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Em 2017, após passagem pelo São Bento, Moradei acertou com o Mogi Mirim para disputar a Série C do Brasileiro

Em 2017, após passagem pelo São Bento, Moradei acertou com o Mogi Mirim para disputar a Série C do Brasileiro

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

Em 2 de fevereiro de 2011, o Corinthians entrou em campo na Colômbia com uma missão considerada simples: vencer o pouco conhecido Tolima e conquistar sua vaga para a fase de grupos da Copa Libertadores da América daquele ano. No entanto, o que se viu naquela noite acabou frustrando mesmo o menos otimista dos corintianos: sob o comando de Tite e com Ronaldo em campo, a equipe paulista perdeu por 2 a 0, com gols de Danny Santoya e Wilder Medina. Depois de um empate sem gols na partida de ida, no Pacaembu, o Corinthians estava eliminado.

A derrota acabou pesando no Corinthians. Sob pressão, a diretoria decidiu manter o técnico Tite – que acabou levando a equipe ao título do Campeonato Brasileiro daquele ano. Mas o retorno para o Brasil foi conturbado, mesmo para quem nem mesmo entrou em campo no jogo em Ibagué.

Foi o caso do volante Moradei. Então com 25 anos, o meio-campista vivia uma relação de desconfiança com a torcida. E acabou sendo um dos mais prejudicados ao chegar de volta ao Brasil no dia seguinte à eliminação.

"Quando a gente foi para o jogo, foi com uma pressão danada. Eu acabei nem indo para o jogo – estava relacionado, mas fui para o banco. Na volta, a gente já sofreu um pouco de coisas – avião, descida, essas coisas", contou Moradei, hoje no Mogi Mirim, em entrevista ao UOL Esporte.

"Quando a gente desceu no Brasil, os caras tinham invadido o estacionamento do CT. Meu carro era um dos primeiros que estavam estacionados. Eles invadiram e falaram para o pessoal: A gente vai só quebrar, não vai roubar. Foram quebrando todos os carros, e o meu era um dos primeiros ali. Quebraram a maioria (dos carros) dos jogadores. Quem estava com o carro no CT, eles quebraram. Mas em mim, de forma física, não me aconteceu nada, graças a Deus", contou.

Por conta daquela chegada, Moradei conta que o Corinthians precisou se afastar da torcida por um bom tempo. "Foi coisa de um mês. A gente ficou treinando meio escondido. A gente ia para um hotel para ir de ônibus para o CT. Foi uma turbulência bem abalada nesse começo (de ano). Mas que passou – tanto é que a gente foi campeão", acrescentou, relembrando o título do Brasileiro de 2011.

Aquela eliminação marcaria um ano de altos e baixos no Corinthians. Finalista do Campeonato Paulista (vencido pelo Santos), o time acabaria o ano como campeão brasileiro. Como explicar?

Para Moradei, as coisas começaram a mudar justamente após a eliminação na Colômbia. E graças ao técnico Tite. "A partir daí (Libertadores), o time se uniu, se fechou. O Tite abraçou o grupo de uma tal forma… Acho que foi um dos melhores técnicos com quem eu trabalhei na minha vida. Não tem nem o que falar – não é à toa que o cara está na seleção brasileira. Acho que fechou o grupo. Os jogadores que estavam viram que tinha força ali se unisse todo mundo", explicou o volante.

Naquela campanha, Moradei destacou uma partida em especial para elogiar Tite: o empate por 0 a 0 com o Palmeiras no Pacaembu, justamente pela última rodada do Brasileirão. Naquele jogo, sem poder escalar o volante Ralf (suspenso) no time titular, o treinador tinha como primeira opção o próprio Moradei, seu reserva imediato. No entanto, acabou optando por colocar Wallace, zagueiro de origem.

"Eu tinha a oportunidade de jogar. Mas na semana antes eu tinha machucado", relembra Moradei. "Os caras no grupo falavam que eu ia jogar. Mas eu tinha machucado uma semana antes, e não estava bem preparado. O Tite me chamou na sala, conversou comigo, trocou maior ideia. Falou: Moradei, não vou te colocar, você vem de uma recuperação. Foi honesto comigo. Ele poderia muito bem me tirar do jogo e não falar nada. Eu ia ficar muito bravo. No último jogo, o do título? Eu ia ficar muito puto. Mas foi o contrário. Eu fiquei muito feliz de ele ter me chamado para conversar", acrescentou. No fim, Moradei entrou em campo para substituir Jorge Henrique nos acréscimos do segundo tempo.

A chegada ao Corinthians (e o rebaixamento) em 2007

Nascido em 8 de fevereiro de 1986, Daniel Moradei de Almeida começou sua carreira nas categorias de base do Taubaté. Profissionalizado pelo clube em 2005, chegou ao Bragantino em 2007. Naquele ano, aos 21 anos, foi um dos destaques da campanha que levou o clube às semifinais do Campeonato Paulista – o time empatou duas vezes em 0 a 0 com o Santos, que avançou às finais por ter melhor campanha na primeira fase da competição.

Embora o título estadual não tenha vindo, a campanha do Braga serviu para abrir as portas para diversos jogadores do time – casos de Felipe (goleiro), Cadu, Zelão (zagueiros), Éverton Santos (atacante) e do próprio Moradei, que foram todos para o Corinthians após a competição.

"Aconteceu tudo muito rápido. O time foi bem, se classificou, ficou entre os quatro do Paulistão. Depois acabei indo para o Corinthians. Foi uma experiência muito boa, uma passagem rápida que serviu para pegar experiência logo de começo", relembra Moradei. Segundo ele, aquele momento de transferência "era tudo emoção e coração" na carreira.
"Fomos nós cinco. No meu caso, fui emprestado do Bragantino para lá, e eles foram vendidos. Acabei indo emprestado. Essa passagem no Corinthians, acho que foi a que eu mais joguei, porque tinha uma cláusula no meu contrato: se eu jogasse mais de 13 (partidas), eles aumentavam o meu salário e tudo mais, renovariam. Depois o Bragantino começou a pedir o empréstimo, essas coisas, valores, e não chegamos a um acordo de renovação (com o Corinthians)", disse.

A temporada foi boa para Moradei, mas não para o Corinthians. No Campeonato Brasileiro, o time ficou na 17ª colocação e acabou rebaixado à Série B do ano seguinte. De volta ao Bragantino no início de 2008, o jogador se mostrou satisfeito com o que pôde fazer no time paulistano.

"A minha passagem, por mais que tenha caído em 2007, não foi uma passagem em que eu deixei a desejar. Foi uma passagem que me ajudou muito a voltar para o Corinthians", contou o volante, marcado pela pressão naquela temporada. "Acho que a pressão da torcida era muito grande naquele time do Corinthians. Às vezes acaba afetando o jogador. Mas acho que essa experiência serviu para crescer e aprender como é trabalhar em um clube grande", analisa.

A passagem de 2007, aliás, foi a que mais marcou o jogador - inclusive positivamente. "Por eu ter feito mais jogos, por ter feito jogos bons, acho que 2007 foi o (ano) que mais marcou", analisa. "Mas em 2011 fiz também jogos bons."

A peregrinação e a chegada à Série C
Depois do rebaixamento pelo Corinthians, Moradei voltou ao Bragantino em 2008, mas começou a peregrinar. Em 2009, retornou ao Corinthians – "mas aí fui comprado", conta. Em 2010, foi emprestado ao São Caetano. Fez mais um retorno ao Corinthians em 2011, mas foi novamente cedido ao time do ABC Paulista em 2012, onde ficou até 2014.

A partir daí, voltou a rodar por vários times: São Bernardo (2015), Santa Cruz (2015) e Botafogo-SP (2016). Em 2017, acertou com o São Bento para a disputa do Campeonato Paulista, mas uma lesão muscular na coxa fez com que seu contrato não fosse renovado após a competição. Sem clube, acertou com o Mogi Mirim para a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro.

"Eu tive uma contusão lá e estava me recuperando - me recuperei no final do Paulista. Fui para casa e fiquei duas ou três semanas em casa. Aí, tinha uma conversa com os empresários para procurar uns times. Surgiu uma ideia do empresário de vir para o Mogi. Aceitei as condições deles aqui e vim para cá", contou, sem mágoas com o São Bento for ter ficado sem contrato. "Eles ficaram com o pé atrás de eu ter uma nova lesão lá", completou.
A estreia veia no dia 11 de junho, em jogo fora de casa pela terceira rodada: derrota para o Ypiranga por 2 a 0. Titular, ele atuou ainda nos jogos contra Bragantino (vitória por 2 a 0), Volta Redonda (vitória por 2 a 1) e Macaé (derrota por 1 a 0). Contra o Joinville (1 a 1), foi poupado depois de sentir o joelho no jogo no Rio de Janeiro.

A sequência de jogos em meio ao histórico de problemas físicos, porém, o animaram. "Eu me mantive em forma em casa, treinando. Aqui, vi a situação do time, do que eles precisavam", disse o volante, otimista com as chances do Mogi na competição – o time é lanterna do Grupo B, com oito pontos em nove jogos, mas segue próximo de rivais como Joinville (11 pontos), Macaé (10) e Bragantino (10). O Ypiranga, vice-líder, tem 13 pontos.

"Os times estão muito equilibrados. É que o Mogi perdeu muito ponto no começo, acho", analisa. Nas cinco primeiras rodadas, o time somou apenas um ponto. "Estava meio desestruturado – e ainda está um pouco, tentando arrumar a casa, com umas pendengas de bastidores, uns meninos com salários atrasados. Mas isso agora está se encaixando. Vamos ver, tentar colocar tudo em ordem, para encaixar no campeonato. O time está a cinco pontos do G-4, não é muito distante. Você faz dois jogos e outro (time) dá um tropeço, a gente está lá em cima de novo. Agora é focar, trabalhar, fazer as coisas certinho nos bastidores e dentro de campo, e as coisas fluem", projetou.

"Queria parar com 30 anos"

Mas… E depois da Série C? Qual é o futuro de Moradei?

Aos 31 anos, o volante admite que já gostaria de ter parado de jogar, mas precisou se manter por mais algum tempo em campo para garantir a segurança financeira de sua família. Por isso, ele mesmo sabe que o fim de carreira está perto – embora não saiba precisar quando será.

"Antigamente, quando eu jogava bem no começo (da carreira), eu falava que queria parar com 30. Mas infelizmente as coisas não aconteceram, e as lesões também atrapalham muito. Eu não tenho nada definido, mas eu quero parar logo. Quero fazer meu pé de meia, arrumar minha vida, viver com a minha família lá na minha cidade", diz o jogador, natural de São Luiz do Paraitinga (SP).

O que conseguiu acumular até aqui, diz Moradei, "dá para viver – mas, garantido, ainda não". Quando conseguir, deverá voltar a ficar perto da família.

"Tem que correr um pouquinho mais ainda. Já tenho algumas coisas, uma fazendinha na roça, um gadinho. Tenho umas coisinhas em mente", planeja.

Foto: Marcelo Gotti/Mogi Mirim EC

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