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Jair Pereira

Ex-meia, técnico campeão paulista pelo Timão
por Rogério Micheletti
 
Jair Pereira da Silva, o Jair Pereira, ex-meia do Vasco da Gama nos anos 70, tornou-se um vitorioso técnico de futebol.
Casado com dona Idalina, pai de duas filhas (Andréa e Cláudia) e avô de duas netas (Carolina e Lívia). Em 2006, depois de ter trabalhado um ano antes no Ceará Sporting e no Fortaleza, ele foi dirigir a Cabofriense, do Rio.
 
"O futebol de hoje depende muito dos empresários. E eu tive dificuldade com isso", conta o técnico, que nasceu na capital carioca no dia 29 de maio de 1946 e começou a carreira de jogador nas categorias de base do Madureira em 1965. "O Flamengo comprou o meu pase em 67 e fiquei na Gávea até 1969", lembra Jair Pereira.
 
Depois do rubro-negro, Jair Pereira defendeu o Bonsucesso, de 69 a 72, e foi emprestado duas vezes antes de ser contratado pelo Vasco da Gama: Olaria, em 72, e Santa Cruz, em 73.
 
Em São Januário, Jair Pereira ganhou projeção e chegou a fazer parte do elenco vencedor do Campeonato Carioca de 77 (o Vasco, que tinha Roberto Dinamite) derrotou, nos pênaltis, o Flamengo, de Zico).
Em 78, Jair Pereira foi para o Bangu, do então dirigente Castor de Andrade. Como já era formado em Educação Física, Jair Pereira resolveu pendurar as chuteiras e tentar a sorte como treinador.
 
Seu primeiro importante trabalho como técnico foi no Campo Grande (RJ), dirigindo com sucesso a equipe que disputou a Taça de Prata de 81. "Foi uma competição muito difícil, que tinha até o Corinthians. E o trabalho do Campo Grande acabou sendo vitorioso", diz Jair Pereira, que dois anos depois ficaria mais famoso pelo título da Seleção Brasileira Sub-20.
 
Até hoje, Jair Pereira diz que tem um carinho especial pelo volante Dunga, um de seus comandados no time canarinho que levantou o caneco em 83. "Ele era um líder em campo. Sempre foi. Ficava louco com as derrotas. Era uma caraterística do Dunga", conta Jair, mas sem esquecer que todos os jogadores, entre eles Geovani (ex-meia do Vasco), Romário, Gilmar Popoca (ex-meia do Flamengo, Ponte e São Paulo), Mauricinho (ex-ponta do Comercial e Vasco) e Paulinho Carioca (ex-ponta do Flu, Corinthians, Palmeiras e Fla) foram fundamentais para a conquista.
 
Jair Pereira se orgulha de ter "preparado" a base que seria do time campeão mundial de 94. "O Taffarel, o Dunga, o Romário, o Bebeto foram jogadores que eu tive o prazer de comandar", diz Jair Pereira, que também é um grande fã do Baixinho.
"Ele com 18 anos voava. Imagina como era bom ter o Romário no grupo. Até porque naquela época ele não reclamava de quase nada.
 
Acho que hoje eu não teria paciência com ele", brinca o treinador, que sempre costuma encontrar o atacante.
O sucesso com a Seleção Brasileira Sub-20 em 83 rendeu ao técnico um convite para trabalhar na Arábia dois anos depois. Mas sua passagem pelo futebol arabe durou pouco, logo ele voltou para dirigir a seleção de juniores tricampeã sul-americana (85, 86 e 87).
 
Em 87, Jair Pereira comandou a equipe cruzeirense, que tinha Careca, Heriberto, Ademir, Heraldo e companhia, no Campeonato Brasileiro. O time mineiro não conquistou o título, mas fez uma boa campanha.
No começo de 88, ele aceitou o desafio de trabalhar no Corinthians. "O time era muito jovem. Lancei vários jogadores na equipe principal, entre eles o Ronaldo (goleiro) e o Viola (atacante) e dei novas oportunidades a outros jovens, entre eles o Márcio (volante), o Edmundo (meia), o Marcelo (zagueiro) e o Aílton (lateral)", conta.
 
E mesmo com tantas caras novas, o time corintiano não decepcionou a Fiel. Com gol de Viola, na final contra o então forte Guarani, o alvinegro conquistou o título do Paulistão de 88.
 
"O curioso é que eu acabei sendo demitido pelo presidente Vicente Matheus dias depois. Ele queria tratar da renovação de contrato, mas no mesmo dia eu tinha marcado um encontro com o pessoal da Kalunga, empresa que patrocinava o Corinthians. O Matheus acabou contratando o Carlos Alberto Torres para o meu lugar", lembra Jair, que tinha seu nome constantemente gritado pela Fiel a cada resultado negativo do Corinthians em 88.
 
Mas como Matheus não voltou atrás, o Atlético Mineiro decidiu contratar o treinador, que um ano antes tinha feito um bom trabalho no arqui-rival Cruzeiro. "Pelo Atlético, eu fui campeão mineiro em 89", diz o técnico, que em 90 voltou a dirigir uma equipe paulista.
 
Desta vez, Jair Pereira assinou contrato com o Palmeiras.
"Não fiquei muito tempo no Palmeiras. Acabei saindo do clube e aceitei o convite para dirigir o Flamengo. Fui o técnico do time que venceu a Copa do Brasil contra o Goiás", fala Jair Pereira, na época também chamado de "Técnico Pé Quente".
 
Mas mesmo sendo campeão da Copa do Brasil, Jair Pereira acabou sendo demitido do Flamengo em 91. "O Márcio Braga assumiu a presidência e contratou o Wanderley Luxemburgo para o meu lugar", conta.
 
No mesmo ano, Jair Pereira viveu um grande drama. Seu filho, Jair José da Silva, o Jairzinho, então com 15 anos, perdeu a vida quando voltava de um jogo entre Flamengo e Vasco, no Maracanã. Uma bala perdida atingiu o jovem, que estava em um ônibus. Jair Pereira ainda se emociona quando fala do filho, que foi homenageado pelo pai com o nome de um ginásio em Cavalcante (RJ).
 
Depois do Flamengo, Jair Pereira continuou sua carreira de treinador vitorioso pelo Cruzeiro (campeão mineiro de 91 e da Supercopa de 92), Atlético de Madrid (em 92, deixou o time na segunda posição do Espanhol), Vasco da Gama (tricampeão carioca em 94), Corinthians (vice-campeão brasileiro de 94), antes de parar no Fluminense em 96.
 
"Foi um grande mal ter ido para o Fluminense naquela ocasião. O time que havia sido campeão estadual em 95 foi desmontado", conta Jair Pereira, que depois ainda trabalhou no Atlético Paranaense, América Mineiro, Bragantino e Avaí.
 
"Fiquei um ano afastado, em 2002, por causa de um problema cardíaco. Na época, eu tinha sido contrado pela Portuguesa, mas nem cheguei a assumir. E esse afastamento acabou sendo ruim. Hoje, eu estou 100%", fala o vencedor Jair Pereira.
 
Atacante agradece
 
O atacante Viola diz que tem um carinho especial pelo técnico Jair Pereira. "Ele é um dos melhores treinadores que eu já vi. Acreditou em mim em uma final de campeonato. E eu lutei muito para não decepcioná-lo", declarou Viola, referindo-se à final do Paulistão de 1988, quando ele marcou o gol do título corintiano contra o Guarani, no Brinco de Ouro.

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