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Ivan Zimmermann

Dos caminhões às tribunas de imprensa

Quem olha para o narrador Ivan Zimmermann não imagina... "Eu fui caminhoneiro, cara! Um baita caminhoneiro. Tinha uma casa dentro do caminhão e vivi na estrada". Parece exagero, mas nem por isso, significa que não aconteceu. "Jacaré que dorme no ponto vira sapato de madame". Considerado um dos principais nomes do jornalismo internacional brasileiro, o narrador de esportes chegou até a dirigir a limousine de Eric Clapton e, em entrevista exclusiva concedida ao Terceiro Tempo, resumiu em um velho jargão popular o segredo de seu sucesso. "Rasteja veeeeeeeeeeeeeeeeeeeerme".

Em setembro de 2016, o canal BandSports decidiu não renovar o contrato do narrador. No entanto, Ivan seguiu integrando a equipe da Rádio Bradesco Esportes FM, do Grupo Bandeirantes. Em 15 de março de 2017, Zimmermann e outros jornalistas foram demitidos do Grupo Bandeirantes, com o final das atividades da Bradesco Esportes FM.
 
"Foi uma noticia que deixou muita gente chateada porque foi abortado um projeto que deu certo. Tivemos três fases desde 2012, a última com esporte 24 horas por dia. A audiência foi aumentando. Nesse momento, só estava crescendo, tanto é que na última semana bateu recordes de audiência. É triste para todos envolvidos, estar no projeto que deu certo e foi abortado. É muita frustração. Sei que o país está em crise, vivendo momento difícil, mas a gente tinha uma experiência que ia muito bem, dava certo. É muita tristeza", disse Ivan Zimmermann ao UOL Esporte em 15 de março de 2017.

Sujeito simples, brincalhão e com idéias, digamos, uma palavra gentil, nada convencionais, Ivan Zimmerman iniciou a carreira ainda jovem, em um dos veículos mais combatidos pela ditadura brasileira. "Me formei na Universidade Metodista em 1984. Comecei a trabalhar com jornalismo factual e naquela época o Tancredo Morreu... ou morreram com ele. Eu não sei. Mas meu primeiro emprego foi na Voz da Unidade. Eu fazia revisão. Era o jornal oficial do partido Comunista Brasileiro que tinha conseguido a legalidade na época."

Extrovertido e espontâneo, o jornalista emplacou suas primeiras matérias, ainda como repórter, em uma das pérolas da imprensa brasileira. É mole" "Trabalhei no Noticias Populares, meu amigo. Até me lembro de uma manchete: Bêbado engole copo após noite de cachaçada. Bem Notícias Populares."

Coincidência ou não, tão entalada quanto o próprio personagem do extinto periódico estava a carreira de Ivan Zimmerman que, desgostoso com a profissão, trocou o jornalismo por uma carreta de 18 rodas. Foi aí que o narrador passou a usar a expressão criada por Arnold Schwarzenegger no filme O Exterminador do Futuro II e reproduzida no clipe da música You Could be Mine do Guns and Roses. "Hasta la Vista, Baby".
 
A aventura pelos Estados Unidos
 
A mudança repentina ocorreu por acaso. Basta dizer que, Ivan Zimmermann, ainda como repórter, havia sido enviado para os Estados Unidos apenas para cobrir uma visita do então presidente José Sarney. Uma surpresa e tanto para quem não esperava que o cidadão do mundo fosse rasgar a passagem de volta e viver literalmente com o pé na estrada. "Na época eu trabalhava para uma editora que fechava vários jornais no interior de São Paulo, como a Folha de Valinhos e Diário do Povo de Campinas. Eu fui para os Estados Unidos por um pool de jornais para cobrir o Sarney na abertura anual da ONU, em 03 de outubro 1985. No avião passava A Dama de Vermelha... Me encantei pelo país e por lá fiquei."

A explicação para o amor a primeira vista, entretanto, foi além do charme de Kelly LeBrock, protagonista do filme do clássico do cinema. "Lembro que estava meio desanimado. O Brasil estava saindo da ditadura, a democracia ainda estava daquele jeito e resolvi ir para os Estados Unidos ver o que estava acontecendo."

Tão simples quanto tomar um café...

À partir daí, Ivan Zimmermann trocou o seu diploma de jornalismo por uma carteira de motorista. "Eu queria conhecer os Estados Unidos. A maneira mais barata era dirigindo caminhão. Aí eu aprendi a dirigir carreta de 18 rodas. Saia de Nova York e atravessava o país. Conheci uns 45 estados norte-americanos. Fiz 2 anos viajando o país inteiro e outros dois anos dirigindo um caminhão basculante na Ilha de Manhattan. Eu fiz essa experiência e depois de 4 anos eu fui motorista de Limousine. Tive a honra de dirigir para o Eric Clapton! Foi um dos momentos que ficaram marcados porque eu era um baita fã do cara", conta.

O encontro, quem diria, ocorreu por acaso. "Uma vez eu estava lá esperando a chamada da empresa e fui enviado para um hotel na 5ª Avenida. Quando o cara desceu, o homem era o assessor do Eric Clapton. Aí, entrou ele e o Clapton na minha Limousine. Pô, eu não acreditava. Eu fiquei muito emocionado! Um cara muito gente boa, conversando comigo. Tanto é que eu fui buscar o Eric Clapton para ele fazer um ensaio fotográfico de publicidade onde ele ia fazer um anúncio de publicidade de uma guitarra. Quando a gente chegou no estúdio, ele me pediu para encostar o carro e me convidou para assistir a produção. Fiquei no estúdio vendo ele tirar as fotos. Muito legal."

Entre uma e outra foto, o bate-papo com o Lord do Blues. "Eu o encontrei antes do seu filho morrer. Falei que era do Brasil e ele perguntou se a turma curtia o som dele por aqui. Foi magnífico! Falamos sobre algumas músicas, como Layla. "You´ve got me on my knees...".

O correspondente Internacional

Ivan Zimmermann fez de tudo. Só então, tirou o canudo do quadro. "Trabalhei em Leilão em Nova York, também. Tudo fora do jornalismo. Estava com o diploma na mão. Aí passou 4 anos e eu comecei a sentir falta do jornalismo. Comecei a trabalhar na TV Manchete como produtor nos Estados Unidos. Fazíamos muitas pautas com brasileiros que entraram para o mundo do crime, com prostituição e tráfico de drogas. Eu conhecia muito a comunidade brasileira, então, tudo de errado que acontecia eu jogava na pauta."
Nesta época sua carreira decolou na ESPN Internacional. "A ESPN estava procurando brasileiros pra fazer teste de narrador. Fui lá e me encontrei no mundo em abril de 1992, na ESPN Internacional. O embrião do que são os canais de ESPN Brasil começou comigo e com mais outras dez pessoas. Fiquei 12 anos na ESPN nos Estados Unidos fazendo Golf, Futebol Americano, Pesca.. Foi um aprendizado muito grande."

Neste intervalo, o narrador atuou, paralelamente, como correspondente da Rádio Jovem Pan, durante a Copa do Mundo de 1994. "Em 1994 tive a honra de ser convidado pela Jovem Pan para ser correspondente nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo. Aí conheci Milton Neves, Flavio Prado e José Silvério. Eram todos ídolos meus. Mas eu nunca tive a idéia de trabalhar com jornalismo esportivo. Ele apareceu para mim e eu me identifiquei."

Foi a Copa mais fria da história da FIFA: "Concordo plenamente. Você imagina a vida de um correspondente em um país que não se fala futebol. Nos Estados Unidos o futebol só entrou para as manchetes do esporte duas semanas antes do início da Copa. E trabalhar nessa condição é bem complicado porque eu tinha que me virar para encontrar assuntos que não existiam. Eu arrumava notícia de jornais de língua espanhola. Do jornal americano, não aparecia nada. Era muito complicado. Eu falava muito sobre estádios, que eu conhecia bem. Os estádios eram de futebol americano. Escrevia sobre a organização, em si. Mas o futebol em si, foi muito difícil. Aprendi a ser um repórter investigador."

Uma estreia com direito a festa do Tetra. "A entrevista que mais me chama atenção foi a do Zagallo. Teve um treino da Seleção que todos os jogadores estavam liberados para a imprensa. Eu fiz uma entrevista com ele. Depois daquela entrevista eu disse para um amigo: O Brasil vai ser campeão. Era o último amistoso contra El Salvador. O Brasil venceu de 4 a 0.Teve até cavalaria dentro do estádio. Os americanos estavam assustados de tanto que eles ouviam falar em violência nos estádios. E o contato da imprensa no futebol é direto, mais pessoal. E com os americanos é tudo diferente. Na coletiva. Eu fiquei com aquele feeling que o Zagallo passou, de que o Brasil sairia mesmo campeão".

Foram mais de 10 anos nos Estados Unidos. "Fiquei até 2003. Quando terminou o projeto ESPN e tudo seria feito no Brasil, então resolvi voltar. Aí, comecei na Olimpíada de Atenas, em 2004, na Band Sport. Não teve um cidadão tanto americano quanto brasileiro que disse que daria certo. Falavam de assalto, buracos na estrada, mas eu estava cansado de passar frio. Voltei e me readaptei como se nunca tivesse saído. Eu amo esse país."
 
Ivan, que trabalhou também no programa "Golaço", da Rede Mulher, em 2012 passou a narrar também pela Rádio Bradesco Esportes, do Grupo Bandeirantes.

Abaixo, vídeo do programa "Golaço", da Rede Mulher, apresentado por Milton Neves, exibido em 29 de julho de 2005, com as participações de Félix, Ado, Fábio Sormani, Luiz Lombardi e Ivan Zimmermann.


Abaixo, o programa Golaço recebendo Paulinho McLaren, em 24/06/2013, com apresentação de Milton Neves e participações de Fábio Sormani, Ivan Zimmerman, Amir Farha e Wagner Prado.

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