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O XFC deste sábado será realizado em Araraquara

O XFC deste sábado será realizado em Araraquara

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

A maioria das mulheres que se arrisca a trocar sopapos ou rolar no chão para uma disputa de MMA precisa enfrentar resistência e um bocado de preconceito. Às vezes, dentro da própria casa surgem os empecilhos: uma mãe preocupada, um pai que não entende como uma garota pode arriscar seu belo rosto em um ringue. Vanessa Guimaraes viveu tudo isso e um pouco mais. No seu primeiro confronto, ainda no muay thai, ela tomou uma surra histórica. E não desistiu, muito pelo contrário.

Paranaense de Curitiba, Vanessa é mais uma "vítima" do boom do muay thai nos últimos anos, quando a modalidade tailandesa atraiu muita gente. Ela queria perder peso e, a convite de uma amiga, foi para uma aula experimental. Só não imaginava que dois meses depois estaria dentro do ringue, substituindo uma lutadora ausente em um evento no qual seria só espectadora.

"Eu estreei meio no susto. Fui assistir ao meu primeiro evento, uma luta caiu na hora e meu antigo mestre me chamou. Era uma categoria muito acima da minha, eu tinha 55 e a rival 65 kg, então perdi", relembra ela, que neste sábado faz sua segunda luta pelo XFC, buscando a quarta vitória em seu sexto combate.

Falar em perder é pouco para o que aconteceu em Curitiba. "Saí acabada, foi quando mais apanhei". Surpreendentemente isso só aumentou seu desejo. "Foi aí que eu quis lutar mais ainda. Demorei um mês para ficar recuperada. Na segunda luta, nocauteei."

Por conta desta luta e de muitos olhos roxos e outros hematomas adquiridos nos treinos, Vanessa teve de usar uma tática bem feminina para disfarçar as marcas da batalha: usar maquiagem. Primeiro para se manter, porque trabalhava como vendedora em uma loja, e não podia aparecer cheia de machucados no balcão. E também porque seu pai não era um grande apreciador de mulheres praticando esporte.

"É verdade, quando eu treinava, lutava, tinha que disfarçar com a maquiagem, até por causa do meu trabalho. No começo meu pai não gostava muito – ninguém na família gostava -, porque achava que muay thai não é feminino, é agressivo. Às vezes tinha receio de contar para ele que lutava, e era mais um motivo pra usar a maquiagem. Mas, depois da primeira luta, eles viram que não iam me fazer desistir e agora todo mundo apoia"

Depois de iniciar no muay thai aos 17 anos e fazer sua primeira luta amadora dois meses depois, Vanessa fez outros nove combates. Em parte do tempo, chegava à academia de manhã e saia só à meia-noite, pois virou recepcionista do local para poder se dedicar mais aos treinos. Mais tarde, a peso palha passou a lutar boxe e só então estreou no MMA. Hoje aos 24 anos, ela admite que penou para gostar do jogo de chão, mas afirma que já "esqueceu" como se luta apenas muay thai.

No XFC, ela vem de vitória por pontos contra Marcela Yineris e agora encara Vanessa Melo, que também tem três vitórias e duas derrotas no MMA. Esta é a final do GP peso palha.

"Essa luta vai ser para dar tudo lá em cima. Eu conheço ela, sei como é o seu jogo. Vai ser uma lua boa, vamos trocar porrada o tempo todo", garante ela, que se vencer ganha um contrato internacional com a organização e pode sonhar com o cinturão.

O XFC deste sábado será realizado em Araraquara e terá na luta principal o brasileiro Deivison "Dragon" Ribeiro, campeão peso pena, enfrenta o norte americano Waylon Lowe.

Foto: UOL

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