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Aos 25 anos, mesmo ainda sendo jovem, Bernard aprendeu que é impossível agradar a todos

Aos 25 anos, mesmo ainda sendo jovem, Bernard aprendeu que é impossível agradar a todos

Beatriz Cesarini e Karla Torralba
Do UOL, em São Paulo

Rótulos são difíceis de lidar, principalmente na vida de um jogador de futebol, onde altos e baixos são comuns. Ainda jovem, Bernard teve que encarar justamente um desses apelidos que a fase do jogador influencia diretamente: ficou conhecido como o menino com "alegria nas pernas" e acabou sendo alvo de brincadeiras pejorativas principalmente depois da Copa do Mundo de 2014. Mas o próprio jogador não foge da alcunha que lhe colocaram.

Maduro, o atacante do Shakhtar Donetsk vai contra o que muitos poderiam fazer: esconder-se e fugir do lugar-comum. Bernard é bem diferente e encara tudo com muita naturalidade. Aos 25 anos, mesmo ainda sendo jovem, aprendeu que é impossível agradar a todos.

"Quando saiu (em 2013, ainda no Atlético-MG), foi positivo e depois quando aconteceu aquilo (o 7 a 1) na Copa acabou sendo negativo. mas eu não vejo assim. Acho que hoje em dia é difícil agradar a todos, é difícil chegar e dizer sua opinião e ser respeitado. Ficou complicado se expor na internet e dizer o que realmente pensa. Acho que não vou conseguir agradar ninguém. Mas eu vejo como elogio, como momento bom que eu vinha vivendo naquela época, então acho que foi bom para mim, porque me motivou cada vez mais a mostrar o melhor de mim", disse Bernard em entrevista ao UOL Esporte.

Iniciando o seu quinto ano no Shakhtar Donetsk, o atacante está mais adaptado que nunca e acredita viver um dos melhores momentos da carreira. Bernard "voltou a ter alegria em jogar futebol", como ele mesmo afirma.

Hoje o atacante brasileiro é titular absoluto do time ucraniano e chama atenção até de um dos maiores técnicos do mundo, Pep Guardiola. Na conversa, Bernard ainda fala de seleção brasileira, a difícil crise na Ucrânia que atinge o futebol e até mesmo cita qual foi o seu pior momento no futebol.

O elogio de Pep Guardiola antes de City x Shakhtar pela Champions

"O engraçado foi até que antes do jogo ele chegou a comentar meu nome de uma forma errada, mas depois do jogo ele chegou a dizer da forma correta. Eu fiquei feliz por ser lembrando sem dúvida nenhuma. Para mim, é um dos melhores treinadores do mundo por tudo o que ele fez no Barça, no Bayern e agora está fazendo no Manchester City".

"Voltei a ter alegria em jogar futebol"

"Sem dúvida nenhuma para mim é um dos momentos mais felizes, porque voltei a ter aquela alegria de jogar futebol, as coisas estão encaixando. Venho sendo titular há muito tempo no time, desde a chegada do Paulo... Então é um momento que está sendo importante, feliz, acho que é o melhor momento que até hoje vivi dentro do Shakhtar".

O pior momento no futebol

Quando se fala em Bernard é possível pensar que o pior momento da carreira do atacante tenha sido o 7 a 1, mas a fase difícil do jogador não se resumiu a um jogo. "Um dos piores momentos foi quando tive aqueles problemas com Mircea Lucescu, o antigo técnico. Eu reconheço que também errei em vários momentos e ele também errou bastante. É um momento que não gosto de lembrar. Foram 3 anos difíceis aqui, em que o técnico realmente não queria me colocar para jogar, então acho que foi difícil, mas consegui passar por cima de tudo isso e a prova disso é o período logo quando o Paulo (Fonseca) chegou (em julho de 2016). Ele já logo me colocou para jogar e as coisas se acertaram".

Seleção brasileira

"Acho que quando um jogador vai a primeira vez (para a seleção brasileira), acaba sendo convocado e às vezes fica um momento longe como eu venho tendo, o desejo é de voltar. Então esse é meu desejo, venho trabalhando para isso, me dedicando cada vez de uma forma aprimorar e melhorar para poder ter oportunidades. Caso ela apareça eu espero estar pronto. E o momento que o Tite vem vivendo é um momento excepcional, ele taticamente deu outra cara para a seleção, é uma equipe muito forte do meio para frente e bastante equilibrada do meio para trás".

A dificuldade de viver na Ucrânia em guerra

"A gente perdeu tudo, e a dificuldade nossa no dia-a-dia é porque perdemos... Tínhamos um CT extraordinário em Donetsk, tínhamos um estádio também que era excelente, mas acabamos perdendo tudo, porque saímos de Donestk e indo para a capital. E todos os jogos, seja dentro de casa, fora de casa, a gente acaba viajando. Mas aqui não tem nada em Kiev, está super tranquilo, não tem problema nenhum... Estamos a 800 quilômetros de Donetsk e as cidades próximas a Donetsk tem essa dificuldade, esse problema. Donetsk está destruída, a Rússia literalmente tomou".

Pensa em atuar em um grande clube europeu

"Todos os jogadores que vem aqui, os brasileiros que passam aqui, pensam em fazer uma ponte daqui e ir para um grande da Europa, para centros maiores, mais fortes, campeonatos mais fortes, porque a gente sabe que o Campeonato da Ucrânia perdeu muito após essa crise política que teve no país... Vários clubes acabaram fechando porque não tinham investimento, patrocinadores, dinheiro".

Interesse de brasileiros

"Tenho metas e objetivos, acho que depois que eu conseguir ou não alcançar, a gente pensa nessa possibilidade (de voltar ao Brasil). Mas qualquer lembrança que seja, qualquer time que me queira em um instante, eu fico feliz. Porque é fruto do meu trabalho sendo reconhecido. E quero cada vez mais me dedicar para ser dessa forma, para clubes grandes tanto quanto o Palmeiras virem a demonstrar interesse".

Foto: AFP PHOTO / Oli SCARFF (Retirada do Portal UOL)

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