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Depoimento do árbitro Marcelo Aparecido é um dos questionados pelo Palmeiras. Foto: THIAGO BERNARDES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO/Via UOL

Depoimento do árbitro Marcelo Aparecido é um dos questionados pelo Palmeiras. Foto: THIAGO BERNARDES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO/Via UOL

O documento pelo qual o Palmeiras pede ao Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP) a impugnação da final do Campeonato Paulista de 2018, alegando interferência externa da arbitragem, tem como foco apontar contradições nos depoimentos de testemunhas durante o inquérito que resultou em arquivamento pelo tribunal. Entre os principais contestados estão membros da arbitragem, o diretor da federação Dionísio Domingos e o delegado do jogo Agnaldo Vieira.

O UOL Esporte teve acesso ao conteúdo do pedido de impugnação, no qual o clube se baseia em evidências como imagens de câmeras de TV, um relatório da empresa de investigação particular Kroll e um parecer do Instituto Brasileiro de Peritos (IBP) para apontar falhas na narrativa dos envolvidos. O Corinthians foi campeão nos pênaltis após vitória por 1 a 0 no tempo normal.

No depoimento do quarto árbitro, Adriano de Assis Miranda, o Palmeiras destaca que ele afirmou ter dito três vezes seguidas a palavra "canto" (escanteio) no rádio, assim que acontece o lance entre Ralf e Dudu na área. O árbitro Marcelo Aparecido não teria ouvido porque os dois estavam cercados de jogadores do Corinthians reclamando da marcação do pênalti, o que teria atrapalhado a comunicação pelo rádio.

Porém, o documento mostra com fotos que eles não tinham jogadores próximos de si no momento da marcação inicial do pênalti. Além disso, nenhum outro membro da equipe de arbitragem afirmou ter ouvido a palavra "canto" que Adriano disse ter proferido no rádio. Para o Palmeiras, isso significa que o quarto árbitro não falou nada, porque não tinha convicção de que o lance não havia sido pênalti no momento da jogada, e que só após receber informações externas é que ele foi falar com Marcelo Aparecido.

O depoimento de Marcelo também é questionado porque o árbitro diz que ouviu Adriano dizer a palavra "canto" em um segundo momento, após ter afastado os jogadores ao redor de si. Porém, confrontado, o quarto árbitro reitera em seu depoimento que só falou as palavras uma vez, imediatamente após a marcação.

O diretor de arbitragem da FPF, Dionísio Domingos, que estava no gramado na função de tutor de arbitragem na final, também tem contradições apontadas em sua fala. Ele identificou Márcio Verri Brandão, membro da comissão de arbitragem da federação, como "segurança" em seu depoimento, e disse que não sabia dizer se Verri havia usado um celular em campo durante a partida.

Imagens de televisão, porém, mostram que Verri mexia no celular bem ao lado de Dionísio durante o intervalo de oito minutos entre a marcação do pênalti e a mudança de decisão do árbitro. O Palmeiras destaca ainda que Verri não tinha permissão para estar no campo de jogo, muito menos portando um aparelho celular. Segundo a FPF, ele usava o telefone naquele momento para pedir auxílio a conhecidos da Aeronáutica para tirar de cima do estádio um helicóptero que sobrevoava o local.

O Palmeiras aponta ainda uma contradição no depoimento do delegado da partida, Agnaldo Vieira. Ele afirmou que se aproximou do quarto árbitro em determinado momento para conter uma confusão de jogadores e que só dirigiu a ele as seguintes palavras: "Ei, sai, vai pra lá". Imagens de TV, no entanto, mostram que não havia aglomeração de atletas nesse momento, e que o IBP mostrou, por leitura labial, que ele fala a palavra "Adriano" (nome do quarto árbitro) ao se aproximar. Ele não pode se comunicar com a equipe de arbitragem durante a partida.

O documento traz ainda uma linha do tempo montada pelo Palmeiras com os acontecimentos em ordem cronológica. O clube sustenta que o quarto árbitro não esboçou nenhuma reação contrária à marcação do pênalti no momento do lance, e que só foi se dirigir ao árbitro vários minutos depois, após ter contato com o quinto árbitro e com o delegado do jogo.

Esse pedido de impugnação foi rejeitado pelo presidente do TJD, delegado Antônio Olim, sem a análise do mérito. Olim alegou uma questão processual para extinguir o processo, dizendo que o Palmeiras demorou mais do que os dois dias previstos na lei para entrar com o pedido. Como mostrou o UOL Esporte, porém, o clube cumpriu o prazo. O Palmeiras agora tenta fazer o Pleno do TJD julgar o mérito com um recurso voluntário no tribunal e um mandado de garantia no STJD.

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