimes autoritários latinos, deixando milhares de mortos e um número ainda maior de desaparecidos. Para ocultar o desrespeito aos direitos humanos e amenizar o clima de tensão em que o país estava submerso, a Junta Militar utilizou mecanismos como manipulação e limitação da ação da imprensa e a repressão militar de grupos políticos opositores. A agência Burson Masteller, especializada em publicidade para ditaduras, foi a grande responsável por difundir a "paz argentina? no mundo. Para tanto, diversas personalidades estrangeiras foram convidadas a visitar o país, além disso, a agência realizou atividades de promoção da cultura argentina na Europa (Berns, 2007).
No âmbito internacional, diversos esquerdistas franceses se uniram para organizar um boicote ao Mundial de 1978. Magalhães (2012) afirma que o COBA (Comitê de Boicote do Mundial de Futebol na Argentina) objetivava acabar com o silêncio internacional em torno do desrespeito aos direitos humanos na Argentina. Os integrantes do Comitê buscaram apoio dos exilados argentinos. No entanto, a grande maioria dos exilados argumentavam que o futebol era alienado da política ou que a realização da Copa era inevitável. O COBA fez várias denúncias junto à ONU, todavia o veto da União Soviética não permitiu intervenção das Nações Unidas na Argentina. Após o Mundial, o trabalho do Comitê prosseguiu e, ainda que o boicote não tenha sido exitoso, os manifestantes conseguiram o reconhecimento do parlamento europeu que, em 1979, admitiu o terrorismo estatal na Argentina.
Assim que tomou o poder, Videla criou o EAM 78 (Ente Autarquico Mundial 1978) entidade responsável pela organização do mundial. O EAM teve de construir três estádios e reformar outros três. Para o Ministério da Economia, os gastos da Copa seriam extremamente onerosos para os cofres públicos, que já estavam esfacelados pelos custos da ditadura. Mas, a Junta Militar queria exibir a força e a paz da Argentina para o mundo a qualquer custo. Além de investimentos na infraestrutura, a FIFA exigiu a transmissão em cores das partidas. Essa exigência levou o governo militar a criar o 78 TV, emissora oficial da Copa. Os jogos em cores foram transmitidos apenas para as residências do exterior, pois a tecnologia não pode abranger todo o país a tempo, de modo que só a partida final foi apresentada em cores para as casas argentinas.
A AFA (Associação de Futebol da Argentina), que antes do golpe de Videla era responsável pela organização da Copa, a partir de 1976 foi-lhe delegada somente a preparação da seleção nacional que, desde 1974, estava a cargo de Cesar Luis Menotti. O técnico trabalhou para que a população argentina "se sentisse em campo?. Com o objetivo de manter a seleção "pura?, Menotti proibiu que jogadores da seleção fizessem parte de times no exterior (Dowdle, 2011).
Uma vez em campo, os argentinos fizeram uma boa primeira fase, perdendo somente para a Itália. Na segunda fase, a seleção anfitriã protagonizou um episódio polêmico: para avançarem à final, os argentinos precisavam vencer o Peru por uma diferença de quatro gols; o resultado da partida foi 6x0 para a seleção da casa, numa partida surpreendentemente fácil para os vencedores. Semanas depois, o governo argentino doou 35 mil toneladas de trigo para o Peru. A suspeita de fraude era clara. O mistério ronda a FIFA e as duas seleções até hoje. À época, obviamente, o controle militar não permitiu a veiculação de qualquer suspeita sobre aquela semifinal. Na final contra a Holanda, os argentinos ganharam seu primeiro título mundial. Enfim, o slogan "25 millones de argentinos, jugaremos el mundial? se cumpriu, fazendo com que milhares de argentinos fossem às ruas comemorar a inédita vitória, esquecendo da ditadura que lhes oprimia.
Se os gastos exagerados causaram um desfalque na economia argentina, havia uma expectativa de que o fluxo de turistas em direção ao país compensasse os gastos. No entanto, a estimativa de receber até 60 mil turistas não se cumpriu: apenas sete mil estrangeiros visitaram o país durante a Copa, além de 2400 jornalistas e 400 convidados de honra (Magalhães, 2012). A crise econômica se agravou sim, mas a exaltação da nação, principal objetivo dos ditadores, foi de enorme sucesso.
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