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Osmar Santos

Locutor esportivo
por Marcelo Rozenberg

Osmar Santos nasceu em Osvaldo Cruz, interior de São Paulo, em 28 de julho de 1949.
 
Passou a infância em Marília, para onde seus pais Romeu e Clarice se mudaram. Foi também na cidade do interior paulista que começou a trabalhar no rádio, veículo que o tornaria conhecido no Brasil inteiro pelo estilo incomparável nas transmissões esportivas.
 
Era inovador, cheio de jargões e criativo, capaz de ditar moda entre os amantes do futebol e deixar inúmeros discípulos. No entanto, um acidente ocorrido no dia 22 de dezembro de 1994, na estrada que liga Marília a Lins, no interior de São Paulo, encerrou sua brilhante carreira. Ao acordar no hospital, estava com a parte direita do corpo paralisada, consequência de traumatismos no cérebro.
 
Após muitas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, voltou a pronunciar palavras, além de ter recuperado parte da coordenação motora. Mas jamais retornou ao microfone. Atualmente, comanda a equipe de esportes da Rádio Globo de São Paulo, ao lado de seu irmão Oscar Ulisses. Além disso, utilizando-se da mão esquerda, pinta quadros que já foram expostos em inúmeros eventos.
 
Adotada como terapia logo após o acidente, esta manifestação não-verbal o fez receber vários elogios. Suas telas foram avaliadas por mestres da pintura como poéticas, com cores vibrantes e iluminadas.

Osmar fez história em algumas das maiores emissoras paulistanas como Jovem Pan, Record e Globo. Extremamente ágil e tecnicamente perfeito nas narrações, ganhou notoriedade pelos jargões que caíam facilmente na boca do povo, tais como "ripa na chulipa e pimba na gorduchinha", "é lá que a menina mora", "é fogo no boné do guarda", "pisou no tomate" e "bambeou mas não caiu". Sem falar, é claro, do inesquecível "iiiiiiii que golllllllllllllllll", a cada vez que a bola balançava as redes.
 
No auge, chegava a pronunciar 100 palavras por minuto sem engasgar nenhuma vez. A dramaticidade que impunhava a cada lance era capaz de prender o ouvinte durante a partida inteira. Conseqüência direta de sua veia poética aguçada. Osmar devorava obras de nomes como Carlos Drumond de Andrade, Camões e Eça de Queirós.
Osmar trabalhou também na televisão. Passou pelas redes Globo, Record e Manchete, mas vale destacar sua participação no inesquecível "Balancê", programa de variedades que fez história. Em 1984, ficou conhecido como o "locutor das Diretas" devido ao seu engajamento na campanha que pretendia instituir novamente as eleições diretas para presidente do Brasil. Subiu no palanque ao lado de ícones da política nacional como Franco Montoro, Leonel Brizola e Luís Inácio Lula da Silva.
 
No dia 22 de dezembro de 2014, 20 anos após o terrível acidente, Osmar conversou com a reportem do Portal UOL, confira:
 
20 anos após acidente que mudou sua vida, Osmar Santos fala em conta-gotas
 
Adriano Wilkson
Do UOL, em São Paulo
 
Hoje faz vinte anos que Osmar Santos não fala uma frase completa sem sobressaltos.

Seu raciocínio continua afiado, tão afiado quanto no tempo em que ele era um dos narradores mais conhecidos do Brasil, tão afiado quanto no tempo em que conjurava bordões que marcaram a história da crônica esportiva, tão afiado quanto no tempo em que seus discursos o tornaram a voz oficial da abertura política do país.

Mas desde o dia 22 de dezembro de 1994, desde o grave acidente que machucou justamente a parte de seu cérebro responsável pela comunicação, os lábios de Osmar Santos não acompanham seu pensamento rápido.

Ele pensa em enxurrada, mas fala em conta-gotas.

Uma entrevista com ele é quase uma sessão do jogo da mímica. Você faz uma pergunta, e a resposta vem resumida em uma ou duas palavras-chaves misteriosas.

"Você continua acompanhando futebol?", pergunta a reportagem.

"Penalty. Gorduchinha", ele responde.

Com um pouco de contexto fica fácil deduzir o que ele quer dizer. Um dia antes da entrevista, a Penalty anunciara que a bola batizada de Gorduchinha, apelido imortalizado por Osmar, será usada no Campeonato Paulista de 2015. O ex-narrador sorri empolgado, confirmando a dedução. "Penalty, gorduchinha", ele repete. "Gol!"

***

Mas às vezes não é tão simples assim.

Quando não se consegue fazer entender, Osmar pede a intercessão de Toninha, sua assistente pessoal, que trabalha com ele há quase uma década. Eles se veem todos os dias, e ela o entende mais do que a própria mãe dele, Clarice.

Toninha quase sempre é capaz de interpretar com sucesso as palavras-chaves de Osmar. Mas quando nem ela consegue, é preciso escrever o conceito em um papel. Depois disso, as mímicas se tornam mais frequentes. Quando ainda assim não o compreendem, Osmar apela aos universitários.

Ou, no caso, a amigos que ele alcança pelo celular.

Por exemplo, quando Osmar quer comunicar que em tal dia ele vai almoçar com seu amigo Botafogo (alguns dos amigos ele chama não pelo nome, mas pelo clube do coração), ele disca a Botafogo e passa o telefone ao interlocutor. O amigo do outro lado da linha explica quando será o almoço, o que eles vão comer, de que assunto irão tratar...

É como se os amigos de Osmar, por um momento, virassem o próprio Osmar, ajudando-o a superar as limitações da comunicação, falando por ele, sendo a voz que ele não consegue conjurar.

Na casa de Osmar Santos não se joga conversa fora, porque lá as palavras são um item raro, precioso. Cada palavra, cada significado, leva a outra palavra e a outro significado. Percorrendo a cadeia lógica que se forma entre eles, você tenta (e quase sempre consegue) conversar com o ex-narrador.

Eu faço alguma pergunta com meu sotaque carregado na letra S ao final de uma palavra. Osmar pula do sofá e pergunta: "Rio?" Respondo que não sou carioca, mas nasci em Belém do Pará.

O olhar de Osmar Santos se ilumina e ele começa a sorrir. "Fafá. Música." Osmar e a cantora Fafá de Belém foram personagens centrais dos comícios das Diretas Já.

Ele leva o dedo aos lábios. Seu pensamento sai como uma correnteza que se vê obrigada a passar pela estreiteza de um funil: "Música. Diretas. Fafá. Lula. FHC. Ulysses [Guimarães]. Viagens. Sul. Norte."

Uma longa história contada em fragmentos de sentido

Clarice, sua mãe, que vive com ele durante dois ou três meses por ano, lembra ainda emocionada do dia em que o filho falou pela primeira vez a palavra mexerica depois do acidente. Foi um pouco antes de Osmar, sem aviso, decidir que conseguia descascar e comer a fruta sem ajuda de ninguém – uma vitória inesquecível para quem perdeu quase todos os movimentos do braço direito e sempre foi destro.

Com o tempo, Osmar precisou reaprender a fazer tudo apenas com a mão esquerda. Amarrar o cadarço, abotoar a calça, abotoar a camisa, tomar banho, tomar banho de mar, escrever seu nome, pintar quadros... Cada avanço era uma felicidade que ele não consegue descrever (quem conseguiria?).

Clarice lembra que chorou no dia em que, meses depois do acidente, o filho apareceu na sala do apartamento caminhando. Foi um acidente tão grave que muitos acreditaram ter sido um milagre só o fato de Osmar não ter morrido.

"Eu tinha pedido a Deus para Ele me levar no lugar do meu filho", disse ela. "Mas quando vi meu filho caminhando de novo, aqui mesmo nesta sala, agradeci a Deus por ter me permitido vê-lo de pé outra vez."

A vida tem sido generosa com Osmar Santos, a julgar pelas várias gargalhadas que ele solta em uma hora e meia de entrevista. Sua agenda está tão ou mais movimentada do que na época em que trabalhava narrando futebol. Suas obras estão expostas em várias galerias da capital e do interior de São Paulo.

Seus filhos estão felizes, orgulhosos do pai que têm. Seus amigos o convidam para almoços e jantares, e não tem dia em que ele passe mais tempo em casa do que na rua, indo ao shopping, a salas de cinema, teatros, viagens e visitas a amigos.

Em vários sentidos, ele aprendeu um novo jeito de viver.

Mas algumas coisas permanecem as mesmas de 20 anos atrás. Osmar Santos é um homem à moda antiga. Prefere ouvir jogos no rádio a vê-los na TV. Pinta quadros de árvores, periquitos, peixes, nada muito moderno, nada muito abstrato.

Não costuma acessar a internet – torce o nariz quando digo que trabalho para um portal. Usa o celular com frequência, mas diferentemente da maioria das pessoas que usam celular hoje em dia, não faz ligações procurando nomes na agenda do aparelho: ele digita o número de cada amigo. Ou seja, sabe de cor o número de seus melhores amigos.

Ele também não perdeu a capacidade de criar bordões. Quem convive muito com ele começou a usar com frequência uma palavra que não sai de sua boca, uma palavra que já virou uma espécie de certeza nas conversas com Osmar Santos. Um verbo no passado, mas que significa uma vontade de futuro. Três letras que não são apenas o comunicado de um desejo, mas o anúncio de uma decisão.

Quando está entediado, quando está cansado, quando o assunto acaba ou quando ele apenas quer ir embora, Osmar Santos diz simplesmente: "Fui." E, simplesmente, vai.
 
por Marcelo Rozenberg e Milton Neves
 
Um dos maiores homens de comunicação do Brasil em todos os tempos, Fausto Corrêa da Silva, o grande santista Fausto Silva, nasceu em Porto Ferreira, interior paulista, em 02 de maio de 1950.
 
Seu pai era chefe da coletoria local, denominação que caiu em desuso e que denominava a Receita Federal.
 
Radialista, jornalista e apresentador de televisão, começou a carreira como repórter da rádio Centenário, de Araras.
 
Passou depois pelas rádios Cultura, de Campinas, Record, Jovem Pan (quando iniciou a trajetória de repórter de campo), e Globo. Passou também pelo jornal ? Estado de S.Paulo?. Atualmente apresenta o "Domingão do Faustão", na Rede Globo. Casado, mora em São Paulo e tem três filhos, Lara e João Guilherme do relacionamento atual, e Lucas.
 
No início da década de 1980, começou a apresentar na rádio Excelsior o saudoso programa "Balancê", que reunia grandes nomes do rádio, televisão e teatro e contava com o humor de Nelson Tatá Alexandre e Carlos Roberto Escova. Foi a partir de seu envolvimento neste projeto que Faustão foi para a televisão, passando a comandar o "Perdidos da Noite".
 
Sua carreira ganhou uma proporção muito maior quando transferiu-se para a Rede Globo, em 1989, e assumiu o comando do Domingão do Faustão aos domingos à tarde, até hoje no ar.
 
Fausto Silva, odeia a divulgação, mas, milionário, é o profissional mais humano da TV brasileira. Ajuda artistas, cantores, atores, operadores e técnicos de som em má situação financeira. E não se esquece principalmente de seus ex-companheiros de rádio esportivo e de profissionais que o ajudaram no "Perdidos na Noite".
 

Em 03 de junho de 2016, Milton Neves exaltou Vital Battaglia em sua coluna semanal no Portal Terceiro Tempo e também citou Osmar Santos. Veja abaixo, na íntegra:

FIFA picareta: Vital Battaglia, o primeiro a denunciar!

Saiu na mídia do mundo: mais 80 milhões de dólares embolsados em cinco anos pela “Trinca Fifista” Blatter, Valcke e Kattner!

Que trio fantástico de ataque ao dinheiro do futebol do mundo, hein?

Fora as outras “milhares” de rapinagens já descobertas até pelo FBI.

E, depois dessa, aumenta ainda mais minha saudade de Vital Battaglia, auto aposentado do jornal, do rádio, da TV e da internet.

Uma pena.

Ele foi o nosso primeiro algoz da FIFA, então “entidade santa”.

Que falta faz Battaglia!

Foi em 1975 que conheci pessoalmente e para valer a Vital Battaglia.

Ele já era estrela da mídia impressa há anos e de vez em quando participava no estúdio do “Jornal de Esportes”, de Cândido Garcia, na Rádio Jovem Pan I AM.

Naquele jornal, que já foi épico, Paulo Machado de Carvalho, humildemente serviu de padrinho de inauguração em 1973 na avenida Miruna, 713, Aeroporto.

Nele, eu era locutor-cuco: só podia dar a hora certa e não me era permitido fazer perguntas ao entrevistado no estúdio ou por telefone, algo então espécie de novidade, coisa rara.

“Você é ainda calça branca (novato), procure aprender que te deixo perguntar. Mas escreva a pergunta antes que verei se é boa ou simplória”, dizia sempre o saudoso Cândido Garcia, o Morcego, meu doce censor.

E Battaglia, quando aparecia, basicamente fazia perguntas “padrão Joaquim Barbosa”: só porrada!

Era o mais combativo jornalista esportivo do então top “Jornal da Tarde”, do Grupo Estado.

Ele foi levado para a Jovem Pan pelas mãos de Osmar Santos, no auge da carreira.

Osmar era um Neymar!

Antes, em 1973, Osmar me colocou também no futebol da emissora no lugar de Fausto Silva, hoje “Faustão”.

Virei o “Plantão Esportivo Permanente”, como reserva de Narciso Vernizzi.

Até então, era apenas repórter rodoviário aos sábados e domingos e setorista de trânsito no Detran e nas ruas de São Paulo, no início das manhãs e finais de tarde.

E aí veio para a equipe Vital Battaglia, contratado.

Logo de cara, sempre austero e azedo, o “Geraldo Bretas moderno, mais novo e erudito”, como eu o chamava, marcou território com seu “jornalismo investigativo”.

Como comentarista, no lugar de Leônidas da Silva, estreou no Parque Antártica, dia 9 de outubro de 1975, quinta-feira, naquele Corinthians 0 x 0 Sport do Recife, ao lado da novidade José Silvério, outro filho de Osmar Santos.

Substituto do curitibano Willy Gonser, que foi para Belo Horizonte, Silvério estreou “voando” e impressionou a Vital Battaglia: “Nunca a bola rolou tão rápido no rádio”, escreveu no Jornal da Tarde.

Mas aí, também em 1975, em rara entrevista ao vivo por telefone, o todo poderoso João Havelange foi confrontado por Battaglia ao final de seu primeiro ano como presidente da FIFA.

“A sua FIFA me lembra o Vaticano, antes duas entidades acima de quaisquer suspeitas, mas agora sustento que nem tudo é tão honesto. E pergunto se a FIFA não vem fazendo negociatas em direitos e patrocínios, e até conchavos políticos que o elegeram no lugar de Sir Stanley Rous, sem parceiro, no ano passado”, perguntou na lata.

Havelange, antes de bater o telefone, encerrando a entrevista, só respondeu que “quem é o maior acionista da Viação Cometa não precisa e não faz negociata financeira ou conchavos”.

Assustado com aquilo, o “calça branca” aqui “brigou” fora do ar com Battaglia: “Você é muito bom, mas foi desrespeitoso com o homem. A FIFA é muito séria, como o Vaticano”, disse a ele.

Battaglia, com aqueles lábios de italiano tipo “boca de cabrito”, resmungou que eu precisava crescer.

Ele tinha razão, e como tinha, e hoje pergunto se Stanley Rous e Havelange não fizeram um acordo para o Brasil não ganhar a Copa de 1966 e “estragar o produto Copa do Mundo”, que seria desvalorizado com nossa seleção tri em 58, em 62, em 66 e fazendo o Mundial “ perder a graça”?

Sei lá, mas a verdade é que um cartola (Havelange) sucedeu o outro (Stanley Rous) na segunda Copa seguinte e o Brasil “jogou mesmo” para perder a Copa de 66, “não é possível”!

É “a única explicação” para a seleção brasileira ter viajado para Liverpool sem o ícone e dispensado Paulo Machado de Carvalho, por ciúmes de Havelange, e sem Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Roberto Dias, Dino Sani, Rivellino, Servílio e Ademir da Guia.

Foram só veteranos superados, jogadores comuns como Fidélis, uns bons como Gérson, Lima e Tostão, ao lado do baleado Pelé e de um magistral Edu, não escalado.

Jogamos para perder, Vital Battaglia?

Mas duro mesmo foi o jornalismo ter perdido você!

 
Clique aqui e leia a crônica de Marcos Júnior em homenagem a Osmar Santos
 
Veja abaixo Osmar Santos em três momentos inesquecíveis:

1. No comício das "Diretas Já", no Vale do Anhangabaú-SP, em 1984;
2. Narrando o gol de Basílio na final do Campeonato Paulista em 13/10/1977 (Corinthians 2 x 0 Ponte Preta).
3. Narrando o gol de Raí, na final do Mundial Interclubes em 13/12/1992. (São Paulo 2 x 1 Barcelona).
 
 
 
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