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VoltarRebaixado em 2002, Mustafá detona Tirone e diz que o Palmeiras não cairá para a Série B 
Há dez anos, o ex-presidente estava no comando do pior episódio da história palmeirense
“Nunca se juntou tanta gente ruim de uma vez só”, definiu Mustafá Contursi quando indagado a respeito da atual administração do Palmeiras, que vivencia hoje um dos piores momentos da história. Na presidência do clube em 2002, ele caiu para a série B do Campeonato Brasileiro e ainda hoje se responsabiliza por isso, mas também culpa o “imponderável”.
Em entrevista ao portal Terceiro Tempo o atual presidente do Sindafebol (Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional), que já negou interesse em voltar à regência do Verdão, lembrou do que enfrentou há dez anos, analisou a situação atual, apontou uma solução para a crise e acredita que, neste ano, o time não deixará a elite do torneio nacional.
Confira a entrevista na íntegra:
Terceiro Tempo: Quais foram os principais motivos do rebaixamento do Palmeiras em 2002?
Mustafá Contursi: Foi um período inédito em toda a minha presidência que por circunstâncias, e não por decisão do Palmeiras, nós trocamos três vezes de técnico na temporada: começamos com o Vanderlei, passou o Murtosa por um curto período e depois o Culpi. Para um campeonato de um turno só, embora fosse uma equipe valorosa, não tínhamos chance de recuperação. O Palmeiras teve, assim como outros clubes também tiveram em outros momentos, o dissabor de desempenhos não qualificados, que pela grandeza do clube foram superados. Eu acredito ter superado com uma volta gloriosa, com um clube enriquecido e inclusive, no fim do meu mandato, deixando classificado para a Libertadores.
Pode comparar o Palmeiras de 2002 com o de 2012?
O Palmeiras de 2002 tinha um departamento de futebol organizado, era um clube organizado. Houve um desentrosamento de uma equipe poderosa que talvez tenha sido, nos anos 2000, a melhor equipe que o Palmeiras teve. Nós estivemos várias vezes fora dessa faixa do rebaixamento, inclusive com a vitória magnífica sobre o Fluminense no Rio na antepenúltima partida, e mesmo assim não conseguimos o objetivo. Agora, espero que não, e o Palmeiras não cairá nesse ano. Campeonato de dois turnos não tem a menor chance de cair. Eu acho que a incompetência que está lá dentro é tão grande que só a tradição, a camisa, o peso do Palmeiras fará com que a gente tenha algumas vitórias. Eu só espero que o 16º lugar não seja comemorado como se fosse a conquista de um campeonato, tem que haver uma reflexão sobre tudo isso que está acontecendo e as mudanças necessárias ao clube.
O que achou da saída do Felipão?
Como eu disse, durante a minha gestão não tive mais que três ou quatro treinadores. No ano de 2002 nós trocamos três treinadores e a conseqüência foi aquela. Eu acho que a saída do Felipão seria normal se não fosse pelas circunstâncias, porque ele já estava no clube há mais de dois anos. É absolutamente normal um desgaste natural, talvez até do próprio relacionamento, que a gente percebia pelas manifestações de elementos da diretoria e da própria comissão técnica que não eram relações harmoniosas, e isso também deve ter prejudicado alguma coisa.
Como você vê o trabalho do Tirone?
Péssimo. Excetuando eu, e me excetuo porque pelo conceito eu fui o pior presidente da história do clube por 2002, mas, depois de mim, indiscutivelmente, ele é o pior. Conseguiu ser pior até que os seus antecessores.
Em quais pontos a gestão atual contribui para a crise?
Em todos, eles não acertam uma, são péssimos.
O que você sugeriria para mudar essa situação?
Mudar todo o quadro de administradores. Eu tenho certeza que o Palmeiras tem, dentro e fora dos seus quadros atuais de conselheiros e diretores, muita gente até que está fora e precisa ser convocada para contribuir com sua competência na administração do clube. A grandeza administrativa faz parte da nossa história, estamos fazendo um século de glórias, de crescimento patrimonial e de enriquecimento financeiro porque nós tivemos, através dos tempos, pessoas de muita competência. Eu até me excetuo dessas de competência, mas tive uma escola com aqueles que construíram a grandeza do Palmeiras. E infelizmente os que estão lá agora, não só o Tirone, mas toda a equipe ali administrativa do clube, nunca se juntou tanta gente ruim de uma vez só.
Você presidiu o clube em dois períodos distintos. O que mudou no time de 1993 e de 2002?
Não mudou nada, nossa política continuou sendo a mesma. O time de 93 não tinha lá grandes estrelas não, ele aconteceu por competência, nós fomos buscar um lateral-esquerdo do União São João que era um garoto ainda, o Roberto Carlos, o Edmundo recém-saído das equipes menores do Vasco, o Zinho já execrado no Flamengo e praticamente dispensado, o Evair que já se encontrava nas nossas fileiras e o Edilson que foi uma revelação do Guarani, ficou três meses lá e veio para o Palmeiras. Então você vê que isso foi um trabalho competente de todos aqueles que participaram daquele momento. Em 2002 nós tínhamos uma equipe com Marcos, Arce, César, Zinho, Paulo Assunção, Fabiano Eller, Rubens Cardoso, Itamar, Nenê, Dodô, Muñoz, Juninho. Era uma equipe poderosa, que desentrosou num determinado momento e, pela falta do segundo turno, não conseguiu reverter. Tenho ainda como comparação que, se não me engano em 2009, o Flamengo foi o último colocado do primeiro turno do Campeonato Brasileiro e no segundo turno conseguiu a classificação pra Libertadores.
Mas então, quais foram os verdadeiros culpados pelo rebaixamento de 2002?
O comandante é o único responsável pelos momentos desagradáveis. Eu jamais procurei encontrar culpados ou desculpas, assumi a responsabilidade dos meus cinco mandatos e esse foi o único que exigi ir à reeleição porque tinha certeza que conseguiria trazer o Palmeiras de volta, com muita honra e muita glória. Naquela época ainda se esperavam viradas de mesa, bastidores, tapetões e etc., e nós não usamos nada disso, nós fomos a campo e voltamos num torneio que também era de um turno só e com dois quadrangulares finais. Então me sinto orgulhoso de ter participado desse momento, difícil no início, mas glorioso no fim.
Se fosse presidente, qual técnico teria contratado para o lugar de Felipão?
Eu não tenho preferência nenhuma por treinador, eu acho que é um conjunto. A única coisa é não se pode imaginar que o técnico seja a solução de todos os problemas. Não tenho nenhum tipo de preferência, todos que são profissionais e que estão no mercado já mostraram suas qualidades e limitações, suas manias de administrar a equipe, cada um tem o seu estilo. Eu costumo dizer que se a bola bateu na trave e entrou, o plano foi perfeito, a logística foi bem coordenada, o presidente foi competente, o treinador é estrategista. Mas, se a bola bateu na trave e saiu, tudo isso não valeu nada. Então tanto faz o técnico, o problema vem da falta de qualidade da administração.
Foto: UOL
Veja a página de Mustafá Contursi na seção "Que Fim Levou?"
Em entrevista ao portal Terceiro Tempo o atual presidente do Sindafebol (Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional), que já negou interesse em voltar à regência do Verdão, lembrou do que enfrentou há dez anos, analisou a situação atual, apontou uma solução para a crise e acredita que, neste ano, o time não deixará a elite do torneio nacional.
Confira a entrevista na íntegra:
Terceiro Tempo: Quais foram os principais motivos do rebaixamento do Palmeiras em 2002?
Mustafá Contursi: Foi um período inédito em toda a minha presidência que por circunstâncias, e não por decisão do Palmeiras, nós trocamos três vezes de técnico na temporada: começamos com o Vanderlei, passou o Murtosa por um curto período e depois o Culpi. Para um campeonato de um turno só, embora fosse uma equipe valorosa, não tínhamos chance de recuperação. O Palmeiras teve, assim como outros clubes também tiveram em outros momentos, o dissabor de desempenhos não qualificados, que pela grandeza do clube foram superados. Eu acredito ter superado com uma volta gloriosa, com um clube enriquecido e inclusive, no fim do meu mandato, deixando classificado para a Libertadores.
Pode comparar o Palmeiras de 2002 com o de 2012?
O Palmeiras de 2002 tinha um departamento de futebol organizado, era um clube organizado. Houve um desentrosamento de uma equipe poderosa que talvez tenha sido, nos anos 2000, a melhor equipe que o Palmeiras teve. Nós estivemos várias vezes fora dessa faixa do rebaixamento, inclusive com a vitória magnífica sobre o Fluminense no Rio na antepenúltima partida, e mesmo assim não conseguimos o objetivo. Agora, espero que não, e o Palmeiras não cairá nesse ano. Campeonato de dois turnos não tem a menor chance de cair. Eu acho que a incompetência que está lá dentro é tão grande que só a tradição, a camisa, o peso do Palmeiras fará com que a gente tenha algumas vitórias. Eu só espero que o 16º lugar não seja comemorado como se fosse a conquista de um campeonato, tem que haver uma reflexão sobre tudo isso que está acontecendo e as mudanças necessárias ao clube.
O que achou da saída do Felipão?
Como eu disse, durante a minha gestão não tive mais que três ou quatro treinadores. No ano de 2002 nós trocamos três treinadores e a conseqüência foi aquela. Eu acho que a saída do Felipão seria normal se não fosse pelas circunstâncias, porque ele já estava no clube há mais de dois anos. É absolutamente normal um desgaste natural, talvez até do próprio relacionamento, que a gente percebia pelas manifestações de elementos da diretoria e da própria comissão técnica que não eram relações harmoniosas, e isso também deve ter prejudicado alguma coisa.
Como você vê o trabalho do Tirone?
Péssimo. Excetuando eu, e me excetuo porque pelo conceito eu fui o pior presidente da história do clube por 2002, mas, depois de mim, indiscutivelmente, ele é o pior. Conseguiu ser pior até que os seus antecessores.
Em quais pontos a gestão atual contribui para a crise?
Em todos, eles não acertam uma, são péssimos.
O que você sugeriria para mudar essa situação?
Mudar todo o quadro de administradores. Eu tenho certeza que o Palmeiras tem, dentro e fora dos seus quadros atuais de conselheiros e diretores, muita gente até que está fora e precisa ser convocada para contribuir com sua competência na administração do clube. A grandeza administrativa faz parte da nossa história, estamos fazendo um século de glórias, de crescimento patrimonial e de enriquecimento financeiro porque nós tivemos, através dos tempos, pessoas de muita competência. Eu até me excetuo dessas de competência, mas tive uma escola com aqueles que construíram a grandeza do Palmeiras. E infelizmente os que estão lá agora, não só o Tirone, mas toda a equipe ali administrativa do clube, nunca se juntou tanta gente ruim de uma vez só.
Você presidiu o clube em dois períodos distintos. O que mudou no time de 1993 e de 2002?
Não mudou nada, nossa política continuou sendo a mesma. O time de 93 não tinha lá grandes estrelas não, ele aconteceu por competência, nós fomos buscar um lateral-esquerdo do União São João que era um garoto ainda, o Roberto Carlos, o Edmundo recém-saído das equipes menores do Vasco, o Zinho já execrado no Flamengo e praticamente dispensado, o Evair que já se encontrava nas nossas fileiras e o Edilson que foi uma revelação do Guarani, ficou três meses lá e veio para o Palmeiras. Então você vê que isso foi um trabalho competente de todos aqueles que participaram daquele momento. Em 2002 nós tínhamos uma equipe com Marcos, Arce, César, Zinho, Paulo Assunção, Fabiano Eller, Rubens Cardoso, Itamar, Nenê, Dodô, Muñoz, Juninho. Era uma equipe poderosa, que desentrosou num determinado momento e, pela falta do segundo turno, não conseguiu reverter. Tenho ainda como comparação que, se não me engano em 2009, o Flamengo foi o último colocado do primeiro turno do Campeonato Brasileiro e no segundo turno conseguiu a classificação pra Libertadores.
Mas então, quais foram os verdadeiros culpados pelo rebaixamento de 2002?
O comandante é o único responsável pelos momentos desagradáveis. Eu jamais procurei encontrar culpados ou desculpas, assumi a responsabilidade dos meus cinco mandatos e esse foi o único que exigi ir à reeleição porque tinha certeza que conseguiria trazer o Palmeiras de volta, com muita honra e muita glória. Naquela época ainda se esperavam viradas de mesa, bastidores, tapetões e etc., e nós não usamos nada disso, nós fomos a campo e voltamos num torneio que também era de um turno só e com dois quadrangulares finais. Então me sinto orgulhoso de ter participado desse momento, difícil no início, mas glorioso no fim.
Se fosse presidente, qual técnico teria contratado para o lugar de Felipão?
Eu não tenho preferência nenhuma por treinador, eu acho que é um conjunto. A única coisa é não se pode imaginar que o técnico seja a solução de todos os problemas. Não tenho nenhum tipo de preferência, todos que são profissionais e que estão no mercado já mostraram suas qualidades e limitações, suas manias de administrar a equipe, cada um tem o seu estilo. Eu costumo dizer que se a bola bateu na trave e entrou, o plano foi perfeito, a logística foi bem coordenada, o presidente foi competente, o treinador é estrategista. Mas, se a bola bateu na trave e saiu, tudo isso não valeu nada. Então tanto faz o técnico, o problema vem da falta de qualidade da administração.
Foto: UOL
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