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Entrevista do jornalista Maurício Sabará realizada no Círculo Militar de São Paulo

Entrevista do jornalista Maurício Sabará realizada no Círculo Militar de São Paulo

MAURÍCIO SABARÁ: Qual é a origem da esgrima? Dizem que seu início vem desde o Egito Antigo, quando já se treinava com espadas. Existe algum registro anterior?
JOSÉ ACOSTA MARTINEZ (PEPE): Eu acredito que o seu surgimento é mais antigo ainda. Só usavam armas brancas que eu origem à esgrima atual, para sobrevivência, caça a animais e combate de tribos. As próprias pinturas antigas vêm desde o tempo das cavernas.

MS: Foi no Renascimento que de fato a esgrima evoluiu? Sua prática era mais voltada para os combates?
PEPE: Exatamente, porque anteriormente se usava a arma branca para defesa e caça para alimentação, dando origem à esgrima do Renascimento.

MS: Quando o esporte chegou ao Brasil?
PEPE: As origens vêm desde a época do Império. Mas quem de fato introduziu oficialmente foram os franceses, fundando a primeira escola em São Paulo no início do século XX.

MS: Os estilos da esgrima se resumem a três armas, que são a espada, florete e sabre. Fale resumidamente sobre cada um deles e suas regras.
PEPE: As três armas têm coisas em comum e outras totalmente diferentes. O florete toca com a ponta, valendo o tronco, cintura, pescoço, frente e trás. Já o sabre é cintura para cima, também com ponta e corte. E a espada é no corpo todo, com a ponta.
As regras são adotadas para os três estilos. 14 metros de comprimento por 2 metros de largura é o tamanho da pista. A parte final dela tem uma linha que se o esgrimista sai com ambos os pés, ele perde ponto mesmo o adversário não o tocando, pois está fora do terreno de combate e é penalizado. É um dos esportes mais tecnológicos, pois qualquer toque é acusado.

MS: Comente sobre as vestimentas.
PEPE: A vestimenta é muito importante, pois dá segurança aos atletas. Sua roupa tem que estar homologada pela Federação Internacional, podendo ser usada em competições internacionais. Todo o equipamento deve estar adequado, máscara e luva.

MS: Personagens aparentemente fictícios como os Três Mosqueteiros e o Zorro pregavam a lealdade dos espadachins. De fato é um esporte que seja prega muito esse respeito?
PEPE: O Zorro é um personagem fantasioso que estimulou a garotada a praticar o esporte. E de fato a esgrima prega muito esse respeito.

MS: Vi que as mulheres praticam a esgrima. O número de praticantes é tão grande quanto o dos homens e se costuma treinar juntos?
PEPE: A esgrima, a nível mundial, não atrai grandes massas. Tem muitos homens e mulheres que treinam e costumam praticar juntos. Já nas competições é por categoria e sexo, sendo homens contra homens e mulheres contra mulheres.

MS: Com quantos anos pode alguém começar a praticar a esgrima? Tem limite de idade?
PEPE: A idade mínima pra começar é com sete anos. Não existe limite de idade, tendo os masters e veteranos, tendo competições oficiais para participarem.

MS: Quais as principais potências na esgrima?
PEPE: Hoje em dia mudou um pouco. Antigamente eram a França, Alemanha, Itália, Rússia, Hungria e Cuba. Atualmente se destacam o Japão, Estados Unidos, Coréia e China. Alguns dos antigos continuam muito bons. A parte européia tem melhores resultados de uma forma geral.

MS: Quem você considera os grandes nomes no esporte, tanto no passado como atualmente?
PEPE: No Brasil têm o Guilherme Toldo e o Renzo Agresta, os mais destacados pelos resultados estáveis no ranking mundial. Internacionalmente é muito diverso de país para país. Os americanos estão muito fortes no sabre. Citar um nome é um pouco comprometedor, pois varia muito do resultado, pois pode ganhar o Mundial e perder o Pan-Americano. O nível mundial está muito equilibrado.

MS: Cite a principal competição na esgrima.
PEPE: Sem dúvida é a Olimpíada, que é uma empolgação total para os atletas, pois tem um número maior de competidores e o clima é diferente. Ser campeão olímpico é maior do que ser mundial.

MS: Pepe, conte sua trajetória no esporte.
PEPE: Sou cubano e comecei a praticar a esgrima na infância em meu país. Fiz parte da Seleção Juvenil de Cuba com 15 anos. Formei-me em Cultura Física, trabalhando com o esporte por lá. Faz quinze anos que estou no Brasil.

MS: O que achou do esporte nas Olimpíadas do Rio? O Brasil fez um bom papel?
PEPE: O Brasil foi bem, fazendo seu melhor resultado em Olimpíadas. Houve muita motivação por ser no país, obtendo-se boas apresentações.

MS: Onde você aconselha a prática no Brasil? E como vê o futuro do esporte no país?
PEPE: São Paulo é o Estado que tem mais praticante. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre são capitais que também existe muitos praticantes. Ainda falta divulgação e mais escolas para motivar as crianças. Onde dou aulas no Círculo Militar é recomendável, comecei com poucos alunos e agora tenho um bom número, sendo um clube aberto para sócio e não-sócio, algo pouco encontrado em outros locais. Cito também o Clube Pinheiros e Paulistano, que são bem tradicionais.

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