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Confira a entrevista com mais um dos grandes talentos brasileiros

Confira a entrevista com mais um dos grandes talentos brasileiros

O ano de 2016 será pra sempre inesquecível para o esporte brasileiro. Pela primeira vez o Rio de Janeiro, Brasil e América do Sul realizam os Jogos Olímpicos. Durante os meses de agosto o país esteve atento às Olimpíadas e Paraolimpíadas, obtendo resultados bem positivos, tanto esportivamente quanto socialmente.

Hoje inicio uma série de entrevistas com atletas dos esportes olímpicos, que contará pra você, leitor internauta, suas vivências e muitas informações sobre o esporte que pratica.

A primeira entrevistada é a velejadora Caroline Sylvestre.

MAURÍCIO SABARÁ: Quem é Caroline Sylvestre? Conte como a vela passou a fazer parte da sua vida. Tal prática já vem de família?
CAROLINE SYLVESTRE: Sou velejadora desde os 8 anos, vivendo desde pequena dentro de um barco, que o meu pai já tinha e queria dar a volta ao mundo. Minha família me ensinou desde cedo, uma tradição que já vem do meu avô. Meu pai, Eduardo Sylvestre, também teve grande influência, é um dos experts da modalidade aqui no Brasil, na Federação Internacional (Internacional Sailing Federation – ISAF) e técnico mundial. Tais laços familiares fazem com que eu também tenha interesse em me dedicar ao esporte. Atualmente velejo com a Victoria Hesse, parceira e amiga, na Categoria 49 FX, que é pan-americana e olímpica.

MS: Quais foram as grandes competições que participou? Teve alguma em especial que te marcou mais?
CS: É tão difícil escolher uma, porque fiz anos intensos, uma campanha pan-americana e olímpica, viajando pelo Hobie Cat 16, um Catamaran. Uma que me impactou demais foi em Fiji, nas Ilhas da Oceânia, que saímos invictos no Fiji Challenge, um título inédito para o Brasil, além de ser a primeira invencibilidade de um país na competição. O local é bem paradisíaco, mas também teve suas dificuldades, muito vento, dependendo da época tem ciclones, algo bem intenso.

MS: Explique sobre a prática feminina na modalidade. É um esporte acessível também para as mulheres?
CS: A Federação Internacional tem procurado incentivar mais as mulheres. Na Categoria 17, que participei por um tempo, é uma classe mista, podendo ter um homem e uma mulher velejando juntos. E agora, em 2016, com o Barco Skiff, através do 49 FX, para duplas femininas. Tem mais incentivo da Federação, mesmo havendo um domínio maior dos homens, algo mais cultural. Mas as mulheres têm representando muito bem, tanto é que a Martine Grael e a Kahena Kunze tem representado muito bem, nos trazendo uma medalha de ouro na vela.

MS: Conte sobre a facilidade e dificuldade em sua prática no Brasil.
CS: Sou suspeita pra comentar, pois pra mim acho que é fácil. É um esporte singular, pra qualquer objetivo, podendo viajar, a adrenalina em fazer força e velocidade. Tudo isso você encontra na vela. Está aberto para todos. O problema é que você precisa de vento e de água, represa ou mar. Não é fácil como no futebol, que é só ter um gramado ou dois chinelos pra virar um gol.
O acesso também é um pouco difícil. Temos muitos programas, escolas e clubes que podem facilitar qualquer um que queira iniciar no esporte.

MS: Quais são os locais em São Paulo e no Brasil que a vela pode ser praticada?
CS: Aqui onde treino, o Yacht Club Santo Amaro, tem toda a estrutura. Muitos grandes velejadores foram criados aqui. Ilha Bela também é muito elogiada pelos praticantes. Rio de Janeiro e Nordeste também são perfeitos, pelo acesso à praia e lagos.

MS: Quem são esses velejadores do Yacht Club?
CS: Cito o Cláudio Biekarck, um ídolo meu, sempre está aqui me ajudando e passando muito conhecimento. Foi técnico do Robert Scheidt, um dos nossos maiores medalhistas. E tantas outras lendas que passaram por aqui. Eu idealizo muito e tenho bastante orgulho de também fazer parte deste circuito.

MS: Qual a importância de Lars Grael e Robert Scheidt para o esporte?
CS: É tão difícil resumi-los em tão poucas palavras. São ídolos meus e de muitos outros velejadores. Conquistaram muitas medalhas através da sua dedicação e raça, não somente eles, mas também o irmão do Lars, o Torben Grael, outro grande medalhista. São ícones, sempre envolvidos, sempre velejando. Provaram várias vezes que se deve ir atrás do que quer, sem limite de idade, indo na água e fazer o seu melhor.

MS: Além do Brasil, quais são os outros países que se destacam na vela?
CS: Destaco a Austrália, Nova Zelândia, França, Alemanha e Holanda.

MS: Você achou positiva a participação brasileira nas Olimpíadas do Rio de Janeiro?
CS: Fiquei muito feliz com a Martine e a Kahena, estreando num barco em 2016. Torci muito para o Robert Scheidt, que ficou em quarto lugar. O Jorge Zarif cresceu muito nos últimos quatro anos, quando estava em campanha olímpica. Temos muitos potenciais. Estou animada para 2020, um objetivo meu e de outros jovens que tem o mesmo sonho.

MS: Tóquio 2020 é o seu maior objetivo?
CS: Sim. Terá em 2019 os Jogos Pan-Americanos em Lima, Peru, com a estréia do 49 FX. Velejarei com a minha parceira, a Victoria Hesse. Estou muito animada de começar o trabalho junto com ela, representando o Brasil no Japão em 2020, depois de quatro anos de trabalho, vendo o que conseguimos fazer até lá.

MS: O que você espera do futuro do esporte no Brasil. É possível revelar um novo Lars Grael e Robert Scheidt?
CS: Possível sempre é. Quero ver se com o nosso trabalho conseguimos desfrutar. Se você fizer de forma correta, treinando direito, com determinação, certamente sairá frutos, o que espero muito para o nosso projeto.

MS: Parabéns, Caroline Sylvestre e boa sorte no esporte!
CS: Eu agradeço poder falar da minha paixão que é a vela. Quem quiser conhecer mais o nosso trabalho, é só visitar a nossa página no Facebook: Facebook.com/equipedevela.

PARTE 1: https://www.youtube.com/watch?v=YXtWaj4vnOE&feature=youtu.be

PARTE 2: https://www.youtube.com/watch?v=tQnJx8LQrwo&feature=youtu.be  

Caroline Sylvestre. Foto: Arquivo pessoal

Caroline Sylvestre e Maurício Sabará. Foto: Maurício Sabará

Victoria Hesse, Maurício e Caroline. Foto: Maurício Sabará

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