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VoltarA hora da decisão. Por @faelgo
O Corinthians é, depois de mais de 100 anos, o campeão da América. Sim, eu sei que falta um jogo, mas o torcedor já pode colocar o chope para gelar, abrir a caixa de fogos e esperar o apito final.
O Corinthians é, depois de mais de 100 anos, o campeão da América. Sim, eu sei que falta um jogo, mas o torcedor já pode colocar o chope para gelar, abrir a caixa de fogos e esperar o apito final.
Muita gente diz que a entrada de Cássio foi fundamental para o time, tal qual o amadurecimento de Leandro Castán. A experiência do lateral Alessandro ajudou, assim como a excelente dupla de volantes, Ralf e Paulinho.
Há quem diga, ainda, que Emerson, o Sheik, seja o diferencial do time, assim como a sorte de campeão, com entrada e gol instantâneos de Romarinho. Ou será o eficiente esquema de Tite, que faz com que adversários não consigam sequer entrar na área?
Por uma soma de todos esses fatores, já cravo o Corinthians como campeão. Mas o fator mais importante dessa conquista não é nenhum desses. Quem conquistou o título foi Andrés Sanchez. Sim, o mandatário que deu respaldo para o técnico Tite no pior momento pós-rebaixamento: a vexatória eliminação para o Tolima.
Mesmo pressionado, o então presidente suportou pressões e bancou o treinador. De lá pra cá, com respaldo, Tite abriu mão de Ronaldo, Roberto Carlos e Adriano. Afastou seu capitão e titular, Chicão, em momento importante. Conseguiu transformar um plantel em um time. Venceu o Brasileiro e, ao que tudo indica, a Libertadores.
Posso até estar enganado. O Boca (time copeiro, com uma camisa fantástica e que por diversas vezes joga até melhor fora de casa, pois sabe jogar a pressão no colo do adversário) pode sagrar-se campeão. Mas pelo bem do futebol, da filosofia, da modernidade, o Corinthians deve sair com o título.
É raso dizer, por exemplo, que a tão enaltecida filosofia do Barcelona é o toque de bola. Enxerguem além: a filosofia do Barcelona é a retidão de conduta, de crença e de atitude. Não se demitem técnicos após três derrotas, após perder um título, no calor de um resultado adverso em um clássico. Dirigente não pode dar palpite no gramado, jogador ídolo não arrendatário de um pedaço de terra improdutiva, tampouco escultura esculpida em mármore carrara, e não se ganha vaga entre os onze com histórico profissional ou declaração na imprensa.
Foi isso que o Corinthians aprendeu com a derrota para o Tolima. Esse papo de “levantar a cabeça porque domingo tem jogo” não pode colar. Os resultados de Tite estão aí para provar que aprender com a derrota não é só isso.
Rafael Gonçalves - @faelgo - é jornalista diplomado, locutor, especialista em marketing esportivo, escritor de fundo de gaveta, chef de churrasqueira elétrica, cantor de chuveiro, ex-goleiro em atividade nas horas vagas. Amante de futebol das bolas redonda e oval, do baseball, do vôlei (na areia ou na quadra) e de máquinas de quatro rodas acelerando. Palpiteiro profissional e um roqueiro apaixonado por Michael Jackson e Frank Sinatra.
Imagem: @CowboySL