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Sócrates

Ex-meia do Corinthians
por Rogério Micheletti e Breno Menezes
 
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, um dos jogadores mais diferenciados da história do futebol, tanto dentro quanto dos campos, não resistiu à terceira internação e morreu aos 57 anos, no dia 4 de dezembro de 2011, em São Paulo, vítima de infecção generalizada.

Em 19 de agosto de 2011 foi internado na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, com hemorragia digestiva, provocada por cirrose hepática.

Após oito dias de internação, recebeu alta, mas voltou a ser internado no dia  2 de setembro, em estado mais grave ainda, com uma hemorragia no esôfago, tendo sido encaminhado à UTI do mesmo hospital e recebeu a notícia que precisaria de um transplante de fígado.
 
Voltou ao hospital na madrugada do dia 3 de dezembro, em função de um choque séptico, que ocasionou a infecção generalizada que vitimou um dos mais marcantes jogadores da história do Corinthians e Seleção Brasileira. 
 
Ele tinha  residência fixa em Ribeirão Preto (SP), escrevia para jornais (entre eles o "Agora São Paulo") fazia parte do programa "Cartão Verde" da TV Cultura e era formado em medicina.

Nascido no dia 19 de fevereiro de 1954, em Belém (PA), Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, começou a carreira no Botafogo, de Ribeirão, em 1974. No Pantera, o Doutor fez sucesso ao lado do ponta-direita Zé Mário (já falecido) e o artilheiro Geraldão (que depois também defenderia o Timão).

Em 1978, graças ao presidente corintiano Vicente Matheus, Sócrates foi para o Corinthians. Na época, o São Paulo cobiçava o alto, magro e extremamente talentoso meia-direita, mas ficou a ver navios e sofreu com o Doutor principalmente nas finais dos paulistas de 82 e 83, quando o time da "Democracia Corintiana" derrotou o Tricolor, em pleno estádio do Morumbi.

A Democracia

Culto e sempre ligado aos assuntos políticos, Sócrates foi um líder dentro de campo. "Era engraçado quando discutíamos no vestiário do Corinthians. Todo mundo falava e ninguém chegava a uma conclusão. De repente, o Sócrates abria a boca, todos ouviam e concordavam", disse o goleiro Sollito, que foi titular da meta corintiana na conquista do Paulista de 1982.

Para o Doutor Sócrates, o movimento Democracia Corintiana serviu como lição. "Foi uma época em que os subordinados eram escutados. E acho que isso é necessário hoje. A humanidade precisa ouvir mais", disse Sócrates em entrevista à Rádio CBN, em 2008.
No dia 28 de julho de 2012, a diretoria do Corinthians inaugurou um busto em homenagem ao ídolo Sócrates, no Parque São Jorge.
 
Fonte dos números - Almanaque do Flamengo: Roberto Assaf e Clóvis Martins / Almanaque do Corinthians - Celso Unzelte / Seleção Brasileira 90 anos: Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Pelo Corinthians:

Magrão, como era chamado pelos companheiros, realizou 297 jogos, marcou 172 gols e conquistou os títulos paulistas de 79, 82 e 83. Pela seleção brasileira, ele disputou dois mundiais (1982 e 1986).

Fonte: Almanaque do Timão, de Celso Unzelte.

Pela Seleção Brasileira:

Com a camisa canarinho foram 63 jogos (41 vitórias, 17 empates, 5 derrotas) e 24 gols marcados.

Fonte: Seleção Brasileira - 90 Anos - 1914 - 2004, de Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Fiorentina e Flamengo

Depois de uma passagem apagada pela Fiorentina, da Itália, onde esteve de 1984 a 1986, o Doutor voltou para o Brasil, desta vez para jogar no Flamengo. No entanto, as contusões atrapalharam a permanência dele na Gávea. Foram apenas 20 jogos com a camisa do Fla (10 vitórias, 3 empates, 7 derrotas) e cinco gols marcados.

Santos

Em 1988, após ficar um ano longe dos gramados, Sócrates foi defender o Santos, seu time de infância. No Peixe, ele jogou apenas um ano e sua melhor partida foi contra o Corinthians, na vitória por 2 a 1, no Brasileiro de 88. Ainda nos anos 80, ele viu uma outra estrela de sua família brilhar: o irmão Raí, que se tornou ídolo do São Paulo.
 
ABAIXO, EM VÍDEO, DEPOIMENTO DO JORNALISTA FLAVIO GOMES SOBRE SÓCRATES, GRAVADO EM 2016
 

No dia 05 de dezembro de 2011, o Portal Terceiro Tempo publicou um texto do jornalista Rogério Micheletti sobre o Doutor Sócrates.

O adversário era mesmo mais difícil do que a Itália de um inspirado Paolo Rossi.

Doença é democrática. Atinge ídolos, desconhecidos, ricos e pobres.

Sócrates sempre foi democrático.

A cerveja combina com a Fiel.

Sócrates sempre adorou os dois.

Demorou um pouco para expor o seu amor aos torcedores corintianos.

Mas até na quadra da Gaviões já esteve. Foi há pouco mais de um ano.

Eu também estava lá. Sócrates promovia a "Arquibancada Literária".

Estranhei o fato dele não estar bebendo aquela loira gelada.

E olha que convites não lhe faltaram.

Incrível mesmo a atenção dele com todos.

Sócrates sempre disse, bem humorado, que ele era "presenteado" com marmanjos barbudos lhe pedindo autógrafos, abraços e fotos. Diferentemente de seu irmão, o galã Raí, que costumeiramente é cercado por meninas bonitas.

Realmente, Magrão, você nunca foi casca (não que o Raí seja um desses, longe disso, afinal é um cara politizado também).

Sócrates significou conteúdo, política, cultura e classe, mesmo sendo ídolo do povão.

Povão que está chorando agora. E sempre estará.

Sócrates das Diretas Já, da frieza, da paixão escondida, da genialidade.

Sócrates de Belém do Pará, de Ribeirão Preto, de Sampa, do Rio, de Santos, de Firenze...

Sócrates Brasileiro. Sócrates do mundo.

O mundo que tanto rezou por você.

Pena que você não conseguiu enganar tudo mais uma vez com seu mágico calcanhar.

Curiosidades sobre o Doutor

- Sócrates morreu no dia 4 de dezembro de 2011. No mesmo dia e mês, em 1983, ele marcou de pênalti contra o Palmeiras, em jogo válido pela semifinal do Paulistão. A partida empatou 1 a 1. O gol palmeirense foi de Baltazar.

- A última partida de Sócrates pelo Corinthians foi em Kingston, contra a seleção jamaicana. O alvinegro perdeu por 2 a 1, gol dele.

- A estréia de Sócrates pelo alvinegro foi contra o Santos, no Morumbi, em partida válida pelo Campeoanto Paulista de 1978. Empate por 1 a 1, gols de Pita para o Santos e Rui Rei para o Corinthians.

- A melhor partida que eu vi do Doutor foi contra o Goiás, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro de 1984. O Corinthians venceu o Goiás por 5 a 0. Sócrates fez quatro gols.

- Em minha opinião, os gols mais importantes de Sócrates pela seleção foram contra a União Soviética e Itália, ambos no Mundial de 82. Pelo Corinthians, contra o São Paulo na final do Paulistão de 1983.

- Sócrates fez grandes duplas com Geraldão (no Botafogo de Ribeirão e no Corinthians), Palhinha, Casagrande...

- Por pouco, Sócrates não foi jogador da Ponte Preta entre 1985 e 1986. Ele chegou a vestir a camisa da Macaca, mas nunca jogou pelo time de Moisés Lucarelli.

- Em jogo entre Corinthians masters e Corinthian (o original inglês), em 1988, no Pacaembu, o Timão venceu por 1 a 0, golaço de Sócrates.

- O São Paulo queria contratar Sócrates, quando o meia ainda atuava pelo Botafogo de Ribeirão. Mas em uma brilhante jogada de Vicente Matheus. O então presidente corintiano mandou um representante falar com dirigentes do São Paulo para tratar da "contratação" do volante Chicão, enquanto viajava para Ribeirão para acertar com o Botafogo, dono do passe do Magrão. Matheus enganou os cartolas do Tricolor e apresentou Sócrates como reforço no Parque São Jorge.

Frases do Magrão

"Telê foi o melhor treinador que eu tive"

"Eu tenho uma relação com o povo corintiano, com a torcida corintiana"

"Eu gosto da periferia.  Lá, eu tenho contato com seres humanos. E isso é muito bom. Não gosto de coisas enjoadas"

"Acho que a partida principal que fiz pelo Corinthians foi contra o Flamengo, no Morumbi, pelo Brasileirão de 1984. Nós tínhamos de vencer por dois gols de diferença o time do Júnior, do Zico. Não joguei o primeiro jogo no Maracanã, porque estava machucado. Vencemos por 4 a 1 na volta"

"Eu não joguei no sacrifício. Você não faz o que gosta e sabe fazer no sacrifício"

"Futebol de hoje é uma correria só. Correndo para nada, para chegar a nada"

"Gol mais bonito? Não sei. Eu esqueço. Gol você faz. Depois se apaga"

No dia 29 de agosto de 2017, o UOL publicou uma matéria especial, na qual entrevistou Kátia Bagnarelli, viúva de Sócrates, ex-craque do Corinthians e Seleção Brasileira. E o portal Terceiro Tempo republicou essa matéria, assinada por Felipe Ferreira (do UOL, em São Paulo), que você pode conferir clicando aqui.

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    Pelo Corinthians:

    Magrão, como era chamado pelos companheiros, realizou 297 jogos, marcou 172 gols e conquistou os títulos paulistas de 79, 82 e 83. Pela seleção brasileira, ele disputou dois mundiais (1982 e 1986).

    Fonte: Almanaque do Timão, de Celso Unzelte.

    Pela Seleção Brasileira:
    Com a camisa canarinho foram 63 jogos (41 vitórias, 17 empates, 5 derrotas) e 24 gols marcados.
    Fonte: Seleção Brasileira - 90 Anos - 1914 - 2004, de Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

    Fiorentina e Flamengo
    Depois de uma passagem apagada pela Fiorentina, da Itália, onde esteve de 1984 a 1986, o Doutor voltou para o Brasil, desta vez para jogar no Flamengo. No entanto, as contusões atrapalharam a permanência dele na Gávea. Foram apenas 20 jogos com a camisa do Fla (10 vitórias, 3 empates, 7 derrotas) e cinco gols marcados.

    Santos
    Em 1988, após ficar um ano longe dos gramados, Sócrates foi defender o Santos, seu time de infância. No Peixe, ele jogou apenas um ano e sua melhor partida foi contra o Corinthians, na vitória por 2 a 1, no Brasileiro de 88. Ainda nos anos 80, ele viu uma outra estrela de sua família brilhar: o irmão Raí, que se tornou ídolo do São Paulo.

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