O início no judô foi um caminho que possibilitou Lucimar Medeiros a conhecer um novo mundo e buscar sua evolução pessoal

O início no judô foi um caminho que possibilitou Lucimar Medeiros a conhecer um novo mundo e buscar sua evolução pessoal

Lucimar Medeiros é uma rompedora de barreiras no mundo das lutas brasileiro. Supervisora de wrestling do Centro Olímpico de São Paulo há sete anos e nove meses forma atletas de base e refina os adultos de alto rendimento. Em março completará 15 anos de casa.

Nos seus tempos de atleta foi integrante da seleção principal de judô brasileira, em competições de grappling – luta agarrada – foi definida como uma das mais técnicas da América do Sul e muitas vezes representou o wrestling brasileiro no exterior antes sendo uma das pioneiras da ala feminina. Conquistou no wrestling o campeonato dos circuitos sul-americano e Brasil Olímpico além de ser tetracampeã nacional, no judô se sagrou campeã nacional e no grappling alcançou o mesmo posto.

O início no judô foi um caminho que possibilitou Lucimar Medeiros a conhecer um novo mundo e buscar sua evolução pessoal. Integrou a seleção brasileira em 1989 depois em outras duas oportunidades convivendo com nomes como os atletas olímpicos Rosicléia Campos (hoje técnica da seleção feminina), Frederico Flexa, Aurélio Miguel e Rogério Sampaio Henrique Guimarães assim como os treinadores Sergio Pessoa, atual técnico da seleção canadense, e Massao Shinohara. Com o tempo migrou para o wrestling – ainda engatinhando no Brasil – e com as passagens pelas duas modalidades fez seu nome no esporte brasileiro.

Em entrevista exclusiva ao Terceiro Tempo fala de como quebrar preconceitos em um meio masculinizado, o trabalho de base no esporte nacional, os avanços na área e as vivências e alegrias obtidas no seu dia-a-dia.

Como se deu seu início no Judô?

Um vizinho, padrinho da minha irmã, montou um local em sua casa. Fui assistir ao treino de inauguração e me apaixonei pela arte marcial. Minha mãe não deixou por considera-la violenta. Após três meses pedindo e até ficando doente ela me inscreveu.

Como foi sua passagem pela seleção brasileira? Quais memórias guarda daqueles tempos?

Minha passagem pela seleção não se deu do jeito que eu queria, naquele tempo mesmo classificando não tinha como pagar minhas despesas para representar o Brasil. Sou de família humilde e o pouco que tínhamos era para as contas da casa, mas só de estar com meus ídolos na época já me realizei, pude fazer parte de algo maior, outro mundo com outras pessoas. Guardo de lembranças as amizades que conquisteis, os sensei (mestres) que me apoiaram e treinaram, as viagens entre Minas (Gerais) e Rio De Janeiro – cidade de Santa Cruz – para treinamentos de campo.

Como entrou em contato com o wrestling?

Para o wrestling fui convidada pelo presidente da federação paulista na época para disputar um campeonato brasileiro, ele já me conhecia do judô e treinávamos no mesmo local. Realizamos alguns treinos de luta e me explicou as regras para então buscarmos o título, dois anos depois decidi treinar com afinco. O wrestling me conquistou.

Quais diferenças enxerga do seu tempo de competidora para a geração atual?

As regras atuais e as ações dos dirigentes estão mais claras, mas em se tratando de atletas vejo poucos comprometidos realmente com o esporte. Não os vejo treinando por gostar ou querer progredir na modalidade, porém somente pelo interesse financeiro, enquanto no meu tempo tínhamos mais coração. Hoje o atleta tem apoio governamental nas esferas federal e estadual e dependendo do local até municipal, na minha não havia todo este aporte.

Hoje a mulher lutadora é mais aceita do que antes?

No mundo atual ainda há muito preconceito sobre mulheres nas lutas: não as valorizam pelos seus feitos, suas vitórias e ainda só se foca no masculino. Mas atualmente as mulheres estão mais visíveis e têm reais condições de conseguirem melhores classificações nos eventos internacionais.

Quais são os desafios de trabalhar com atletas de base dentro do wrestling nacional?

Bom... (respira profundamente)... Sobre os atletas que vem treinando, ou seja, iniciaram comigo sendo sua treinadora em um trabalho profissional, mas quando atingem uma faixa etária às vezes não querem treinar mais por eu ser a professora. Talvez não creiam que eu tenha capacidade para treiná-los, enquanto com outros profissionais não me lembro de ter sido subestimada. Lembro que estive numa edição dos Jogos Pan-Americanos como treinadora e entrei com os atletas da luta greco-romana, mulheres não treinam ou competem neste estilos, eram atletas iniciados na modalidade por mim e seguíamos com nosso trabalho. ... (Respira)... Enfim, os demais treinadores ficaram abismados dizendo que greco-romana é complexa para mulheres e que não existem mulheres que possam treinar homens, então se não existia respondi que agora existe e sou eu.

Enfim, alguns adultos se sentem constrangidos em ter uma treinadora, mas tiro de letra. O trabalho de base é pouco enxergado, para muitos só existe o alto rendimento. Sou suspeita para falar, mas amo o que faço, e digo que sem a base não há alto rendimento. Para chegar nele temos que conquistar o atleta, a confiança da família e então realizar um trabalho árduo buscando manter o grupo unido e motivado e são barreiras à serem derrubadas diariamente e o fato de haver pouco ou nenhum investimento dificulta a permanência dos jovens ainda mais os que necessitam deixar o esporte para ajudar a família. Dou ênfase na questão que o lutador de wrestling tem outra cultura, uma visão diferenciada da vida e busca ter ascensão social pela oportunidade de estudar em uma universidade, o que não é para todos, mas este busca mudanças em suas condições primárias.

Em Jogos Olímpicos o wrestling tem 72 medalhas em disputa. O Brasil tem potencial para alavancar na modalidade?

O Brasil tem muita potencialidade, mas vai depender não só dos atletas e sim das instituições que gerem nossa modalidade para proporcionar mais espaços de treinos e capacitar profissionais além de outras ações.

Fotos: Arquivo pessoal

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