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José Trajano

Jornalista
por Diogo Miloni

Além, muito além, da imagem rabugenta, explosiva, às vezes temperamental, José Trajano Reis Quinhões é referência inata de ética jornalística, um dos maiores profissionais da mídia brasileira.  À frente da ESPN Brasil, chefiou por quase 18 anos a principal emissora esportiva da TV a cabo, passando, em 2012, o comando do canal para o também competente João Palomino. Deixou a emissora em 30 de setembro de 2016, quando foi anunciada sua demissão, com a rescisão de seu contrato.
 
Em 9 de novembro de 2016, o Canal Brasil anunciou a contratação de José Trajano para a apresentação do programa "José Carioca".

Da Tijuca para o mundo, José Trajano nasceu em 21 de outubro de 1946 e não esconde sua paixão inabalável pelo América. Passou parte de sua infância no interior do estado do Rio de Janeiro, em Rio das Flores. De volta à capital, começou a trabalhar ainda garoto no Jornal do Brasil, aonde permaneceria por seis anos.

Sua trajetória na mídia impressa lhe rendeu grandes experiências: já pelo Correio da Manhã, estava no Maracanã para a partida entre Vasco e Santos, que rendeu a Pelé seu milésimo gol; e foi enviado ao México, em 1970, cobrindo a Copa do Mundo pela primeira vez e deu sorte à seleção tricampeã.

Dois anos depois do Mundial, Trajano assumiu a editoria do Jornal dos Sports, sua primeira oportunidade em um cargo executivo. Passou pelas maiores redações do país, tanto no meio impresso, quanto nas principais redes de televisão do Brasil.

Em 1994, foi pedra fundamental da TVA Esportes, adquirida comprada pela gigante norte-americana ESPN e transformada em ESPN Brasil. No canal foi diretor de jornalismo por quase 18 anos, participando dos principais programas da rede e das grandes transmissões esportivas mundiais.
 
SOBRE A SAÍDA DA ESPN
 
Em 1º de outubro de 2016, a repórter Luiza Oliveira (do UOL), publicou uma matéria sobre a demissão de José Trajano da ESPN,  que segue abaixo, na íntegra:
 
Em choque, Trajano crê que política tenha influenciado sua saída da ESPN
 
José Trajano foi fundador da ESPN e um dos grandes responsáveis pelo sucesso do canal. Mas essa história de 21 anos teve um fim na manhã desta sexta-feira quando seu contrato foi rescindido. O jornalista ficou surpreso com a notícia e não esconde a tristeza após tantos anos de dedicação ao canal. Ele ainda acredita que seu posicionamento político tenha influenciando a decisão.

"Estou meio assim chocado, ninguém trabalha por tantos anos tendo fundado o canal, recebe um bilhete azul e fica tranquilo. Mas tenho recebido tanto conforto, que isso está me envaidecendo, mostra um trabalho bem feito, formador de muita gente. Eu levo o orgulho de ter feito o canal".

Trajano ficou chateado pela forma como aconteceu a demissão em uma breve reunião. Ele diz que a presidência do canal justificou a saída como contenção de despesas, mas considera estranha a decisão diante do atual cenário político do país.

"Eu acho um pouco estranho nesse momento conturbado do país. Já me chamaram algumas vezes dizendo que seria melhor não falar nada de política. Eu sempre fui envolvido e nunca escondi as minhas preferências políticas. Achavam que pelo fato de eu ser um `talent´, onde eu estivesse eu estaria representando o canal", disse.

"Houve um documento entregue no mês passado dizendo que havia uma norma da empresa que era de não se manifestar politicamente, disseram que era uma norma que veio dos Estados Unidos. Eu não assinei".

José Trajano põe a língua no divã e conta tudo: das bebedeiras com Sócrates ao ciúme de Pedro Bial

José Trajano foi fundador da ESPN e trabalhou como diretor de jornalismo por 17 anos. Em 2011, ele deixou de ser executivo e permaneceu apenas como comentarista, especialmente do programa Linha de Passe. Apesar da tristeza de deixar a ESPN, Trajano está satisfeito com as várias manifestações de carinho que recebeu tanto de amigos quanto de uma geração de telespectadores que acompanhou o crescimento da ESPN.

"Um dia as coisas sempre acabam. O bom é que eu saio com o apoio de amigos queridos que ficaram chocados, do fã do esporte, de uma geração inteira que cresceu ali dentro e que hoje já têm filhos, ali já foi uma família. Tem muitas pessoas me ligando, gente que eu nem conheço, dizendo que fez jornalismo por minha causa. Isso me deixa feliz".

Ao UOL Esporte, a ESPN negou que as manifestações políticas de Trajano tenham tido qualquer influência na rescisão do contrato. "A ESPN sempre respeitou a posição política de todos os seus funcionários. Lamentamos que José Trajano não reconheça a nossa posição, sempre baseada em nossos valores de credibilidade, isenção e liberdade de expressão", disse a emissora, em comunicado.

Diretor geral do canal no Brasil, German Hartenstein acredita que a saída do profissional fez parte de um processo natural e ainda teceu vários elogios ao jornalista. “O Trajano é um profissional há muitos anos na ESPN, são 21 anos de história. Ele teve uma atuação fundamental no crescimento da empresa, é um dos grandes responsáveis pelo canal estar onde está. A gente teve, ao longo dos anos, uma história muito rica, só tenho a agradecer pelo trabalho que ele fez. Assim como acontece com a carreira de muitos executivos, chega o momento em que não contamos mais com o apoio do Trajano. No meu balanço, o saldo é muito, muito positivo”, disse ao UOL Esporte.

Veja abaixo o vídeo da discussão entre José Trajano e Paulo Soares: 


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