• O Oceano Tite 5 a 0 e a cabeça torta de Neymar

    - Por Milton Neves / há 5 meses

    Trump no mundo.

    Tite no Brasil.

    Não se fala em outra coisa, em todas as mídias.

    E falar bem de Tite é chover no molhado.

    Choveu tanto que o gaúcho virou lagoa, açude, represa, Itaipu, Cataratas do Iguaçu, Oceano Atlântico, todos os oceanos e todos os reservatórios de Alckmin.

    Mas ficaram na seca e com a cara de pau os azedos crônicos que garantiram que Tite jamais trabalharia com Del Nero.

    Era só pano de fundo para atacar ainda mais o cambaleante Del Nero, o saível e caível.

    Remei firme no sentido contrário em minhas águas tão tranquilas de 45 anos de cartas náuticas impecáveis e tão gratificantes e raras em tudo.

    “Conheço bem o Tite, que já tinha me falado que aceitaria o cargo de treinador da seleção assim que o chamassem. Desde que o cargo de treinador estivesse vago”, falei e escrevi mil vezes.

    Bastou Dunga ser demitido e ele assumiu, graças a Deus.

    Ético, jamais faria com Dunga o que Felipão teria feito com Mano, suspeita e resmunga o hoje cruzeirense.

    E Tite assumiu com um atraso de mais ou menos oito anos.

    Quanto tempo e quanta Copa perdemos apostando no Dunga 5.9 na primeira passagem, no superado Felipão 7 a 1, 10 a 1 e nota -0.71 em 2014, e no Dunga 1.82, em seu retorno.

    Mano, com 6.01, foi o melhor dos três e não merecia ter sido trocado burra e soturnamente por Felipão 7 a 1.

    Azar nosso!

    Mas bola para frente e parabéns e obrigado para o “Águia de Haia dos Pampas” (“SuperTécnico”, da Band, em 2000, na estreia do gaúcho em rede nacional)!

    Tite, cidadão de cabeça reta!

    “Cabeça reta”, coisa que o Neymar “não fez” e “não teve” contra a Argentina.

    No gol dele, na cara do goleiro, lembrou do mestre Coutinho, olhou Romero com a cabeça levantada e um pouquinho torta, mas o suficiente para sacar, no reflexo de craque, o posicionamento do pé-base do argentino.

    “Frente a frente com o goleiro não é força e não é apenas jeito, mas é preciso olhar para as canelas do adversário. Quando ele fica com as pernas `fincadas´ no gramado na clássica posição de defesa, tem que sair um chute rasteiro do ladinho do pé-base do goleiro que é rede na certa, ele não chega nunca. O Pelé fazia isso com os beques, eu fazia com os goleiros”, ensina o maior 9 da história.

    E acrescenta: “Chegar na cara do goleiro e dar uma cacetada é prejuízo até para os narradores de rádio e TV que berram: `Espaaaaaalma, fulano de tal´. Ora, o cara não espalmou nada, foi carimbado. E aí desligo a TV na hora”, diz Coutinho.

    Chico Formiga (1930 – 2012) também fazia isso toda vez que Arnaldo Cezar Coelho aparecia na TV.

    “Como pode comentar arbitragem alguém que não deu aquele pênalti escandaloso do Marinho no Pita na final do Brasileiro de 1983? O título seria do Santos”, sempre reclamava o saudoso ex-zagueiro e ex-treinador.

    Isso foi ontem, mas hoje que Tite 5 a 0 e Neymar 8.8 continuem crescendo e que virem “ex” só daqui 100 anos.

    Foto: Lucas Figueiredo/CBF

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  • Parabéns ao Palmeiras de hoje e aos alunos e professores de ontem!

    - Por Milton Neves / há 5 meses

    Palmeiras campeão.

    Não tem outro jeito.

    Vitória merecida de Paulo Nobre.

    Presidente-revelação que deveria continuar.

    Um jovem presidente!

    Já o Morumbi está velho e superado, mas não vaza.

    O Allianz Parque está novinho e não desbarranca.

    A idosa Vila Belmiro é pequenininha, mas não assusta.

    Mas assustador mesmo, além do Itaquerão, é o “aluno” de hoje.

    Querem tudo, menos estudar.

    Sim, “uma minoria numerosa”, mas de baderneiros e inocentes úteis.

    Reclamam de tudo, agitam, invadem e se apossam de escolas, exigem troca de diretores, reclamam da merenda, não respeitam os professores e chegam até a bater neles.

    Pobres professores, os grandes injustiçados deste país de tantas injustiças e de mocinhos já teleguiados.

    Só que não teve golpe ou “gópi”, mas saída por ruindade de serviço.

    Sem respeito e justa remuneração do professor, não vamos sair nunca do buraco.

    A educação desde cedo é a única arma capaz de eliminar a violência, a droga, a corrupção e transformar cadeias em escolas ou condomínios como na Suécia.

    Lá, estão desativando presídios por falta de... presos!

    Em São Paulo temos atualmente a “CPI da Merenda”.

    Em Minas Gerais e em quase todo o Brasil, nunca houve a figura da “merenda escolar”.

    Cada aluno, no meu tempo de grupo escolar, levava na velha lancheira um pequeno sanduíche de pão com mortadela de quinta divisão.

     Grupo Escolar Cesário Coimbra, de Muzambinho-MG



    “Merenda” só uma vez por mês quando lá Dona Judite, a cozinheira, avisava sala por sala que naquele dia no recreio íamos ter arroz doce.

    A escola tremia de alegria com os alunos gritando como se fosse gol da seleção brasileira na Copa do Mundo.

    Logo, uma fila era formada no pátio até o enorme panelão e Dona Judite e sua auxiliar nos davam um prato cheio de arroz doce.

    Uma iguaria!

    O prato era de alumínio fininho e a colher de plástico.

    Todo mundo ficava feliz e voltava para a sala para continuar aprendendo com as respeitadas e austeras Donas Helena, Elvira, Almira e Emília.

    As queridas professoras do Grupo Escolar Cesário Coimbra





    A gente morria de medo delas, mas por respeito e gratidão.

    Afinal, elas estavam ali para trabalhar e ensinar, e nós só para estudar e aprender.

    De graça!

    Quem não se comportava “ia para a secretaria”.

    Antes, Dona Emília Montanari Benetti, tia-avó do craque “Fominha”, nosso eterno Beckenbauer, dava bons puxões de orelha nos inconsequentes candidatos a serem “repetentes”.

    Já hoje, os alunos, “merendeiros sortudos”, reclamam do cardápio, da carne, da fruta e até da sobremesa.

    Estudar não querem.

    E atrapalham a vida daqueles que realmente querem aprender e crescer na vida.

    Mas nós lá de Muzambinho, como em milhares de cidades deste Brasilzão de Deus, também “invadíamos” a escola.

    Era para a “invasão” das lotadas salas de aula, com cada um no seu lugar fixo na carteira de madeira com pés de ferro.

    “Invadíamos” e saímos de lá médicos, dentistas, advogados, engenheiros, jornalistas, juízes, desembargadores, professores, vice-governador de Minas Gerais e até presidentes do TST, do TRT-SP e do TSE-MG.

    Vamos estudar, gente, e parar de encher o saco nas escolas do Brasil!

    Mais um ângulo do Grupo Escolar Cesário Coimbra, de Muzambinho-MG

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  • Eu voto no Garrincha

    - Por Milton Neves / há 5 meses

    Mais um domingo sem futebol.

    E tem que ser assim mesmo.

    Afinal, o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes e neste domingo o voto no gol da urna goleia de novo a bola na rede.

    E em minha eleição para os presidentes, governadores, prefeitos e craques do mágico mês de outubro, eu voto no candidato Garrincha.

    Afinal, Pelé não vale e já ganhou todas as eleições até o fim do mundo.

    E nesses meus 45 anos de São Paulo, em que venho votando em todas as urnas de rádio, televisão, jornal, internet, revistas, ponto de venda, eventos, palestras e publicidade, só consegui ver de perto o meu candidato Garrincha uma única vez na vida.

    Vi, conheci, senti, entrevistei, cumprimentei, observei mais em silêncio do que falando e me emocionei como os milhares de ouvintes da Rádio Jovem Pan naquele domingo de 1º de agosto de 1982.

    Para emplacar o "bebezinho" Terceiro Tempo a emissora levava aos domingos sempre um nome top para emoldurar e fortalecer o principal dia do futebol.

    Vieram do Rio até os então badalados árbitros Arnaldo Cezar Coelho e José Roberto Wright.

    É que a Jovem Pan estava naturalmente assustada com a saída, em meio à Copa da Espanha, de Estevan Sangirardi e de seu então imbatível "Show de Rádio".

    Ele levou o programa e todo o seu time para a Rádio Bandeirantes.

    O "cano" profissional do saudoso "Sanja" foi desastroso para sua carreira, sua autoestima, e para seus colegas de microfone.

    É que, ao contrário da Pan, na Bandeirantes ele não entrava coladinho no final do jogo e o "Show de Rádio" definhou e Sangirardi morreu profissional e fisicamente tempos depois.

    Foi um passo em falso.

    É que a Rádio Bandeirantes, já à época, sacou que o jornalismo pós-jogo, já se consagrando sob o manto da marca "Terceiro Tempo", era muito mais importante do que o "rádio esportivo humorístico".

    Mas, e aí, eu consegui ver Garrincha.

    Vi, abracei, ri, quase chorei, mas a entrevista saiu.

    E você pode ouvi-la no player abaixo:

    Garrincha ganhou um cachê, em cheque, de cerca de 1000 reais em dinheiro de hoje.

    Mas o cheque, entregue pelo diretor José Carlos Pereira da Silva, era de R$ 897,27, mais ou menos.

    É que havia descontos de imposto de renda, ISS, INSS, PIS e etc, sei lá.

    Mané reclamou, queria os 1000.

    José Carlos completou com uma nota de 100 e pediu o RG e o CPF dele para a documentação.

    "Mas o que é isso? Nem sei o que você tá pedindo e o que tenho tá aqui", falou Mané, esvaziando seus bolsos e jogando o conteúdo na mesa.

    Eram algumas moedas, poucas notas amassadas, uns papéis e uma carteira de identidade de séculos atrás toda sem plástico nas beiradas e emitida pelo "Estado da Guanabara".

    Era o chamado "bolso de gente do bar".

    Foi emocionante.

    Fotos, aos milhares, imagens tão repetidas à exaustão na TV e falas tão curtinhas de Mané, todo mundo tem e já viu e ouviu.

    Mas, aqui, no player acima, você ouve Mané Garrincha por quase 30 minutos.

    Clique, ouça, acenda uma vela, olhe para o céu, reze ou ore, abra a janela e berre: obrigaaaaadooooo, Manéeeeeeeee...

    E vote nele sempre em seus pensamentos.

    CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS SOBRE A HISTÓRIA DE MANÉ GARRINCHA NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?"

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  • Pelé: 76 vezes o Natal do Futebol!

    - Por Milton Neves / há 6 meses

    O Natal do Futebol no mundo acontece no próximo domingo (23)!

    E Pelé chega aos 76 anos goleando em imortalidade e fotos até mesmo os presidentes americanos e os papas de plantão no Vaticano.

    Afinal, quem é que não tem um “retrato” ao lado do Rei?

    É que Papa morre ou fica velho e sai.

    Presidente americano morre, perde eleição ou cumpre oito anos e sai.

    Já Pelé não morre e não sai nunca.

    Falar mais do maior jogador de futebol de todos os tempos seria redundância, já que ele é uma referência para qualquer pessoa que se interesse por esporte, independentemente de idade, sexo, time ou nacionalidade.

    Pelé é a pessoa melhor dotada por Deus para exercício de uma atividade específica.

    Talvez seja o único ser humano a ter atingido a perfeição em sua especialidade.

    Sim, pense aí, caro leitor, em qualquer gênio da história, em todos os campos, e eles merecerão notas tipo 9.5, 9.6, 9.7, 9.8, 9.9...

    Mas 10.0? Só Pelé!!!

    Mas, ressalvamos aqui que “o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes”, conforme ensinou o italiano Arrigo Sacchi.

    E o Santos inventou Pelé.

    Ou foi o Waldemar de Brito?

    Ou foi o Lula?

    Não, foi Dona Celeste, a mãe da bola.

    Se 23 de outubro é o Natal do Futebol a partir de uma manjedoura de Três Corações-MG, Dona Celeste é Maria e Dondinho, o José.

    Deus casou os dois, contrário ao severo pai de Celeste que ordenou que ela largasse “desse namoradinho, porque jogador de bola não presta”, ela me contou, ao vivo, na Rádio Jovem Pan, em 1999.

    Sapeca, desobedeceu ao pai.

    Graças a Deus!

    Aí, surgiu a bola, nasceu o futebol, criou-se o Santos do mundo, Três Corações virou Belém, Lula, Waldemar de Brito e Athiê Jorge Cury os novos Reis Magos, Dondinho foi José e Dona Celeste, a Santa Maria.

    Ah, Dona Celeste, nunca ninguém no mundo jogou tão bem quanto a senhora!

    Obrigado.

    Celeste Arantes do Nascimento, a mais competente mãe do mundo e já 76 vezes Prêmio Nobel de Criatividade pela mais fantástica invenção da terra: o futebol!

    Ou seria Pelébol?

    Foto: UOL

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  • Futebol faz 76 anos e quer um presente: a TV do lado do árbitro

    - Por Milton Neves / há 6 meses

    E o dia 23 de outubro está chegando.

    Foi quando nasceu Pelé.

    Lá em Três Corações.

    Mas a manjedoura técnica foi a Vila Belmiro, Waldemar de Brito, Lula e Athiê Jorge Cury os Reis Magos, Dondinho e Celeste foram José e Maria e o Santos, suas Belém e Nazaré.

    O Rei pregou no mundo inteiro ao lado dos apóstolos Garrincha, Gylmar, Zito, Coutinho, Pagão, Pepe, Edu, Vavá, Lima, Nilton Santos, Didi, Carlos Alberto Torres e tantos outros.

    Pregou, jogou e consagrou o futebol em todos os cantos do planeta.

    E encantou o mundo mesmo sem a atual proteção das regras da Fifa, a fiscalização da TV, chuteiras e preparação física adequadas, com camisas, calções e meias que pesavam “toneladas” na chuva e no suor e sem medicina esportiva top, fisioterapia, alimentação balanceada, hotéis sete estrelas e academias de primeiro mundo.

    E os gramados?

    Neles, alguns verdadeiros pastos esburacados, mesmo assim Pelé brilhou como ninguém.

    No entanto, um dia vamos ter um novo Pelé.

    Assim como teremos novos Messis, Neymares, Garrinchas, Maradonas, Zicos, Romários, Ronaldos, Rivellinos e Cruyffs.

    Teremos um novo Cristiano Ronaldo de 41 em 41 anos.

    Um novo Zico virá de 135 em 135 anos.

    Teremos um novo Neymar de 141 em 141 anos.

    Um novo Romário virá de 147 em 147 anos.

    Teremos um novo Ronaldo Fenômeno de 152 em 152 anos.

    Um novo Rivellino virá de 167 em 167 anos.

    Teremos um novo Cruyff de 171 em 171 anos.

    Um novo Garrincha virá de 297 em 297 anos.

    Teremos um novo Messi de 316 em 316 anos.

    Um novo Maradona virá de 555 em 555 anos.

    E um novo Pelé de nunca em nunca mais!!!

    Assim sendo, que a Fifa, “usufrutuária” da invenção do futebol por parte de Pelé em sua “Lei de Edson”, aprove num piscar de olhos a “Televisão Judicial”.

    Ela será a magistrada para sentenciar sábias decisões quanto aos impedimentos, pênaltis, faltas, expulsões, se a bola entrou no gol ou não e etc.

    Árbitros e bandeiras não aguentam mais tantos erros não captados pelo olho humano.

    Nós também não.

    O Fla-Flu da última quinta-feira que o diga.

    Então, no 76º aniversário de Pelé, que o futebol inventado por ele receba a tecnologia na forma de grande aliada dos árbitros como um grande presente agora em 2016: a Justiça!

    Impossível um presente melhor!

    É que 23 de outubro é o Natal do Futebol!

    E Natal sem presente é gol contra.

    Foto: UOL

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SOBRE O COLUNISTA

Milton Neves Filho, nasceu em Muzambinho-MG, no dia 6 de agosto de 1951.

É publicitário e jornalista profissional diplomado. Iniciou a carreira em 1968, aos 17 anos, como locutor na Rádio Continental em sua cidade natal.

Trabalhou na Rádio Colombo, em Curitiba-PR, em 1971 e na Rádio Jovem Pan AM de São Paulo, de 1972 a 2005. Atualmente, Milton Neves apresenta os programas "Terceiro Tempo?, "Domingo Esportivo? e "Concentraçã... Saiba Mais