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Matéria do jornalista Maurício Sabará sobre o mais famoso clássico. Foto: Reprodução

Matéria do jornalista Maurício Sabará sobre o mais famoso clássico. Foto: Reprodução

Hoje inicio a série de clássicos cariocas de todos os tempos, claro, dando destaque ao Fla-Flu, o mais famoso clássico do futebol brasileiro. Para realizar tão árduo trabalho, manterei a base dos principais jogadores, aqueles que mais de identificaram com a camisa que vestiram, mas modificando a formação do jeito mais atual possível, optando por escalar três jogadores no meio de campo e mais três no ataque. E geralmente terá um ponta fixo e um lateral ofensivo do outro lado.  Um detalhe que ainda preservarei é a obrigatoriedade de ter três recordistas na equipe titular. Quem tem mais anos de clube, maior número de partidas disputadas e o goleador principal, além de outros fatos marcantes.  No meu caso, continuarei a questão de não repetir o jogador, para que se possa ter uma idéia de um campeonato. Determinado futebolista foi muito importante em mais de um time, mas levarei em conta onde se destacou melhor. 

Flamengo e Fluminense não são os times de maior torcida no Rio de Janeiro, pois há muito tempo o Vasco está acima do Flu tendo a segunda maior do Estado, além de uma rivalidade mais acirrada. Mas obviamente, por toda a história envolvida, que o Fla-Flu tem um charme maior, principalmente com inesquecíveis times nas décadas de 30, 40, 50, 60, 70 e mesmo 80, em especial a partir da Era Maracanã por causa do colorido que as duas torcidas formavam no estádio.

O Clube de Regatas do Flamengo, fundado no Rio de Janeiro em dia 15 novembro de 1895, completará 122 anos em 2017.

Inicialmente era um clube voltado para o remo, mas a partir de 1912, com alguns futebolistas do Fluminense saindo dele e passando a integrar o Fla, surgiu o departamento de futebol, fazendo com que se tornasse anos depois uma potência no Rio. Embora fosse um time de destaque, a famosa popularidade mesmo, com sua torcida crescendo horrores, se deu mesmo na segunda metade da década de 30, com Leônidas e Domingos na equipe. Veio os dois Tricampeonatos Estaduais nos Anos 40 e 50, mas sua melhor fase sem dúvida foi no período de Zico, quando conquistou seus principais títulos.

Para o gol flamenguista optei pelo paraguaio García, que foi destaque da Seleção Paraguaia no Sul-Americano de 1949, sendo contratado pelo Flamengo e ser tornando um dos heróis no segundo Tricampeonato Carioca em 1953/54/55 com suas grandes atuações. Para a reserva optei por um nome que talvez seja muito contestado que é o de Cantarelli, muitas vezes sendo bando de goleiros melhores, porém estando durante 16 anos a serviço do clube, com respeitáveis 557 partidas em seu currículo (recordista entre os goleiros), fazendo com que mereça a lembrança. Cito também Jurandyr, o goleiro do primeiro tri (1942/43/44) e o inesquecível Raul, presente nas principais conquistas, que não está porque optei de escalá-lo no Cruzeiro.

Pela lateral-direita sem dúvida que o grande nome é o de Leandro, outro que fez  parte do maior período flamenguista e considerado por muitos um dos melhores na posição, não sendo poucos que o consideram melhor até mesmo que Djalma Santos e Carlos Alberto.  Seu reserva é o valente Biguá, da década de 40.

Na zaga temos o incomparável Domingos da Guia, o Divino Mestre, com marcantes passagens por clubes do Brasil e pelo Peñarol e Boca Juniors, Selecionado Carioca e Paulista (sua excelente passagem pelo Corinthians), Seleção Brasileira, mas sem dúvida que foi no Flamengo que viveu sua melhor fase, onde esbanjou categoria de sobra, ganhando os títulos cariocas de 1939 e 1942/43 (já tinha sido pelo Vasco em 1934, mas sem o mesmo destaque), embora tenha também muita identificação com o Bangu, onde iniciou e encerrou a carreira, tendo estátua no clube e seu nome citado na letra do hino. Ao seu lado está Mozer, outro que participou bem dos maiores triunfos flamenguistas, que sempre demonstrou grande amor pelas cores rubro-negras, algo bem demonstrado em uma entrevista sua. Os reservas são o Deus da Raça Rondinelli, especialmente por causa do seu gol de cabeça contra o Vasco na decisão do Campeonato Carioca de 1978 e Newton Canegal, que formou parceria com Domingos nos títulos estaduais, um patrimônio que jogou por 13 anos.

Pelo lado esquerdo não tem como deixar de fora o Júnior, sempre lembrado como um dos melhores do futebol brasileiro, mesmo para muitos vivendo sua melhor fase técnica quando voltou veterano jogando pelo meio de campo, mas foi por tal setor que contribuiu na fase de ouro e até hoje o recordista em número de partidas (876). Para a reserva está o combativo Jordan, quarto jogador com mais jogos disputados (609), que esteve presente no segundo tri e considerado até hoje um dos melhores marcadores de Garrincha, já que sua passagem praticamente coincidiu com praticamente todo período áureo do ponta-direita do Botafogo.    

Uma posição complicada de escalar é a de volante, pois muitos nomes são sempre lembrados. Após quebrar muito a cabeça, resolvi escalar o Andrade, até mesmo pra dar consistência e entrosamento ao time, por seus respeitáveis 570 jogos (quinto da lista total) e sem dúvida muito importante no período dourado devido à sua técnica e dinâmica. Para compor a forte dupla de volantes está Carlinhos, muito conhecido pelas tantas vezes que foi o treinador, mas com certeza outro grande jogador, com mais de dez anos atuando, de estilo clássico que fez com que ficasse conhecido pelo apelido de Violino. Outro nome que merece muito ser citado é o de Dequinha, muita categoria apresentada nos Anos 50 e em algumas enquetes foi o vencedor para a posição, sendo um reserva de luxo. Cito também, mesmo com destaque bem menor, o nome do paraguaio Bria, outro que encantou, completando o banco.

Sem dúvida que o meio de campo flamenguista será completado pelo maior e melhor Camisa 10 do time que foi o Zico, o mais importante jogador do Flamengo, uma unanimidade em qualquer enquete, ídolo insuperável, craque com vários recursos técnicos (dribles, lançamento, finalização e cobrança de faltas) e comandante da mais vibrante e vitoriosa fase do clube, cansando de ganhar títulos e sendo até hoje o maior goleador da sua história com 509 gols (o segundo tem um pouco mais que a metade) e segundo jogador em número de partidas. Doutor Rubens, um meia de muita habilidade e perito em cobranças de faltas é uma ótima alternativa para a sua reserva, muito querido no timaço do segundo tri.   

Como ponta-direita elegi um que costuma ganhar na maioria das vezes que é o Joel, elemento de grande importância no time de Rubens, que driblava e também costumava ajudar o meio de campo. Seu reserva, por incrível que pareça, tinha características até mesmo semelhantes, pois Tita também contribuía de forma exemplar na dinâmica do time, aquele famoso de “um certo” Zico.

A função de centroavante é bem representada, pois muitos dirão que Leônidas (melhor média de gols) deveria estar por causa do seu período fantástico que coincidiu com a Copa do Mundo de 1938, mas optei por Dida no comando do ataque, mesmo sendo ele mais um ponta de lança, mas teve um faro de gol como poucos (segundo maior artilheiro com 264 gols), principal jogador do clube na década de 50, ídolo eterno. Optei por Henrique Frade na reserva de Dida, que formou justamente com ele uma infernal dupla de área, sendo (muitos não sabem) o terceiro maior goleador flamenguista (216).

Agora vem a grande polêmica. Muitas vezes quando se pensa em um meia-direita flamenguista se lembra do nome de Zizinho, porém vou escalá-lo no Bangu, que mesmo não sendo campeão carioca, foi o ídolo maior, o que também aconteceu no Flamengo depois da saída de Domingos da Guia, sendo tricampeão, mas saindo de forma muito magoada, fazendo com que perdesse a ligação que tinha. O nome que resolvi escalar é o do habilidosíssimo Adílio, terceiro jogador com mais atuações (617), sendo também de suma importância nos áureos tempos flamenguistas, tendo 14 anos a serviço do clube, formando com qualidade o fortíssimo rubro-negro da época, algo que se repetirá aqui. Sylvio Pirillo, quarto maior artilheiro do time (207), fica na reserva, muito importante no tri de 1942/43/44, tendo a difícil tarefa de substituir o Diamante Negro e com um recorde no Campeonato Carioca que perdura até hoje, com 39 gols em 1941. Romário é o quinto maior goleador (204), grande passagem pela Gávea, mas como entendo que tem uma história maior no Vasco, é no time vascaíno que pretendo escalá-lo.

E para a função de treinador escolhi o paraguaio Fleitas Solich (impressionante como os paraguaios se deram bem no clube!), tendo quatro passagens pelo clube (a primeira, de 1953 a 1957, foi a mais marcante) e segundo com maior número de partidas (504). Flávio Costa, o recordista no comando do time (765 vezes), também seria uma boa alternativa, mas também o vejo mais como técnico do Vasco.

FLAMENGO (1912 A 2017)

Titular: García, Leandro, Domingos da Guia, Mozer e Júnior; Carlinhos, Andrade e Zico; Joel, Dida e Adílio. Técnico - Fleitas Solich

Reserva: Cantarelli, Biguá, Rondinelli, Newton Canegal e Jordan; Bria, Dequinha e Rubens; Tita, Henrique Frade e Pirillo.

Mais anos: Zico - 17 (1971 a 1983 e 1985 a 1990)

Mais partidas: Júnior - 876 (1974 a 1984 e 1989 a 1993)

Mais gols: Zico - 509 em 732 jogos

O Fluminense Football Club, fundado no Rio de Janeiro em 21 de julho de 1902, completou 115 anos em 2017. Da mesma forma que era o Paulistano em São Paulo, tinha grande influência no Rio, um clube pioneiro em muitas atividades que ajudaram no crescimento do futebol no Brasil. Montou inesquecíveis times nos primeiros anos do século XX, especialmente aquele de 1936 a 1941, cinco vezes campeão carioca, grandes momentos nos Anos 50 e 60, na década de 70 com a sua Máquina, seus importantes títulos entre 1983 e 1985, enfim, grandes momentos vividos.

No gol do Fluminense de todos os tempos não pode ser outro, pois Castilho não está apenas por ser o recordista de partidas (702) e anos (18), mas pelo o que significou como goleiro, pelo talento, heroísmo, uma referência no time tricolor, um ídolo eterno. Para a reserva está Marcos Carneiro de Mendonça, que inaugura a grande tradição de goleiros tricolores e até mesmo brasileiros, pois foi o primeiro da Seleção Brasileira e um gigante no gol do time da década de 10. E lembro-me de outros nomes fabulosos, como os de Batatais, o próprio Veludo, Félix e Paulo Vítor.  

De forma natural enxergo Píndaro como lateral-direito, que compôs um trio final famoso ao lado de Castilho do zagueiro Pinheiro, muito famoso no momento de recitar, que teve um período bem importante no clube, responsável por grandes conquistas no início da década de 50. Seu reserva é Rubens Galaxe, mais conhecido pelos torcedores do início dos Anos 70, também de suma importância nos triunfos da equipe.

A zaga está bem composta pelo forte Pinheiro (segundo jogador em número de partidas, com 603) e por Edinho, um zagueiro de técnica e raça que marcou o coração dos torcedores da segunda metade da década de 70 e primeira da de 80. Ricardo Gomes, que tentou substituir à altura o Edinho (fez muito bem) compõe a primeira opção como defensor e escalo Fortes, histórico jogador das décadas de 10 e 20.

Altair, como lateral-esquerdo, fecha a defesa, quarto em número de jogos (551) e que durante 14 anos (1957 a 1971) foi garantia de segurança. O reserva é justamente quem o substituiu, pois Marco Antônio merece o destaque, sendo até mesmo considerado um novo Nilton Santos.

Quando se pensa em um volante do Fluminense na maioria das vezes se vem em mente o nome de Denílson, considerado o primeiro cabeça de área do futebol brasileiro, muito talento e modernidade apresentados na década de 60 e início dos Anos 70. Quem está escalado como reserva, embora seja um jogador mais recente não é tão conhecido assim, é Jandir, peça importantíssima nos títulos tricolores da primeira metade da década de 80.

Para a meia-direita fiz questão de lembrar de alguém que ganhou como treinador do São Paulo, que é o Fio da Esperança Telê Santana, que tanto contribuiu na década de 50 com o seu futebol trabalhoso e também de técnica, condutor de muitas ações do ataque, além de ser o terceiro jogador com mais atuações (559), algo que sempre faço questão de citar para valorizar a escolha. Paraguaios também brilharam no Flu, então não dá pra esquecer o talentoso Romerito, ótimo para a reserva de Telê, articulador da dinâmica do time ao lado de Jandir, com formidáveis atuações.

Meias-esquerdas geralmente são sinônimos de jogador diferenciado e mesmo sem ainda existir a Camisa 10, Tim poderia ser um ótimo representante dela se existisse, pois era o melhor brasileiro no tempo que esteve nas Laranjeiras, contribuindo também para comandar as ações do ataque ao lado do formidável Romeu, naquela equipe de 1937 a 1941 que não foi chamada de Máquina como a de 1975 a 1977, mas que não devia nada. Optei por Orlando Pingo de Ouro para o banco, que entre 1945 e 1953 demonstrou habilidade em uma posição difícil de ir longe na Seleção Carioca e Brasileira (os concorrentes eram nada mais nada menos que Zizinho e Jair), mesmo assim sendo muito elogiado e tem a respeitável marca de ser o segundo maior artilheiro do time (184 gols). Tudo bem, aqui está a polêmica pela não escalação de Roberto Rivellino, um monstro, justificando sua ausência justamente por estar no Corinthians de todos os tempos.

Meu primeiro atacante é o Preguinho, de quem considero o maior jogador que o Fluminense teve ao lado de Castilho, sendo ainda mais que isso, um atleta polivalente, que não se dedicava apenas ao futebol, mas à outros esportes, não medindo forças para tentar fazer tudo nos heróicos tempos do Amadorismo, um herói tricolor. O inglês Harry Welfare é o seu reserva, jogou antes dele e era daqueles atacantes tanques, que muitos ótimos serviços prestou ao clube.

Obviamente que o centroavante tem que ser o maior goleador do Fluminense, o valente Waldo, que com os seus 319 gols não teve concorrente em 7 anos de Flu (1954 a 1961). Muitas vezes fica a impressão que para um time de todas as épocas não se escala jogador recente, mas Fred, que ainda está em atividade, merece, sendo um ídolo de altos e baixos no seu relacionamento com a torcida e quase superou Orlando em número de gols, ficando em terceiro com os 172 anotados.

Finalizando o ataque, de forma poderosa de acordo com o escalado, está o ponteiro esquerdo Hércules, que ficou conhecido como Dinamitador, devido ao seu poderoso chute que também tinha muito efeito, formando com Tim uma excelente ala-esquerda. Seu reserva é um jogador bem talentoso e famoso Paulo César Caju, muitas ótimas fases também no Botafogo e Flamengo, fazendo parte da inesquecível Máquina, onde caiu como uma luva.

E para a função de treinador opto por Zezé Moreira, o rei da estratégia, que comandou a Seleção Brasileira de 1954, mas claro que foi no Fluminense que fez história nos Anos 50, além de ser o comandante com mais partidas comandadas (467).

FLUMINENSE (1902 A 2015)

Titular: Castilho, Píndaro, Pinheiro, Edinho e Altair; Denílson, Telê Santana e Tim; Preguinho, Waldo e Hércules. Técnico - Zezé Moreira.

Reserva: Marcos Carneiro, Rubens Galaxe, Ricardo Gomes, Fortes e Marco Antônio; Jandir, Romerito e Orlando Pingo de Ouro; Welfare, Fred e Paulo César Caju.

Mais anos: Castilho - 18 (1947 a 1965)

Mais partidas: Castilho - 702

Mais gols: Waldo - 319 em 403 jogos

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