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Cláudio Zaidan

O completo

por Ednilson Valia


Cláudio Scaff Zaidan é comentarista esportivo do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Zaidan nasceu no dia 08 de outubro de 1960, natural da cidade de Uberaba (MG), é casado com Valéria Zaidan e tem dois filhos: Manuel e Francisco . Considerado por muitos um dos mais completos jornalistas brasileiros da atualidade.

Admirador de Fernando Viera de Mello (o homem que implementou no rádiojornalismo brasileiro a prestação de serviços), "O Completo", alcunha que Milton Neves deu ao uberabense, iniciou a carreira no rádio esportivo da sua cidade natal. Também trabalhou na cidade de Santos e na capital paulista. Atuou por três anos na Rádio Jovem Pan entre 1988 e 1991, passou pela Trianon e hoje desfila toda sua inteligência, cultura e racionalidade no dial paulistano, especificamente na Rádio Bandeirantes.

Zaidan tem conhecimento para atuar em muitas áreas do jornalismo. Em 2006, comentou com maestria a apuração da votação para presidente da República, entrevistando sociólogos, políticos e jornalistas.

Marcou época com o programa "Bandeirantes A Caminho do Sol". Zaidan fez companhia a muitas pessoas durante as madrugadas brasileiras, tanto que o técnico Muricy Ramalho ficou emocionado ao conversar com o jornalista pela primeira vez durante um programa Terceiro Tempo da Rádio Bandeirantes. Ramalho disse que quando trabalhou no Inter de Porto Alegre, em 2007, não deixava de ouvir Zaidan durante as frias e solitárias madrugadas da capital gaúcha.

Recebeu o Troféu Ford ACEESP/2014 como melhor comentarista de rádio na cerimônia realizada na noite de 1º de dezembro de 2014, no Esporte Clube Sírio, zona sul de São Paulo.

 

Em 6 de novembro de 2011, Francisco Zaidan, um dos filhos de Cláudio Zaidan, publicou uma coluna no Portal Terceiro Tempo em homenagem a seu pai, que segue abaixo, na íntegra:

 

Toda homenagem contém em sua natureza um receio indisfarçado, o do esquecimento. Por isso a tendência de ser póstuma, com o tempo a morte torna-se uma brisa delicada para os que ficam, é necessário exercitar a saudade, sem exageros, mas também sem jamais ignorá-la, a lembrança é uma honraria sem cerimônias, gracioso respeito e espontâneo reviver. Nossa mente tem a maravilhosa capacidade de filtrar a enxurrada de emoções que causam o luto, para logo a sensação de tempestade ser dissipada na forma de melancolia, resignação, saudade. Diferente do dito popular, não é a obra do falecido que fica, não valeria o labor que é viver se o suor fosse o elemento perpetuador e não a curva do queixo, o cheiro que fica na roupa esquecida do armário empoeirado, o choro desesperado e inesperado pela dor de cotovelo, a mesa onde se sentava no canto da sala, as brigas mesquinhas, emotivas e sem nexo com a mulher amorosamente histérica, detalhes que nem imaginamos sermos capazes de rememorar, lembranças borradas, nem dolorosas e nem agradáveis, só uma brisa a lembrar que existe o vento e talvez o ente querido, novo morador de onde veio o vento. Recomendo o poema "Os mortos" de Ferreira Gullar, em determinado momento ele diz: "Ausentes de corpo e alma, misturam o seu ao nosso riso, se de fato quando vivos acharam a mesma graça".
O ideal é quando a homenagem tem um caráter impessoal e despretensioso, existindo como pura gratidão e reconhecimento por parte de uma pessoa, instituição ou estrato social preocupado em honrar a memória de alguém. Mas como tarda a honraria, farei eu, "maculado" nepótico por ser da estirpe (genética, fisionômica, jamais moral e intelectual), em versos maltrapilhos e agridoces, tal devido registro. Conheci um homem que, como ninguém, encarnou traços aparentemente excludentes, vistos como inconciliáveis: a rudeza e a elegância, a simplicidade e o refinamento, a retidão moral e a capacidade de entender silenciosamente quem não a tem tão apurada, a erudição e a preferência pela companhia dos "iletrados", o extremo profissionalismo e a apatia desinteressada pelo "business" canibalesco das grandes empresas, a unanimidade quanto a seu talento e a ausência de frutos materiais e sociais que o mesmo poderia gerar. Esse homem é meu pai, Claudio Zaidan. Um homem sem paralelos, maltrapilho nas vestimentas, nobre na honradez e discrição, genial pela dádiva lhe concedida.
Admito que esse homem foi e é tão especial para mim, que suas qualidades com o tempo se me tornaram uma nuvem negra perturbadora ao, minuto após minuto, erro após erro, me acompanhar e lembrar de onde vim. Essa jamais foi sua intenção, mas expectativas brotam como pragas daninhas semeadas por admiradores do outro e ressentidos pela imagem assustadora refletida pela vidraça trincada. Sentia-me como o celebrado e trêmulo futuro rei da dinastia que em seu intimo tem convicção que jamais terá a postura majestosa e ilibada de seu pai; há algo de podre na sucessão do reino dinamarquês. Assim como é bem-aventurança e opressão ser filho de um gênio, assim o é dobrado ser filho de um homem genial e de comportamento tão íntegro e irreparável; ao mesmo tempo em que sente orgulho pelo seu pai, sente vergonha e culpa por não ser como ele. Estava lendo a carta que Kafka escreveu a seu pai, ele explica o distanciamento dos dois pela austeridade, frieza e desamparo emocional por parte de seu pai, um homem honesto, mas não afeito a demonstrações de carinho e amor. De certo modo é reconfortante ter alguém para culpar, queria eu agora dizer que fracassei por ausência disso ou daquilo. Mas não, pelo menos nesse ponto fui soberano e caminhei por minhas próprias pernas, estraguei as coisas por minha incapacidade e inabilidade, não há terceiros para apontar como responsáveis.
     
Homens muito sistemáticos e inflexíveis quanto à conduta ética e moral a nortear sua vida e de seus descendentes, tendem a pecar pela união da excessiva rigidez e do precário dengo. Cláudio não, como ninguém ele soube ser doce e zeloso, justo, mas não implacável. Mas ser excessivamente bom é tão escandaloso e incômodo como ser um crápula. E Cláudio tirou muitos colegas e chefes da zona de conforto, no começo tratavam suas idiossincrasias morais como algo folclórico, um capricho interiorano que logo seria atropelado pela realidade impositiva da vida e imprensa atual. Mas não, o tempo só "agravou" suas manias e convicções. Cláudio é uma rocha, impenetrável em seu pessoalíssimo li e jen; Isso não o transforma em uma figura superior, mística. Eis o entrave sem conclave que o resolva, não se trata de um misantropo desiludido com a humanidade, nem de um moralista ilhado entre semelhantes de fé; trata-se de um homem que vive em São Paulo, trabalha em uma mega empresa de comunicação e de 15 em 15 dias visita sua família no Triângulo mineiro. Trivial, não? Não, Cláudio e o mundo, em plena São Paulo, são dois estranhos que se afirmam no exagero. A cidade tresloucada, assustadora, arrebatadora e traiçoeira até aos mais precavidos, do outro lado (ou melhor, no epicentro da gigante paulicéia) um sujeito, caboclo, avesso à palavra jorrada pelo esplâncnico, avesso aos sons incontroláveis que crescem como plânctons super reprodutores, avesso as surpresa e incógnitas, Cláudio é um exagero, uma estrada reta, sem curvas, sem distrações, sem buracos, uma estrada com um único destino certo, onde o único andarilho que ousa enfrentá-la é incompreensivelmente bem-resolvido, uma estrada tediosa, mas que a cada quilômetro percorrido presenteia o esparso "perdido" com um silêncio redentor, tudo agora faz sentido.
     
Cláudio enterrará consigo um estilo de vida, ninguém mais ousará, como ele ousou, mesmo sendo absolutamente intelectual e acima da média, ser um homem e um jornalista solitário, sem ambições de furo, sem matérias bombásticas, sem participar de confrarias e patotas, contrário aos merchandisings (não que repudia quem assim faz, mas não é de sua natureza, mesmo sabendo que tal decisão implique em uma considerável queda no padrão de vida seu e de sua família), sem livros periodicamente lançados e nem cogitado para entrevistas no Jô ou Roda Viva. Cláudio optou pelo respeito à figura humana, pelo talento sem abraços e congratulações que lustram o ego de seus superiores, Cláudio optou pela vida parca, pelo português correto, crítica cordata, respeito pelas fraquezas privadas, depender exclusivamente de seu conhecimento, um comportamento low- profile.
     
Esse senhor, meu pai, não receberá de mim palavras solenes, pomposas, nem ouvirá um clamor desesperado de seu filho para que o sistema o incorpore com gratificações a sua altura (isso o envergonharia). Só quero gritar alertando de um erro interpretativo que a figura incomum do meu pai tem fomentado. Tratam-no como um celibatário que mortificou as ambições que movem o homem secular, sendo a moral absoluta seu castiçal, e sua fé o cinto de castidade. Juvenil engano, não peço que o imitem (também nunca fui capaz para tal), mas sejamos sinceros, estamos diante um homem libertário, corajoso, desafiador, indiferente às convenções, incapaz de bajular, de educação incondicional, propenso a ser mais um mesmo sendo sui generis.
     
Cláudio não tem carro, locomove-se nos subterrâneos, nos metrôs. E disse Paul Simon: "As palavras dos profetas estão escritas nas paredes dos metrôs e nos corredores dos conjuntos habitacionais".

 

Abaixo, a entrevista de Claudio Zaidan no "Sofá Bandeirantes"

 

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