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Zé Roberto ainda se apresentava como representante da escolinha do Vitória

Zé Roberto ainda se apresentava como representante da escolinha do Vitória

Marcello De Vico
Do UOL, em Santos (SP)

Acusado de abusar sexualmente de dois adolescentes, um de 14 e outro de 15 anos, José Roberto Henrique da Silva, homem que se apresentava como representante de uma escolinha de base do Vitória, será ouvido no próximo mês de setembro. Os casos aconteceram em janeiro deste ano na cidade de Buíque (PE), localizada a quase 300 km de Recife, e ele está detido no Presídio Advogado Brito Alves, em Arcoverde (PE), desde o dia 13 de março. A história, revelada pelo site Bahia Notícias e confirmada pelo UOL Esporte, só veio à tona recentemente. O clube rubro-negro, por sua vez, alega que não tinha mais contrato com o acusado desde 2014.

De acordo com o advogado das vítimas, Drayton Benevides, José Roberto solicitou fotos íntimas dos adolescentes e ainda cometeu atos libidinosos após um jogo no estádio de Buíque. Ele foi enquadrado nos artigos 217-A do Código Penal [ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos] e 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente [adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente].

A denúncia foi feita por uma das mães, que percebeu o filho bastante agitado e nervoso depois da partida. No celular do investigado, ainda foram localizadas imagens de cunho pornográfico envolvendo adolescentes, inclusive uma das vítimas. De acordo com a defesa, José Roberto fazia promessas aos garotos em troca de relações sexuais. "A família está totalmente revoltada, pois confiou seus filhos a essa pessoa. As crianças estão abaladas porque foi um sonho que eles tinham que terminou de maneira trágica", contou o advogado ao UOL Esporte.

Zé Roberto, como é mais conhecido, atuava como suposto representante do Vitória em Venturosa, Pedra e Buíque, todas elas cidades bem próximas no interior de Pernambuco. Ele está preso preventivamente e será ouvido pela Justiça no mês de setembro. "Até agora só foram ouvidos os menores, os pais das vítimas e duas testemunhas", acrescentou o advogado de defesa das vítimas, que ainda conta com Marcio Jandir e Bruno Baptista.

Vitória diz que contrato acabou em 2014

Por meio de nota oficial, o Vitória informou que o contrato que tinha com Zé Roberto expirou em 2014. O clube alega que ele vinha usando a imagem do clube sem autorização. "O contrato mencionado tinha vigência de um ano e extinguiu-se em 10 de setembro de 2014, não tendo sido renovado, nem mesmo de forma tácita, desde quando somente previa a possibilidade de renovação através de instrumento escrito", diz a nota (leia ela completa mais abaixo).

"Foi o Vitória agora surpreendido com a informação de que o seu nome continuara a ser usado pela associação, apesar de encerrado o contrato, e ainda de que os lamentáveis fatos relatados na denúncia estariam sendo praticados por integrante da associação", pontua. "Assim, o Vitória vem a público esclarecer que nada tem a ver com os fatos denunciados, nunca deteve poder de controle quanto às atividades da denominada escolinha, que vinha funcionando ilegalmente, à sua revelia, nem tem qualquer responsabilidade, por atos infracionais que tenham sido praticados por integrantes da referida associação", acrescenta.

O departamento jurídico do Vitória informou que irá processar José Roberto por uso indevido da marca do clube, além de adotar outras medidas cabíveis.

Acusado estava no site e era visto no clube até 2017

Apesar de o Vitória alegar que Zé Roberto não tinha mais contrato com o clube desde setembro de 2014, o nome do professor constava no site e só foi retirado depois que a matéria do Bahia Notícias foi veiculada. Além disso, o UOL Esporte apurou que o professor ainda era visto na Toca do Leão até o ano passado. Vale lembrar que a gestão do clube baiano foi alterada no fim de 2017: Ivã de Almeida deu lugar a Ricardo David, atual presidente.

No Facebook de Zé Roberto, é possível vê-lo em várias fotos (de 2017) ao lado de pessoas importantes do elenco (Neílton) e até da diretoria (Petkovic, ex-gestor de futebol). Além disso, são várias as imagens dele ao lado de crianças das escolinhas da base do Vitória.
Questionado pela reportagem sobre o nome de Zé Roberto constar no site até dias atrás, a assessoria de comunicação do Vitória informou o seguinte: "O portal do clube passou por por duas mudanças de layouts e conteúdos em pouco mais de um ano e que o nome do suposto autor já havia sido removido da página, assim como de outros licenciados para Escolinhas cujos contratos haviam vencido. Mas alguns mecanismos de busca acabavam reportando para as páginas antigas que haviam sido removidas".

O clube baiano ainda comentou sobre a citada presença de Zé Roberto na Toca do Leão até o ano passado: "pelo que tomamos conhecimento, ele fez uma única visita ao clube ano passado, certamente ele conhecia pessoas que estavam na gestão do clube em 2017. Mas esse fato isoladamente não comprova nenhum tipo de vínculo com a instituição Esporte Clube Vitória".

Defesa das vítimas diz que Vitória negou apoio psicológico. Clube nega
O clube rubro-negro deve ser acionado na Justiça para dar explicações sobre o caso. A defesa das vítimas, inclusive, alega que o clube não se prontificou a dar apoio psicológico às vítimas. "A princípio, o que pedi ao Dr. Manoel Machado [advogado rubro-negro], foi apoio psicológico para as crianças, o que foi negado. A ação será interposta em desfavor do Vitória", acrescentou o advogado.

O Vitória, por sua vez, informou ao UOL Esporte que `não recebeu qualquer pedido nesse sentido´. "Todavia, em se tratando de crianças, possíveis vítimas de abusos, por uma questão até mesmo de humanidade, ainda que não tenha qualquer relação com o caso, com as vítimas, e nem com o suposto autor dos atos, o clube se coloca à disposição para prestar todo o suporte psicológico necessário, caso venha a ser solicitado", acrescenta a nota.

Defesa do acusado: verdade virá à tona
Já a defesa do acusado, representada pelo advogado Epaminondas Moabi, prefere não adiantar detalhes por se tratar de um processo sigiloso. Ainda assim, afirma que a verdade virá à tona.

"Os fatos não são como os articulados na denúncia. A verdade virá durante a instrução processual e certamente isso será o suficiente para que o magistrado compreenda que ele não representa risco à sociedade, às vítimas ou testemunhas, e que muito menos há risco de fuga ou de atrapalhar o andamento processual. Não podemos valorizar tão somente as provas acusatórias. É necessário ter os olhos voltados também para as palavras do acusado e o conjunto probatório da defesa. No momento oportuno ficará demonstrado que José Roberto é inocente das acusações que lhes são feitas", diz.

Nota oficial completa do Vitória:
O Esporte Clube Vitória, por meio desta nota, tomando conhecimento a respeito da prática de atos de pedofilia por pessoa que se fazia passar por representante de Escolinha do Vitória, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

O Esporte Clube Vitória celebrou em 10 de setembro de 2013 contrato de cessão de uso de marca por prazo determinado com a associação `Projeto Criança Feliz – Núcleo Venturosa-PE´, representada pelo Sr. José Roberto Henrique da Silva. Pelo contrato, o Vitória concedeu àquela associação licença para implantar, operar e administrar, por sua conta e risco, uma Escolinha de Futebol do Vitória, sendo de total responsabilidade da associação cessionária a manutenção do seu próprio quadro de pessoal, sem controle, fiscalização ou qualquer ingerência do Esporte Clube Vitória, que apenas cedeu o uso do nome `Escolinha de Futebol do Vitória´ e teria como contrapartida apenas a preferência para possível encaminhamento de jovens atletas para compor a sua divisão de base.

O contrato mencionado tinha vigência de um ano e extinguiu-se em 10 de setembro de 2014, não tendo sido renovado, nem mesmo de forma tácita, desde quando somente previa a possibilidade de renovação através de instrumento escrito.

Foi o Vitória agora surpreendido com a informação de que o seu nome continuara a ser usado pela associação, apesar de encerrado o contrato, e ainda de que os lamentáveis fatos relatados na denúncia estariam sendo praticados por integrante da associação.

Esclarece o Esporte Clube Vitória que jamais exerceu qualquer fiscalização ou controle do quadro de pessoal da associação e não tomou conhecimento da prática de ato ilícito por qualquer representante ou funcionário daquela, salvo agora por intermédio do advogado das vítimas, o qual manteve contato com o departamento jurídico do Vitória, que prestou os devidos esclarecimentos ao mesmo.

Assim, o Vitória vem a público esclarecer que nada tem a ver com os fatos denunciados, nunca deteve poder de controle quanto às atividades da denominada escolinha, que vinha funcionando ilegalmente, à sua revelia, nem tem qualquer responsabilidade, por atos infracionais que tenham sido praticados por integrantes da referida associação. O Vitória lamenta e deplora, com vigor, a prática dos atos denunciados, esclarecendo que irá adotar as providências legais pelo uso indevido do seu nome, ainda mais quando ligado a atos deploráveis que teriam sido praticados por terceiros.

Ratifica o Vitória o seu veemente repúdio à prática de atos que atentem contra a integridade física ou moral de crianças ou adolescentes, jamais tendo tolerado a prática de tais atos em seu âmbito profissional ou de formação de atletas.

Foto: Reprodução/Facebook

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