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Nelson Piquet

Tricampeão de F1
por Marcos Júnior Micheletti
 
Nelson Piquet Souto Maior nasceu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1952, mas passou a maior parte de sua infância e adolescência em Brasília, pois seu pai, Estácio Gonçalves Souto Maior, que era médico, foi ministro da saúde entre 1961 e 1962, durante as gestões de Ranieri Mazzilli e João Goulart.
 
Em Brasília, aliás, um dos seus maiores amigos foi Alex Dias Ribeiro, com quem trabalhou na oficiana Câmber. E uma curiosidade: a mãe de Alex e de Nelson tem o mesmo nome: Clotilde.
 
O desejo familiar, principalmente do seu pai, era de que Nelson praticasse tênis, chegando inclusive a conseguir uma bolsa de estudos em Atlanta, nos Estados Unidos, onde o filho chegou a se destacar, mas sua paixão pelo automobilismo falou mais alto.
 
Contra a vontade do pai, começou no automobilismo, chegando ao bicampeonato brasileiro de kart (1971 e 1972).
Para não ser identificado pelo pai, adotou o sobrenome de sua mãe, dona Clotilde Piquet, mas grafado "Piket".
 
Com a morte do pai, em 1974, Nelson não encontrou mais barreiras familiares e chegou ao título da Fórmula Super-Vê, em 1976.

Na Europa

Seguiu o caminho aberto por Emerson Fittipaldi na Europa e, em 1978, na Inglaterra, foi campeão da Fórmula Ford Inglesa, quebrando o recorde do escocês Jackie Stewart, despertando o interesse dos principais construtores da Fórmula 1.
 
A excelente performance de Piquet lhe rendeu um teste com um carro da McLaren em 1978, mesmo ano em que estreou no Grande Prêmio da Alemanha, no circuito de Hockenheim com um carro alugado da Ensign. Ele largou em 21º e não completou a prova, com problemas no motor Ford-Cosworth.
 
Na sequência, participou de mais três provas, com um modelo antigo da McLaren (o M-23, da equipe BS, enquanto o time oficial da McLaren competia com o modelo M-26).

Na Áustria (Zeltweg) e Holanda (Zandvoort), com problemas mecânicos, não terminou as corridas e na  Itália (Monza), chegou em nono lugar.

Contrato com a Brabham

Ainda em 1978 assinou contrato com a Brabham, chefiada por Bernie Ecclestone para a temporada completa de 1979 para ser companheiro de equipe do austríaco Niki Lauda, na ocasião, bicampeão mundial de Fórmula 1.

Os dois pilotos da Brabham sofreram naquele ano com o motor italiano da Alfa-Romeo, devido ao peso excessivo e pouca confiabilidade.

Mesmo assim, Nelson conseguiu marcar seus primeiros pontos, chegando em quarto lugar no Grande Prêmio da Áustria, em Zeltweg. Ele terminou o campeonato no 15º lugar, com três pontos, um a menos que Lauda.

Em sua segunda temporada, em 1980, também pela Brabham agora equipada com motor Ford-Cosworth, teve um ano fantástico, chegando ao vice-campeonato, conquistando três vitórias (Long Beach, Holanda e Itália). O título ficou com o australiano Alan Jones, da Williams.

Em 1981 conquistou o primeiro de seus três títulos mundiais na categoria, derrotando o argentino Carlos Reutemann, da Williams.

Em 1982 a Brabham se associou à BMW para o desenvolvimento dos motores turbo da fábrica alemã da Baviera e os resultados não foram bons, terminando o ano na 11ª posição, mas conseguindo uma vitória, em Montreal, no Canadá.

Mas em 1982 Nelson se consolidou como um dos melhores especialistas em desenvolvimentos de carros e a Brabham-BMW de 1983 mostrou-se um carro vitorioso, levando Piquet ao bicampeonato, o primeiro conquistado por um motor turbo.

Foram três vitórias do brasileiro, que ficou dois pontos à frente do francês Alain Prost, da Renault (59 a 57).

Mas a McLaren "despertou", levando Niki Lauda e Alain Prost aos títulos de 1984 e 1985, respectivamente.

Na Williams

Com o desinteresse de Ecclestone pela equipe, uma vez que ele cada vez mais se envolvia como dirigente da Fórmula 1, Nelson Piquet assinou contrato com a Williams-Honda para as temporadas de 1986 e 1987, tendo como companheiro o inglês Nigel Mansell

Uma disputa interna com Nigel Mansell, em 1986, acabou facilitando o caminho para Alain Prost conseguir o bicampeonato, com a McLaren-Porsche. Nelson terminou em terceiro e Mansell foi o vice-campeão.
Foi nesse ano que Piquet fez uma das manobras mais fantásticas da história do automobilismo, ultrapassando a Lotus de Ayrton Senna no final da reta do circuito de Hungaroring, na Hugria,. Nelson, por fora, controlou sua Williams como um piloto de rallye, dominando o carro com uma habilidade impressionante.

Mas em 1987, apesar de Mansell ter conquistado mais vitórias (seis contra três de Nelson), o brasileiro foi mais regular e terminou a temporada com o título (73 pontos a 61). Mesmo ano em que sofreu um grave acidente na temida curva Tamburello, a mesma em que morreu Ayrton Senna sete anos mais tarde. Piquet ficou desacordado e revelou que conviveu com problemas de concentração e sono nos meses seguintes. Sobre a temporada de 1987, clique aqui e veja uma matéria especial, no Portal Terceiro Tempo, sobre a primeira vitória de Piquet naquele ano, no GP da Alemanha, em Hockenheim.

O trabalho de Piquet com a Honda abriu espaço para ele na Lotus em 1988, que havia perdido Ayrton Senna para McLaren, mas a equipe que já não contava mais com Colin Chapmann (falecido) e em franca decadência, não levou Nelso além da sexta colocação na temporada, tendo conseguido como melhores resultados três vezes o terceiro lugar.

No ano seguinte, a Lotus perdeu o fornecimento dos motores Honda, que ficou exclusivamente com a McLaren e Nelson Piquet fechou a temporada de 1989 na oitava posição, com apenas 12 pontos.
Em 1990, foi contratado pela Benetton. A equipe, fundada em 1986 havia comprado a antiga Toleman e contava com um carro bem projetado e com os confiáveis motores Ford.

Nelson terminou o ano na terceira posição, com duas vitórias (Japão e Austrália), atrás de Senna e Prost (McLaren e Ferrari, respectivamente).
Em 1991 disputou sua última temporada na Fórmula 1, tendo como companheiros de equipe o brasileiro Roberto Pupo Moreno e depois Michael Schumacher, que estreava na categoria. Terminou em sexto, com uma vitória, no Grande Prêmio do Canadá, em Montreal.
Em 204 provas, acumulou 23 vitórias, 24 poles e 23 voltas mais rápidas durantes corridas.

Acidente em Indianápolis

Em 1992 aceitou um convite para participar das 500 Milhas de Indianápolis, pela equipe Menards, que lhe disponibilizou um Lola equipado com motor Buick.
 
Desde as primeiras voltas, Nelson Piquet demonstrou uma condução impecável com o carro norte-americano e já era o mais rápido dos estreantes e um dos mais rápidos no geral, ocupando a sexta colocação.
 
Um provável problema em um dos pneus fez o carro do brasileiro perder estabilidade na curva 4 do oval mais famoso do mundo durante uma sessão de treinos, em 07 de maio de 1992.
 
Nelson Piquet bateu seu carro contra o muro a mais de 340 km/h, sofrendo leve traumatismo craniano e toráxico, mas fraturas múltiplas nas pernas e nos pés.
 
Do autódromo, Nelson foi levado para o Hospital Metodista de Indianápolis, onde passou por uma primeira cirurgia, que durou cerca de cinco horas.
 
A operação ficou a cargo de um dos maiores especialistas em traumas dos membros inferiores, o doutor Terry Trammell, que havia operado o piloto norte-americano A.J.Foyt, em 1990, depois de um acidente semelhante, na pista de Elkhart Lake.
 
Depois de outras cirurgias, Nelson recuperou-se satisfatoriamente e voltou à Indianápolis no ano seguinte, pela mesma equipe Menards, demonstrando muita coragem para enfrentar novamente os desafios da pista.
 
Conseguiu se classificar em 13º lugar no grid composto por 33 carros, mas o motor Buick não resistiu mais que 38 voltas, na prova vencida por Emerson Fittipaldi (Penske).
 
Como empresário, fundou a Autotrac, a primeira em monitoramento de caminhões no Brasil e foi dono de uma equipe na GP 2, a Piquet Sports, entre 2000 e 2007.
 
Mas nunca ficou totalmente afastado das pistas. Participou das 24 Horas de Le Mans (França) e das 24 Horas de Spa-Francorchamps (Bélgica),
 
Venceu por duas vezes as Mil Milhas Brasileiras. Em 1997, com um McLaren F1 GTR formando dupla com o venezuelano Johnny Cecotto e em 2006 com Aston Martin DBR 9, correndo junto de seu filho Nelsinho Piquet, do brasileiro Helio Castroneves e do
francês Christophe Bouchut.
 
Cuidou pessoalmente da carreira de seu filho Nelsinho Piquet, desde sua entrada na Fórmula 1 em 2008 até 2009, quando foi demitido da Renault.
 
O filho do tricampeão confessou ter provocado um acidente durante o Grande Prêmio de Cingapura de 2008, a mando do chefe da Renault na Fórmula 1, Flávio Briatore e do diretor técnico da equipe Pat Symonds.
 
Em março de 2010, Nelson Piquet, que se manteve ao lado do filho após o episódio de Cingapura ter sido relatado, anunciou que iria processar Briatore e Symonds por difamação, pois Briatore acusou Nelson e Nelsinho por terem usados evidências falsas no julgamento.
 
Em 27 de novembro de 2011, antes do Grande Prêmio do Brasil, Nelson Piquet deu algumas voltas com o carro que conquistou seu primeiro mundial na Fórmula 1, a Brabham-BT 49C, de propriedade de seu ex-chefe na equipe, Bernie Ecclestone. Vascaíno de coração, Nelson empunhou a bandeira de seu time pelo traçado paulistano.
 
Em 11 de novembro de 2013 foi submetido a uma cirurgia cardíaca para implantar um stent, uma prótese para normalizar o fluxo sanguíneo, por conta de uma má formação no órgão. Piquet se recuperou bem do procedimento, realizado em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, retornando à sua residência, em Brasília.
 
Atualmente, além de continuar à frente da Autotrac,, acompanha de perto a carreira do filho Pedro Piquet, que em 2014 estreou na F3 Brasil e foi bicampeão da categoria, em 2014 e 2015. 
 
Frases marcantes de Nelson Piquet:

Sobre Nigel Mansell:
"É um idiota veloz"

"Temos uma grande diferença: ele gosta de mulheres feias, eu gosto de mulheres bonitas."
 
"Quando eu descobria algum acerto diferente no meu carro (Williams), falava em cima da hora para os engenheiros, assim não dava tempo de copiar para o carro dele."
 
"Quase tive um orgasmo, quando vi o Mansell parado" (quando o inglês deixou sua Williams "morrer"), comemorando antecipadamente na última volta do Grande Prêmio do Canadá de 1991. A prova foi vencida por Piquet, que estava em segundo."

Sobre Rubens Barrichello:
"Ele às vezes consegue fazer voltas rápidas, principalmente nos treinos, mas em ritmo de corrida é normalmente um segundo mais lento que os melhores."

Sobre Ayrton Senna:
"Senna, o melhor piloto? Não, o Prost foi tetracampeão de Fórmula 1."
 
"Quem é melhor, eu ou o Senna? Eu, estou vivo!."
 
Sobre a Fórmula Indy:
"É uma categoria para aposentados, como eu."

Sobre a morte:
"Medo de morrer? Não tenho. Tenho medo de ficar aleijado, isso sim."

Sobre Gilles Villeneuve:
 
"O Gilles usava um capacete de tamanho menor que o da sua cabeça, daí o capacete comprimia o seu cérebro. Era só ele colocar e sair fazendo besteira."

CURIOSIDADES
 
Em 1982, durante o Grande Prêmio da Alemanha, em Hockenheim, o piloto chileno Eliseo Salazar, da ATS, era retardatário e não viu a Brabham-BMW de Nelson Piquet se aproximar para colocar uma volta de vantagem. Salazar "fechou" o brasileiro que acabou batendo em seu carro, tirando os dois da prova. Ao descer do carro, Piquet trocou tapas com Salazar.
 
Antes de uma prova de Fórmula 1, os mecânicos notaram um suposto vazamento no carro de Piquet, minutos antes da largada, já no grid. Os mecânicos perguntaram para o brasileiro se ele havia notado algum problema quando conduziu o carro dos boxes para a pista (volta de instalação) e Nelson disse que não. Piquet, com preguiça de ir ao banheiro havia feito xixi no cockpit mesmo e o "vazamento" escorreu pelo chassi.
 
APAIXONADO POR CARROS
 
Em Brasília, onde mora, e administra sua empresa de monitoramento de veículos por satélite (a Autotrac), Nelson Piquet cuida pessoalmente da mecânica de uma numerosa e valiosa coleção de carros, que você pode conhecer clicando aqui, em matéria especial do Portal Terceiro Tempo.

Veja abaixo alguns vídeos marcantes de Nelson Piquet. O primeiro da briga com Eliseo Salazar e o segundo da ultrapassagem sobre Ayrton Senna, no GP da Hungria de 1986:

  

Em janeiro de 2013 Nelson Piquet participou de uma campanha publicitária com seu antigo rival de Fórmula 1, Nigel Mansell.

A peça publicitária, divulgada exclusivamente pela internet, mostrou um desafio dos dois, cada um a bordo de um modelo Ford Fusion no circuito Velopark, no Rio Grande do Sul.
 
Abaixo, o episódio final:

PALESTRA DE NELSON PIQUET EM 05/10/2013 (DIVIDIDA EM DUAS PARTES) NO COLÉGIO D. PEDRO II, EM BRASÍLIA. PIQUET SE EMOCIONOU MUITO AO FALAR DAS DIFICULDADES QUE ENFRENTOU NA EUROPA ANTES DE INGRESSAR NA FÓRMULA 1 (VEJA, A PARTIR DE 6MIN30S). NA SEGUNDA PARTE, PIQUET RESPONDE PERGUNTAS DOS CONVIDADOS

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