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Edmundo

O Animal

por Rogério Micheletti

Muitos dizem: "Se Edmundo tivesse cabeça, ele teria disputado umas três Copas do Mundo". Talento, ele, Edmundo Alves Faria de Souza, sempre teve de sobra.
 
Edmundo trabalhou como comentarista da Rede Bandeirantes de Televisão entre 2010 e 2016. Deixou a emissora do Morumbi em razão de não ter chegado a um acerto para renovação de contrato. Ele fez um comunicado (veja no final do texto) em sua página no Facebook.
 
Em 6 de setembro de 2016 foi anunciado pela Fox Sports como comentarista do canal por assinatura.
 
RETROSPECTO
 
Em 2011, o "Animal" chegou a ser preso pelo acidente de trânsito que cometeu em 1995, mas um dia depois conseguiu um habeas corpus, para responder em liberdade.
 
Desde os tempos de garotinho, quando deixou sua casa humilde e tentou a sorte no Botafogo.

Mas foi no Vasco da Gama, time do coração do novato atacante, que veio o sucesso, a profissionalização. Antes de explodir em São Januário, o polêmico dirigente Eurico Miranda chegou a profetizar durante a Copa São Paulo de Juniores de 1992.
 
"Vocês gostaram do time do Vasco, né? E isso porque vocês não viram o Edmundo, que é o melhor deles. E ele não jogou essa competição", falou Eurico aos jornalistas paulistas que acompanharam o jovem time cruzmaltino.
 
Entre os destaques, estavam o volante Leandro Ávila, o goleiro Caetano, o zagueiro Tinho e o atacante Valdir Bigodinho, desbancar o São Paulo, de Rogério Ceni, Doriva, Gilmar e companhia.
 
Eurico estava certo. Edmundo, sem dúvida, foi o mais talentoso jogador surgido na Colina na década de 90. Habilidoso, destemido e bom finalizador, o atacante precisou de pouco tempo para provar que poderia ser um craque como Roberto Dinamite ou Romário, outros dois jogadores que entraram para a história do Vasco e que eram oriundos das categorias de base.
 
Mas a rebeldia do atacante e uma boa proposta da Parmalat, multinacional italiana parceira do Palmeiras no começo daquela época, impediram que Edmundo ficasse mais tempo em São Januário. Era a hora de trocar o Rio de Janeiro por São Paulo. E a responsabilidade de Edmundo e dos outros jogadores palmeirenses não era das mais fáceis, afinal o alviverde sofria intensa pressão por causa dos títulos que não eram comemorados desde 1976.
 
Ao lado do lépido e também habilidoso Edílson, do matador Evair, do então promissor Roberto Carlos, do volante César Sampaio, do também ex-vascaíno Mazinho, do ex-flamenguista Zinho, dentre outros, Edmundo conseguiu fazer do Palmeiras um time respeitado e vencedor. Primeiro, ele foi comandado por Otacílio Gonçalves, o Chapinha. Depois, já no decorrer do Paulistão, chegou Vanderlei Luxemburgo.
 
Atritos e fim do jejum verde
Edmundo chegou a viver dias de atrito com o treinador. E também com Evair. Mas nada que impedisse o sucesso dos três no Parque Antártica. Aquele forte Palmeiras acabou com o jejum de títulos. Na final do Paulista de 1993 superou o arquirrival Corinthians. No primeiro duelo decisivo, o Corinthians venceu por 1 a 0, gol de Viola, que comemorou de maneira polêmica: imitou o porco. No segundo jogo, o Palmeiras deitou e rolou, mas até hoje muitos corintianos reclamam sobre a atuação do árbitro José Aparecido de Oliveira, que expulsou três corintianos e não deu vermelho para Edmundo que cometeu falta violenta em Paulo Sérgio.
 
O nascimento do Animal
A ousadia e o temperamento do atacante fizeram que o locutor Osmar Santos o chamasse de "Animal". O apelido pegou. Edmundo adotou. E assim o atacante tornou-se Animal para a torcida alviverde.
 
Bi brasileiro, bi paulista
E com o Animal jogando tudo o que podia e não podia, o Palmeiras não foi apenas o melhor time de São Paulo nos anos de 1993 e 1994, mas também o melhor do país. Em 1993, a equipe palmeirense conquistou o Brasileirão, após despachar na final o Vitória, que tinha como destaques o goleiro Dida, o meia Paulo Isidoro, o volante Roberto Cavalo e o atacante Alex Alves. Antes do Brasileirão, com um time misto, mas que tinha Edmundo como sua principal referência, o Palmeiras conquistou o Rio-São Paulo, justamente em cima do Corinthians, que tinha como armas principais os reforços vindos do Mogi-Mirim: Rivaldo, Válber e Leto.
 
No ano seguinte, Edmundo voltou a ser destaque. Não só por seu talento, mas também pelas confusões. Em jogo contra o São Paulo, o Animal chegou a discutir com o dirigente tricolor Kalef João Francisco. Explosivo, Edmundo agrediu o meia Juninho Paulista e o lateral André Luiz. Recebeu vermelho juntamente com Juninho. Após a partida, realizada no Morumbi, Edmundo preferiu culpar o dirigente. "Eu nem o conhecia. Depois que eu soube que era o tal de Kalef, dirigente do São Paulo. Eu c... para o Kalef. Ele me provocou, me chamou de bandido", comentou o Animal. Kalef João Francisco se defendeu:
 
"Ele é louco. Eu não o provoquei. Está maluco", falou, à época, o cartola são-paulino, entrevistado pela TV Bandeirantes.

Ainda em 1994, Edmundo foi peça importante para as conquistas do Paulistão, que foi disputado no sistema pontos corridos, e do Brasileirão. E você sabe quem foi a vítima palmeirense? O Corinthians. E Rivaldo não estava mais no alvinegro. Já defendia o Palmeiras. E ele foi um dos principais jogadores dos jogos finais.
 
Melhor ataque do mundo?
Desgastado em São Paulo, principalmente com parte da imprensa, Edmundo optou por voltar ao Rio de Janeiro em 1995. Mas não foi para o Vasco. O Flamengo contratou o Animal. A intenção era formar um time mágico, com base em seu poderoso ataque: Sávio, Romário e Edmundo, também chamado de melhor ataque do mundo. Na teoria, tudo bem. Na prática, o time rubro-negro não conseguiu levantar vôo. Fracassou.
 
Acidente
Se dentro de campo a fase não era das melhores, fora dele Edmundo viveu um dos momentos mais delicados de sua vida. Envolveu-se em um acidente automobilístico grave. A Cherokee dele bateu violentamente em um Uno, na Lagoa. Três pessoas morreram. Edmundo foi julgado e condenado a quatro anos e meio de prisão, regime semi-aberto. Recorreu diversas vezes. Teve a carteira de habilitação apreendida. Desembolsou quase R$ 1 milhão em indenizações. O acidente lhe deixou cicatrizes. Em todos os sentidos. Externamente, em sua testa. Mas as internas certamente foram as mais doloridas para o Animal.
 
No Corinthians
Abalado psicologicamente, Edmundo decidiu voltar ao futebol paulista. O Corinthians apareceu com interessado em reabilitar o jogador. O casamento com o alvinegro começou muito bem. Com a camisa 8, um dia usada por Luizinho Pequeno Polegar e Sócrates, Edmundo fez boas partidas pelo alvinegro. Marcou quase um gol por jogo. Sua melhor atuação pelo Timão foi contra o São Paulo, em Ribeirão Preto. O Corinthians goleou o Tricolor, então dirigido por Muricy Ramalho, por 5 a 0. Edmundo fez dois gols. Mas as boas atuações não foram suficientes para o Corinthians ter êxito na Libertadores de 96, na Copa do Brasil de 96 e no Paulistão do mesmo ano. Edmundo retornou ao Vasco, após ter atrito com o zagueiro Cris, em treino corintiano.
 
O recomeço
Em São Januário, Edmundo voltou a ter felicidade. Tornou-se ídolo, de verdade, da torcida cruzmaltina. Seu ápice foi em 1997. Reeditou dupla de ataque com Evair. Foi o principal destaque e artilheiro da equipe, que tinha ainda jogadores como Juninho Pernambucano, Ramon, Felipe e Carlos Germano. A equipe comandada por Antônio Lopes sobrou no Brasileirão. Edmundo tornou-se o principal artilheiro da história da competição. Marcou 29 gols, um a mais do que Reinaldo, do Atlético Mineiro, em 1977.

Seleção de 1998

O talento de Edmundo não foi deixado de lado em 1998. Ele foi convocado para defender a seleção brasileira na Copa da França. O técnico Zagallo, no entanto, não o colocou como titular da equipe. Edmundo começaria jogando a partida final contra o França. Começaria. Mas, na última hora, Zagallo resolveu apostar em Ronaldo, mesmo após o Fenômeno ter tido uma convulsão pouco antes do duelo. Edmundo sentiu. Chegou a criticar o treinador pela atitude. Deu declarações polêmicas. O Brasil perdeu para a França de Zidane por 3 a 0.
 
Na Itália, no ex-time de Julinho Botelho e Sócrates
A história de Edmundo na Fiorentina foi um pouco semelhante com aquela do Flamengo em 1995. O trio ofensivo do time de Florença era mesmo fantástico: Edmundo, Batistuta e Rui Costa. Dentro de campo, os três funcionaram por pouco tempo. Edmundo e Rui Costa estiveram bem distantes de fazer amizade. Mais atritos. Para piorar a situação, Edmundo decidiu passar o carnaval no Brasil. Resultado: em 2000 Edmundo já estava de volta ao time que o revelou, o Vasco.
 
Despedida oficial
Na noite do dia 28 de março de 2012, o estádio de São Januário recebeu 21.247 torcedores que presenciaram a última partida do craque Edmundo, no jogo que marcou sua despedida oficial dos gramados, aos 40 anos de idade.

O "Animal" vestiu a camisa 10 e retribuiu o carinho da torcida marcando dois gols. E para fechar a festa em grande estilo, os companheiros de Edmundo o ajudaram com a vitória elástica de 9 a 1 sobre os equatorianos do Barcelona de Guayaquil, em reedição da final da Libertadores de 1998, onde o craque não esteve presente em campo.
 
Vasco e outros times
Foi vice-campeão mundial pelo Vasco em 2000. O pênalti, desperdiçado contra o Corinthians, na final daquele torneio, não fez com que Edmundo perdesse a idolatria da torcida vascaína.
 
Mas uma amizade foi perdida: a de Romário, com quem Edmundo sempre se entendeu muito bem, principalmente fora dos gramados (ou melhor, principalmente nas partidas de futevôlei). Atritos com o Baixinho. Alfinetadas.
 
E assim Edmundo foi para o Santos, ainda em 2000. Em sua chegada à Vila, Edmundo foi apresentado pelo presidente santista Marcelo Teixeira como o melhor jogador do mundo. Edmundo não conseguiu justificar. Sua melhor partida no Peixe foi em jogo contra o Corinthians, no Morumbi, durante o Brasileirão daquele ano. Edmundo marcou dois gols. E o Santos venceu por 3 a 0.
 
Depois, mostranto categoria, mas sem conseguir tantas marcas expressivas, vestiu também as camisas do Napoli, do Cruzeiro, do Tokyo Verdy (Japão), Urawa Red (Japão), Fluminense, Nova Iguaçu (RJ), Figueirense, novamente Palmeiras e encerrou a carreira no Vasco. Deixou o futebol chateado, já que o time que o projetou não conseguiu escapar do rebaixamento no Brasileirão de 2008.
 
Hoje, Edmundo, que nasceu no dia 2 de abril de 1971, no Rio de Janeiro, vive na Cidade Maravilhosa. Maduro e inteligente, o Animal tem boa visão para negócios e atua como comentarista esportivo. Em 2010, foi contratado pela Band, depois de ter passado pela Rede TV!.
 
Casado, pai de três filhos, Edmundo hoje não pode ser comparado com Almir Pernambuquinho, como chegou a ser em seu início no Vasco e Palmeiras. Pelo menos, não fora de campo, afinal costuma ser bem humorado e emotivo quando é entrevistado. Melhor para os eternos fãs do também imortal Animal, como sempre disse o ótimo Osmar Santos.
 
No dia 17 de outubro de 2013, o Portal UOL publicou uma matéria sobre o ex-jogador Edmundo e sua Caroline Sorrentino.

Filha de Edmundo sonha com TV, mas pai e colega de faculdade pede diploma

Leandro Carneiro
Do UOL, em São Paulo
Filha mais velha do ex-atacante Edmundo, Carolina Sorrentino resolveu seguir uma carreira artística. Há duas semanas, ela fez sua estreia nos palcos em uma peça de teatro e já almeja voos mais altos.
"Penso (em atuar na TV). Tenho muita vontade de atuar em TV e vou buscar as oportunidades no momento certo. Agora o meu foco é no espetáculo "Beijos, Escolhas e Bolhas de Sabão" (peça de teatro produzida por sua mãe)", disse a atriz ao UOL Esporte.
No entanto, apesar de sonhar alto, Carolina é brecada pelo pai em casa. Mesmo apoiando sua carreira, Edmundo pede que a filha tenha sempre outro plano de vida.
"A faculdade é uma exigência dos meus pais. Os estudos sempre foram prioridade aqui em casa. Atualmente, eu não me vejo seguindo outra carreira a não ser a de atriz e esse é meu objetivo. Estou determinada a conseguir", falou a garota que estuda comunicação em uma universidade do Rio de Janeiro, que também é frequentada pelo pai.
"É bem legal porque nos vemos nos corredores e estamos sempre juntos. Ele era jogador e eu sempre estava nos treinos acompanhando. Agora, com a carreira dentro de campo encerrada, ele foi atrás de novos desafios e eu continuo ao lado dele, participando dos bastidores. Isso só nos torna ainda mais próximos", completou.
Ao falar sobre o ex-jogador, Carolina é só elogios ao pai. "Ele é meu melhor amigo e meu maior exemplo. Sempre me perguntam se comigo ele tem a mesma postura enérgica que a maioria das pessoas conhece. Ele é meu pai e eu aprendo com ele o que ele tem melhor. Me ensinou a buscar as minhas metas e cumprir minha rotina com responsabilidade. Como nossa relação é de confiança, acabo ensinando a ele também. É uma troca", afirmou antes de dizer que o pai é "bastante" ciumento.
Apesar desta determinação, a garota de 18 anos sabe das dificuldades que terá de passar para transformar seu sonho em realidade. "Sei que é uma carreira disputada e que preciso ter paciência. Mas me propus a seguir isso e como em qualquer outra carreira espero chegar muito longe, me realizar profissionalmente, alcançar o sucesso mesmo", completou.
Sua estreia nos palcos aconteceu em uma peça produzida por Adriana Sorrentino, primeira mulher do comentarista da Band. Para Carolina, ter a mãe ao seu lado nesta hora é importante.
"Fiquei nervosa, mas foi uma estreia ótima. Acho que o nervosismo é natural porque essa foi a minha primeira passagem pelos palcos profissionalmente. Ter o apoio dela (Adriana) me ajuda a ter segurança. É um desafio e ela está encarando ele junto comigo", disse a garota que teve a estreia aprovada pelo pai.
"Depois de assistir a estreia, ele veio me dizer que a personagem tinha traços da minha personalidade. Mas a exigência não mudou: Estudar continua sendo uma prioridade na minha formação", revela a atriz.
Por ser filha de jogador, Carolina acostumou-se a escutar brincadeiras, mas prefere ser discreta para não causar uma exposição desnecessária.
"Escuto bastante (brincadeira), principalmente por sermos parecidos. Mas levo isso numa boa. Não passo por esse tipo de assédio (como a filha de Renato Gaúcho). Mas eu também sempre procurei me preservar mais. Tenho minha vida social, namoro e curtos meus 18 anos como qualquer garota. Acho que a curiosidade das pessoas por ser filha de um ex-jogador já é suficiente e por isso não me exponho tanto", finalizou.
 
Em 29 de maio de 2014, os jornalistas  José Ricardo Leite e Vanderlei Lima (do UOL) publicaram a seguinte matéria:
 
 
Abaixo, mais uma bela história da carreira de Edmundo, publicada pelo portal UOL no dia 6 de março de 2015
 
Edmundo quase foi preso por chutar câmera no Equador na Libertadores

Vagner Magalhães e Vanderlei Lima
Do UOL, em São Paulo

Durante a sua carreira como jogador, o atacante Edmundo se meteu em algumas confusões. Na Libertadores de 1995, na fase de grupos, ele se irritou com um cinegrafista equatoriano, após a derrota do Palmeiras por 1 a 0 para o El Nacional, em Quito. Ainda em campo, bateu boca com ele e num ato de fúria chutou a sua câmera. O caso foi parar na polícia, o jogador chegou a ter a prisão decretada, mas acabou liberado dias depois.

A versão inicial de Edmundo foi a de que na saída do campo ele pisou no fio da câmera, ela bateu em sua cabeça, e caiu. O jogador não titubeou e chutou o equipamento, que estava no chão. O ato de fúria foi gravado pela câmera. A imagem, rapidamente, ganhou o mundo. Em sua defesa, o jogador disse que foi ofendido pelo profissional equatoriano.

O ato isolado deixou o Palmeiras em apuros no país. O volante Amaral lembra de como ficou o clima para a delegação depois do jogo. "A gente ficou preso no hotel e não podia sair. Quando fomos liberados, muitos brincavam que o Edmundo estava dentro do baú (da rouparia). Os caras fizeram inclusive a gente abrir esse baú. Foi desagradável porque a gente se sentiu prisioneiro. E o grupo não queria sair sem o Edmundo", disse.

 Amaral lembra da preocupação de todos. "A gente olhava pela janela e tinha o Exército lá na porta. Ficamos com medo de alguém atacar uma bomba na gente. Ou os caras entrarem atirando à noite. O problema foi que a televisão começou a mostrar diversas vezes a imagem e o pessoal ficou revoltado. A televisão deu uma inflamada. Foi um clima de guerra. Nós fomos para o aeroporto de ônibus, escoltados, para jogar contra o Emelec. Parecia que éramos a delegação do Iraque, com tanta segurança para nós".
 
Na ocasião, o time era treinado pelo técnico Valdir Espinosa, que também se recorda do transtorno vivido pela delegação. "O Edmundo foi impedido de nos acompanhar e o Valdir Joaquim de Moraes, que era o nosso treinador de goleiros, se propôs a ficar junto com ele. O Edmundo era  um brigão pela vitória, a briga dele tinha um objetivo, de vencer. Isso marcou. A gente saindo de lá e o Edmundo impedido de nos acompanhar", disse.
 
Segundo o treinador, o que atenuou a situação foi saber que ele não estava em uma prisão. "Ele não estava passando mal. Ia ter toda a segurança, ou seja, era só uma situação. Ele não foi punido por mim. É preciso conviver com pressão de Libertadores, que é uma pressão diferente. Hoje melhorou bastante, mas estamos falando de 20 anos atrás. Então tinha barulho em hotel, pressão na chegada do estádio, pressão no jogo. É preciso estar preparado".
 
Atualmente com 83 anos, Valdir Joaquim de Moraes lembra do convívio com Edmundo, nesse momento difícil para o atleta. "Ele ficou retido, não podia sair do quarto. Inclusive ele se alimentava dentro do apartamento e eu fiquei com ele. Eu reuni a imprensa, fui falar com os repórteres. A polícia queria levar o Edmundo, mas o advogado do hotel não deixou. Quando o Edmundo saiu, depois de quase três dias, nós fomos de carro direto para o aeroporto, que estava lotado de torcedores esperando ele para pedir autógrafos", relembra.
 
Moraes disse que nesses dias conversou muito com o jogador sobre futebol. "Eu lembro que ele me contou a vida todinha dele. De quando começou no Vasco (...) Eu fui um ouvinte daquilo. Quando ele foi jogar no Flamengo (ainda em 1995), eu fui com o Palmeiras ao Maracanã. Quando o Flamengo entrou e o Edmundo me viu, ele deu uma corrida em minha direção, me deu um abraço, e falou, na frente de todos os repórteres: "esse é o maior homem que eu conheci dentro do futebol e da vida". Isso me trouxe muita satisfação. Quando havia qualquer problema com o Edmundo, normalmente eu resolvia antes de chegar no Vanderlei Luxemburgo".
 
Seraphim Del Grande, vice-de futebol do Palmeiras na época, e que chefiou a delegação do clube no Equador, disse que Edmundo aceitou prontamente a repreensão que recebeu do clube. "Falamos que não poderia acontecer isso, até porque foi uma partida fora e o Palmeiras estava representando o Brasil. O Edmundo aceitou tranquilamente. Ele concordou que se excedeu, mas quiseram criar um clima sensacionalista dentro daquilo tudo", disse.
 
Del Grande lembra que Edmundo chegou a se desculpar, mas as desculpas não foram aceitas pelo diretor de uma TV local, para quem o cinegrafista trabalhava. "Fomos para uma reunião. O Edmundo pediu desculpas, eu também me desculpei. Mas o Edmundo, daquela maneira dele, meio irônico (...) Aí o diretor falou que não aceitava as desculpas dele e que não iria retirar a queixa. No fim, a Embaixada brasileira ajudou muito e ele pode viajar". Sem Edmundo em campo, o Palmeiras venceu o Emelec por 3 a 1 e finalmente voltou ao Brasil.
 
Confira um vídeo de Edmundo ao lado dos ex-jogadores Marcos e Evair:
 
 

Goleiro Marcos "humilha" Edmundo e Evair!

Um vídeo publicado por Milton Neves (@miltonneves) em

 

Em 4 de setembro de 2006 o UOL divulgou que Edmundo estava deixando a Band. Edmundo publicou mensagem em seu perfil no Facebook, que segue abaixo, na íntegra:

`Caros amigos,

Com aperto no coração, gostaria de comunicar a todos que, depois de seis anos e oitos meses, não farei mais parte do quadro de funcionários da Band.

Quero agradecer aos colegas, desde a presidência, que sempre manteve as portas abertas, até o mais simples funcionário pelo companheirismo, carinho, união, e ensinamentos durante todo este tempo.

Apesar dos esforços da Band para que renovássemos, as mudanças na programação da emissora deixando de transmitir campeonatos, o momento econômico do país, impossibilitaram que isso ocorresse.

Foram anos de muito aprendizado, um privilégio enorme trabalhar em duas Copa do Mundo, duas Eurocopas, uma Olimpíada, campeonatos internacionais, nacionais, estaduais. Participar de centenas de programas da emissora, e ter a oportunidade de aprender o que é estar `do outro lado´ depois de tantos anos jogando futebol. Hoje entendo o quanto é difícil opinar de acordo com resultados e no calor das emoções.

Quero agradecer a cada telespectador que me acompanhou neste período, agradeço os elogios, as críticas, e o carinho que sempre me emocionou.

Espero seguir na profissão, onde me sinto feliz, e acredito que posso contribuir positivamente com o esporte que pratiquei e com a sociedade em que estou inserido.

Finalizo, dizendo que, todos sabem o quanto sou emotivo, e, talvez as palavras não sejam suficientes para expressar meu sentimento de gratidão por tudo que vivi.

Faltam palavras, sobra sentimento!

Obrigado Band! Obrigado telespectadores!

Edmundo´

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