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Sua carreira foi marcada por grandes desafios, mas sem dúvida títulos nunca faltaram por onde passou, seja no Corinthians, Santos ou Seleção Brasileira.

Sua carreira foi marcada por grandes desafios, mas sem dúvida títulos nunca faltaram por onde passou, seja no Corinthians, Santos ou Seleção Brasileira.

Gylmar dos Santos Neves, o maior goleiro brasileiro de todos os tempos. Para muitos também foi o melhor e, caso não tenha sido, com certeza era o mais espetacular, devido à sua colocação, segurança e pontes que somente ele sabia aplicar. Sua carreira foi marcada por grandes desafios, mas sem dúvida títulos nunca faltaram por onde passou, seja no Corinthians, Santos ou Seleção Brasileira.
No último domingo, 25 de agosto, ele nos deixou, depois de ter completado 83 anos na última quinta-feira, dia 22 e sendo internado após sofrer um infarto na sexta-feira, coincidentemente aniversário do seu companheiro e rival nos tempos de Corinthians, o goleiro Luiz Morais (Cabeção), que completou a mesma idade. Em 1994, quando foi inaugurado o busto do Luizinho Pequeno Polegar no Parque São Jorge, tive a oportunidade de conhecer os dois, ambos atenciosos e simpáticos. O Cabeção entrevistei três vezes, uma pelo Blog Futebol de Todos os Tempos (FTT) e duas pela Rádio Coringão. Infelizmente não pude fazer o mesmo pelo Gylmar, devido ao AVC que sofreu no ano de 2000, 40% do seu corpo paralisado. Mesmo assim prestarei a minha homenagem ao fantástico arqueiro, ídolo do meu pai Mário nos tempos de Corinthians, Seleção Brasileira e até mesmo do Santos, referência ao meu falecido tio João que em 1960 batizou o nome da filha de Gilma e também muito querido pela minha mãe Léa que assistiu o desfile dele e de todos os campeões de 1958 no Vale do Anhangabaú.
Nascido na cidade de Santos, como a maioria dos goleiros começou jogando na linha, tendo uma oportunidade de jogar do gol e de lá não sair mais. Revelado pelo Jabaquara, mesmo sendo o goleiro mais vazado no Campeonato Paulista de 1950, destacou-se muito, realizando grandes apresentações contra os times grandes. Sempre declarou que o goleiro palmeirense Oberdan Cattani foi a sua inspiração.
Em 1951 o Corinthians resolve contratar o craque do Jabuca, que era o centromédio (volante) Ciciá e Gylmar vêm junto como contrapeso, com a finalidade da diretoria corintiana de acelerar a renovação dos contratos de Bino e Cabeção, os goleiros corintianos e também para a alegria dos dirigentes do Jabaquara, que queriam o seu crescimento no futebol. Iniciava-se assim a trajetória de um dos maiores vencedores do futebol brasileiro. E Ciciá sumiu.
Quando começou a jogar no Corinthians, Gylmar dos Santos Neves tinha pela frente o grande desafio de disputar a posição com o fantástico Cabeção, que seria o goleiro da Seleção Paulista e reserva de Castilho na Copa do Mundo de 1954. Quando o titular se contundiu, Gylmar assumiu a posição durante o Campeonato Paulista de 1951, jogando muito bem, até que aconteceu a fatídica partida contra a Portuguesa de Desportos, um clássico de dois esquadrões, num domingo chuvoso, o goleirão estava contundido e não pode evitar a implacável derrota por 7 a 3. A pressão era muito grande, pois o time estava há dez anos sem vencer o Paulistão e o jovem goleiro foi acusado de ser o culpado pelo negativo resultado, sendo afastado do clube e Cabeção reassumiu o posto, sagrando-se campeão paulista no famoso time que tinha o ataque dos 103 gols, formado por Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário.
No ano de 1952 o Corinthians realizava a sua primeira excursão ao continente europeu e Cabeção não podia ir, pois estava a serviço da Seleção Paulista. Lembrou-se de Gylmar e ele viajou com a delegação, se saindo muito bem com espetaculares exibições, inclusive defendendo pênaltis. Ao voltar teve mais uma vez que disputar a posição com o seu rival, mas por pouco tempo, pois assumiu de vez o gol no Bicampeonato Paulista, disputando todos os jogos. As excelentes atuações fizeram com que fosse convocado pela primeira vez à Seleção no Sul-Americano de 1953, entrando no lugar de Castilho na primeira partida da competição, sendo que além do goleiro tricolor tinha à sua frente o grande Barbosa, o famoso arqueiro da Copa do Mundo de 1950.
A situação no Corinthians continuava a mesma, pois ambos eram titulares e reservas, já que quando um era convocado, o outro assumia o posto e só saía com uma contusão ou uma atuação ruim, que dificilmente acontecia, porque os dois goleiros eram muito regulares. Cabeção foi o goleiro campeão dos principais títulos de 1953 e no ano seguinte estava presente no Mundial da Suíça, portanto Gylmar dos Santos Neves foi o vencedor do Torneio Rio-São Paulo de 1954. Quando o reserva de Castilho retornou da Copa, reassumiu a posição, estava indo bem, mas o técnico Oswaldo Brandão resolveu escalar o Gylmar contra a Portuguesa de Desportos, talvez para adquirir confiança devido ao jogo de três anos antes, Cabeção achou injusto e acabou sendo emprestado ao Bangu. Agora sem o rival para disputar a posição (no ano seguinte Cabeção seria vendido à Portuguesa de Desportos), o Girafa (apelido de Gylmar) poderia impor o seu estilo de jogo, sendo ao lado de Luizinho o principal responsável pela conquista do título do IV Centenário de São Paulo, fechando o gol em praticamente todos os jogos, principalmente na decisão contra o Palmeiras. No ano seguinte foi vencedor também do Torneio Internacional Charles Miller, derrotando o Benfica na final.
Gylmar tornou-se de fato um ídolo corintiano e a partir de 1955 passou a ser o principal goleiro da Seleção Brasileira, com espetaculares apresentações, chegando a defender um pênalti no primeiro jogo dos brasileiros em Wembley. Ganhou as Taças Bernardo O?Higgins (1955, 1959 e 1961), Oswaldo Cruz (1955, 1958 e 1961), Atlântico (1956 e 1960) e a Copa Rocca (1957 e 1960).
No Corinthians continuava a ganhar títulos, como o Bicampeonato da Taça dos Invictos de 1956/57 e salvando o time com as suas incomparáveis intervenções.
E na Seleção Paulista também foi vitorioso, vencendo os campeonatos de 1954, 1956 e 1959, sempre como goleiro titular.
Quando o Brasil foi disputar a Copa do Mundo de 1958, era o titular, mesmo alguns preferindo o Castilho. Mas de fato Gylmar merecia mais e provou durante o Mundial que de fato era o melhor goleiro do Brasil (já era considerado o mais perfeito da América do Sul) e para muitos superou na Copa o lendário arqueiro soviético Lev Yashin. Após a final contra anfitriã Suécia, emprestou o seu ombro a Pelé, o novo rei do futebol, que chorava copiosamente. Ele e Oreco (reserva de Nilton Santos) foram os representantes do Corinthians. Retornando ao Brasil, com a fama que já tinha e pelo título expressivo, praticamente tornou-se o principal jogador do time, além da fama de galã.
Infelizmente as cobranças começaram a surgir, já que os títulos não apareciam mais no vitorioso Corinthians dos anos 50, com uma torcida grande e apaixonada, além do início da Era Pelé. Pelo fato de atuar no gol, claro que as cobranças recaíam sobre ele, que tentava administrá-las, mesmo quando tomava um frango (e qual goleiro nunca tomou?), tentando em seguida fechar o gol. O maior martírio aconteceu em 1961, quando o presidente Wadih Helu achou que estava simulando uma contusão (que de fato existia) e acabou sendo negociado.
Para sorte do Santos, o melhor time do Brasil, Gylmar dos Santos Neves, o melhor goleiro do Brasil, acabou sendo vendido à Vila Belmiro em 1962. Começava mais uma fase vitoriosa da sua carreira, não tendo mais tantas cobranças, jogando num time que já vinha com uma sequência de títulos e já consagrado com arqueiro.
Mesmo atuando em poucos jogos desde a sua saída do Corinthians, foi convocado pelo treinador da Seleção Brasileira, Aymoré Moreira, sagrando-se bicampeão mundial no Chile e novamente se destacando.
No Corinthians ganhou todos os títulos que tinham na década de 50 e no Santos fez o mesmo no período que esteve lá. Como já era outra época, novos troféus tinham que ser disputados, pois além do Paulistão (1962, 1964/65 e 1967/68/69) e Torneio Rio-São Paulo (1963/64 e 1966), foi tetracampeão da Taça Brasil em 1962/63/64/65 e bicampeão da Libertadores da América e Mundial Interclubes nos de 1962/63. Pôde também acrescentar no seu currículo o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968.
Como jogador do Santos ainda venceu a Taça Oswaldo Cruz (1962 e 1968) e a Copa Rocca (1963) pela Seleção Brasileira, além de disputar o Mundial de 1966. Em 1969 fez o seu último jogo pelo Brasil, para que o seu nome não fosse lembrado na Copa do Mundo, quando poderia ter sido o único goleiro tricampeão, um recorde que provavelmente jamais seria alcançado por nenhum outro (somente ele ganhou duas vezes). No mesmo ano também encerrou em definitivo a sua carreira.
Gylmar dos Santos Neves sempre foi sinônimo de elegância, caráter e especialista como goleiro. Conseguiu ser ídolo de dois times rivais, sendo vitorioso em ambos nas disputas que apareceram. Acho muito injusto quando dizem que foi melhor em apenas um. No Corinthians enfrentou desafios maiores, disputou a posição com um dos melhores goleiros do Brasil na época, teve que superar as incertezas do início e fim, mas conquistou inúmeros títulos em 10 anos, disputou 398 jogos e foi no Parque São Jorge que começou de fato a aparecer no futebol, tendo a sua chance na Seleção Brasileira e sagrando-se campeão do mundo. 
Já no Santos jogou 7 anos, atuou em mais de 320 partidas, teve menos desafios pois não tinha que provar nada, mas ganhou títulos que não existiam nos anos 50 e jogava no time de Pelé. Considero-o espetacular em ambos e não o aponto como melhor apenas em um.
O maior goleiro brasileiro de todos os tempos faleceu, nos deixando um grande legado. Muitos foram batizados de Gilmar, chegando a serem goleiros (Gilmar Rinaldi, goleiro reserva de Taffarel no tetracampeonato de 1994, é o maior exemplo). 2013 está sendo um ano triste, pois após 55 anos da primeira Copa do Mundo vencida pelo Brasil, perdemos três representantes da conquista, como Djalma Santos, Gylmar dos Santos Neves e De Sordi (falecido um dia antes do goleiro). Minha homenagem a esses monstros sagrados.
Imagem: @CowboySL


Gylmar na Calçada da Fama

Ao lado de Barbosa

Campeão do IV Centenário

Campeão do Mundo

Com a camisa da Seleção Paulista

Com Castilho

Cumprimentando Cabeção

Defesaça do Corinthians

Lev Yashin e Gylmar dos Santos Neves

O primeiro da fila com o time do Jabaquara

Seleção Brasileira de 1958

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