Milton Neves

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19/01/2012 08:25

por:
Lino Tavares

Solidariedade a Rubinho nessa encruzilhada da vida. Por Lino Tavares

Nem sempre esse termo que denota capacidade realizadora chamado talento proporciona àquele que o possui o reconhecimento público a que faz por merecer.

A história brasileira registra, em todas as áreas de atividade, nomes que se tornaram famosos em função do talento revelado, mas que, por razões diversas, nunca  foram devidamente contemplados com os galardões mais altos da glória e da fama. 

São muitos os exemplos , enquadrados nessa situação, que poderiam ser citados aqui.

Um deles é Rui Barbosa, que, mesmo com o famoso título de "O Águia de Haia”, nunca logrou conseguir ocupar o trono de presidente da República, embora vontade não lhe faltasse para isso.

Outro foi o Poeta gaúcho Mário Quintana, que,  não obstante ter tido sua obra reconhecida internacionalmente,  jamais conseguiu ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Essa mesma entidade, agora banalizada,  que concedeu  a Medalha Machado de Assis – sua honraria máxima - a Ronaldinho Gaúcho, talvez pelo fato de o agraciado ser tão bem “empresariado” pelo irmão “Assis”,  uma espécie de “Gerson leva vantagem” do século 21.  

No universo da bola, além do talentoso Telê Santana, que foi o maior  “técnico azarão” da seleção brasileira,  temos exemplos de  craques consagrados que  nunca conseguiram comemorar com seus companheiros a conquista de uma Copa do Mundo.

Entre eles – apenas para citar alguns – trago à lembrança atletas exemplares como Zico, Sócrates e Falcão, em cujas galerias de conquistas mereceria figurar,  pelo menos,  uma medalha de campeão mundial de futebol.  

Mas, desta vez, não é para falar exclusivamente do “esporte das multidões”  que compareço a esse espaço.

O tema central desse comentário  tem como  personagem  aquele que, a rigor, bem  poderia  ser considerado  o nosso “ patinho feio da Fórmula 1”.

Refiro-me – deu para perceber – a Rubens Barrichello, que ‘perdeu o emprego" na  escuderia da  Williams’ para o promissor Bruno Senna, de quem se espera resgatar para o Brasil o prestígio perdido,  desde que seu tio, o saudoso Airton Senna, nos deixou para sempre na fatídica Curva Tamburello, disputando o Grande Prêmio de San Marino.

Mesmo sem  possuir  em sua galeria de vitórias o troféu de campeão mundial da Fórmula 1, Barrichello alinha-se aos grandes pilotos brasileiros de todos os tempos, como Fittipaldi, Piquet, Senna e o gaúcho  Catarino Andreatta, vencedor das  1000 milhas de Interlagos, no dia 24 de novembro de 1956. 

Talvez no momento em que alguém estiver lendo esse texto, Rubinho até já esteja  de emprego novo em outra escuderia,  uma vez  que existe (ou existia) uma luz no fim do túnel , possibilitando sua permanência na  Fórmula 1.    

Mas se não acontecer e o piloto brasileiro optar pela “aposentadoria”  neste ano de 2012, como fez o goleiro Marcos, do Palmeiras, o cidadão Rubens Gonçalves Barrichello pode olhar para dentro de si mesmo e ao seu redor, bater forte no peito e dizer:  “eu venci  com dignidade naquilo a que me propus”.

Não foi por outra razão que enalteci, nesse mesmo espaço,  a grandeza de espírito revelada  por   Barrichello  no GP Brasil de 2009.

Malgrado o fato de, naquela ocasião,  não  ter conseguido corresponder nossa expectativa, no sentido de impedir que o piloto inglês Jenson Button se sagrasse campeão mundial de Formula 1 em solo brasileiros, Rubinho festejou a conquista do título ao lado do campeão,  em consonância com o sábio refrão que diz “O importante é competir”.

Nessa hora  difícil para Rubinho, em  que se vê numa encruzilhada da vida, depois de anos dignificando o desporto brasileiro na Fórmula 1, “é justo, muito justo; é justíssimo” – como dizia aquele “coronel”  da novela da Globo – que lhe hipotequemos nossa solidariedade,  para o que der e vier.

Se  continuar nas pistas, boa sorte e que vença sempre, conseguindo quem sabe o título que ainda não tem.

Se parar por aqui,  “pendurando  o capacete de piloto”, igualmente boa sorte e que continue a merecer de  todos os brasileiros o reconhecimento de sempre. Com ou sem piadinhas,  não raro,  de gosto duvidoso.

Foto: Reprodução
 
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Comentários

(3)

O bom é ganhar.

20/01/2012 17:24 Charles Dublim

Rubinho é como aquelas seleções treinadas pelo Telê Santana. Eram show de bola, mas não ganhavam título. Acho que competir é importante, mas o bom mesmo é ganhar e Rubinho só ganhou algum GP e foi usado pela Ferrari para o Prost se lambuzar de títulos. Apesar disso, gostei do título, pois é correto e objetivo, como requer uma boa análise jornalística.

Se Vendeu...

19/01/2012 14:28 Thiago

Desculpe-me, mas o Rubinho é um vendido, vendeu sua carreira para a Ferrari e hj paga o preço... Eu não seria segundo piloto em nenhum lugar deste mundo, o Ayton tb nunca foi, essa é a diferença entre o campeão e segundo piloto.

Grande Rubens

19/01/2012 11:03 Sidney Mathias

Nem todos pilotos que passaram pela F1,e deixaram seu nome registrado na categoria,ganharam o título de campeão ex Clay Regazzoni,Pace,Cevert,e são verdadeiros mitos da categoria,assim como alguns q foram campeões,e não são nem lembrados.
Rubinho sim,deixa um recorde de participação na categoria,sempre competitivo na medida do equipamento que teve nas mãos.
Ético,gentil,afinal um cara do bem,que traz a nós brasileiros orgulho.
Desejo a ele muitas felicidades e agradeço pelas , emoções que me deu nestes 20 anos.
Parabéns Rubens.

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