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José Roberto Wright

Ex-árbitro

por Tufano Silva

José Roberto Ramiz Wright, considerado pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol o melhor árbitro brasileiro de todos os tempos e o 23º do mundo, em 2012 deixou a função de comentarista da TV Globo e foi convidado para assumir o cargo de ouvidor da Confederação Brasileira de Futebol.

Nascido na cidade do Rio de Janeiro no dia 7 de setembro de 1944, Wright apitou três finais de Copas Libertadores da América e sete finais de Campeonatos Brasileiros. Foi considerado o melhor árbitro da Copa de 1990, e, posteriormente, o melhor do mundo daquele ano.

Entretanto, apesar de considerado por muitos como um dos grandes árbitros brasileiros de todos os tempos, a carreira de José Roberto Wright foi marcada também por diversos jogos polêmicos, como a eliminação do Atlético-MG pelo Flamengo na Libertadores de 1981, quando Wright, logo no primeiro tempo, expulsou cinco jogadores do Galo, o que ocasionou o fim da partida por falta do número mínimo de jogadores.

O árbitro se envolveu em polêmica também ao, aceitando um pedido da TV Globo, apitar um clássico entre Flamengo e Vasco, final da Taça Guanabara de 1982, com um microfone. O fato acabou irritando os jogadores de ambos os times, que denunciaram o árbitro, que foi afastado por 40 dias.

José Roberto Wright é filho de Benjamim Wright, histórico radialista carioca, que foi um dos fundadores da Rádio Nacional.

No dia 23 de setembro de 2017, o Portal UOL publicou a seguinte entrevista com José Roberto Wright:

Wright usou microfone escondido para a Globo e causou alvoroço no futebol

Alexandre Sinato e Vanderlei Lima
Do UOL, em São Paulo

Não teve expulsão polêmica, pênalti mal marcado ou gol irregular. Mesmo assim, a arbitragem de José Roberto Wright na final da Taça Guanabara de 1982, entre Flamengo e Vasco, há exatos 35 anos, ficou marcada para sempre. O motivo para tanta repercussão foi tecnológico: naquele jogo, ele entrou em campo com um equipamento com microfone sob o uniforme sem que os times soubessem. O caso virou uma grande polêmica e foi parar nos tribunais. O "Jornal do Brasil" manchetou: "Watergate no futebol".

A ideia foi dos jornalistas Fernando Guimarães e Luiz Antônio Nascimento, que fariam da iniciativa uma matéria no Esporte Espetacular, da Rede Globo. Wright diz que pensou durante dois dias antes de aceitar o convite.

"Eu aceitei para mostrar como é difícil o trabalho de um árbitro dentro de campo, e não com má intenção. Mas como isso aconteceu bem na final da Taça Guanabara, houve toda aquela repercussão e ganhou uma dimensão maior", relembra Wright.

Segundo ele, a ideia era ter usado o microfone quatro dias antes, na última rodada do campeonato, também em um Flamengo x Vasco. "Não deu certo porque a roupa que me deram era muito apertada e não dava para utilizar o microfone".

Como Flamengo e Vasco terminaram o primeiro turno empatados em pontos, foi realizado um jogo extra para definir o campeão da Taça Guanabara. A partida foi marcada para o dia 23 de setembro, uma quinta-feira, novamente no Maracanã. E aí Wright entrou em ação com o microfone.

O ex-árbitro conta que apenas quatro pessoas sabiam do assunto: ele, os dois jornalistas que tiveram a ideia e o técnico que instalou o equipamento no uniforme. Wright diz que agiu naturalmente e argumenta que não contou para nenhum dos times para que os jogadores não mudassem sua postura em campo.

No entanto, o resultado foi, no mínimo, muito polêmico. O Vasco, que perdeu o jogo por 1 a 0, denunciou Wright ao tribunal desportivo do Rio de Janeiro. O Flamengo quis processar a Globo pelos direitos de imagem dos mais de dez minutos da reportagem que foi ao ar no Esporte Espetacular sem sua anuência.

Wright acabou pegando 40 dias de suspensão, mas diz que não cumpriu a pena inteira porque conseguiu revertê-la na CBF. "O julgamento na federação carioca foi político, mas recorri na CBF e lá ganhei de 7 a 0, porque não havia nada na lei que impedia o uso do microfone. Nem fiquei os 40 dias suspenso", afirma o ex-árbitro.

Os jogadores, por sua vez, sentiram-se traídos. Roberto Dinamite, anos depois, falou em matéria da própria Globo que eles se sentiram "usados" e que a ideia foi "lamentável". Autor do gol flamenguista naquela vitória, Adílio opinou que Wright estava questionando muitas coisas, algo diferente do seu padrão. "Sentimos que tinha alguma coisa diferente".

Na época, o "Jornal do Brasil" apelidou o caso de "Watergate no futebol", em referência ao famoso escândalo políticos da década de 1970 nos Estados Unidos. Antes mesmo de a matéria do Esporte Espetacular ir ao ar, o Jornal Nacional adiantou do que se tratava. A repercussão foi mundial, e o caso acabou noticiado em diferentes países. Muito antes de ser aprovada como recurso da arbitragem no futebol, a tecnologia já deu o que falar.

 

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