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Na última sexta-feira, dia 11 de outubro, tive a oportunidade de assistir ao vivo a formação ?quase? clássica da banda Black Sabbath, faltando apenas o baterista Bill Ward.

Na última sexta-feira, dia 11 de outubro, tive a oportunidade de assistir ao vivo a formação ?quase? clássica da banda Black Sabbath, faltando apenas o baterista Bill Ward.

Futebol e rock fazem uma boa tabela. Ambos arrastam multidões e tem um público fiel. Na última sexta-feira, dia 11 de outubro, tive a oportunidade de assistir ao vivo a formação "quase? clássica da banda Black Sabbath, faltando apenas o baterista Bill Ward. Ozzy Osbourne (vocal), Tony Iommi (guitarra) e Terry Geezer Butler (baixo), mesmo com mais de 60 anos, ainda dão conta do recado, com uma impecável apresentação, provando o porquê de serem reconhecidos como a mais influente banda de Heavy Metal, apesar do termo na época áurea deles (anos 70) não ser utilizado. Missão cumprida, pois estava no Ibirapuera na primeira turnê deles no Brasil (1992), do disco Dehumanizer, com Ronnie James Dio no vocal e Vinnie Appice na bateria. Também estava no show com o vocalista Tony Martin, já com Bill Ward estando presente. E tive a oportunidade de assistir as apresentações das bandas solo do Ozzy e Dio.
Outro grupo que sempre fui fã é o Deep Purple. Histórica banda de rock pesado dos anos 70 ao lado do Led Zeppelin e Black Sabbath lançou maravilhosos álbuns, como In Rock (1970), Machine Head (1972), Made in Japan (final de 1972) e Burn (1974), além do disco Perfect Strangers de 1984, quando a formação clássica retornou após 8 anos que encerrara as suas atividades.
No youtube é possível assistir o seu melhor clip (Perfect Strangers), mostrando os integrantes jogando futebol, uma das paixões da banda. Quando o grupo veio ao Brasil pela primeira vez, em 1991, os músicos jogaram futebol com o pessoal da MTV, que rasgaram elogios ao polêmico guitarrista Ritchie Blackmore, que além de craque na guitarra, provou que também era no futebol. Em 1997 assisti no Olímpia a segunda apresentação do Deep Purple no Brasil, com Ian Gillan (vocal), Jon Lord (teclado), Ian Paice (bateria) e Steve Morse (guitarra), sem Blackmore, que havia brigado com toda a banda. Assisti o histórico guitarrista com o seu grupo Ritchie Blackmore?s Rainbow. E no ano de 2003 mais uma vez acompanhei o Deep Purple, no Pacaembu, mas sem Lord como tecladista.
IRON MAIDEN
O Iron Maiden fez parte da minha infância e adolescência. Quando comecei a acompanhar rock de fato na segunda metade da década de 80, o grupo estava no auge da sua carreira. Bandas como Black Sabbath e Deep Purple não estavam em tão boa fase, apesar de bons discos como Seventh Star (1986) e The House of Blue Light (1987). Já o Iron vinha com muito prestígio no Brasil, devido principalmente à sua apresentação no primeiro Rock in Rio (1985), a primeira vez que vieram ao país, além de recentes discos como Powerslave (1984), Live After Death (1985) e Somewhere in Time (1986). Na minha cabeça era ao lado do Kiss (que veio ao Brasil em 1983) a grande banda de rock pesado da época.
Farei uma comparação do período áureo do Maiden (1980 a 1990) com o time que torço (Sport Club Corinthians Paulista), citando os seus mais famosos discos com o que acontecia com o Corinthians. Iron Maiden e Corinthians são sinônimos de fidelidade dos que os admiram e ambos arrastam multidões. Outra curiosidade é que o seu primeiro vocalista nos discos (Paul Di?Anno) é casado com uma brasileira, morou em São Paulo e já foi sócio da Gaviões da Fiel.
Steve Harris, baixista e líder do Iron Maiden (Donzela de Ferro), formou a banda no Natal de 1975. O nome foi uma referência a um instrumento de tortura na Idade Média. Sempre gostou de futebol, tanto é que antes de se dedicar ao rock, chegou a jogar nas divisões de base do clube West Ham. Tanto ele, como os integrantes da banda e toda a produção, faziam questão de jogar futebol nas horas vagas dos seus shows, sendo que Harris era muito elogiado, pois levava jeito no esporte.
Eu, Maurício Sabará, nasci no dia 12 de janeiro de 1976. No dia 01 de maio o Iron Maiden fez a sua primeira apresentação. E em 05 de dezembro aconteceu a famosa invasão da torcida corintiana no Maracanã, contra o Fluminense, nas semifinais do Campeonato Brasileiro, com o Corinthians vencendo nos pênaltis, mas perdendo a final para o Internacional, em Porto Alegre.
Nos anos seguintes, como muitos grupos que tentam ocupar o seu espaço, o Iron Maiden busca o seu lugar ao sol, com várias alterações na sua formação, além da inicial concorrência com o Punk Rock, que estava surgindo na Inglaterra e com uma aceitação comercial maior que das bandas de Heavy Metal, apesar do sucesso do seu primeiro compacto, The Soundhouse Tapes, de 1978. Já o Corinthians era campeão paulista em 1977, após 22 anos sem conquistar o título, com o histórico gol de Basílio no dia 13 de outubro, vencendo em seguida o Campeonato Paulista de 1979 no embalo da dupla Sócrates e Palhinha.
O ano de 1980 começa bem para o Corinthians, sendo no dia 10 de fevereiro campeão paulista pelo Paulistão 1979.
Para a banda britânica também foi um ano marcante, pois lançava o seu primeiro disco no dia 14 de abril, com o próprio nome do grupo. Mesmo tendo um estilo bem diferente aos discos que vieram depois, com uma mistura de Heavy Metal e Punk, fez muito sucesso na Inglaterra, em um período conhecido como New Wave of British Heavy Metal (Nova Onda do  Heavy Metal Britânico), com novas bandas ocupando o seu espaço como Iron Maiden, Saxon e Def Lepard, além de outros grupos pesados lançarem discos históricos, como o Black Sabbath, Judas Priest e Motörhead. A formação do Iron Maiden era com Paul Di?Anno (vocal), Steve Harris (baixo), Dave Murray (guitarra), Dennis Stratton (guitarra) e Clive Burr (bateria). As músicas do LP foram Prowler, Remember Tomorrow, Running Free, Phanton of the Opera, Transylvania, Stranger World, Charlotte the Harlot e Iron Maiden. Di?Anno, com seu cabelo curto e visual bem ao estilo punk, era uma atração, além da precisão de Harris como baixista e segunda voz, acompanhado pela guitarra pesada e segunda voz de Stratton, juntando com os belos solos de guitarrista de Murray e a pegada na bateria que só Clive sabia dar.
Logo que começa o ano de 1981, o Iron Maiden lança o seu segundo disco, conhecido como Killers, sempre com a sua mascote Eddie aparecendo na capa. Dennis Stratton não é mais o guitarrista, assumindo o seu posto Adrian Smith, que seria o segundo solista nas guitarras, com um estilo tão bom quanto o de Dave Murray. Trata-se de uma obra mais técnica da banda, uma marca do Maiden, sem perder o peso do Heavy Metal. Com músicas como The ides of March, Wrathchild, Murders in the Rue Morgue, Another Life, Genghis Khan, Innocent Exile, Killers, Prodigal Son, Purgatory e Drifter, o Iron crescia cada vez mais no cenário musical, mas Paul Di?Anno acaba saindo da banda, por problemas de relacionamento, chateando os fãs do grupo.
Já no Brasil, as coisas não iam muito bem para o Corinthians. Ainda sob a presidência de Vicente Matheus, o time faz uma péssima campanha no Campeonato Brasileiro, ficando na 26ª Colocação. A má campanha fez com que Matheus saísse, com a nova diretoria tendo ideias bem diferentes do velho presidente.
No dia 22 de março de 1982 o Iron Maiden lança aquele que é considerado o seu melhor disco. The Number of the Beast foi marcante nas suas músicas (Invaders, Children of the Damned, The Prisoner, 22 Acacia Avenue, The Number of the Beast, Run to the Hills, Gangland e Halloweb Be Thy Name) e na repercussão da capa do disco, levando os religiosos a crerem que era uma inspiração aos cultos obscuros, mas que na verdade nenhuma faixa tinha letras em que isso fosse pregado. O novo vocalista é Bruce Dickinson, vindo da banda Samson, com um vocal mais agudo e estilo bem mais voltado para o Heavy Metal, usando braceletes e uma vasta cabeleira. Mas acontece mais uma baixa, com a saída do baterista Clive Burr durante a turnê, que tocava de forma precisa e bem pesada. No seu lugar vem Nicko McBrain, velho conhecido do grupo, pois costumava se apresentar quando o principal baterista estava ausente, não tendo a mesma pegada, mas tocava com mais técnica. Com essa nova formação o Maiden atingiria o seu ápice, permanecendo os integrantes juntos por cinco anos.
Da mesma forma que o Iron Maiden fazia o sucesso no rock, o Corinthians alcançava o mesmo êxito no futebol. 1982 é o ano que surge o Movimento da Democracia Corintiana, liderado pelos jogadores Sócrates, Wladimir, Casagrande e o diretor Adílson Monteiro Alves, que tinha como objetivo fazer do clube uma democracia da qual não era implantada pelo governo brasileiro (ainda estávamos no regime dos militares), fazendo com que o comando não ficasse apenas para decisão do presidente, com todos tendo direito em votar por mudanças, desde o roupeiro até o mais importante comandante, no caso Waldemar Pires. Outro que teve um papel muito importante foi o treinador Mário Travaglini. Muitos achavam que era um oba oba, com os jogadores sendo favorecidos pela não obrigatoriedade da concentração, acusados de serem vagabundos, mas que na verdade não atrapalhava o rendimento da equipe.  O time sagrou-se campeão paulista com dois gols de Biro Biro e um de Casagrande no dia 12 de dezembro, mas o mais importante é que a ideia se fortalecesse.
Com a nova formação, o Iron Maiden lança Piece of Mind no dia 16 de maio de 1983. As letras do disco são mais elaboradas, algo marcante nos próximos álbuns. Bruce Dickinson está cantando muito, mas na turnê tem um problema nas suas cordas vocais, fazendo com que a banda cancelasse vários shows, impossibilitando assim aquela que seria a sua primeira apresentação no Brasil. Where Eagles Dare, Revelations, Flight of Icarus, Die With Your Boots On, The Trooper, Still Life, Quest for Fire, Sun and Steel e To Tame a Land são as músicas do quarto disco da banda.
No Corinthians tudo continuava bem, obrigado. O Corinthians sagra-se bicampeão paulista, mais uma vez contra o São Paulo (dia 14 de dezembro), com Sócrates marcando o gol do título. Teve algumas mudanças no elenco, com a contratação de Juninho no lugar do uruguaio Daniel González e a chegada do experiente e polêmico goleiro Leão, que com a sua categoria ajudou muito o time, mas ao mesmo tempo criou um ambiente conturbado no Parque São Jorge por ser contrário à Democracia Corintiana. Apesar da segunda conquista aos poucos o movimento ia perdendo a sua força.
Powerlave é o novo disco do Iron Maiden. Lançado no dia 03 de setembro de 1984, tem como tema principal o Antigo Egito, além da citação de batalhas da força aérea inglesa contra a Lutfwaffe alemã na Segunda Guerra Mundial. As vibrantes músicas se resumem em Aces High, 2 Minutes to Midnight, Losfer Words (Big? Orra), Flash of the Blade, The Duellists, Back in the Village, Powerslave e Rime of the Ancient Mariner. O disco rendeu uma grandiosa turnê, com um belo palco que foi montado nas suas apresentações, com direito a um grande show no primeiro Rock in Rio do Brasil (1985), além de lançar no mesmo ano o seu mais famoso disco, o álbum duplo Live After Death. 
Nos anos de 1984 e 1985 o Corinthians tentava se firmar sem a liderança de Sócrates, vendido à Fiorentina da Itália. Em 1984 o time vai bem, mas perde a final do Campeonato Paulista para o Santos (02 de dezembro), não conquistando o seu quarto tricampeonato. E no ano de 1985 monta um time que havia algum jogador que tivesse jogado na Seleção Brasileira em todas as posições (Hugo De León já tinha jogado na Seleção Uruguaia), mas que fracassou, ficando conhecido como Seleção de Papel.
O filme Blade Runner, o Caçador de Androides (1982), com suas imagens futuristas, inspirou o Iron Maiden no lançamento de Somewhere in Time em 29 de junho de 1986, tanto na capa do disco, como nas letras das músicas. É o primeiro trabalho que eles usam sintetizadores, sendo inclusive a obra que mais gosto da banda. É uma viagem musical ouvir o som da faixa título, Wasted Years, Sea of Madness, Heaven Can Wait, The Loneliness of the Long Distance Runner, Stranger in a Strange Land, Dejá Vu e Alexander the Great.
Rubens Francisco Minelli, conceituado treinador, assume o comando técnico do Corinthians no início de 1986. Alguns jogadores da Democracia Corintiana saem do time, com Minelli tentando dar um padrão de jogo depois do fracasso do ano anterior. A equipe vai bem no Campeonato Paulista, mas com uma inesperada derrota para o Palmeiras é eliminado da competição, causando a saída do experiente técnico. A compensação é que a equipe palmeirense perdeu a final para a Inter de Limeira, levando o time a um incomodo jejum de 10 anos sem o título.
Em 1987 o Iron Maiden continua a sua turnê. Já o Corinthians é vice no Campeonato Paulista, depois de estar na penúltima colocação, com uma contagiante recuperação. Mas na Copa União tem um péssimo rendimento.
Para muitos o disco Seventh Son of a Seventh Son foi o último grande trabalho do Iron Maiden. Lançado em março de 1988, tinha pitadas progressivas nas suas faixas, como podemos conferir em Moonchild, Infinite Dreams, Can I Play with Madness, The Evil That Men Do, Seventh Son of a Seventh Son, The Prophecy, The Clairvoyant e Only the Good Die Young. O guitarrista Adrian Smith participa do disco e da turnê, mas sai da banda, fazendo com que os fãs deixassem de ver por um bom tempo os fantásticos duelos com Dave Murray.
Também para o Corinthians, 1988 foi um bom ano. Comemorava-se o Centenário da Abolição da Escravatura, com o time conquistando o Campeonato Paulista, como havia feito em 1922 (Centenário da Independência do Brasil) e no ano de 1954 (IV Centenário da fundação da cidade de São Paulo). Viola fez o gol do título na final contra o Guarani, no estádio do Brinco de Ouro (Campinas), dando um salto na sua carreira.
Tanto para o Corinthians como para o Iron Maiden, o ano de 1989 não teve grande representatividade na vida de ambos.
No dia 01 de outubro de 1990 o Iron Maiden lança mais um trabalho, agora com Janick Gears como novo guitarrista, vindo da banda solo do vocalista Bruce Dickinson. No Prayer for the Dying foge muito ao que a banda vinha lançando, um disco simples e sem grandes pretensões. Mesmo assim o LP é bom, talvez não empolgando tanto pelo o que o grupo vinha fazendo. Mas vale a pena ouvir Tailgunner, Holy Smoke, No Prayer for the Dying, Public Enema Number One, Fates Warning, The Assassin, Run Silent Run Deep, Hooks in You, Bring Your Daughter? to the Slaughter e Mother Russia.
Semelhante ao Iron Maiden, o Corinthians vinha com muitas dúvidas no ano de 1990, com uma equipe mais esforçada do que talentosa, liderada pelo meia-esquerda Neto, que no Campeonato Brasileiro obtinha vitórias por 1 a 0 através das suas precisas cobranças de falta. Tinha também outros bons valores, como o goleiro Ronaldo, Marcelo, Wílson Mano, Márcio, Fabinho e Tupãzinho, autor do gol da primeira conquista do Brasileirão no dia 16 de dezembro.
E no dia 11 de maio de 1992 o Iron Maiden lança o seu álbum duplo que se chama Fear of the Dark. O disco, mesmo estando diferente das suítes que a banda fazia, é bem aceito pela mídia e fãs, embalando com clássicos como a faixa título, a vibrante Be Quick or Be Dead e a romântica Wasting Love. Apresentaram-se pela segunda vez no Brasil, sendo que eu, Maurício Sabará, tive a oportunidade de conferir o seu desempenho ao vivo, um mês depois da apresentação do Black Sabbath.
O Corinthians faz algumas boas contratações em 1992, mas nenhuma conquista.
Nos próximos vinte anos o Iron Maiden, mesmo sendo considerada uma banda antiga, continua mantendo uma legião fiel de fãs. O vocalista Blaze Bayley, que substitui Bruce Dickinson, não agrada nos discos The X-Factor (1995) e Virtual XI (1998). Até que em 1999, com a saída de Blaze, Bruce Dickinson e Adrian Smith estão de voltas, com o grupo tendo agora três guitarristas. Já com uma formação mais do que clássica, lança os álbuns Brave New World (ao vivo ? 2000), Dance of Death (2003), A Matter of Life and Death (2006) e The Final Frontier (2010), bons discos, mas sem o encanto de antes. O mais importante para os fãs é ver as suas "ainda? muito boas apresentações ao vivo. E como todo o público de bandas antigas, o importante é acompanhar os clássicos, aceitando os novos trabalhos, mas sempre aguardando as músicas mais importantes.
Os vinte anos corintianos foram de grandes conquistas. De 1994 a 2001 teve a vitoriosa Era Marcelinho, ganhando a Copa Bandeirantes (1994), Copa do Brasil (1995), Campeonato Paulista (1995, 1997, 1999 e 2001), Troféu Ramón de Carranza (1996), Campeonato Brasileiro (1998/1999) e o Mundial Interclubes (2000). Sem o jogador, venceu o Torneio Rio-São Paulo (2002), Copa do Brasil (2002 e 2009), Paulistão (2003, 2009 e 2013), Brasileirão (2005 e 2011), Taça dos Invictos (2009), Libertadores da América (2012), Mundial Interclubes (2012) e Recopa Sul-Americana (2013).
Futebol e rock, duas paixões com uma grande legião de fãs.
Corinthians e Iron Maiden, dois símbolos de tal fidelidade, que conseguem arrastar multidões por onde quer que se apresentem.
Imagem: @CowboySL



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