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Matéria do jornalista Maurício Sabará sobre o Clássico Bisavô. Foto: Reprodução/FERJ

Matéria do jornalista Maurício Sabará sobre o Clássico Bisavô. Foto: Reprodução/FERJ

Hoje finalizo a série de clássicos cariocas de todos os tempos. Para realizar tão árduo trabalho, manterei a base dos principais jogadores, aqueles que mais se identificaram com a camisa que vestiram, mas modificando a formação do jeito mais atual possível, optando por escalar três jogadores no meio de campo e mais três no ataque. E geralmente terá um ponta fixo e um lateral ofensivo do outro lado.  Um detalhe que ainda preservarei é a obrigatoriedade de ter três recordistas na equipe titular. Quem tem mais anos de clube, maior número de partidas disputadas e o goleador principal, além de outros fatos marcantes.  No meu caso, continuarei a questão de não repetir o jogador, para que se possa ter uma idéia de um campeonato. Determinado futebolista foi muito importante em mais de um time, mas levarei em conta onde se destacou melhor. 

America e Bangu é conhecido como Clássico Bisavô, o mais antigo do Brasil de times de futebol ainda em atividade, ocorrendo pela primeira vez em 06 de agosto de 1905 (os dois foram fundados no ano anterior). Da mesma forma que a Portuguesa de Desportos em São Paulo, são clubes que alternaram ao longo da sua história condições de grandes estaduais e também como coadjuvantes, pois mesmo tendo formado fabulosas equipes, conviveram com muitas fases ruins, vendo mais os rivais ganhando. Mas, para aquele torcedor que desconhece o passado futebolístico brasileiro, vale a pena lembrar que tratam-se de agremiações gloriosas, das quais merecem ser citadas.

O America Football Club, fundado no Rio de Janeiro em dia 16 de setembro de 1904, completou 113 anos em 2017. Teu nome é sem o acento em homenagem à forma inglesa de escrever o continente. Tinha em seus primeiros anos muita força na Federação Carioca, especialmente com a chegada de Belfort Duarte, que seria um dos maiores zagueiros da história do clube. Muitos desconhecem que da década de 10 até a de 80 sempre formou fortes equipes. Outro detalhe é que em 1935 conquistou seu sexto título estadual, ficando atrás apenas do Fluminense (9 na ocasião), Botafogo (8), empatado com o Flamengo e estando acima do Vasco (4), algo importante pra ser mencionado para aqueles que não sabem julgar a glória de um time, desconhecendo o que significou em determinados períodos, inclusive com o Lamartine Babo citando as primeiras conquistas no hino, “campeão em 13, 16 e 22”. Venceu seu último título carioca em 1960, mas até 1987 continuou apresentando fortes elencos, quase sendo campeões. considerado o segundo time de muitos torcedores cariocas, pois sempre foi uma agremiação simpática. Mesmo assim tem muitos torcedores, dos quais costumam chamar o time em campo de “sangue”, por causa da camisa vermelha.   

Para o gol americano escalo o imortal Pompéia, goleiro que executou as mais belas pontes entre as traves, era acrobata de circo, encantando sua torcida e dos adversários através das suas belas intervenções, talento esse já demonstrado desde o vice-campeonato carioca de 1955 e consolidado no título em 1960. Na reserva optei por um nome tão bem importante que é o de Joel, primeiro arqueiro brasileiro que disputou uma partida em Copa do Mundo (1930), sendo campeão estadual em 1928 e 1931,

 Pela lateral-direita está Jorge, revelado nas categorias de base, era o mais novo jogador do time campeão carioca em 1960, sendo ele o autor gol do título na final contra o Fluminense e que atuou por dez anos pelo clube (1956 a 1966). No banco está Hermógenes, atuando pelo America de 1927 a 1933, sendo também o primeiro americano a estar presente em uma Copa, ganhando os mesmos títulos de Joel, tinha muita fibra, lealdade e era excelente marcador, apresentando ofensividade.  

Na zaga americana aparece primeiramente o grande Alex, jogador com mais partidas disputadas pelo time (673), estando treze anos a serviço, entre 1967 e 1980, demonstrando firmeza, técnica e lealdade, o que fez com que ganhasse o Prêmio Belfort Duarte. Tal prêmio dado a Alex e à outros jogadores por disciplinada em campo, curiosamente é em homenagem a um pioneiro na história do clube, o zagueiro Belfort Duarte, que de 1908 a 1915 mudou a história americana, não somente por sua técnica, classe e conduta realizadas nos jogos, mas também na parte administrativa, fazendo com que o America tivesse um grande crescimento e influência na Federação Carioca. Pennaforte, contemporâneo de Joel e Hermógenes, é o primeiro reserva vindo de ótima fase no Flamengo, também contribuindo no America conquistando o título estadual de 1928, sendo um xerife na defesa, mas também apresentando categoria. Completando a zaga improviso o volante Amaro, que na posição demonstrava técnica e grande poder de marcação, muito importante na conquista do título carioca de 1960, último do clube.

Os escalados na lateral-esquerda não têm o mesmo carisma de Jorge, mas também fazem jus à escolha. O primeiro é Paulo César, jogando de 1984 a 1988, fez parte do último forte time americano, um dos destaques na excelente campanha do Brasileirão de 1986. De 1954 a 1958 Édson fez parte da defesa americana, que de tão importante era fez com que fosse convocado pela Seleção Brasileira nos anos de 1956 e 1957, mesmo sem ser campeão pelo time.   

Penso que quando se escala um médio-volante de um time de todos os tempos, é necessário que ele seja um grande marcador ou um estilista. Para a posição escolhi Oswaldinho como titular, que ficou conhecido como Divina Dama (termo utilizado antes do surgimento de Domingos da Guia, o Divino Mestre), que de 1921 a 1930 encantou os torcedores americanos com o seu estilo de jogo de articulação, técnica, dribles e gols, funções essas desempenhadas como centro-médio (atual volante) e meia, sendo talvez o principal jogador da equipe nos títulos cariocas de 1922 e 1928. Ivo não fica longe em categoria, que de 1973 a 1977 foi um dos principais destaques do excelente time americano, aquele que ganhou a Taça Guanabara de 1974. Danilo Alvim é um nome pra ser mencionado, mas claro que é no Vasco a sua melhor fase, sendo titular na minha equipe vascaína de todas as épocas.

Meu primeiro meia é Maneco, o Saci de Irajá, terceiro maior goleador americano (187 gols), maior ídolo do time na década de 40, com um futebol envolvente de muita habilidade, era o principal nome da linha de ataque conhecida como tico-tico no fubá, especialista por realizar as jogadas com toques de primeira, um espetáculo. Curiosamente o reserva é um jogador que caberia também no Bangu de todos os tempos, pois Plácido conquistou o primeiro título carioca pela equipe de Moça Bonita (1933), onde jogou de 1931 a 1935, tendo depois em Campos Sales uma fase mais longa (1935 a 1943), sendo campeão carioca logo em seu primeiro ano e quarto maior artilheiro (167 gols).

Seria exagero comparar Edu Antunes Coimbra com Zico, seu famoso irmão, mas muitos que o viram em ação com a camisa americana entre 1966 e 1974 dizem que era tão bom, ou melhor, craque de muitos recursos técnicos, meia-esquerda que formou com o ponta Eduardo uma inesquecível ala, sendo considerado por boa parte da torcida o maior jogador americano de todos os tempos, mesmo não sendo campeão carioca e segundo maior goleador (250 gols). Quem assume a nobre missão de ser o reserva de Edu é Moreno, que de 1981 a 1987 foi um dos grandes ídolos americanos, habilidoso, veloz e driblador, um dos principais nomes do título da Copa dos Campeões de 1982.

Sim, o America terá um ponta-direita, sendo Canário o melhor nome, pois apesar de sua vitoriosa carreira no Real Madrid na primeira metade dos Anos 60, foi no time americano que de fato surgiu para o futebol (tinha sido revelado pelo Olaria), brilhando muito na equipe entre 1954 e 1959, considerado entre 1955 e 1956, depois da saída de Julinho Botelho para a Fiorentina, o melhor jogador na posição atuando em um time brasileiro, jogando pela Seleção Nacional, driblador, rápido, ótimo pra centrar e goleador. Apesar de ser ponteiro esquerdo, escolhi Eduardo para a reserva, já citado pela ótima ala que formou com Edu, tendo depois uma boa passagem pelo Corinthians, estando no jogo da quebra do tabu, era convocado pela Seleção Brasileira, mas em 1969 infelizmente faleceu com Lidu em um acidente de automóvel na Marginal Tietê.

Centroavante tem como função anotar gols, então para a posição o America terá seu maio goleador que é o Luizinho com seus 311 tentos, atuando em vários períodos do clube, mas sempre balançando as redes adversárias, demonstrando técnica, raça e rebeldia. O chileno Ojeda (tradição americana nos primeiros anos quando contratava jogadores estrangeiros), campeão carioca em 1913 e único representante da equipe que venceu o Estadual de 1916 no time americano de todos os tempos, se tornando após a saída de Belfort Duarte em 1915 o principal jogador da equipe.

Como segundo atacante destaco uma lenda, talvez pouco lembrada, que é Carola, jogador com mais anos de America (17 anos – 1929 a 1946), quinto maior goleador (158 gols), declarando no início dos anos 40, quando o clube estava em dívida e os jogadores teriam que ser negociados, pois não poderiam receber o salário, que “não importava se não pudesse receber, pois o mais importante era vestir o manto do time do coração”. Leônidas é o reserva, mas não o “da Silva”, mas sim o “da Selva”, conhecido assim por ser o oposto do genial Diamante Negro (foi sondado pela diretoria americana, mas nunca jogou no clube), pois tinha estilo totalmente trombador, mesmo assim anotando muitos gols no time americano (96) entre 1952 e 1959. E para a função de treinador optei por Jorge Vieira, que comandou o histórico time campeão carioca de 1960, ficando até 1961, recentemente encerrada a carreira de jogador, se tornando um técnico vencedor bem novo, tendo passagens por muitas outras equipes, mas sem dúvida a principal foi essa no America, ganhando com méritos o cargo no elenco de todos os tempos.

AMERICA (1904 A 2017)

Titular: Pompéia, Jorge, Alex, Belfort Duarte e Paulo César; Oswaldinho, Maneco e Edu Antunes; Canário, Luizinho e Carola. Técnico – Jorge Vieira.

Reserva: Joel, Hermógenes, Pennaforte, Amaro e Édson; Ivo, Plácido e Moreno; Eduardo, Ojeda e Leônidas.

Mais anos: Carola - 17 (1929 a 1946)

Mais partidas: Alex – 673 (1967 a 1980)

Mais gols: Luizinho - 311 (1973 a 1975, 1980 a 1984 e 1985 a 1987)

O Bangu Atlético Clube, fundado no Rio de Janeiro em 17 de abril de 1904, completou 113 anos em 2017. Pertencente ao bairro com o mesmo nome e é o mais importante dos clubes cariocas de subúrbio. Conhecido pelo pioneirismo de ser um dos primeiros clubes brasileiros a ter jogadores negros em seu elenco, algo que antes só a Ponte Preta tinha. Sua história é muito ligada à família Da Guia, que ofereceu alguns grandes jogadores. Seu primeiro título estadual aconteceu em 1933. O de 1966 foi conquistado com um time inesquecível. Mesmo não sendo vice-campeão brasileiro de 1985, é um dos grandes orgulhos da sua torcida.   

No gol do Bangu está Ubirajara, campeão de 1966, que durante treze anos (1956 a 1969) defendeu o time, dono de grandes qualidades técnicas, muito ágil e recordista de partidas disputadas não somente entre os jogadores, mas de todos os goleiros (534 jogos). Seu reserva é Gilmar, nome que é sinônimo de goleiro, vindo em 1983 de uma boa passagem pelo Palmeiras, permanecendo em Moça Bonita por mais de cinco anos, voltando a esbanjar a mesma categoria, sendo vice-campeão brasileiro de 1985. 

Velocidade, força física, forte marcação e resistência fizeram com que Fidélis fosse o escolhido para ser o lateral-direito, que tanta segurança deu à defesa campeã de 1966, disputando a Copa do Mundo da Inglaterra no mesmo ano. Ademir Batista é o reserva, atuando de 1974 a 1983, sendo sempre muito lembrado pela torcida, mesmo não sendo campeão carioca.

A zaga banguense começa com um representante da nobre família de jogadores, com Luiz Antônio da Guia sendo o zagueiro-central, que só atuou na época do Amadorismo (1912 a 1931), o recordista do time em temporadas e para os que viram em ação era melhor que o famoso Domingos. O segundo zagueiro é Zózimo, jogador clássico que na década de 50 e início dos Anos 60 encantou seus torcedores, sendo um orgulho por ser bicampeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1958 (reserva) e 1962 (titular). Mário Tito é o primeiro reserva, que nos Anos 60 garantiu a segurança da defesa, formando inicialmente a zaga com Zózimo, sendo campeão carioca de 1966, um prêmio pelos anos dedicados. De 1963 a 1975 Luis Alberto foi o quarto-zagueiro do Bangu, uma espécie de sucessor de Zózimo, o mais importante companheiro de zaga que Mário Tito teve. Muitos reclamarão da ausência de Domingos da Guia, que tem o seu nome citado no hino do Bangu e um busto em Moça Bonita, começando e encerrando a carreira no clube, uma referência no início nos Anos 30, mas como considero que sua maior passagem foi no Flamengo, é nele que está no time de todos os tempos.    

Não confundir, pois o lateral-esquerdo tem o nome parecido ao do famoso botafoguense, sendo Nilton dos Santos o titular e segundo jogador com mais atuações com a camisa banguense (502 partidas). Mais um representante da nobre família está presente, com Médio da Guia abrilhantando o setor esquerdo, também apresentando um futebol de técnica, uma tradição.

Fiz questão de escalar um grande nome na posição de volante, com Fausto sendo o escolhido, que em dois anos (1926 a 1928) contribuíram para que fosse o escolhido, mesmo começando como atacante, tendo depois uma carreira vitoriosa em muitos times e o melhor jogador brasileiro da Copa do Mundo de 1930. Israel é mais um representante da brilhante geração vice-campeã brasileira de 1985, tendo uma passagem eficiente em seus sete anos de Bangu (1984 a 1991).

Na posição de meia-direita optei por um ponteiro direito, escalando Paulo Borges, conhecido pelos apelidos de Gazela e Risadinha, era veloz, driblador, insinuante, um terror para as defesas adversárias, principal destaque no título de 1966, já vindo de dois anos demonstrando muito talento e considerado o melhor da posição no Rio após a decadência de Garrincha, tendo a partir de 1968 outra passagem histórica pelo Corinthians, sendo autor do primeiro gol na quebra do tabu contra o Santos. Um jogador interessante para ser o reserva é Décio Esteves, que também sabia atuar como volante, meia-atacante que é o quarto jogador com mais atuações (375 partidas) e oitavo maior goleador (93 gols).

Camisa 10 é sinônimo de qualidade, então claro que agora Zizinho é o escolhido pra ser o meia-esquerda, que tantas vezes escalei no Flamengo, mas optei por ele no Bangu, já sendo jogador do time na Copa do Mundo de 1950 e que até 1957 foi o principal craque da equipe, um ídolo eterno que nem precisou de um título estadual para se consagrar, já fazendo parte da Era Maracanã, demonstrando ainda ser o Mestre Ziza, com um futebol tão completo que no Brasil só foi superado por Pelé. Menezes, que jogou com Ziza, é o reserva, vindo já desde os Anos 40 como um jogador de destaque, um grande goleador, sendo o quarto maior (132).

Marinho abre o ataque, herdeiro de Paulo Borges na ponta-direita, também tinha muito talento, disputava com Renato Gaúcho a condição de melhor na posição antes da Copa do Mundo de 1986, ficou muito chateado por não conquistar os dois títulos em disputa no ano de 1985, sendo vice-campeão brasileiro e carioca, demonstrando muito talento. Fiz questão de improvisar o ponta-esquerda Nívio pelo lado direito, que veio de uma grande fase no Atlético Mineiro, mantendo o mesmo talento com a camisa do Bangu e ser tornou o terceiro maior goleador do time com 144 gols.

Da mesma forma que o America, o centroavante do Bangu tem que ser o maior goleador (223 tentos), justamente por isso que Ladislau da Guia é o escolhido, outro digno representante da nobre família, ficou conhecido pelo apelido de Tijolo Quente devido à potência do chute, inesquecível goleador dos Anos 20 e 30, foi campeão carioca em 1933. Escolhi um ponta-esquerda como reserva, que é o Dininho, que jogou no time por dezesseis anos (1923 a 1939), um dos destaques da equipe que ficou conhecida como Mulatinhos Rosados.

Encerrando o ataque escalo Moacir Bueno, outro espetacular atacante, que de 1942 a 1959 serviu o time principal, grande parceiro de Menezes e o segundo maior goleador, com 179 gols anotados. E na sua reserva está Dé, outro atacante de destaque.   

Elba de Pádua Lima, o ex-jogador Tim, é o meu escolhido pra ser o treinador, o estrategista, que tantas passagens teve em Moça Bonita.

BANGU (1904 A 2015)

Titular: Ubirajara, Fidélis, Luiz Antônio da Guia, Zózimo e Nilton dos Santos; Fausto, Paulo Borges e Zizinho; Marinho, Ladislau e Moacir Bueno. Técnico – Elba de Pádua Lima (Tim).    

Reserva: Gilmar, Ademir Batista, Mário Tito, Luís Alberto e Médio; Israel, Décio e Menezes; Nívio, Dininho e Dé. 

Mais anos: Luiz Antônio da Guia - 19 (1912 a 1931) em 269 partidas

Mais partidas: Ubirajara - 534

Mais gols: Ladislau- 223 em 328 jogos (1922/1923, 1926 a 1936 e 1938 a 1941)

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