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Um Camisa 10 e mais dez

Um Camisa 10 e mais dez

Montar um time do Santos de todos os tempos não é uma tarefa difícil, pois o esquadrão dos anos 60 já seria uma referência básica, liderado pelo Rei Pelé, sendo apontado pela maioria como a maior equipe brasileira e até mesmo mundial que existiu.  Mas lógico que para um clube que tem mais de 100 anos não se pode resumir a sua história a um único período, por mais glorioso que seja. Obviamente que o poderoso time será a base, mas sem se esquecer de outras épocas marcantes, como a década de 20 e mesmo alguns nomes da Era Pós-Pelé.
 
CAMISA 10: No Brasil as camisas com número começaram a ser usadas no final dos anos 40. A de número 10 passou a ser utilizada pelo meia-esquerda, mas foi com Pelé que tornou-se a mais importante do futebol.
 
SANTOS DE TODOS OS TEMPOS
O Santos Futebol Clube foi fundado no dia 14 de abril de 1912 na cidade de Santos (SP). Por não ser um clube da capital paulista passou por muitas dificuldades no início, mas foi ao longo dos anos formando boas equipes e atingiu o seu auge nas décadas de 50, 60 e 70 com o time de Pelé e também teve boas fases depois, principalmente de 2002 a 2012.
 
TITULAR: Gylmar, Carlos Alberto Torres, Mauro, Zito e Lima; Mengálvio e Neymar; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.
 
GYLMAR DOS SANTOS NEVES (Santos, SP, 22/08/1930 ? São Paulo, SP, 25/08/2013) ? Camisa 1 - Jogou no Santos de 1962 a 1969, disputando 330 partidas. Gylmar dos Santos Neves jogou em três clubes do futebol paulista, tendo uma grande passagem em dois. Foi revelado pelo Jabaquara da mesma cidade, mas a partir de 1951 passou a jogar no Corinthians, tendo algumas dificuldades iniciais, destacando-se depois, pois ganhou muitos títulos e tornou-se o melhor goleiro do Brasil jogando no gol corintiano quando foi campeão do mundo em 1958 e sendo muitas vezes escolhido na seleção corintiana de todos os tempos. Tinha um estilo único, pois além de ser elegante, realizava intervenções que somente ele sabia fazer, com maravilhosas pontes, segurança, colocação, frieza e exímio defensor de pênaltis. Da mesma forma que  seu começo de Parque São Jorge foi complicado, seu final também não foi dos mais favoráveis, sendo acusado de simular uma contusão (que de fato existia) e seu passe foi posto à venda. O Peñarol se interessou, mas foi o Santos que comprou o melhor goleiro do Brasil. Na Vila Belmiro também viveu grandes momentos, muitos títulos vieram, atuou em outro esquadrão que tinha o melhor jogador do mundo em todos os tempos ao seu lado. Chegou ao time santista em um momento de ascensão, conquistando tudo o que disputava, desde campeonatos estaduais, interestaduais, brasileiros e títulos internacionais, como o Bi da Libertadores e do Mundial Interclubes. Foi bicampeão mundial pela Seleção Brasileira, mantendo no Santos o mesmo nível que teve no Corinthians, mas estando agora mais experiente. Difícil optar em qual dos dois times foi melhor, pois era o mais fantástico arqueiro do Brasil em ambos, vitorioso em cada um, tendo mais dificuldades em se afirmar no Timão (também concorria com outro grande goleiro, que era o Cabeção), mas acredito que no Santos teve menos mágoas, a identificação era maior, então fica o meu voto como goleiro santista de todos os tempos. Mas devido à sua importância no gol, muitos o consideram como o Gylmar de todos, tanto é que tinha uma grande legião de admiradores em todo o Brasil, mesmo aos torcedores que não tiveram o privilégio de tê-lo como o goleiro do seu time. Faleceu três dias depois de ter completado 83 anos.
 
CARLOS ALBERTO TORRES (Rio de Janeiro, RJ, 17/07/1944) ? Camisa 2 - Jogou no Santos de 1965 a 1975, marcando 40 gols em 443 partidas. Revelado pelo Fluminense, quando foi campeão carioca em 1964, quando era o melhor lateral-direito do futebol carioca. Chegando ao Santos tornou-se o melhor do futebol paulista e consequentemente do brasileiro, já que Djalma Santos atuava no Palmeiras. Não teve dificuldades para se adaptar no time da Vila Belmiro, já que ainda era o mais forte do Brasil e tinha o melhor jogador de futebol do mundo. Jogador elegante e excelente marcador, que subia bem ao ataque, fazendo dele um lateral-direito perfeito. Logo no seu primeiro ano ganhou um Campeonato Paulista e a última Taça Brasil da história santista. Após vencer o Torneio Rio-São Paulo de 1966 (dividido com Corinthians, Botafogo e Vasco) muitos o apontavam na Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 1966, mas acabou não sendo convocado, com o treinador Vicente Feola optando pelo brilhante (mas veterano) Djalma Santos e Fidélis, o que não agradou a imprensa e a torcida brasileira. Na segunda metade da década de 60 o Santos voltou a ganhar títulos importantes como o Tricampeonato Paulista de 1967/68/69 e o Roberto Gomes Pedrosa em 1968, com Carlos Alberto Torres brilhando como nunca. A partir de 1968 passou a ser convocado constantemente pela Seleção Brasileira, pois além da sua categoria tinha também uma forte personalidade, o que fez dele o capitão do time que foi tricampeão do mundo em 1970. No ano seguinte foi emprestado ao Botafogo carioca em uma troca com o ponta-direita Rogério Hetmanek, retornando à Vila meses depois. Nas temporadas seguintes uma série de contusões fez com que perdesse a titularidade constante no Santos e automaticamente da Seleção Brasileira. Retornou ao Fluminense e teve outra brilhante passagem, sendo campeão carioca em 1976 no time que ficou conhecido como Máquina. Após uma rápida passagem pelo Flamengo foi jogar no Cosmos de Nova York, chegando novamente a jogar no início com Pelé e posteriormente com o alemão Franz Beckenbauer, outro grande momento da sua carreira. Ao longo dos seus muitos anos dedicados ao futebol atuou na zaga, tornando-se também muito bom na função, tanto como zagueiro-central como quarto-zagueiro. Poderia ter atuado na Copa do Mundo de 1978 quando estava muito bem nos Estados Unidos jogando na posição de zagueiro. Teve uma passagem fantástica no Santos, atuando muito bem e ganhando títulos, sendo sempre apontado como o lateral-direito santista de todos os tempos, mesmo não jogando na fase dourada do time, na primeira metade dos anos 60, quando o Santos ganhou as mais importantes conquistas da sua história.
 
MAURO RAMOS DE OLIVEIRA (Poços de Calda, MG, 30/08/1930 ? 17/06/2003) ? Camisa 3 - Jogou no Santos de 1960 a 1967 e disputou 352 partidas sem marcar gols. Muitos que acompanham futebol desde 1948 consideram Mauro Ramos de Oliveira o zagueiro-central mais técnico que teve o futebol brasileiro. Há alguns que dizem que Aírton Pavilhão foi o melhor de todos, mas por jogar no Grêmio talvez não tenha tido o mesmo destaque nacional, já que o futebol gaúcho (na época) não tinha tanto status. O futebol de Mauro Ramos sempre foi sinônimo de categoria, pois tinha uma classe incomparável e domínio de bola incomum, desarmando os adversários com uma facilidade espantosa, sem nunca usar de violência, mas através de uma lisura que jamais voltou a ser vista nos gramados brasileiros. Muito novo ainda (17 anos) chegou ao São Paulo Futebol Clube no início de 1948 impondo logo de imediato o estilo de jogo que o consagraria. Quase dois meses antes Domingos da Guia fazia a sua última partida pelo Corinthians, indo encerrar a carreira no Bangu (clube que o revelou), sendo que Mauro nunca o viu jogar, mas sempre citou o Divino Mestre como inspiração. No São Paulo foi 4 vezes campeão paulista e apelidado de Martha Rocha, por ter muita classe, já que a bela Miss era de uma elegância invejável. Mesmo jogando por 12 anos no São Paulo e ter atuado em 492 partidas, considero que lá a concorrência pela posição em um time de todos os tempos é muito grande, portanto opto de escalá-lo no Santos de todas as épocas. Quando chegou ao Santos Futebol Clube no início de 1960 não teve dificuldade alguma, pois para um time que jogava bonito ter o seu futebol acrescentou ainda mais a arte da equipe santista. Formou com Calvet a zaga mais técnica do Brasil, ganhando uma quantidade incomensurável de títulos. Foi justamente na sua época de Santos que tirou as fotos mais expressivas da sua carreira, já que era o capitão da Seleção Brasileira campeã do mundo de 1962 e bicampeão mundial santista em 1962/63. Na sua época de São Paulo, mesmo sendo considerado o melhor zagueiro-central do futebol brasileiro, não conseguia se firmar no time brasileiro, pois zagueiros mais viris eram os titulares nas Copas do Mundo, como Juvenal (1950), Pinheiro (1954) e Bellini (1958). Quando parou de jogar pelo Santos teve um excelente substituto, que foi o argentino Ramos Delgado. Mas igual à Mauro Ramos de Oliveira não teve mais ninguém, vindo da estirpe do incomparável Domingos da Guia.
 
JOSÉ ELI DE MIRANDA ? ZITO (Roseira, SP, 08/08/1932) ? Camisa 4 - Jogou no Santos de 1952 a 1967, marcando 57 gols em 733 partidas. A inclusão do maior volante da história do Santos como quarto-zagueiro deu-se porque optei em preservar Mengálvio com um talentoso novo jogador, sabendo que Zito também já havia atuado em tal posição, muitas vezes quando o time tinha em campo Urubatão. Considero Zito, Mengálvio e Clodoaldo mais importantes que qualquer quarto-zagueiro que tenha passado pela Vila Belmiro, justificando então a minha escolha. Mas como zagueiro ou volante, o jogador que foi revelado pelo Taubaté construiu uma longa história de 15 anos (só perde para Pelé) de títulos e liderança, o que faz dele um dos maiores da história santista. Com 9 títulos paulistas está abaixo apenas de Pepe e Pelé, dando-se ao luxo de também ter vencido pelo Peixe todas as edições da Taça Brasil e o Bicampeonato da Libertadores e Mundial Interclubes. Era um jogador que tinha técnica, mas a sua fibra e liderança sempre foram os principais pontos da sua carreira. Na Copa do Mundo de 1958 tornou-se titular após a contusão de Dino Sani, um jogador de muita categoria, formando um meio-de-campo mais consistente com o clássico meia-direita Didi, tendo suma importância no inédito título. E no Mundial de 1962 (Brasil bicampeão) foi o dono da posição, marcando inclusive na final o gol mais importante da sua carreira. Já no Santos seria impossível escrever aqui tudo o que fez, mas apenas cito que, mesmo Pelé, quando já era Rei do Futebol, ouvia em silêncio as broncas que levava de Zito, que era conhecido pelo apelido de Gerente. Com mais de 14 anos de clube percebeu que já era momento de encerrar a carreira, pois o time já tinha Clodoaldo, que seria um substituto à altura.
 
ANTÔNIO LIMA DOS SANTOS (São Sebastião do Paraíso, MG, 18/01/1942) ? Camisa 6 - Jogou no Santos de 1961 a 1971, marcando 63 gols em 694 partidas. Tendo Santos no sobrenome, sem imaginar, seu destino de fato era a Vila Belmiro. Nos 10 anos que defendeu o time foi provavelmente o jogador mais eclético, pois atuava tanto como volante, meia e lateral, passando a ser conhecido como Curinga. Lima foi revelado pelo Juventus da Mooca em 1958, sendo três anos depois contratado pelo Santos Futebol Clube, que já tinha a melhor equipe do Brasil e iniciava em 1961 uma série incomparável de conquistas em qualquer época do futebol mundial.  Nunca foi um jogador altamente técnico, mas sua eficiência e praticidade de atuar bem em tantos setores do campo faziam dele mais importante que muitos jogadores que eram melhores. Apesar da sua vivência, foi na lateral-esquerda que chegou a ser considerado o melhor do futebol brasileiro e atuou na Copa do Mundo de 1966, quando o Brasil foi eliminado por Portugal.
 
MENGÁLVIO FIGUEIRÓ (Laguna, SC, 17/12/1939) ? Camisa 8 - Jogou no Santos de 1960 a 1969, marcando gols em 371 partidas. A presença de Mengálvio como volante deu-se pelo fato de já ter atuado na posição e por considerar que o meia-direita do meu Santos de todos os tempos deva estar presente pela sua importância. O jogador catarinense foi revelado no time gaúcho Aimoré e despertou interesse da diretoria santista quando disputou o Pan-Americano de 1960, representando o Brasil com uma Seleção Gaúcha. Chegando à Vila Belmiro teve a grande missão de substituir Jair Rosa Pinto, um histórico jogador que ainda atuava bem, mas estava prestes de completar 40 anos. Caiu como uma luva, formando aquela que é considerada a maior linha de ataque do futebol, mas às vezes nas escalações da equipe não consta na frente, mas sim no meio-de-campo ao lado de Zito. Meia-direita de futebol clássico, foi um dos meias pioneiros no Brasil a jogar na posição vindo de trás, já que até os anos 50 era comum ter cinco jogadores na linha atacante das formações dos times. Foi campeão do mundo em 1962, mas não atuou em nenhuma partida, já que na sua posição jogava Didi. Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe atuaram juntos em 97 partidas, marcando 314 gols e obtendo 68 vitórias, 11 empates e 18 derrotas. O primeiro jogo foi no dia 19 de abril de 1960 e a última partida que atuaram juntos aconteceu no dia 09 de janeiro de 1966. Uma coincidência é que foi a partir de 1966 que o Santos perdeu a hegemonia da Taça Brasil.
 
NEYMAR DA SILVA SANTOS JÚNIOR (Mogi das Cruzes, SP, 05/02/1992) ? Camisa 5 - Jogou no Santos de 2009 a 2013, marcando 138 gols em 228 partidas. A presença de Neymar como titular do Santos de todos os tempos é tão emblemática porque o titular Carlos Alberto Torres jogou a sua última partida com a camisa santista no dia 10 de agosto de 1975, praticamente 17 anos antes do seu nascimento. Desde pequeno já chamava a atenção, ingressando nas categorias de base do clube em 2003, pouco depois do time ter sido campeão brasileiro com o alegre Robinho. Talento precoce, com 14 anos viajou à Espanha pra tentar fazer um estágio no Real Madrid, mas a diretoria santista agiu rápido, oferecendo um valor muito alto pelo seu passe, o que fez com que o time espanhol desistisse, pela pouca idade do jogador. Três anos depois estreava na equipe principal, sendo a grande revelação do ano no futebol brasileiro, formando uma boa parceria com Paulo Henrique Ganso, sendo os dois apontados pra defender o Brasil na Copa do Mundo. A partir de 2010 começou de fato a viver seus grandes momentos, sagrando-se campeão paulista e da Copa do Brasil, com grandes exibições ao lado de Ganso. Em 2011, já considerado o melhor jogador que atuava em gramados brasileiros, sagra-se bicampeão paulista e ganha a Libertadores da América, algo que não acontecia desde a época de Pelé e ao longo da temporada foi marcando gols antológicos. Na final do Mundial Interclubes perdeu para o Barcelona, que tinha o melhor time e jogador (Lionel Messi) do mundo, o que aliviou a sua decepção. Neymar, de fato, era uma atração, pelo seu futebol rápido, de belos dribles, excelente finalizador, bom batedor de faltas e gols de placa, fazendo com que o ídolo Robinho fosse esquecido, provando que era mais jogador. Além dos títulos significativos conseguiu marcas pessoais no Santos, sendo que foi quem mais marcou gols pelo time na fase pós-Pelé. No final do ano ganhou o prêmio da FIFA por ter feito o mais bonito gol da temporada. Já em 2012 continuou apresentando a mesma qualidade, sofrendo com a marcação dos adversários, pois o seu estilo de jogo estava sendo bem observado, mas mesmo assim foi tricampeão paulista, mais um feito que não acontecia desde 1969, não somente do Santos, mas também do futebol paulista. Claro que recebeu muitos prêmios e escolhido por várias vezes como o melhor jogador das competições que disputava. A Seleção Brasileira também precisava dele, sendo várias vezes convocado, desde as categorias de base e agora na principal, com algumas decepções e outras belas passagens. Pelo futebol diferenciado recebeu propostas de times europeus, mas seu pai (empresário de Neymar) e a diretoria santista conseguiu segurá-lo por um bom tempo, até que em 2013 uma ótima proposta do Barcelona fez com que finalmente fosse vendido à Espanha, entristecendo a torcida santista, que vivenciou seus melhores momentos depois de 1974, pois atingiram o seu êxtase de fato através do infernal Neymar, o que faz dele um justo merecedor de figurar no time titular do Santos de todos os tempos.
 
DORVAL RODRIGUES (Porto Alegre, RS, 26/02/1935) ? Camisa 7 - Jogou no Santos de 1956 a 1964 e de 1965 a 1967, marcando 193 gols em 609 partidas. Nos grandes ataques santistas de 1957 a 1964 sempre o seu nome iniciava a linha, já que atuava na ponta-direita. Dorval era veloz, driblava na corrida e através dos seus cruzamentos fez o nome de grandes centroavantes como Pagão, Coutinho e Toninho Guerreiro, além, claro, de Pelé. Gaúcho de nascimento, foi revelado pelo Força e Luz, tendo também uma rápida passagem pelo Juventus da Mooca por empréstimo em 1957, quando era jogador do Santos. Fez parte dos dois maiores ataques da Era Pelé, pois a linha campeã paulista de 1958 com Jair e Pagão também era muito boa. Ganhou tudo o que quis em relação à títulos. Sua grande mágoa foi não ter ido à Copa do Mundo de 1962, já que o treinador Aymoré Moreira optou por Jair da Costa na reserva de Mané Garrincha. Da mesma forma que o seu nome iniciava na grande linha de ataque, foi o primeiro a desfalcá-la, quando foi jogar em 1964 no Racing da Argentina.  Retornou no ano seguinte, ganhando mais títulos, mas aos poucos o time foi perdendo o gás que tinha antes, mesmos ainda jogando muito bem. Jogou depois no Palmeiras, Atlético Paranaense, Carabobo (Venezuela) e Saad, sem jamais repetir o mesmo futebol, além de não contar com os mesmos coadjuvantes que teve. É o maior ponta-direita da história do Santos, além de ter um número bem elevado de partidas disputadas.
 
ANTÔNIO WÍLSON HONÓRIO ? COUTINHO (Piracicaba, SP, 11/06/1943) ? Camisa 9 - Jogou no Santos de 1958 a 1967 e em 1969/1970, marcando 368 gols em 450 partidas. Só o fato de ser considerado o grande parceiro do maior jogador de todos os tempos já faz de Coutinho um nome eterno no futebol. Mas claro que a carreira do centroavante não se resume somente pela parceria, pois é considerado um dos grandes da posição. Da mesma forma que Pelé, começou muito novo no time profissional (completaria 15 anos em menos de 1 mês), marcando um gol logo na sua estréia (17/05/1958), dando provas que já era um garoto precoce. O titular da camisa 9 era Pagão, o melhor centroavante brasileiro da época, mas foi aproveitando cada chance que lhe era dada, aprendendo também com ele e quando jogava ao lado do "já? Rei do Futebol apresentava um entrosamento cada vez maior, ainda mais que o outro atacante se machucava muito por ser franzino. De reserva passou a titular, formando, no final de 1959, aquela que seria considerada a maior dupla do futebol. Pelé e Coutinho infernizavam as defesas adversárias através de incomparáveis tabelinhas, sendo ambos também muito bons individualmente, confundindo o narrador que às vezes não sabia quem era quem, já que os dois são negros. Coutinho passou a usar um esparadrapo para diferenciar, pois também marcava gols em proporção, sendo para muitos o mais frio jogador de área de todos. Com os dois em campo vieram gols e títulos de forma avassaladora. Uma das muitas grandes partidas que fizerem juntos foi na final do Mundial Interclubes de 1962, quando envolveram a defesa do Benfica em Lisboa, com uma estrondosa goleada de 5 a 2. Na Copa do Mundo do Chile quase jogaram juntos, mas uma contusão no último jogo antes do torneio fez com que assistisse a conquista brasileira do banco. Se Pagão perdeu a posição por causa das contusões que sofria, Coutinho teve o problema de engordar com facilidade, sendo aos poucos substituído por Toninho Guerreiro. Da mesma forma que iniciou cedo a carreira, também encerrou precocemente, com apenas 30 anos.
 
EDSON ARANTES DO NASCIMENTO ? PELÉ (Três Corações, MG, 23/10/1940) ? Camisa 10 - Jogou no Santos de 1956 a 1974, 1975 e 1977, marcando 1091 gols em 1116 partidas. Escrever uma mini biografia de Pelé é uma tarefa fácil e difícil, pois temos ao nosso dispor várias informações dele e se repetirmos o mesmo que todos já estão acostumados será algo repetitivo e cansativo aos que estão acostumados de ler a seu respeito.  Quando escolho um time de todos os tempos opto como titular absoluto quem jogou mais anos, atuou em mais partidas e marcou o maior número de gols, três critérios que Pelé obteve no Santos. Veio de Bauru por intermédio do ex-jogador Waldemar de Brito, provando logo no início ser um jogador diferenciado. No ano seguinte era convocado pela Seleção Brasileira com apenas 16 anos e tornou-se o mais novo artilheiro do Campeonato Paulista. Tinha somente 17 anos quando foi campeão do mundo em 1958 pelo Brasil, o primeiro título em Copa da Seleção Brasileira e sendo considerado o Rei do Futebol. De fato era um jogador completo, dominando todos os fundamentos do futebol, desde o drible, velocidade, chutes a gol com ambas as pernas, tabelava como ninguém, lançamentos precisos, batia pênaltis com paradinha e cabeceava muito bem, além de ter um preparo físico invejável. Com um repertório assim marcou gols em uma proporção jamais igualada, mantendo a artilharia do Paulistão por 11 vezes (de 1957 a 1965 foi o artilheiro seguido), um recorde que dificilmente será batido. No estadual de 1958 marcou exatos 58 gols, sendo que quem mais se aproxima dele é ele mesmo, com 49 (1965), 47 (1961) e 44 (1959). Como na sua época o Santos ganhou tantos títulos acabei não os mencionando na biografia dos jogadores do seu tempo, senão seria algo repetitivo, então resolvi citar os principais para Pelé. Foram dez títulos paulistas (1958, 1960/61/62, 1964/65, 1967/68/69 e 1973), quatro Torneios Rio-São Paulo (1959, 1963/64 e 1966), um Roberto Gomes Pedrosa (1968), pentacampeão da Taça Brasil (1961/62/63/64/65) e bicampeão da Libertadores da América e do Mundial Interclubes (1962/63). Sua importância era tanta que não se falava o Pelé do Santos, mas sim o Santos de Pelé, uma frase que não o definia como pertencente ao time, mas sim o time que pertencia à ele. Comemorava os seus muitos gols socando o ar, algo que ele justificou que começou a fazer quando era provocado pelas torcidas adversárias. Dois são inesquecíveis, como a sequência de chapéus contra o Juventus da Mooca em 1959 e o famoso "gol de placa? contra o Fluminense em pleno Maracanã, quando driblou toda a defesa adversária. E sem se esquecer do milésimo gol, marcado de pênalti também no Maracanã, contra o goleiro Andrada, do Vasco. Pela Seleção Brasileira também foi bicampeão em 1962 (mesmo jogando apenas uma partida e meia, devido a uma grave contusão) e tri em 1970, realizando lances antológicos, tornando-se assim o único jogador que conseguiu ganhar por três vezes a Copa do Mundo. No Mundial de 1966 fracassou com todo o time. É até hoje o jogador que mais marcou gols pela Seleção Brasileira. Sua despedida do Santos foi comovente em 1974, ajoelhando-se no meio do gramado fazendo o sinal da cruz. Jogou por dois anos no Cosmos dos Estados Unidos. Por quase 40 anos manteve uma marca de partidas disputadas que jamais havia sido igualada por outro jogador no mundo e seu número elevado de gols dificilmente será superado.
 
JOSÉ MACIA ? PEPE (Santos, SP, 25/02/1935) ? Camisa 11 - Jogou no Santos de 1954 a 1969, marcando 402 gols em 740 partidas. O Canhão da Vila sempre fez questão em afirmar que é o maior goleador santista de todos os tempos, já que considera que Pelé é extraterrestre. De fato Pepe marcou muitos gols, principalmente por causa da força dos seus chutes, tanto com a bola em movimento quanto nas bolas paradas, principalmente quando cobrava faltas. É também o segundo jogador santista em número de partidas. Ao surgir teve que disputar a ponta-esquerda com Tite, que era jogador da Seleção Paulista e depois da Brasileira. Aos poucos foi deslocando-o para outros setores do campo, já que se tornou um ponteiro esquerdo muito bom. Da mesma forma que Zito, ganhou os primeiros títulos santistas antes do início da Era Pelé. Um fato que Pepe e muitos não comentam é que se trata do jogador que mais vezes ganhou o Campeonato Paulista, nada mais nada menos que 11 vezes (1955/56, 1958, 1960/61/62, 1964/65 e 1967/68/69), um feito que nem mesmo Pelé superou. Ganhou tudo o que quis na fase dourada do time. Entre 1957 e 1959 havia o PPP, nome dado aos três jogadores que começavam com a letra "P?, que eram o Pagão, Pelé e Pepe. Na Seleção Brasileira não teve a mesma sorte, pois sempre se machucava pouco antes da Copa do Mundo, facilitando muito ao sortudo Zagallo, tanto é que foi bicampeão mundial vendo os títulos no banco de reservas. A partir de 1965 começou a disputar a posição com Abel e depois com Edu, que foi o segundo maior ponta-esquerda da história santista, atrás apenas do próprio Pepe. Pode ser considerado como campeão paulista de 1969, já que a sua despedida (19/03) foi em uma partida da competição. Continuou ligado ao Santos, tanto é que foi o treinador do time que venceu o estadual de 1973, dividido com a Portuguesa de Desportos.
 
LUÍS ALONSO PÉREZ ? LULA (Santos, SP, 01/03/1922 ? 15/06/1972) ? Foi técnico do Santos de 1954 a 1968, comandando o time em 961 partidas. Ninguém talvez conhecesse tanto o surgimento do forte Santos como o treinador Lula. O ex-leiteiro começou a treinar o time quando fazia quase20 anos que não era campeão paulista. Revelou importantes jogadores e indicou grandes contratações, iniciando assim uma incomparável sequência de títulos que nenhum outro comandante teve no futebol mundial. Mesmo treinando o melhor time do mundo, muitos consideram que o sucesso da equipe era mais pelo talento dos jogadores e não por consciência tática, sendo que se dizia que apenas jogava as camisas no ar para os jogadores, algo injusto, da mesma forma que comentaram do técnico Zagallo na Copa do Mundo de 1970. No início de 1968 entregou o cargo à Antoninho, que havia sido o principal jogador santista da década de 40. Treinou outros clubes como a Portuguesa de Desportos e Santo André, sem chegar ao menos perto do que representou no Santos, clube que ganhou tudo. Talvez o momento mais importante que teve fora da Vila Belmiro aconteceu no dia 06 de março de 1968, quando quebrou o tabu do Corinthians que não vencia justamente o Santos há 11 anos em partidas válidas pelo Campeonato Paulista.
 
COMO JOGARIA O TIME DO SANTOS?
O Santos praticamente jogaria da mesma forma que nos anos 60. Gylmar, com a sua categoria e segurança, seria uma parede difícil de ser batida. Carlos Alberto Torres manteria a sua elgância na lateral-direita, tanto no domínio de bola como na marcação, mas não seria tão ofensivo, já que a equipe teria um autêntico ponta-direita. Mauro Ramos de Oliveira é o ponto clássico da zaga santista, auxiliado por Zito que ajudaria mais os companheiros de defesa com os seus gritos, além de exercer uma forte marcação. Lima também seria um lateral defensivo, se deslocando também para o meio por ser um jogador tão versátil. O meio-de-campo, como de costume, municiaria os atacantes, com Mengálvio exercendo a marcação e lançando os companheiros, sendo auxiliado por Neymar, que carregaria a bola do meio ao ataque, já que tem muita habilidade. Um detalhe importante é que optei por Mengálvio com a camisa 8 porque de fato era o número dela quando jogava, mesmo  escalando-o como volante. Já Neymar usaria a 5 pois a número 11 já tem dono. A linha de ataque jogaria da mesma forma, através de muita velocidade, com Dorval avançando pelo lado direito e cruzando para Coutinho e Pelé, que manteriam o mesmo jogo envolvente das tabelinhas e talento individual, sendo completada por Pepe com a sua velocidade e chutes mortíferos, tornando-se o responsável pelas cobranças de faltas, pênaltis e escanteios. Provavelmente o Santos será o único time de todos os tempos que escalarei que manterá todos os cinco atacantes na equipe principal, mesmo Mengálvio sendo recuado da meia-direita para a posição de volante.
 
RESERVA: Rodolfo Rodríguez, Dalmo, Ramos Delgado, Joel Camargo e Léo; Clodoaldo e Antoninho; Edu, Pagão, Feitiço e Araken Patuska.
 
RODOLFO SERGIO RODRÍGUEZ (Montevidéu ? URUGUAI, 20/01/1956) - Jogou no Santos de 1984 a 1988, disputando 255 partidas. Foi o maior ídolo dos torcedores santistas na década de 80. Goleiro uruguaio revelado pelo Nacional e que surgiu para o mundo no Mundialito de 1981, conquistando o título pela seleção do seu país com espetaculares defesas, em especial contra a Seleção Brasileira. Quando o Uruguai foi campeão da Copa América de 1983 após mais uma grande exibição de Rodolfo Rodríguez contra o Brasil, sua contratação foi indicada pelo próprio Pelé. No Campeonato Brasileiro de 1984 já mostrou quem de fato era. E na conquista do Paulistão do mesmo ano foi o maior destaque da equipe, com espetaculares intervenções, em especial contra o América de São José do Rio Preto, quando fez três defesas antológicas. Nos anos seguintes continuou mantendo um bom rendimento, mas a falta de títulos acabou pesando. Quando era goleiro do Bahia, em final de carreira, ficou marcado pela bobeada na frente do atacante Ronaldo, quando esse jogava no Cruzeiro, pois depois de realizar uma defesa, ficou parado reclamando (não se sabe se era contra os defensores da sua equipe ou dele mesmo), deixando a bola no chão, que foi tomada pelo jovem centroavante cruzeirense, marcando o gol, algo que seria impossível de acontecer quando estava no auge da sua forma. Nos anos 70 o Santos teve outro grande goleiro gringo (o argentino Cejas), mas Rodolfo Rodríguez tinha mais carisma, não sendo escolhido no Santos de todos os tempos como titular simplesmente por ter tido na década de 60 um certo Gylmar dos Santos Neves.
 
DALMO GASPAR (Jundiaí, SP, 19/10/1932) - Jogou no Santos de 1957 a 1964, marcando 4 gols em 366 partidas. Mesmo atuando mais na lateral-esquerda, fiz questão de incluir Dalmo na reserva de Carlos Alberto Torres, pois mesmo não sendo um jogador muito festejado fez parte da época dourada do Santos e autor de um gol muito importante. Por ser de Jundiaí, iniciou a sua carreira no bairro Vianelo. Jogou também no Guarani de Campinas. Estreou no time santista quando Pelé já estava atravessando uma grande fase, testemunhando (e contribuindo) com o sucesso da endiabrada equipe. Foi o primeiro jogador do Brasil a usar chuteiras de borracha, que tinham sido dadas de presente ao Rei Pelé, mas esse não quis. O momento mais importante da carreira de Dalmo foi quando fez o gol do título de bicampeão do mundo (1963), cobrando um pênalti com paradinha. Segundo o ex-jogador, foi ele que inventou a cobrança e não Pelé, que por sinal estava ausente nas duas partidas finais do Mundial devido a uma contusão. Encerrou a carreira no Paulista de Jundiaí, chegando a jogar como zagueiro-central.
 
JOSÉ MANUEL RAMOS DELGADO (Quilmes-ARGENTINA, 26/08/1935 ? La Plata-ARGENTINA, 03/12/2010) - Jogou no Santos de 1967 a 1972, marcando 1 gols em 321 partidas. Foi o mais perfeito substituto de Mauro Ramos de Oliveira quando o refinado zagueiro-central parou e também a melhor opção na sua reserva no meu Santos de todos os tempos. Clássico defensor argentino, conhecido como El Negro Jefe (mesmo tendo pele clara) e Xerife. Teve uma excelente passagem no futebol argentino, em especial na equipe do River Plate, clube que jogou por mais de cinco anos. De 1958 a 1966 era o melhor zagueiro da Argentina, tanto é que jogou nas Copas do Mundo da Suécia e do Chile, participando também das Eliminatórias do Mundial da Inglaterra. Com um futebol e currículo tão bom, caiu como luva no "ainda? forte time santista. Se Mauro havia sido o zagueiro-central do primeiro Tricampeonato Paulista do Santos (1960/61/62), Ramos Delgado manteve a mesma categoria e competência no segundo (1967/68/69). Formou com Carlos Alberto Torres, Joel Camargo e Rildo a melhor defesa do futebol brasileiro no final dos anos 60.
 
JOEL CAMARGO (Santos, SP, 18/09/1946) - Jogou no Santos de 1963 a 1971, marcando 5 gols em 303 partidas. Revelado pela Portuguesa Santista, teve uma rápida passagem pela Briosa quando o Santos o contratou. Quarto-zagueiro de futebol clássico e firme na marcação, que tinha facilidade pra sair com a bola dominada, tocando para os seus companheiros. Mesmo sendo novo, não teve dificuldades para se firmar no time santista, o que não era tarefa complicada já que a equipe jogava um futebol mais do que redondo. Chegou depois da consagração do Bicampeonato Mundial, sendo muito elogiado por suas boas atuações. Na Seleção Brasileira formou uma ótima zaga com Djalma Dias (também jogou com ele no Santos), sendo campeão do mundo em 1970, mas sem alguma partida devido à uma operação na garganta, não conseguindo se recuperar a tempo. Depois jogou no futebol francês, atuando pelo Paris Saint-Germain (1971/1972) e em 1973 atuou no CRB e Saad EC. Um dos maiores zagueiros da história do Santos, sem sombra de dúvidas.
 
LEONARDO LOURENÇO BASTOS ? LÉO
(Campos dos Goytacazes, RJ, 06/07/1975) - Jogou no Santos de 2000 a 2005 e desde 2009 (tem possibilidades de encerrar o seu contrato no final de 2013), marcando 24 gols em 452 partidas. É o jogador santista mais vitorioso da Era Pós-Pelé. Revelado pelo Americano de Campos durante os anos 90, foi muito identificado com o clube carioca, passando por várias categorias do time. Jogou por dois anos no União São João e após uma rápida passagem no Palmeiras foi contratado em 2000 pelo Santos, passando por duas fases de títulos e jogando ao lado de jogadores talentosos, vivenciando "um pouco? a mágica equipe de Pelé. Na Seleção Brasileira, sob o comando do técnico Emerson Leão, disputou a Copa das Confederações de 2001, retornando em 2005 com Carlos Alberto Parreira sendo o treinador e ganhando a mesma competição. A partir de 2002 iniciou a série de conquistas com o Santos, vencendo o primeiro Campeonato Brasileiro do clube (quando era considerado competição nacional desde 1971) com a boa geração de Robinho, Diego e Elano. Repetiu a dose em 2004. De 2001 a 2005 viveu a melhor fase da sua carreira, ganhando três Bolas de Prata. E de 2005 a 2009 teve uma boa passagem no futebol português, atuando pelo Benfica, ganhando em 2007 a Copa Dubai e o Torneio do Guadiana e no ano seguinte foi campeão da Taça Cidade de Guimarães, sendo eleito o melhor lateral-esquerdo da Liga Sagres (2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008). No ano de 2009 retorna à Vila Belmiro jogando agora com outra bela geração, ao lado de Neymar, Arouca e Paulo Henrique Ganso, ganhando a Copa do Brasil de 2010, o terceiro Tricampeonato Paulista do Santos (2010/2011/2012), a Libertadores da América de 2011 e a Recopa Sul-Americana em 2012. Foi eleito o melhor lateral-esquerdo dos Paulistões de 2010 e 2011. Sobrinho do ex-ponta-esquerda santista Tite, sempre jogou no lado esquerdo como muitas vezes fez o tio, sendo que em agosto de 2013 passou a jogar na meia, mas devido à problemas no joelho direito provavelmente não renovará o contrato no final do ano.
 
CLODOALDO TAVARES SANTANA (Aracaju, SE, 26/09/1949) - Jogou no Santos de 1966 a 1980, marcando 14 gols em 512 partidas. Quando Clodoaldo chegou ao Santos, como todo novato, poderia estar nervoso, ainda mais por jogar em um clube grande. Mas foi o contrário, já que a equipe possuía o melhor plantel do Brasil e o volante titular era Zito, um jogador experiente e consagrado. Como o bicampeão do mundo pela Seleção Brasileira e Santos estava em final de carreira e sabendo que tinha um bom substituto, fez com que Clodoaldo aprendesse alguns segredos na sua posição. Da mesma forma que o antecessor, tornou-se o dono da camisa 5 do Santos e posteriormente do Brasil, ganhando o segundo Tricampeonato Paulista (Zito havia vencido o primeiro) e também foi mais um volante santista que ganhou uma Copa do Mundo, a de 1970. Uma contusão o tirou do Mundial de 1974. Tinha um domínio de bola muito bom e era ofensivo. Interessante as semelhanças na sua carreira com a de Zito. Muito identificado com o Santos, foi o único clube da sua carreira, vestindo a sua camisa durante muitos anos e disputando bastante partidas. Foi tricampeão paulista em 1967/68/69 e em 1973, além de ter vencido Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968. É o único representante do time que ganhou o Campeonato Paulista de 1978, formando um grande meio de campo com Pita e Aílton Lira, na equipe que também tinha o lateral-esquerdo Gilberto Sorriso e os atacantes Nílton Batata, Juary e João Paulo, os Meninos da Vila.
 
ANTÔNIO FERNANDES ? ANTONINHO (Santos, SP, 13/08/1921 ? 16/12/1973) - Jogou no Santos de 1941 a 1954, marcando 144 gols em 400 partidas. Foi o principal jogador santista da década de 40, tendo azar de ter jogado em uma época de poucos títulos e não muito expressivos (Taça Cidade de São Paulo de 1949 e Torneio Quadrangular de Belo Horizonte em 1951). Era um jogador muito técnico, um bailarino que ficou conhecido pelo apelido de Arquiteto da Bola, autor de belos passes e gols. Meia-direita que no seu início como profissional formou uma boa ala com o ponteiro direito Cláudio (futuro maior goleador da história do Corinthians), cansou de lançar a bola para o centroavante Odair Titica concluir ao gol adversário. Jogou na Seleção Paulista, mas nunca foi convocado à Brasileira, talvez pela rixa existente entre Rio de Janeiro e São Paulo e por não jogar em um clube da capital paulista, mesmo sendo considerado um dos grandes meias da época, admirado por Zizinho. Jogou exatos 400 jogos pelo Santos. Tornou-se treinador santista em 1953, voltando à campo no ano seguinte para disputar alguns amistosos. Retornou como técnico no início de 1967, permanecendo até 1971, sagrando-se tricampeão paulista em 1967/68/69, título que não conseguiu ganhar quando era jogador.
 
JONAS EDUARDO AMÉRICO ? EDU (Jaú, SP, 06/08/1949) - Jogou no Santos de 1966 a 1976, marcando 184 gols em 583 partidas. Para quem acha que Pelé, Coutinho e Neymar foram os jogadores mais precoces da história santista, deve lembrar que Edu também foi e até mesmo mais em alguns quesitos. Suas primeiras atuações no Torneio Rio-São Paulo de 1966 foram suficientes pra ser convocado à Seleção Brasileira e estar no grupo da Copa do Mundo do mesmo ano, com apenas 16 anos. De fato fazia jus, pois era um ponta fantástico, veloz, com um vasto repertório de dribles, domínio de bola incomum e ótimos cruzamentos, um estilo de jogo que o acompanhou praticamente por toda a sua trajetória na Vila Belmiro. Não era fácil se firmar, já que na ponta-esquerda jogavam o consagrado Pepe e o talentoso Abel. Mas Edu soube se impor, mesmo tendo que jogar como centroavante ou ponta-direita, pois o seu talento falava mais alto. Formou com Pelé uma entrosadíssima dupla, muitas vezes impressionando o Rei por sua irreversível habilidade. Foi várias vezes campeão pelo Santos, sendo considerado um ponta-esquerda incontestável, mas não teve sorte de ser titular absoluto em Copas do Mundo, jogando apenas uma partida no Mundial de 1970 e de 1974, talvez pelo fato do treinador ser o Zagallo, que havia sido um ponteiro esquerdo recuado do qual não admirava pontas autênticos como Edu, optando em colocar jogadores que tinham características mais de meias. Mesmo o time santista tendo ao longo da sua história jogadores como Dorval e Pepe nas suas fileiras, todos sabem que em matéria de técnica e show ninguém foi igual ao inesquecível Edu.
 
PAULO CÉSAR ARAÚJO ? PAGÃO (Santos, SP, 07/10/1934 ? 04/04/1991) - Jogou no Santos de 1955 a 1963, marcando 155 gols em 341 partidas. Se muitos que acompanham futebol a partir dos anos 50 consideram Mauro Ramos de Oliveira como o mais habilidoso zagueiro que viram jogar, o mesmo é dito em relação à Pagão quando são inquiridos em relação ao melhor centroavante brasileiro. De fato tratava-se de um jogador de técnica refinadíssima, que driblava curto e em velocidade (muitas vezes chapelando o seu marcador com o próprio calcanhar) e um mestre na distribuição das jogadas, já que era um centroavante goleador e preparador. Campeão paulista em 1955, no ano seguinte era a principal atração da equipe na conquista do Bicampeonato, jogando ao lado de jogadores habilidosos como Jair Rosa Pinto, Álvaro e Vasconcelos. Só não foi perfeito na sua posição devido às constantes contusões que sofria por ser muito franzino, sendo apelidado de Canela de Vidro. Foi o primeiro grande parceiro de Pelé, sendo que as tabelinhas do futuro rei foram iniciadas com ele, que geralmente o deixava na cara do gol, o que fez dele artilheiro do Campeonato Paulista de 1957 com apenas 17 anos. Com o sucesso do companheiro na conquista da Copa do Mundo de 1958 foi perdendo espaço no coração dos torcedores, mesmo ambos estando infernais na conquista do Paulistão daquele ano. Além das seguidas contusões outro motivo que fez com que perdesse aos poucos a titularidade foi o destaque de Coutinho, que jogava mais ao lado de Pelé, formando assim uma dupla ainda mais afinada. Mesmo sendo tricampeão paulista ( 1960/61/62), bicampeão da Taça Brasil (1961/62) e campeão da Libertadores e do Mundo (1962) percebeu que estava na hora de fornecer o seu estupendo futebol à outro clube, sendo contratado pelo São Paulo em 1963, sendo que no Campeonato Paulista chegou a ter uma grande atuação contra o seu ex-clube, com uma goleada de 4 a 1. Apesar do seu final na Vila Belmiro não ter sido dos mais estimulantes, deixou saudades de quem o viu atuar e muitos ainda preferiam ele do que Coutinho como o centroavante santista, o mais perfeito de todos da década de 50 em diante, na fase pós-Fridenreich/Leônidas/Heleno.
 
LUÍS MATOSO ? FEITIÇO (São Paulo, SP, 29/09/1901 ? 23/08/1985) - Jogou no Santos de 1927 a 1932 e um jogo em 1936, marcando 215 gols em 151 partidas. Na história santista, antes e depois de Pelé, serão sempre citados os recordistas em algum quesito, como o mais importante jogador, o principal goleador depois dele, etc. No caso de Feitiço, o seu reserva no meu time do Santos de todos os tempos, foi antes dele o único jogador santista que havia sido três vezes artilheiro do Campeonato Paulista, além de ser o recordista em número de gols na competição (com 36 tentos, Humberto Tozzi é quem mais tinha se aproximado no Paulistão de 1954), anotando 37 em 1930 e 39 no ano de 1931, feitos que só foram batidos por Pelé. Em 1981 Jorge Mendonça, pelo Guarani, marcou 38 gols. Feitiço sempre adorou ser desafiado ao longo da sua carreira, o que aconteceu no seu início no Santos, Seleção Paulista e Brasileira, Peñarol e até mesmo pelo presidente do Brasil quando impediu que os cariocas batessem um pênalti contra os cariocas, sendo acompanhado por Amílcar e Tuffy. Era um centroavante muito valente, que enfrentava com fúria as defesas adversárias, marcando gols através de chutes potentes, desferidos de bico, sem-pulo e voleio, além de ser um emérito cabeceador. Também batia faltas com precisão. O histórico ataque dos 100 gols vice-campeão paulista de 1927 foi fantástico, com Omar, Camarão (Siriri), Feitiço, Araken e Evangelista. Muitos lamentaram o problema que houve entre paulistas e cariocas em 1930, fazendo com que a Copa do Mundo perdesse Feitiço e tantos outros grandes jogadores. Também teve boas passagens no Uruguai, Vasco da Gama e Palestra Itália. Dos 22 jogadores que escolhi é o único que nunca atuou no Santos quando o futebol brasileiro já tinha se tornado profissional. Araken Patuska foi o seu grande companheiro na carreira, então optei de escalá-los juntos pelo lado esquerdo. Sua média de gols é maior que a de Pelé.
 
ARAKEN PATUSKA (Santos, SP, 17/07/1906 ? 24/01/1990) - Jogou no Santos de 1923 a 1930 e de 1935 a 1937, marcando 182 gols em 196 partidas. Trata-se simplesmente do mais importante jogador do Santos antes do surgimento de Pelé, ou seja, praticamente durante 45 anos. Tinha uma história muito ligada ao clube, pois seu pai (Sizino Patuska) foi um dos seus fundadores e primeiro presidente, além de ser primo de Arnaldo Silveira (primeiro ídolo santista e autor do gol número 1) e irmão de Ary Patuska, o mais importante goleador do time na década de 10. Araken Patuska tornou-se o principal jogador do time nos anos 20, chegando a ser convidado em 1925 a participar da excursão do Clube Atlético Paulistano à Europa, a primeira de uma equipe brasileira ao Velho Mundo, sendo apelidado pelos franceses de Le Danger (O Perigo). Era um meia-esquerda formidável, muito veloz, excelente driblador e fantástico goleador. Sua fase mais inesquecível foi quando fez parte do ataque dos 100 gols (primeiro no futebol brasileiro a chegar à marca centenária) em 1927, quando o time foi vice-campeão paulista e formou uma dupla infernal com o centroavante Feitiço, tornando-se também artilheiro do campeonato. Em 1930 estava desligado do clube, ganhando assim a chance de disputar a Copa do Mundo daquele ano, com o Flamengo adquirindo o seu passe (não chegou a jogar pelo Mengo) para que pudesse participar do Mundial, porque houve um desentendimento entre paulistas e cariocas, sendo que a Federação Paulista não quis ceder nenhum dos seus jogadores. Após a Copa acabou ficando sem clube (talvez devido ao fracasso da Seleção Brasileira). Foi jogar no recém-fundado São Paulo da Floresta, ganhando em 1931 o seu primeiro título paulista e tendo por quatro anos outra excelente fase da sua carreira. Quando o clube foi extinto retornou ao Santos, o seu time de coração, em 1935, conquistando finalmente o primeiro título estadual da história do clube. Saiu em definitivo no ano de 1937 pra jogar no Estudantes Paulista e depois foi para o São Paulo Futebol Clube, encerrando a carreira em 1939 após mais duas boas passagens. Araken Patuska , junto com Feitiço,  é o representante no time do Santos de todos os tempos em um período que não faz parte dos gloriosos anos 50, 60 e 70 (bem distante, por sinal), mas entendo que a sua presença é de suma importância, pois mesmo ganhando apenas um título muito importante (principalmente para a época) foi responsável por um estilo de jogo que marcaria o Santos nos próximos, o futebol bem jogado. Sua escalação na ponta-esquerda foi porque chegou a atuar na posição em alguns jogos, se bem que Feitiço chegou a jogar na ponta, então tanto um como o outro podem estar no setor.
 
OS ESQUECIDOS
Para um time que teve tantos grandes jogadores, em especial na Era Pelé, esquecer nomes seria algo natural, pois escolher 22 em milhares é um exercício de raciocínio injusto. Claro que a equipe dos anos 60 foi a base de tudo, pois os atletas que figuravam além de terem vencido os principais títulos da história do clube também tem uma longa passagem na Vila Belmiro, justificando a sua escolha. Segue abaixo alguns nomes que também poderiam estar escalados.
 
O Santos teve grandes goleiros, desde Athiê Jorge Cury (que seria o maior presidente da história do clube) nas décadas de 20 e 30, que era o arqueiro da Seleção Paulista e teve mais cartaz que Tuffy, este tendo passagem maior no Corinthians. Em 1935 o campeão paulista foi Cyro, que anos depois (1941) também venceria o Paulistão pelo maior rival. Na década de 50 jogou Manga (não confundir com o arqueiro do Botafogo Carioca, Seleção Brasileira de 1966 e Internacional), que foi o goleiro que jogou mais partidas pelo Santos. Em 1957 chegou Laércio, que vinha de uma boa passagem pelo Palmeiras, mas que a partir de 1962 teve que ser reserva de Gylmar dos Santos Neves, um concorrente nada favorável. Cláudio (anos 60 e 70) também se destacou bem, ainda mais com a difícil missão de ser o substituto de Gylmar. Nos anos 70 o argentino Cejas brilhou muito na meta santista, sendo que muitos torcedores o consideram melhor que o uruguaio Rodolfo Rodríguez. De 1979 a 1983 Marola se destacou. O goleiro Sérgio Guedes viveu bons momentos, principalmente de 1990 a 1992, quando foi convocado pela Seleção Brasileira. Edinho, filho de Pelé, teve alguns bons momentos na década de 90. Até mesmo o polêmico Fábio Costa (segundo goleiro em número de partidas) teve uma boa passagem. E recentemente Rafael brilhou no tradicional gol santista.
 
Muitos zagueiros brilharam com a camisa do Santos, como Urbano Caldeira (anos 10), que também foi dirigente e seu nome foi dado ao estádio da Vila Belmiro no dia 24 de março de 1933 (primeiro jogo profissional do Brasil). A zaga campeã paulista de 1935 foi muito boa, formada por Neves e Agostinho (o último também seria campeão paulista em 1941 pelo Corinthians). Na década de 40 havia um jogador que se chamava Ayala, que diziam ser muito bom. Hélvio foi um bom zagueiro santista dos anos 50, jogando tanto na Seleção Paulista quanto Brasileira. Outro da época de Hélvio, que foi marcante, era Formiga, que defendeu por várias vezes a Seleção Estadual e Nacional. Um dos mais clássicos zagueiros do Santos foi Calvet, que formava a zaga com Mauro Ramos de Oliveira. Narciso foi um zagueiro marcante na década de 90, que ficou também famoso por ter tido leucemia. E teve Alex, campeão brasileiro de 2002, o último grande zagueiro santista.
 
Rildo é um bom nome na lateral-esquerda, um jogador privilegiado na década de 60 por ter jogado no Botafogo de Garrincha (bicampeão carioca em 1961/62) e depois no Santos de Pelé (tricampeão paulista de 1967/68/69), mas considero que no Fogão sua história é maior. E teve Gilberto Sorriso, com uma passagem mais importante no São Paulo, mas que na Vila Belmiro viveu também grandes momentos, ganhando os Paulistões de 1978 e 1984 e foi vice-campeão brasileiro em 1983. 
 
Urubatão foi contemporâneo de Zito, um volante de muita qualidade, tanto é que às vezes um tinha que atuar em outra posição. No título paulista de 1984 Dema também teve um bom destaque. E atualmente tem Arouca, que mantém a boa tradição santista de volantes.
 
Apenas mencionarei o nome dos grandes meias santistas, pois a lista é grande. São eles: Camarão, Walter Marciano, Álvaro, Vasconcelos, Del Vecchio, Jair Rosa Pinto, Negreiros, Aílton Lira, Pita, Giovanni, Elano, Diego e Paulo Henrique Ganso.
 
Nas pontas tivemos Arnaldo Silveira e Millon, dois importantes jogadores santistas da década de 10, campeões sul-americanos de 1919 pela Seleção Brasileira. Nas décadas de 50 e 60 Tite honrou (e muito) a ponta-esquerda santista, mas com o aparecimento de Pepe perdeu espaço, tanto é que chegou a jogar no Corinthians de 1958 a 1960. O ponteiro esquerdo Abel também teve uma grande fase, mas simplesmente concorreu com Pepe e Edu, os dois maiores pontas-esquerdas da história do Santos. Manoel Maria (anos 60 e 70) e Nílton Batata (década de 70) foram bons representantes da camisa 7 de Dorval. E João Paulo, um dos principais jogadores do time dos Meninos da Vila, também honrou a ponta-esquerda santista.
 
Centroavantes santistas de qualidade tiveram muitos. Na distante década de 10 Ary Patuska foi um goleador de respeito. Toninho Guerreiro, que teve a nobre missão de jogar com a 9 que havia sido de Pagão e Coutinho, se deu bem, ainda mais com a responsabilidade de ter que jogar ao lado de Pelé. Mesmo sendo um cigano do futebol, Cláudio Adão (revelado pelo Santos) deixou o seu nome com a camisa santista. Juary, centroavante campeão paulista de 1978, brindou os santistas com muitos gols, já que a sua torcida não tinha mais o maior de todos. E sem jamais se esquecer de Serginho Chulapa, o maior goleador do São Paulo de todos os tempos, mas que tinha mais identificação com o Santos, autor do gol do título paulista de 1984.
 
Um nome que merece ser lembrado é o do atacante Robinho, um jogador habilidoso que surgiu em 2002 pra ser campeão brasileiro (de acordo com os critérios anteriores, uma competição surgida no ano de 1971), ganhando uma conquista importante que não vinha desde 1984, jogando um futebol alegre que somente Neymar conseguiu repetir no século XXI. Repetiu a dose em 2004.
 
O time de todos os tempos está bem justo, mas de fato existem muitos esquecidos que também poderiam figurar na equipe.



Imagem: @CowboySL

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