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Entrevista do jornalista Maurício Sabará realizada no Colégio Assunção

Entrevista do jornalista Maurício Sabará realizada no Colégio Assunção

MAURÍCIO SABARÁ: Onde surgiu o hóquei sobre grama e no gelo? Conte um pouco sobre suas origens.
ANDERSON CORREIA: Há mais de cinco mil anos, na China e na Pérsia já se praticavam jogos com bolas e tacos. Em 2000 a.C. teria aparecido a versão mais próxima ao hóquei como é jogado hoje. No começo do século XIX, o hóquei moderno ingressou nos colégios ingleses e ganhou muitos adeptos. Nessa época, em Londres, as regras começaram a ser introduzidas. Já o hóquei no gelo foi criado no Canadá em 1834, como um derivado do hóquei em campo.

MS: O hóquei sobre gelo é adaptável apenas para países com clima temperado? E o de grama, que você pratica, acredito que seja mais fácil a adaptação.
AC: O hóquei no gelo pode ser jogado em qualquer país, pois uma quadra de gelo pode ser feita de maneira artificial, como os rinques de patinação em shoppings.
O hóquei sobre grama também pode ser jogado em qualquer país e temperatura, porém é muito mais fácil que o hóquei no gelo, pois não é necessária uma quadra de gelo.

MS: Quando o hóquei no gelo e sobre grama chegaram ao Brasil? Sua adaptação (gelo) foi maior em Estados com temperatura fria? E sobre grama também acredito que tenha se adaptado com mais facilidade.
AC: O hóquei sobre grama chegou ao Brasil junto com o futebol, trazido pelo mesmo Charles Miller. Pela dificuldade de materiais e poucos praticantes, o esporte levou muitos anos para se tornar mais praticado pelo país. Já o hóquei no gelo tem muita influência americana, sendo hoje mais conhecido pelo público brasileiro por esse motivo.

MS: Cite de forma resumida as regras do hóquei sobre grama e no gelo.
AC: Falarei do hóquei sobre grama, pois não tenho muito conhecimento do hóquei no gelo, que não é o meu esporte (são modalidades completamente diferentes).
Basicamente, é um esporte muito parecido com o futebol, 11 contra 11 em um campo grande de grama, onde o objetivo é fazer o gol, porém, ao invés de usar os pés, usam-se tacos, e a bola é menor, do tamanho de uma bola de golfe. As principais regras são:
1) Só vale o gol efetuado dentro da área de chute;
2) Só se pode usar o lado “reto” do taco.

MS: Quais são os países mais destacados em ambos os estilos?
AC: Como o hóquei tem origens inglesas, as colônias britânicas têm força e tradição, como Índia e Paquistão. Hoje, as principais forças do esporte são: Alemanha, Holanda, Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia e Argentina.

MS: Existe algum grande nome nos dois?
AC: Não há uma unanimidade do maior jogador de hóquei sobre grama de todos os tempos. Mas muitos apontam no masculino o indiano Dhyan Chand, tricampeão olímpico, e Luciana Aymar, no feminino, que levou o esporte na Argentina a um grande patamar.

MS: Porque a Índia, que tanto se destacou no hóquei sobre grama, perdeu o seu reinado?
AC: Na década de 80 as grandes competições do hóquei passaram a ser disputadas em campos de grama sintética, onde a bolinha corre com muito mais velocidade, tornando o jogo mais atrativo. Por falta de recursos e uma adaptação muito lenta à nova superfície, o esporte perdeu força na Índia, que até então era soberana no esporte.

MS: O momento mais importante do jogo é o gol, a defesa de um goleiro ou quando ocorrem as brigas corporais que não costumam ser interrompidas pelo árbitro? Por que isso é permitido? No hóquei sobre grama acontece o mesmo?
AC: As brigas são comuns no hóquei no gelo, fazem parte da cultura do esporte. No hóquei sobre grama isso não existe. Valores como lealdade, companheirismo e respeito ao adversário são praxe no hóquei sobre grama.

MS: Sei que as mulheres praticam. Também ocorrem as brigas? E em seu treino pude observar que os grupos são mistos. É comum homens e mulheres treinarem juntos?
AC: Como mencionado acima, brigas são muito raras no esporte. Já com relação a grupos mistos, as mulheres têm um papel tão importante quanto o dos homens, sendo que no hóquei sobre grama cerca de 50% dos praticantes são mulheres e 50% homens. Aqui no Brasil é comum ver grupos mistos treinando juntos, devido o baixo número de praticantes. Porém, as competições são separadas.

MS: Anderson Correia, conte sua trajetória no hóquei.
AC: Sempre fui goleiro de futebol, mas nunca profissional. Em 2012 queria poder praticar um esporte com mais frequência. Procurei a lista de esportes olímpicos e achei o hóquei. Desde então, comecei a alimentar o sonho de chegar à Seleção Brasileira e disputar as Olimpíadas.
Comecei a treinar no maior clube do estado (Macau Esporte Clube) e tive uma trajetória muito vitoriosa lá, conquistando títulos coletivos e individuais, conseguindo minha primeira convocação pra seleção brasileira em 2014. Não consegui atingir o sonho olímpico, mas sem dúvidas o clube me ajudou muito nesta caminhada.
Em 2016 decidi mudar de ares e reativar um clube tradicional na cidade, o Grêmio Interlagos, levando o esporte para a região central de São Paulo. O projeto vem dando muito certo e já temos times disputando todas as competições nacionais e estaduais, com um potencial de crescimento muito grande. Hoje penso em desenvolver meu time e o esporte como um todo, com o sonho de vê-lo crescer cada vez mais no Brasil.

MS: O que você achou do hóquei sobre grama nas Olimpíadas do Rio de Janeiro? O Brasil fez um bom papel?
AC: Dentro de suas limitações, o Brasil fez sim um bom papel. O nível técnico da competição era altíssimo e só o fato de o país ter conseguido sua vaga foi algo inédito e histórico. Embora o time não tenha ganhado nenhum jogo, certamente o legado será visto pela futuras gerações.

MS: Qual é o futuro especialmente do hóquei sobre grama em nosso país?
AC: Pelas suas semelhanças com o futebol, o hóquei tem grande potencial de desenvolvimento no Brasil. O número de praticantes e clubes vem aumentando a cada ano e certamente em alguns anos teremos um esporte mais forte e consolidado. 

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