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Di Stéfano

Um dos maiores jogadores da história
por Raphael Cavaco

Um dos maiores jogadores de todos os tempos, Alfredo Di Stéfano nasceu em Buenos Aires no dia 4 de julho de 1926 e morreu em 7 de julho de 2014, aos 88 anos, em Madri.
 
Iniciou a carreira no River Plate em 1943. Logo na estreia fez um gol, aos 15 segundos, um recorde que durou muitos anos na Argentina. Para ganhar experiência, foi emprestado por um curto período ao Huracán.

O atacante, de volta ao River, se destacou no Campeonato Sul-Americano de 1947, quando foi campeão e artilheiro. Tornou-se o maior jogador do futebol argentino à época (fazia parte do time conhecido como "A Máquina"), mas foi obrigado a se transferir ao Milionários, da Colômbia, por causa de uma greve geral que paralisou o país em 1949.

Em 1952, Di Stéfano participou de um amistoso na Espanha, e despertou o interesse dos gigantes Real Madrid e Barcelona. A equipe da Catalunha já havia acertado a contratação de "La Saeta Rubia", mas, segundo historiadores, o ditador Franco atravessou a negociação e exigiu que o argentino jogasse no time da capital.

Di Stéfano vestiu pela primeira vez a camisa branca em 23 de setembro de 1953. A despedida só aconteceria 11 anos depois. Pelo Madrid, conquistou cinco Copas dos Campeões da Europa em seguida (1956/57/58/59/60), um Mundial, além de oito Ligas Nacionais e outros títulos de menor expressão.

A maior decepção da carreira como atleta foi não ter disputado uma Copa do Mundo. Ele pendurou as chuteiras aos 40 anos de idade, em 1966, no Español.

Como treinador, Di Stéfano conquistou o Campeonato Espanhol de 1979 com o Valencia. Também dirigiu Boca Juniors, River Plate e o Real Madrid em duas oportunidades (82 a 84 e 90 a 91), e levantou apenas a Supercopa da Espanha em 1991. Em 1983, foi derrotado nas quatro finais que disputou e ainda perdeu o título nacional na última rodada.

No ano 2000, tornou-se presidente de honra do Real Madrid.

O dia em que Di Stéfano vestiu a camisa do Palmeiras

Em janeiro de 1948, Boca Juniors e River Plate vieram a São Paulo disputar amistosos contra as equipes da capital. O River despertou atenção especial do público e da imprensa, pois se tratava de "La Máquina", apelido dado ao melhor time da história do futebol argentino.

Foi um esquadrão de craques que dominou o futebol portenho na década de 1940 e, infelizmente [para eles], não pôde registrar seu nome na história das Copas, já que as edições de 1942 e 1946 foram suspensas, e em 1950 a Argentina boicotou o Mundial realizado no Brasil.

Na ocasião, vieram a terras tupiniquins jogar nos times argentinos, estrelas como: Alfredo Di Stéfano, eleito pela respeitada Revista France Football como o melhor jogador da Europa de todos os tempos; José Manuel Moreno, considerado por muitos especialistas da época como o maior boleiro argentino; e Angel Labruna, craque-referência do River Plate e até hoje lenda do futebol sul-americano.

Mas o maior astro daquela constelação dos "hermanos? era mesmo o centroavante Di Stéfano. Hoje octogenário, ele brilhou no River nos títulos nacionais de 1945 e 1947.

Para aproveitar a ilustre estada dos argentinos na cidade paulistana, em 1948, foi marcada uma espécie de tira-teima: Boca e River contra o "Trio de Ferro", ou seja, uma verdadeira Seleção Argentina versus a Seleção Paulista, esta formada por jogadores de Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

Os paulistas chegaram ao Pacaembu preparados para jogar com uniforme todo branco, neutro, enquanto que do outro lado surgiu um impasse. Os jogadores do River se negavam a vestir a camisa do Boca, e vice-versa. A rivalidade impedia tal heresia. Na última hora, o craque palmeirense e argentino de nascimento, Bóvio, sugeriu aos portenhos que usassem o uniforme do Verdão. A idéia foi acatada.

Assim, na noite de 21 de janeiro de 1948, uma verdadeira Seleção Argentina, uma das melhores de sua história, adentrou o gramado do estádio Paulo Machado de Carvalho envergando o manto do Palmeiras, num momento histórico do futebol mundial.

O fato é que, em certo período da partida, o ataque com a camisa alviverde foi aquele que é considerado uma "poesia? aos apreciadores da velha guarda futebolística: Di Stéfano, Boye, Moreno, Labruna e Lostau, mais Nestor Rossi na "meia-cancha", Yacono na defesa e o célebre Carrizo no gol. Os seis primeiros, segundo a imprensa do país vizinho, formavam uma linha de frente arrasadora, comparável ao inesquecível quinteto santista, composto por Dorval, Mengálvio, Pelé, Pepe e Coutinho.

Di Stéfano, então o melhor jogador do planeta, comandou o ataque dos visitantes e ainda fez um gol no jogo com a roupagem palestrina. O resultado final do referido duelo foi 1 a 1. E os jornais do dia seguinte, como a extinta Gazeta Esportiva, comentaram o extraordinário espetáculo técnico promovido no Pacaembu.

Ficha Técnica: Seleção Paulista 1 x 1 Seleção Boca-River
Data: 21 de janeiro de 1948
Local: Estádio do Pacaembu (SP)
Seleção Paulista: Oberdan; Caieira (Renganeschi), Noronha (Turcão), Rui, Zezé Procópio; Valdemar Fiúme, Cláudio Cristóvão, Pinho, Ieso Amalfi; Servílio (Canhotinho) e Teixeirinha (Remo).
Seleção Argentina: Diano (Carizzo); Maranti, Dezorzi, Yacono, Nestor Rossi (Castelar); Ramos, Boye, Moreno (Corquera), Di Stéfano (Sarlanga); Labruna (Lostau) e Pin.
Gols: Servílio e Di Stéfano
Árbitro: Artur Janeiro
Arrecadação: cr$ 461.130,00
Fonte: ACADEMIA DA HISTÓRIA PALESTRA PALMEIRAS (academiapalestrapalmeiras@yahoo.com.br)
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    Di Stéfano é o maior artilheiro na história do Campeonato Espanhol, com 227 gols em 329 partidas.

    Pelo time dos Milionários, da Colômbia, foram 294 partidas e 267 gols.

    Disputou 510 jogos pelo Real Madrid e marcou 418 gols.

    Naturalizado, o argentino jogou 33 vezes com a camisa da seleção da Espanha, mas não disputou nenhuma Copa pela "Fúria".

    Pelo Campeonato Argentino, foram 66 jogos e 49 gols por dois clubes (River Plate e Huracán).
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