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Time corintiano que venceu o Santos no dia 6 de março de 1968

Time corintiano que venceu o Santos no dia 6 de março de 1968

Ah, aquele 5 de março de 1968, uma terça-feira.

Tinha 16 anos.

E já começava a encarar o microfone.

Um dia antes de mais um passeio do Santos diante do freguês Corinthians, até declamei uma poesia de Ailton Santos, o “Gatinho”, em “Sessão Literária” do ginásio.

Foi no auditório do Colégio Estadual Professor Salatiel de Almeida, em Muzambinho.

Subi ao palco, olhei e vi umas... 10 mil pessoas!

O nervosismo a tudo amplia.

Cabem lá naquele salão, que outro dia visitei, no máximo umas 80 pessoas.

Mas nervoso mesmo ficaria se meu Santos perdesse para o timinho do Corinthians no outro dia.

Mas a chance era zero.

Afinal, se caísse o tabu de 11 anos sem vitória do “Mosqueteiro” contra meu Santos em jogos do fortíssimo Campeonato Paulista, eu estaria perdido perante meus amigos “adeptos da agremiação do Parque São Jorge”.

Todos eles grandes malas corintianas, uma redundância.

Como suportaria as gozações do João Mula, do primo Caio Bonelli, do Carlinho Boca de Véia, do Mirtinho Chupa Dedo (hoje médico), do Serrote e do André Pirata?

E tinha ainda Gilberto Cassetete, Pavão, Tião Capeta, Luis Rato, Rui Cabeludo, o careca João Ferpudo e o Zé Viado (pai de 24 filhos, uma injustiça!).

E veio o jogo e deu Corinthians naquele 6 de março de 1968!

Que tristeza!

Que zebra!

Paulo Borges fez o único gol de canhota de sua vida, Flávio Minuano sacramentou o fim do tabu, construído e destruído pelo técnico Lula, e foi difícil aguentar as gozações na quinta-feira, chegando ao colégio.

Mas era tudo na boa e na amizade, como no próprio futebol da cidade grande com torcidas bem-humoradas e não assassinas.

Tanto que, contou-me Carlos Alberto Torres, o time do Santos resolveu “até dormir” nos vestiários do Pacaembu, após a quebra do tabu, “porque, pensamos no dia, se a gente sair agora em meio a esse povão todo, poderemos apanhar”.

O treinador Antoninho, Pelé e Ramos Delgado também ponderaram que seria de “bom alvitre” que o elenco aguardasse pelo menos até 2h da madrugada.

Só que, com o vestiário santista calado e temeroso pelo som da monumental multidão cantando o hino do Corinthians, de repente ouviu-se um coro que pegou fogo no velho Paulo Machado de Carvalho.

“Um, dois, três, o Santos é freguês. Um, dois, três, o Santos é freguês. Um, dois, três, o Santos é freguês...”.

Pronto, o elenco santista caiu na risada, acabou o medo, todos saíram sorridentes dos vestiários até o ônibus e os jogadores foram inclusive aplaudidos pelos eufóricos corintianos felizes da vida.

Que torcida, hein?

Sofreu 11 anos, ganhou uminha só e levou tudo na gozação.

É que 6 de março de 1968 foi o “Dia da Libertação Corintiana”.

O tabu doía demais, e aquela vitória foi superior ao título do Quarto Centenário, ao gol do Basílio-77, à invasão do Maracanã-76, ao meio-título do mundo de 2000 e até à Libertadores e ao legítimo Mundial de Tóquio em 2012.

Assim, viva o torcedor de futebol do Brasil e do mundo e xô torcida única nos estádios.

Porque clássico sem torcida é como lua de mel por carta, viu, Rio de Janeiro?

Foto: Portal TT

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SOBRE O COLUNISTA

Milton Neves Filho, nasceu em Muzambinho-MG, no dia 6 de agosto de 1951.

É publicitário e jornalista profissional diplomado. Iniciou a carreira em 1968, aos 17 anos, como locutor na Rádio Continental em sua cidade natal.

Trabalhou na Rádio Colombo, em Curitiba-PR, em 1971 e na Rádio Jovem Pan AM de São Paulo, de 1972 a 2005. Atualmente, Milton Neves apresenta os programas "Terceiro Tempo?, "Domingo Esportivo? e "Concentraçã... Saiba Mais

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