Marinho Chagas

Ex-lateral do Botafogo, Fluminense e São Paulo
por Rogério Micheletti

Francisco das Chagas Marinho, o Marinho Chagas, um dos melhores laterais-esquerdos da história do futebol brasileiro, morreu em 1º de junho de 2014, aos 62 anos, em João Pessoa. No dia anterior, Marinho participava de um evento na capital paraibana, quando começou a passar mal e precisou ser internado às pressas. 
 
O ex-atleta travava uma batalha contra o alcoolismo e já tinha sido internado por causa do problema. A causa da morte foi uma hemorragia digestiva.

Em fevereiro de 2011 foi contratado pela Band Natal a patrocínio da EMS para dois programas: "Palavra da Bruxa" e "Histórias da Bruxa".

Jogador com muita habilidade, Marinho Chagas começou a carreira na modesta equipe do Riachuelo, do Rio Grande Norte, em 1969. No ano seguinte, ele teve seu passe comprado pelo ABC e em 1971 já estava jogando no Náutico.

A partir de 1972 a carreira do lateral-esquerdo decolou de verdade. Com a camisa do Botafogo, Marinho Chagas se transformou em um dos melhores jogadores da posição na época e acabou tendo a chance de disputar a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha.

A ofensividade era um dos pontos fortes de Marinho, mas também chegava a provocar a ira de outros. Houve muitos comentários de que por isso ele teria discutido seriamente com o goleiro Leão, depois da derrota para a Polônia, por 1 a 0, no Mundial de 74.

Durante o programa "Golaço", da Rede Mulher de Televisão, no ano de 2007, o ex-zagueiro Alfredo Mostarda falou sobre o atrito entre o goleiro Emerson Leão e o lateral-esquerdo Marinho Chagas, no dia daquele Polônia 1x0 Brasil, jogo que valia o terceiro lugar.

"O Leão já tinha falado para o Marinho Chagas não subir tanto, porque a Polônia tinha o Lato, que era um jogador que atuava muito bem pela ponta direita. O Marinho subiu. E o Leão, bastante irritado, não se segurou. Partiu pra cima do Marinho no vestiário", revelou Alfredo. 
 
 Ouça aqui Milton Neves dizendo que Leão bateu em Marinho Chagas na Copa de 74 na Alemanha. Alfredo Mostarda foi quem contou a história para o jornalista.
 
Pela seleção brasileira, Marinho Chagas atuou em 36 partidas (24 vitórias, 9 empates, 3 derrotas) e marcou quatro gols (fonte: Seleção Brasileira 90 anos - Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf).

Marinho ficou no Botafogo até 1977 e se transferiu para o Fluminense em 1978. Apesar de ter sido um grande destaque no futebol carioca, ele jamais conquistou um título importante por equipes do Rio de Janeiro.

Depois de atuar dois anos no futebol norte-americano (Cosmos, em 79, e Strikers, em 80), Marinho Chagas retornou ao futebol brasileiro para jogar no São Paulo Futebol Clube. Ele foi o lateral-esquerdo na conquista do título paulista de 1981, sobre a Ponte.
Foram 85 jogos com a camisa do Tricolor do Morumbi (46 vitórias, 16 empates e 23 derrotas), quatro gols marcados e o título paulista de 1981 (fonte: Almanaque do São Paulo, de Alexandre da Costa).

Em 1985, Marinho retornou ao futebol carioca para atuar no Bangu, mas não teve sucesso. Antes de encerrar a carreira no Harlekin, da Alemanha, em 1987, o lateral ainda atuou pelo Fortaleza, em 86, e América (RN), também em 86.

Em novembro de 2010, Milton Neves esteve em Natal-RN com Marinho e outros ex-jogadores, como Alberi e Danilo Menezes, que residem na capital potiguar.

Marinho era pai de três filhos (uma moça e dois moços) e avô de três netos.

"E mais uns 13 filhos que lendas e mitos dizem por aí... Aliás, devo mesmo ter uns 90 ou 150 filhos... Eles só não aparecem porque não sou mais rico...", brincou Marinho (falando sério) a Milton Neves.


 

O terceiro tempo de Marinho Chagas

12:19

O jornalista Milton Neves passou por Natal feito uma ventania de agosto, agitando tudo e tirando coisas do lugar, como a inércia de uma cidade nos cuidados que precisa ter com sua história e seus ídolos. O homem famoso pelos merchandisings na TV resolveu propagar em rede nacional sua admiração e atenção para com o ex-craque Marinho Chagas, único potiguar a disputar uma Copa do Mundo.

Consternado com o quadro de saúde da "Bruxa?, que ele viu no auge da carreira com um vigor físico de arrebentar zagueiros do tipo vara-pau e com um talento de não respeitar nem mesmo o rei Pelé, em quem aplicou um petulante chapéu em pleno Maracanã, Milton assumiu o papel de tutor do glorioso lateral do Botafogo e da seleção brasileira.

Vi de perto, durante algumas horas em que estive com Milton Neves, na última sexta-feira, seu ar de estupefação diante da figura sempre ingênua e humilde do homem que um dia teve o mundo aos seus pés e que tantas alegrias deu aos milhões de torcedores do Brasil, não sómente na Copa em que foi uma estrela, mas também nos clubes que tiveram o prívilégio de contar com seu brilho, desde o Riachuelo e ABC, de Natal, passando pelo Náutico, de Recife, até o Botafogo, Fluminense, São Paulo e Cosmos, de Nova York.

Não exagero, nem é figura de linguagem dizer aqui que Milton Neves chorou ao falar de Marinho Chagas, em jantar com alguns amigos natalenses que o ciceronearam. Deve ter ensaiado verter lágrimas, também, ao entrevistar na manhã deste domingo o secretário de Turismo de Natal, Tertuliano Pinheiro, na rede de rádio da Band.


Mais uma vez, fez louvações à importância do futebol de Marinho para o Brasil e para o Rio Grande do Norte, e ? como já havia escrito em seu site ? apelou de novo para que as autoridades de Natal cuidem do patrimônio humano e lúdico que se ergueu em torno do fantástico jogador nascido na capital potiguar. Milton Neves cobrou a aprovação da nomeação de Marinho Chagas como "embaixador da Copa 2014?, nada mais justo e significativo.
Não é segredo para o povo de Natal, principalmente para a gigantesca torcida do ABC, que vive um momento de êxtase com a pioneira conquista do campeonato brasileiro da série C, a situação física e financeira em que se encontra nosso maior jogador de todos os tempos, aquele que a mídia brasileira e mundial já considerou o segundo melhor lateral esquerdo da História, atrás apenas da lenda Nilton Santos.


Marinho vem há anos num ritmo de altos e baixos que em nada se assemelha com as suas maravilhosas idas e vindas pela lateral dos gramados, exercendo as funções acumulativas de defensor e atacante como quase mais ninguém conseguiu fazer com o seu jeito de jogar futebol.

Como um menino em que apenas o corpo avançou pela fase adulta, passou pelo sucesso mundial e pelos reveses pessoais sem nem perceber o abismo entre as duas experiências.


Ao encontrar-se frente a frente com o ídolo caído, o jornalista Milton Neves sentiu como se um filme rodasse em minutos mostrando seu início de carreira a cobrir, ainda jovem, a estupenda carreira do lateral que encantava estádios num misto de galã de cinema e astro do rock ?n? roll. Na sexta-feira, almoçando com Marinho, ele percebeu que no corpo debilitado do ex-craque vivia ainda a mesma alma daquele outrora garoto louro que levantava uma arquibancada com os pés.
Foi então que, graças à força midiática que o hoje apresentador de TV tem em todo o Brasil, Milton Neves acabou por conceder a Marinho Chagas uma grande chance de recuperar sua saúde há muito abalada por uma hepatite C, gota e alcoolismo. Ao repetir na manhã deste domingo, 21, num bate-papo ao vivo pela rádio Band com Tertuliano Pinheiro, o apelo para que Natal cuidasse do seu ícone, foi surpreendido pela ligação de um médico dirigente do Hospital da USP, que se prontificou a realizar todo o tratamento que for necessário para Marinho.
Vamos todos torcer pelo restabelecimento da saúde do "Garrincha de Natal?, como o chamou o próprio Milton Neves, que ? aliás ? com seu gesto, seu enorme coração e suas lágrimas poderá, quem sabe, estar permitindo a Marinho Chagas retomar o jogo da vida aos 58 anos. Que ele saia vencedor nesse terceiro tempo que o jornalista da Band conseguiu num domingo de muito Sol e futebol. Amém!

Alex Medeiros é jornalista potiguar radicado em Natal, editor da coluna Portfolio em "O Jornal de Hoje" e dos sites , Sanatoriodaimprensa e RN Notícias; tem 3 livros publicados.

 

Os muitos turistas que foram saborear os pratos do restaurante Camarões Potiguar, na praia de Ponta Negra, em Natal, na sexta-feira, tiveram um prazer a mais durante o almoço. Um aperitivo diferente em forma de autógrafos das muitas celebridades presentes.

Comendo em mesas distintas, o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, o escritor João Ubaldo Ribeiro e o jornalista esportivo Milton Neves agradaram todas as torcidas e estilos que os procuraram para uma foto, uma conversa, uma assinatura.

O primeiro veio a Natal participar do Festival de Cinema, que há anos acontece na cidade; o segundo veio emular a torcida do ABC na final da série C e abraçar os companheiros da Band local; e o terceiro curte a Feira Literária de Pipa.

Com seu conhecido estilo de pesquisador de arqueologia ludopédica, Milton Neves circulou entre as mesas sempre acompanhado de dois gênios do futebol, Alberí e Marinho Chagas, ambos ícones do ABC nos anos 1970 (o loiro, ídolo do mundo).

O apresentador da Band, obviamente bem mais expansivo que os outros célebres visitantes, agitou o restaurante indo ao encontro deles, de certa forma estimulando muitos turistas a assediarem depois o craque do cinema e o artilheiro das letras.

Admirador explícito do futebol que jogou Marinho Chagas nos gramados do Brasil e do mundo, Neves aproveitou os bate-papos com Ewald Filho e João Ubaldo para louvar a figura do gênio natalense que virou marca do Botafogo e lenda da Copa de 1974.

"Ô Rubens Ewald, você precisa conhecer esse cara aqui, um mito do futebol nacional, o Garrincha de Natal?, soltou a voz generosa por todo o ambiente de comensais curiosos. "Grande João Ubaldo, escreva um livro sobre o Marinho, rapaz?, gritou provocando o baiano.

A fama da "Bruxa?, apelido incorporado a Marinho no auge da carreira, ainda é tão latente que mesmo um intelectual sem qualquer envolvimento com futebol, como o crítico de cinema, registrou um frame de reconhecimento. "Lembro dele, Marinho do Fluminense, né??, arriscou.

Já o marido de Berenice Batella, tão conhecedor das coisas do "povo brasileiro?, torcedor fanático do Bahia, não escondeu a admiração pelo ex-lateral que conquistou a Alemanha na primeira Copa da seleção sem Pelé. Ubaldo tirou fotos com a "bomba do Nordeste?.

Depois das fotos, um diálogo próprio de arquibancada, uma sequência de provocações entre o jornalista esportivo e o escritor, que arrancou gargalhadas no recinto. Começou com Neves informando que iria para Salvador, terra dos times do Bahia e do Vitória.

Rubronegro quase xiita, Ubaldo foi logo se assumindo: "Você sabe que eu sou Vitória, mas gosto muito do Bahia, afinal sem ele o tricolor não acumularia glórias, precisamos dele para construir nossas vitórias e alegrias, né??.

Milton começou o lúdico quiproquó: "Mas, no geral, vocês perdem para o Bahia até em concurso de miss, rapaz, como aconteceu outro dia!?. O autor de Sargento Getúlio baixou o cacetete das palavras: "Não agrida senão te chamo de Galvão Bueno...?

Virando-se para a mulher, sua cúmplice há trinta anos, Ubaldo continuou: "Olha, meu amor, deixa eu te apresentar aquele famoso locutor de futebol, o Galvão Bueno?. No barulho das gargalhadas dos clientes da casa, Neves armou o contra-ataque.

"Minha senhora, não agirei como ele, me despeço do seu marido dizendo assim, tchau Jorge Amado!?. Mais gargalhadas e o escritor chuta: "Puta que o pariu, tu é mais demagogo ao vivo do que na TV?. Ao lado, Alberí e Marinho Chagas numa escancarada tabelinha de risos.

Alex Medeiros é jornalista potiguar radicado em Natal, editor da coluna Portfolio em "O Jornal de Hoje" e dos sites Alexmedeiros.com, Sanatoriodaimprensa e RN Notícias; tem 3 livros publicados.

Clique aqui e veja a coluna do Dr. Catta-Preta em homenagem a Marinho Chagas

Clique aqui e veja um "bate-bola" com Marinho Chagas

 


 

Marinho Chagas, Ex-lateral do Botafogo, Fluminense, São Paulo e Seleção

Qual o seu time?
ABC em Natal, Náutico no Recife, Botafogo no RJ e São Paulo F.C. em São Paulo.

Qual o jogo mais marcante que você assistiu?
Dos que joguei, o mais importante foi em 1974 - Brasil e Tchecoslováquia, Maracanã, amistoso, quando fiz o gol mais importante de minha carreira. Ali garanti a camisa titular da seleção brasileira. Dos que vi, o mais marcante foi Brasil e Inglaterra , na Copa do Mexico, em 1970. Aquela defesa do Gordon Banks foi sensacional. Não sei porque mas aquele jogo eu nunca esqueço. Eu jogava, na época, no Riachuelo de Natal.

Qual a sua seleção de todos os tempos?
Taffarel mais a defesa de 1974 (Zé Maria, Marinho Perez, Luis Pereira e Marinho Chagas) o meio campo de 1982 (Falcão, Zico e Sócrates) e o ataque de 1970 (Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivellino).

Qual a camisa mais bonita?
A amarelinha, claro!

Qual o melhor e o pior esporte?
Melhor: Futebol, claro.
Pior: Boxe, não gosto de violência.

Em que rádio você ouve futebol?
98 FM.

Qual revista que você lê ?
Veja, Caras, Placar.

Qual o melhor e o pior presidente da história do Brasil?
Melhor: Lula.
Pior: Itamar Franco.

A personalidade marcante em sua vida.
Meu pai e minha mãe.

Narrador esportivo de TV e de rádio.
TV: Luciano do Valle.
Rádio: Waldir Amaral (RJ).

Comentarista esportivo de TV e de rádio.
TV: Falcão, Casagrande e Neto.
Rádio: Luis Mendes (RJ).

Repórter esportivo de TV e de rádio.
TV: Fernando Santana (Pernambuco).
Rádio: Roberto Machado (Rio Grande do Norte).

Apresentador esportivo de TV e de rádio.
TV: Milton Neves.
Rádio: MIlton Neves.

Apresentador de auditório de TV.
Silvio Santos.

 Melhor ator e melhor atriz no Brasil.
Tarcísio Meira e Glória Menezes.

Jornalista de TV.
Eli Coimbra.

Programa esportivo de TV.
Jogo Aberto (SP) e Jogo Aberto e Ação (Natal)

Quem melhor escreve sobre esporte no Brasil?
João Saldanha.

O melhor e o pior cartola.
Melhor: Francisco Horta.
Pior: Marcelo Portugal Gouvêa.

O melhor e o pior técnico.
Melhor: Zagallo.
Pior: Telê Santana e Cláudio Coutinho.

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    Pelo São Paulo:

    Atuou em 85 jogos, sendo 46 vitórias, 16 empates e 23 derrotas. Marcou quatro gols.
    Fonte: Almanaque do São Paulo, de Alexandre da Costa.

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