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VoltarOuros da Casa. Por @faelgo
Ontem, li que Maurício de Souza (um dos artistas mais fantásticos do Brasil) está lançando um projeto chamado Ouros da Casa. São histórias dos personagens consagrados, redesenhados e repaginados por funcionários (atuais e ex) dos estúdios.
Ontem, li que Maurício de Souza (um dos artistas mais fantásticos do Brasil) está lançando um projeto chamado Ouros da Casa. São histórias dos personagens consagrados, redesenhados e repaginados por funcionários (atuais e ex) dos estúdios. Achei genial a brincadeira com a expressão “pratas da casa”, dizendo claramente que seus funcionários valem mais do que o segundo lugar. São todos vencedores, campeões, ouro!
Coincidentemente, nosso desempenho no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos está de mal a pior. Vejo, nas redes sociais, diversos ataques aos atletas, seja do judô, seja da natação. “Amarelão” foi a expressão das mais educadas que li por aí. O ataque aos atletas é descabido. No momento em que escrevo, o quadro traz o Brasil atrás de potências como Cazaquistão, Hungria, Ucrânia e Romênia.
Será que o Ministro dos Esportes está assistindo aos Jogos? Prefeitos, governadores? Enquanto houver hegemonia de uma emissora de televisão (qualquer uma) sobre os horários do futebol, da novela, e o esporte (e seu torcedor) não receber um tratamento digno, nada vai mudar. Que incentivo uma empresa tem para apoiar o esporte? O futsal (que tem muito mais apelo do que atletismo, por exemplo) fica relegado a poucos horários em TV fechada. Você investiria em um time para ter quase nula exposição de marca?
E falta interesse publico: pistas de atletismo/ciclismo em parques públicos não dão votos. Modalidades que ensinam disciplina e precisam de equipamentos (como arco e flecha), sofrem com impostos: em uma busca no Google, encontramos um jogo “mediano” de arco e flecha por R$ 2 mil, enquanto lá fora pode ser encontrado por cerca de US$ 180.
Não estou pedindo arco e flecha no lugar da Carminha e da Nina. Mas esportes precisam de voz. Vôlei, futsal, basquete, handebol (no qual eu era craque, diga-se de passagem), ginástica olímpica, atletismo... Que falta faz o Show do Esporte, na Band. Até Sinuca o grande Luciano do Valle transmitia. Aprendi futebol americano com ele, e vôlei na voz de Marco Antônio (que hoje mora no céu).
Falta coragem e faltam profissionais qualificados. Sem uma transmissão “show de bola”, fica difícil atrair anunciantes. Coloquem Everaldo Marques e Paulo Antunes em horário nobre, com aquele show de bom humor e informação. Claro que dá samba!
Infelizmente, hoje temos jornalistas futebolísticos. Esportivos, são poucos. A mídia emburrece, a população também. Perde o esporte, perde a população, perdem os atletas, perdemos nós. Desse jeito não restarão nem os bronzes da casa. Os ouros e pratas já se foram...
Rafael Gonçalves – www.twitter.com/faelgo - é jornalista diplomado, locutor, especialista em marketing esportivo, escritor de fundo de gaveta, chef de churrasqueira elétrica, cantor de chuveiro, ex-goleiro em atividade nas horas vagas. Amante de futebol das bolas redonda e oval, do baseball, do vôlei (na areia ou na quadra) e de máquinas de quatro rodas acelerando. Palpiteiro profissional e um roqueiro apaixonado por Michael Jackson e Frank Sinatra.
Imagem: @CowboySL