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VoltarLucas e Ganso. Por @faelgo
A tão esperada e inédita medalha de ouro jamais esteve tão perto. É fato que o Brasil chega com uma seleção que, se não empolga, inspira confiança.
A tão esperada e inédita medalha de ouro jamais esteve tão perto. É fato que o Brasil chega com uma seleção que, se não empolga, inspira confiança. Oscar cresceu demais, Neymar descobriu um protagonismo diferente, Damião entendeu-se bem com os dois, Marcelo impõe a marra e a experiência necessária a um time de garotos. Tristeza por Sandro e Juan, que dificilmente formariam no Figueirense (atual último colocado do Brasileirão) e pela ausência de um goleiro confiável. Além disso, duas situações me chamam atenção: a de PH Ganso e de Lucas.
Ganso, em 2010, era cotado como “o 10 do Hexa”. Contusões e confusões contratuais a parte, definitivamente, se perdeu. Diz-se que seu staff pediu ao Santos cerca de R$ 1 milhão por mês para renovar. E, ironicamente, apesar de pedirem um alto salário, querem uma multa baixa. Ou seja, na cabeça dos representantes, “valemos muito para recebermos bem mas valemos pouco para sairmos facilmente”. Uma dicotomia enfadonha, amadora, uma caricatura de uma estratégia pessimamente armada por quem administra a carreira do inteligente meia.
Já Lucas, outrora tido como grande promessa, mas recentemente dando mostras de que talvez não vá ser o jogador que se esperava, ganhou a camisa 7: um flerte com a titularidade, uma clara mostra da interrogação na cabeça de Mano. Como quem diz: “você seria titular, mas não me convenceu”. Mesmo na reserva, conseguiu a façanha de ser vendido por uma fábula. Cifra que me envergonho de reproduzir aqui. Ficou ótimo para todos. O clube engordou os bolsos, Lucas (que já via alguns questionamentos rondarem seu desempenho) respirará novos ares em um campeonato medianamente competitivo e a torcida tem a certeza do bom negócio. Parabéns ao atleta pela conquista profissional e creio que terá sucesso fazendo um estágio na Europa Baixa (como gosto de chamar as ligas menos competitivas e estreladas do Velho Mundo, como a francesa) e preparando-se para encarar a Alta Europa: Espanha, Itália ou Inglaterra.
Será que Lucas virou Ganso e Ganso virou Lucas?
Ganso, quando promovido ao profissional pela primeira vez, em 2008, fez sua estreia substituindo o (então atacante) Wesley. Foi uma decepção. Desceu novamente à base, por não estar pronto. Uma fonte minha me disse, à época: “Ele é craque com a bola no pé. Mas precisa ter a marcação a dois metros para render. Não sei se vinga no profissional, no futebol pegado, corrido, disputado”. Desceu, amadureceu, voltou em 2009. Jogou muita bola até a marcação começar a apertar. Contundiu-se. Não mais teve sequência. Pede valorização. Perde a vaga na seleção olímpica. Vira incógnita na principal. Não desperta cobiça de absolutamente nenhum grande na Europa, especialmente por conta do momento delicadíssimo que a Europa vive.
Será que Ganso ainda pode ser o grande jogador que esperávamos? Claro que sim. Mas há muito o que se resolver fora das quatro linhas primeiro.
Rafael Gonçalves – www.twitter.com/faelgo - é jornalista, locutor, especialista em marketing esportivo, escritor de fundo de gaveta, chef de churrasqueira elétrica, cantor de chuveiro, ex-goleiro nas horas vagas. Amante de futebol das bolas redonda e oval, do baseball, do vôlei e de quatro rodas acelerando. Palpiteiro profissional e roqueiro apaixonado por Michael Jackson e Frank Sinatra.
Imagem: @CowboySL