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Carlos Tévez

Atacante do Boca Juniors

por Rafael Serra

No dia 5 de fevereiro de 1984, nascia em Buenos Aires, Carlos Alberto Martínez Tévez. Criado no humilde bairro de “Fuerte Apache”, o pequeno Carlitos já se destacava com a bola nos pés durante a infância.

Em 29 de dezembro de 2016 foi anunciada sua transferência do Boca Juniors (Argentina) para a equipe chinesa do Shangai Shenhua.

De início, começou a jogar no Estrellas del Uno, time formado pelas crianças do prédio número 1 do Fuerte. Em pouco tempo, Tévez foi naturalmente promovido ao Santa Clara, uma espécie de seleção do conjunto habitacional. Por fim, chegou ao Villa Real, equipe de um bairro vizinho, que disputava a liga infantil argentina.

"Ele era um menino bom, respeitador, mas que só queria jogar bola. Se não estivesse em casa ou na escola, era só procurar no campinho aí da frente", brincou o pedreiro e eletricista René Yucra, em entrevista ao jornalista Adriano Pessini, da Folha, em janeiro de 2015.

As marcas dos tempos de Fuerte Apache perduraram por toda a vida. A mais famosa delas, uma cicatriz no pescoço, surgiu quando Tévez tinha pouco mais de um ano de idade e derrubou uma panela de água fervente sobre o próprio corpo.

Carlitos nunca escondeu o enorme apresso por suas raízes. Tanto é que nos dez anos em que esteve longe da Argentina, sempre evidenciou o desejo de voltar à terra natal. A letra da música abaixo, tantas vezes executada durante o saudoso programa Debate Bola, da Rede Record, ajuda a explicar o sentimento do jogador.

"Hoy con orgullo yo quiero afirmar (Hoje com orgulho eu quero afirmar),
Que si na villa he nascido yo (Que sim, na villa eu nasci),
Va por mi sangre todo esa alegria (Corre em meu sangue toda essa alegria),
El fútbol me ha dado esta grán ilusión! (O futebol tem me dado esta grande satisfação!)"

Com este verso autobiográfico se inicia a canção "A Carlitos Tévez”, do cantor popular argentino Koli Arce e cantada em parceria com o próprio jogador.

Carreira

Tévez foi levado às categorias de base do Boca Juniors ainda aos 13 de anos de idade. Um ano depois, tornou-se gandula da equipe principal, como uma forma de conseguir ganhar um "trocado a mais". Mais do que o dinheiro, o menino sonhava em conhecer o ídolo Juan Román Riquelme.

Em pouco tempo, não apenas realizou o sonho como passou a treinar com o ídolo e toda a equipe principal do Boca. A estreia pela equipe profissional aconteceu no dia 21 de outubro de 2001, em uma derrota frente ao Talleres.

Menos de dois anos depois, foi decisivo durante a campanha xeneize que levou o clube ao título da Libertadores, com direito a vencer o poderoso Santos de Diego, Robinho e companhia. Ainda no segundo semestre daquele ano, ajudaria o Boca a conquistar o título do Apertura no Campeonato Argentino e o improvável título Intercontinental ao derrotar o Milan, nos pênaltis.

Em 2004, porém, as coisas começaram a seguir outro rumo. A eliminação nas semifinais da Libertadores, seguida de uma repercussão exaustivas da vida pessoal de Tévez na imprensa argentina fizeram com que o jogador deixasse de ser unanimidade, inclusive, entre seus companheiros de equipe. Assim, no final da temporada, foi contratado pelo Corinthians, por 16,5 milhões de dólares, para ser a principal estrela da parceria firmada pelo clube com o fundo de investimentos MSI.

Um mar de desconfianças cercou a chegada do "Apache" ao Brasil. De onde vinha tanto dinheiro? Seria o jogador tão bom quanto dizia a imprensa argentina?

Poucas coisas eram claras, mas ainda assim, a identificação entre o jogador e a Fiel não demorou para acontecer. Tévez falou sobre isso à Revista Placar, em janeiro de 2006.

"Me identifiquei muito com os corintianos. É gente humilde, sofrida, de bairros pobres. Igualzinho aos torcedores do Boca. Fico encantado que me vejam como um", revelou.

Apesar de não vencer o Paulistão, Tévez foi artilheiro e eleito melhor jogador da competição. Já no Campeonato Brasileiro do mesmo ano, a consagração aconteceu.

Em um time marcado por constantes guerras de egos, Tévez conseguiu brilhar e liderar o Corinthians à conquista do quarto título brasileiro de sua história. Com destaque para o 7 a 1 aplicado contra o Santos, um dos mais ferrenhos rivais corintianos, em especial na década de 2000.

No ano seguinte, a relação com o clube começou a se deteriorar. Após uma eliminação traumática na Libertadores, que ainda era apenas uma antiga obsessão do clube, Tévez parecia cada vez mais inclinado a se transferir para o futebol europeu. A relação ruim com o técnico Emerson Leão acabou por facilitar o processo.

Assim como Rivelino, Edilson, Marcelinho e tantos outros, Carlitos deixou o clube pela porta dos fundos, brigado com a torcida. Após comemorar seu último gol pelo clube fazendo gestos de silêncio aos torcedores alvinegros na partida contra o Fortaleza, o atacante teve o carro chutado por membros de uma das torcidas organizadas do Corinthians.

Passional como um tango, acabava assim a relação entre Tévez e Corinthians.

Especulações sobre o destino da joia argentina não faltavam. Carlitos não escondia o desejo de jogar em algum grande clube espanhol. "Por conta do idioma", afirmava.

Ainda assim, por também ter relações estreitas com empresários russos e alguns membros da MSI, o Chelsea era visto como o mais cotado a receber Tévez na Europa. E quando o anúncio veio, a surpresa tomou conta da imprensa esportiva de todo o mundo.

West Ham. Sim, o modesto clube do leste de Londres, inesperadamente receberia uma das maiores promessas do futebol mundial. Como nada é por acaso, a transferência foi um "agrado" feito pelo empresário Kia Joorabchian, que na época se estava interessado em adquirir o controle acionário dos Hammers.

Com um time limitado, Tévez e, também, Mascherano, demoraram a se entrosar. Não tardou para que a equipe londrina passasse a figurar a zona de rebaixamento. Com dez pontos atrás da última equipe fora do bloco dos rebaixáveis, era difícil imaginar que o West Ham pudesse escapar do descenso. E foi aí que a estrela do Apache brilhou pela primeira vez em gramados europeus. Em uma arrancada fenomenal, com muitos e decisivos gols de Carlitos, os Hammers escaparam do rebaixamento, com direito a uma vitória sobre o campeão Manchester United, em pleno Old Trafford, com gol de Carlitos.

Ao final da redentora temporada, não teve jeito. Tévez foi negociado por empréstimo com o Manchester United, atual campeão inglês.

Junto com Cristiano Ronaldo e Rooney, o argentino não demorou a brilhar, mas sem o protagonismo até então habitual.

Foi campeão da Liga dos Campeões logo em sua primeira temporada pelos Red Devils, marcando cinco gols na campanha vitoriosa.

Apesar do sucesso em campo e do carinho que recebia da torcida do United, a relação de Tévez e o técnico Alex Ferguson se deteriorou rapidamente, fazendo com que o clube não renovasse contrato com o jogador. Qual seria o destino do Apache?

De forma surpreendente, como de costume, Tévez assinou contrato com o então "novo rico", Manchester City, maior rival de seu ex-clube. Diferentemente de Denis Law, Andriy Kančelskis, Peter Schmeichel e Andy Cole, que também deixaram os Red Devils para jogar no rival, Carlitos se transferiu ainda no auge, com 25 anos.

Valorizado e com status de estrela, Tévez não demorou para se adaptar aos Citizens, tornando-se rapidamente a principal referência do ataque do time, desbancando o também badalado Robinho.

As constantes viagens à Argentina e o já conhecido desdém pela hierarquia, fizeram com que a relação do atacante com o técnico Roberto Mancini ficasse seriamente estremecida. Mesmo liderando à equipe ao título da Copa da Inglaterra de 2011, Tévez jogou apenas treze partidas durante a histórica campanha que levou o City ao título inglês na temporada 2011/12. Um delas, justamente, a partida final contra o QPR.

Permaneceu na equipe inglesa por mais uma temporada, até ser negociado com a Juventus, da Itália, no dia 26 de junho de 2013.

Contratado por 10 milhões de libras esterlinas, Carlitos estreou marcando gol e conquistando título, na vitória por 4 a 0 contra a Lazio, na Supercopa da Itália. Ao final da temporada, Tévez sagrou-se campeõa italiano e foi escolhido o melhor jogador da Juventus na temporada.

Como se não bastasse o sucesso de sua primeira temporada na Vecchia Signora, o argentino foi ainda melhor no ano seguinte. Novamente campeão italiano, Tévez liderou a equipe italiana à final da Liga dos Campeões, fato que não ocorria desde 2003. Derrotado pelo Barcelona em sua última partida pela Juve, Tévez surpreendeu a muitos e anunciou seu retorno ao Boca Juniors, seu clube do coração.

Estreou pela equipe xeneize no dia 18 de julho de 2015, na vitória por 2 a 1 contra o Quilmes. Em 29 de dezembro de 2016 foi anunciada sua contratação pela equipe chinesa do Shangai Shenhua.

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