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Entrevista do jornalista Maurício Sabará realizada no Embrase Golf Center

Entrevista do jornalista Maurício Sabará realizada no Embrase Golf Center

MAURÍCIO SABARÁ: Comente sobre a origem do golfe.

ANTONIO CARLOS PADULA: O golfe moderno tem origem no final do século XV, na Escócia. Foi com pastores de ovelha que, entre as guerras e conflitos, não tinham atividades, usando seus bastões para bater em pedras. Isso começou a se popularizar, com a pedra virando uma bolinha, criando-se pequenos buracos à distância, o que foi o início do esporte. Foi um princípio rústico, melhorando com o passar dos anos.

A sede do golfe mundial ainda é nas Escócia.

 

MS: Quando o esporte chegou ao Brasil? Teve um rápido desenvolvimento por aqui?

ACP: Demorou pra chegar ao Brasil, final do século XIX, junto com os ingleses, que vieram pra São Paulo para construir as ferrovias. O primeiro campo que eles fizeram foi onde está a Estação da Luz e o Clube do Tietê. Depois mudaram para o Morro dos Ingleses, próximo da Avenida Brigadeiro Luis Antônio e mais tarde para o Largo do Socorro, onde está localizado até hoje. É o campo mais velho do país, fundado em 1903.

 

MS: O golfe é conhecido como um esporte de elite. Como a Federação Brasileira de Golfe pretende popularizá-lo no Brasil?

ACP: O golfe tem esse preconceito de ser de elite aqui no Brasil, pois em outros países como a Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia, Panamá, México, Estados Unidos, Coréia do Sul, Japão e Austrália, além de praticamente toda a Europa, é um esporte popular. Em nosso país tal impressão existe porque tem poucas praças de esportes e poucos campos, com quase nenhum público. O que temos muito em São Paulo são campos e clubes que você pode jogar sem ser sócio, algo muito comum na capital e no interior. Mas tem outros que são bem fechados, como esse que te citei na primeira pergunta, o São Paulo Golf Club, que tem os seus sócios e só pode entrar lá quando é convidado. Há também o Guarapiranga, que pode ser frequentado mesmo não sendo sócio, pagando uma taxa pra jogar os 18 buracos.

Nós criamos vários projetos por causa das Olimpíadas. Um deles é o Golfe “Nota 10”. Ele é um encanto, pois vamos às Secretarias Municipais de Ensino, fazemos convênios com a prefeitura e o clube de golfe da cidade, damos todo o know how para que os professores de Educação Física aprendam, estando capacitados para ensinar os seus alunos e depois os melhores são levados ao clube de golfe para aprenderem todo o resto, etiqueta, como se vestem, jogo, torneios, pontuação, etc. Tem quase 1000 crianças que vem de cidades como Itapeva, Avaré, Arujá e Itapevi.

Tem também o Ana a Zé. Como o nome diz, pra todo o mundo de A a Z. Tiramos o golfe dentro do seu clube, levando-o para lugares que tem muita concentração de pessoas, como feiras, exposições, shoppings centers e praças públicas. Montamos um inflável pequeno, com o professor tendo as bolinhas e tacos, dando aula das primeiras noções do esporte. Depois convidam os alunos a treinarem em nosso Centro de Treinamento. É um projeto que tem dado certo, mas ainda dá pouco retorno, pois são recursos dos próprios golfistas, sem o dinheiro do Estado, que querem vê-lo crescer.

E o último projeto é o Clubes & Clubs, que também é bem bacana, pois vamos à clubes de São Paulo que não tem o campo de golfe, como por exemplo o Harmonia, Helvetia, Círculo Militar, Sírio, Paulistano, São Paulo Futebol Clube e Ipê. Entramos em contato com o Departamento de Esportes dos clubes citados e oferecemos aulas gratuitas para os seus sócios nos finais de semana. É algo que tem dado certo, pois boa parte dos seus frequentadores são esportistas, que gostam de jogar e aceitam novos convites pra vierem ao nosso clube e aprender mais. Em 2016 temos cerca de 100 jogadores oriundos do projeto.

Achamos que o advento de mais pessoas jogando faça com que teremos mais recursos e ampliaremos sem a necessidade do Estado interferir ou colocar dinheiro, pois fazemos tudo por iniciativa privada, de pessoas que gostam do golfe.

 

MS: Cite resumidamente as regras do golfe.

ACP: Jogar golfe é muito fácil, pois vence aquele jogador que bate menos na bola. Seu campo tem em média 72 tacadas. Se estiver jogando contra o Maurício, que faz 71 tacadas e eu fazendo 72, perco o jogo, pois fui menos apurado em apenas uma tacada. O esporte é muito simples, resumindo-se assim.

Vale a pena registrar que o golfe exige uma etiqueta em suas vestimenta, tendo camisa pólo, bermuda até a altura do joelho, sapato apropriado para não estragar o gramado, uso de luvas e ter na sua taqueira até 14 tacos.

Cada taco tem uma função. Pra longa distância chamamos de drive, para pequenas distâncias, de 56 a 60 graus, fazer com que a bola suba bem, mas não corra muito, só o suficiente para passar aquele obstáculo, o que não é fácil, pois tem o lagos e árvores, ainda mais que os campos são diferentes, não tendo o meso padrão de outros esportes e das piscinas, ou seja, que tem apenas a diferença do tamanho, mas a estrutura é a mesma, diferentes do nosso esporte, cujas paisagens não são sempre iguais. Mas em média cada campo de golfe tem 9 ou 18 buracos, sendo obrigatório de 69 a 72 tacadas, tanto no Brasil quanto no exterior.

 

MS: Você considera o Tiger Woods como o grande nome da história do golfe? Poderia citar outros golfistas históricos?

ACP: Dizem que o golfe moderno se resume em “antes e depois de Tiger Woods”. Sou da geração dele, começando a jogar quando ele estava no auge. O Tiger joga muito bem e encanta as multidões. É a mesma coisa nos Estados Unidos quando se fala do Pelé no Brasil. Abriu a boca, o país para, pra você ver o grau de importância que os americanos dão. Se machucou e se meteu em muitas confusões, é verdade, mas acredito que um moço jovem de 32 anos que perde o pai e depois não sabe o que fazer com tanto dinheiro, ficando perdido, mas pretende voltar em 2016, esperando eu que ele retorne bem.

Vou citar agora outros nomes. No dia 25 de setembro faleceu uma lenda do golfe, o Sr. Arnold Daniel Palmer, aos 87 anos. Na geração passada, a do meu pai, era um grande golfista, um gentleman, uma pessoa rica que tratava todos de forma igual, desde o porteiro até os presidentes dos EUA que ele mesmo jogou, pois boa parte deles adoram ou adoravam o esporte.

Cito também o espanhol Sergio García.

Atualmente tem o irlandês Rory Mcllroy e o americano Jordan Spieth, que jogam muito bem.

De ídolo mesmo, o Arnold Palmer e o Tiger Woods, que considero os grandes golfistas de todos os tempos.

 

MS: Quem são os grandes nomes do golfe no Brasil?

ACP: Nós temos uma nova geração muito boa de golfistas, todos meninos. Cito dois moços e duas moças pra não ser injusto.

O gaúcho Heric Machado tem 19 anos, um menino muito bom, de quem tenho certeza que em breve ouviremos falar muito bem.

Em são Paulo temo o Padro Nagayama, que considero muito centrado, com uma técnica apurada e tenho certeza que também nos dará muitas alegrias.

Já entre as mulheres cito duas, que são as melhores do Brasil atualmente. Tem a Luiza Altmann, que será profissional em 2017, grande talento brasileiro, joga muito bem. E a Laura Grimberg, que acabou de fazer 15 anos, uma grande promessa.

 

MS: Quais são as principais potências no esporte?

ACP: Estados Unidos e Europa. Também um pouco a África do Sul, Coréia e Japão.

Tem um torneio que se chama Ryder Cup, americanos contra europeus, algo semelhante à Copa do Mundo, com os melhores golfistas de ambos os lados. Pega fogo! É um ano em cada local, já estão fazendo a convocação neste ano, tendo entrevistas com os mais destacados jogadores, é uma agitação, algo espetacular, como se fosse uma partida final de futebol aqui no Brasil.

 

MS: Conte sobre sua trajetória no golfe.

ACP: Comecei a jogar golfe aqui no Embrase Golf Center em 2002. Tenho um cunhado que me trouxe pra cá, que trabalhava em uma grande Multinacional de Transportes Marítimos. Naquela época ele atendia três grandes clientes, que eram dois de automobilismo e um de brinquedos. Todas as vezes que ia conversar com o pessoal de importação e exportação e os presidentes das empresas, invariavelmente estavam no campo de golfe. Ele não sabia jogar, então precisou se adaptar rapidamente para atendê-los melhor. Descobriu este local que na época tinha outro nome, vindo treinar aqui.

Toda a semana me convidava pra jogar e eu não aceitava. Levou o filho dele e os meus, que começaram a jogar bem. Depois de oito meses, de tanto ele persistir, vim jogar. Quando cheguei na área de putting green, peguei no taco pra bater na bolinha, emboquei na primeira segunda e terceira. Pronto, já vi que sabia jogar. Daí, pra eu ir realmente à um campo, demorou quase um ano, pois mesmo sendo um esporte simples como te expliquei, é preciso ter vários movimentos gravados na mente, coordenar e fazer com que a bolinha tome efeito e altura, algo que leva um tempo pra qualquer um, além de outros aprendizados que já mencionei, como a etiqueta. Passada a etapa que dura de três à seis meses, está apto a jogar não quer parar mais.

 

MS: Qual é a grande competição mundial do golf?

ACP: Temos cinco grandes majors, todos excelentes. O que u mais gosto é o The Masters,  que acontece em uma cidade dos Estados Unidos chamada Augusta. Tem também o aberto dos EUA e o da Inglaterra, que se chama The Open.

 

MS: O que achou do retorno do golfe nas Olimpíadas do Brasil? Os brasileiros fizeram um bom papel? Por que ficou tanto tempo fora dos Jogos Olímpicos?

ACP: A modalidade jogada nas Olimpíadas se chama stroke play, com cada golfista jogando contra o campo. Quem dá menos tacada, ganha.

Quando o golfe fazia parte dos Jogos Olímpicos, os europeus queriam que essa modalidade fosse diferente, com match play, jogador contra jogador, com os americanos não aceitando, sendo por isso que ele saiu desde 1904, em Saint Louis, Estados Unidos.

Eu e toda a torcida do Corinthians e Flamengo juntas adoramos o golfe no Brasil. Foi o esporte que teve mais audiência nas Olimpíadas do Rio de Janeiro no exterior, ganhando do Aberto da Inglaterra, que tinha sido uma semana antes. Isso mesmo sem a presença dos principais jogadores americanos e europeus. Mas os que vieram deram um peso tão grande, que o mundo inteiro assistiu.

A organização do Comitê Olímpico Internacional (COI) foi exemplar. Estive no campo na final masculina, com 12 mil pessoas presentes, algo divino. A temperatura não estava muito quente, algo que ajudou muito. Jogadores com uma precisão incrível, que os brasileiros não estão acostumados, com nós vibrando por causa da disputa dos dois primeiros,  o sueco Henrik Stenson e o inglês Justin Rose, um jogaço. Foi tão bom, que a International Golf Federation (IGF) quer que o golfe fique em definitivo nas Olimpíadas, o que significa que o esporte veio pra ficar. É a chance pra nós, brasileiros, temos pra fazê-lo se popularizar por aqui.

 

MS: E o futuro do golfe no Brasil?

ACP: Muitos falam do legado do campo olímpico, que é público no Rio de Janeiro. Tanto tendo lá como este, faz com que pretendemos criar novos espaços, o que fará com que consigamos maior número de golfistas, porque quanto mais praças de esportes existirem, maiores chances as pessoas terão de jogar. Meus projetos na Federação Paulista de Golfe ajudam muito, mas ainda falta espaço público, porque imagine você uma pessoa que mora na Zona Leste de São Paulo ter que atravessar a cidade inteira pra chegar ao bairro de Congonhas!? Pretendo abrir centros de treinamentos lá, na Zona Norte e Sul, para que as pessoas não tenham problemas de mobilidade e encontram mais lugares para praticar o golfe.

No interior é mais fácil, pois temos um clube fechado em cada uma das 38 cidades, algo fantástico, destacando Itapeva, Bauru, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Rio Preto, Santos, Guarujá, Riviera de São Lourenço, Campo Limpo, Bragança, Campinas (principal centro), ou seja, tem tudo pra crescer no Estado mais rico da união. 

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