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Se a final da Liga dos Campeões deste sábado fosse um clássico da literatura, o esquadrão da Juventus seria a prosa e o Real Madrid, a poesia. Permitam-me tomar emprestada a analogia que o falecido cineasta e escritor italiano Pier Paolo Pasollini fez da final da Copa do Mundo de 1970 quando, obviamente, os poetas da bola eram os brasileiros.

O duelo de Cardiff, no entanto, não cabe em juízos literários ou simplistas. Frente a frente estarão times que certamente seriam competitivos se em 2018 estivessem na Rússia com a camisa de alguma seleção. Ou será que alguém se atreve a elencar muitas seleções com mais craques que os finalistas da Europa?

O Real Madrid é mais exuberante. A Juventus, racional. O time espanhol tem no maior craque da competição o fator de desequilíbrio. A equipe italiana exibe aquela que talvez seja a melhor defesa da história do futebol mundial.

Não seria pretensão da Juventus reivindicar o status de melhor linha defensiva de todos os tempos. Para começar, ostenta o quase inexpugnável trio BBC – Buffon, Bonucci e Chiellini, que concedeu míseros 3 gols nos 12 jogos que disputou no torneio. Buffon e Bonucci, aliás, foram incluídos na Juventus ideal de todos os tempos, segundo eleição da Gazzeta dello Sport.

O goleiro realiza temporada impecável e está cada vez mais próximo da inacreditável sexta Copa do Mundo. Bonucci se consolidou como um dos melhores zagueiros do planeta. Rápido, técnico e forte no jogo aéreo. Ao seu lado, Chiellini é um beque visceral. Combativo como se cada bola fosse a última. Para felicidade de Tite, o técnico Daniel Alves evoluiu como marcador. Reflexo óbvio do trabalho com um técnico italiano, que sabe posicionar como poucos um jogador de defesa e potencializar seu talento ofensivo.

Para quebrar esse bloqueio, Cristiano Ronaldo sabe que terá Benzema como coadjuvante. Mas resta a dúvida se próximo a eles estarão a velocidade e habilidade do galês Bale, que em Cardiff atuaria em casa, ou a técnica refinada de Isco, hoje o melhor espanhol em atividade.

A dúvida não é banal. Com o primeiro, os merengues iniciariam no tradicional 4-3-3. Se a opção de Zidane for pelo espanhol, o Real Madrid repetiria o 4-3-1-2 do final da temporada. Com Bale, Carvajal tem mais apoio no trabalho de marcação pelo lado direito da defesa. Isco, por sua vez, ocupa mais espaços no meio-campo quando o adversário tem a bola.

Se quiser brigar mais à frente pelo domínio dos espaços, Allegri deve entrar com Quadrado no meio-campo. Caso pretenda esperar mais fechado o poderoso rival e escapar com rapidez pelos lados, o técnico italiano manterá Barzagli como terceiro zagueiro e repetirá o ortodoxo 5-3-2 do segundo confronto diante do Mônaco.

Em um dos lados do campo, o duelo irá opor dois brasileiros em momentos de exuberância técnica. Marcelo foi o mais importante jogador do Real Madrid, depois de CR7, na competição. Contra ele, um Daniel Alves que foi desconcertante nos momentos cruciais.

Como em 1998, quando tombou na decisão diante do Real Madrid, a Juventus avançou à final após bater o Mônaco. Naquele time dirigido por Marcelo Lippi estavam em campo Zidane e Deschamps e, no banco, Antonio Conte. Todos se tornariam técnicos de grande prestígio.

Em 2005, voltariam a se encontrar nas oitavas. Na prorrogação, a Juventus derrotou o Real Madrid então comandado por Wanderley Luxemburgo. Na sequência, o time italiano viria a ser abatido pelo Liverpool, que levantou a taça.

Desde então, enquanto o Real Madrid acumulou títulos, a Juventus não foi além de um vice, em 2015. Do time que perdeu por 3x1 para o Barcelona, apenas Buffon e Bonucci iniciarão o novo duelo diante de um rival espanhol. Para o Real Madrid, uma vitória será mais um grande título e a reafirmação de que o manto branco dos merengues é a camisa mais pesada do continente. Para a Juventus, a conquista servirá para diminuir a distância que separa a Vecchia Signora dos maiores campeões da Europa. Afinal, quando se pensa no tamanho da Juventus, dois títulos apenas de UCL não correspondem à força de quem já teve tantos jogadores campeões de outra Copa ainda mais importante – a do mundo!

Juventus de todos os tempos

A seleção imaginária escalada pela Gazzetta dello Sport teria Buffon; Gentile, Bonucci, Scirea e Cabrini; Tardelli e Zidane; Causio, Platini e Del Piero; Boniperti. Timaço, com 5 campeões do mundo de 1982.

Iguais nos namming rights

Em tese, Juventus e Palmeiras podem reviver a decisão do mundial de 1951, o primeiro da história. Mas a coincidência história não é o único fato a aproximá-los. A Juventus fechou nesta semana acordo de namming rights com a Allianz. A partir de julho, a arena do clube de Turim passará a se chamar Allianz Stadium.

Mina é apenas um excelente zagueiro

Quando joga apenas de zagueiro, o colombiano do Palmeiras é o melhor da América do Sul na posição. Erra o técnico do Palmeiras quando tenta transformá-lo em novo David Luiz, incentivando-o a ir ao ataque e a armar jogadas. Mina é excelente quando faz, e joga, o que sabe.

Jogo sujo

Passou da hora de surgir uma Lava Jato no futebol. Incrível um país que agora prende político, banqueiro, empreiteiro e encrenqueiro não conseguir punir nenhum cartola da bola.

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