• Denis: ficar é ruim para ele e para o São Paulo

    - Por Milton Neves / há 5 dias

    Sabem aquela velha máxima segundo a qual “o cristal trincou”?

    É o caso do esforçado e resistente goleiro do São Paulo.

    Acho até que o cristal espatifou.

    Nada contra a pessoa do Denis.

    Mas tudo a favor da pessoa do goleiro Denis.

    As piadas e os “memes” a seu respeito já atingiram o campo do folclore e da maldade.

    A verdade é que a torcida do São Paulo já embirrou há tempos com ele, um dos eternos reservas de Rogério Ceni.

    Tanto “eterno reserva” que virou algo raríssimo: é o único goleiro experiente de clube do mundo que se apresenta como inexperiente, mesmo a caminho dos 30 anos.

    O resumo da ópera é que no Morumbi não dá mais para o ex-arqueiro da Ponte Preta.

    Pode pegar 30 pênaltis em um jogo que a arquibancada tricolor continuará de nariz torcido para ele.

    Casos também de Vítor Belfort no MMA-UFC e de Lucas do PSG em termos de seleção brasileira.

    Um já deu o que tinha de dar e não deu pouco para esse esporte que não é bem esporte.

    Tem que parar de lutar para parar de perder.

    Já Lucas, aquele que era “muito melhor do que Neymar”, desapareceu do olhar de Tite ao ter sumido e tremido no Camp Nou diante do Barcelona.

    Ele e o time inteiro, também destroçado pelo horroroso, trágico, parcial e patético árbitro alemão.

    Que Denis se inspire em Danilo Fernandes.

    No Corinthians era espécie de Raul Marcel, Bernardino, Bosco, Roger, Denis, Renan Ribeiro ou outros razoáveis, pacientes e eternos reservas de Leão no Palmeiras e de Rogério Ceni no São Paulo.

    Pois Danilo Fernandes deixou o Corinthians, explodiu no Sport, tornou-se uma das poucas coisas ótimas do rebaixado Internacional e hoje merece, como Vanderlei do Santos, uma chance na seleção brasileira.

    Mude de ares, Denis!

    Você crescerá muito, creia!

    E como cresceu o Dudu no Palmeiras, hein?

    Confesso que não acreditava, mas o baixinho virou o dono da seleção palmeirense.

    É bom jogador, luta o tempo todo e é “riliento”, como falamos no interior de Minas.

    Um jogador polêmico-resolvedor típico dos anos 60, 70, 80 ou 90, como foram Almir Pernambuquinho, Serginho Chulapa, Edmundo e Adriano.

    Sucesso para o Dudu, para o centrado Fábio Carille e principalmente para o Denis, o Cristo Tricolor do Morumbi.

    Foto: UOL

    Compartilhe:
    Imagem Nuvem de Notificações 9999
  • Neymar precisa de uma fábrica de coroas

    - Por Milton Neves / há 12 dias

    Ah, ainda os 6 a 1 de Neymar e do árbitro no bundão do PSG!

    Afinal, trata-se da decisão de maior repercussão da história do futebol.

    Nunca será esquecida e esse jogo jamais terminará.

    A era da internet e do satélite a tudo amplia de forma descomunal.

    Pelé e Garrincha, coitados, foram divulgados quase que na base das máquinas de escrever, do telex, dos teletipos, do telefone, do rádio e do boca a boca.

    Mané não teve TV e Pelé também não lá nos anos 60, seus momentos mais monumentais.

    Os mágicos 5 a 2 do Santos no Benfica de Eusébio em Lisboa em 1962 teriam hoje até mais repercussão.

    Mas deu Barça 6 a 1 e eu quebrei a cara.

    Achava impossível, falei e escrevi mil vezes.

    E não foi por vários motivos.

    O sem carisma do goleiro do PSG é um frangueiro sem rosto.

    O treinador Unai Emery é nota 1,17.

    Escalou o fraco Lucas e não tirou o assustado brasileiro ainda no primeiro tempo.

    O mesmo Lucas que andaram falando por aí que era melhor do que Neymar.

    Só Cavani não fugiu do jogo.

    Uruguaio, é claro.

    Thiago Silva, o posudo, garboso e soberbo zagueiro, pensa que é Carlos Alberto Torres, Figueroa ou De Boer na área.

    Deveria abrir uma rede de óticas porque nem piscou nos três gols em que a bola pintou em sua pequena área.

    Depois, declarou que o PSG não teve “personalidade”.

    Ora, exatamente o que ele não teve ou tem e era o... capitão do time!

    Capitão calado, assustado e cabisbaixo é como um goleiro sem braços.

    Com Zito, Carlos Alberto Torres ou Dunga em campo, o Thiago apanharia.

    E o árbitro?

    Grandão, alemão, pancudo e com olhar impoluto ao entrar em campo, foi uma tragédia.

    Assaltou o PSG!

    Merece ser banido do futebol.

    Não deu dois pênaltis de Mascherano, inventou outros dois para o Barça e não expulsou Neymar no 3 a 1.

    “Ah, o PSG já se classificou, o jogo acabou, para que enfurecer esse triste povão todo aqui”, deve ter pensado.

    Aí, tudo mudou pela força do talento, da sorte, do imponderável, do jogo da vida do novo Rei Neymar e da magia desta invenção mais do que perfeita chamada futebol.

    Nada é mais empolgante, mesmo com tanta gente atrapalhando ou urubuzando.

    Obrigado, futebol, você é o Pelé de todas as modalidades!

    Nunca joguei nada, mas você me deu 20 milhões por cento a mais do que esperava.

    Em tudo!

    Que obcecados, masoquistas e doloridos cotovelos não pesquisem a fundo sob pena da amargura fazer novas vítimas fatais.

    E você, Neymar, exímio cobrador de faltas, dispensando a força no chute de Pepe, de Éder ou de Nelinho, já pode ir procurando uma fábrica de coroas e fazer logo um molde.

    Vai ter que usar uma por um bom tempo.

    Foto: UOL

    Compartilhe:
    Imagem Nuvem de Notificações 9999
  • Clássico sem torcida é como lua de mel por carta

    - Por Milton Neves / há 19 dias

    Ah, aquele 5 de março de 1968, uma terça-feira.

    Tinha 16 anos.

    E já começava a encarar o microfone.

    Um dia antes de mais um passeio do Santos diante do freguês Corinthians, até declamei uma poesia de Ailton Santos, o “Gatinho”, em “Sessão Literária” do ginásio.

    Foi no auditório do Colégio Estadual Professor Salatiel de Almeida, em Muzambinho.

    Subi ao palco, olhei e vi umas... 10 mil pessoas!

    O nervosismo a tudo amplia.

    Cabem lá naquele salão, que outro dia visitei, no máximo umas 80 pessoas.

    Mas nervoso mesmo ficaria se meu Santos perdesse para o timinho do Corinthians no outro dia.

    Mas a chance era zero.

    Afinal, se caísse o tabu de 11 anos sem vitória do “Mosqueteiro” contra meu Santos em jogos do fortíssimo Campeonato Paulista, eu estaria perdido perante meus amigos “adeptos da agremiação do Parque São Jorge”.

    Todos eles grandes malas corintianas, uma redundância.

    Como suportaria as gozações do João Mula, do primo Caio Bonelli, do Carlinho Boca de Véia, do Mirtinho Chupa Dedo (hoje médico), do Serrote e do André Pirata?

    E tinha ainda Gilberto Cassetete, Pavão, Tião Capeta, Luis Rato, Rui Cabeludo, o careca João Ferpudo e o Zé Viado (pai de 24 filhos, uma injustiça!).

    E veio o jogo e deu Corinthians naquele 6 de março de 1968!

    Que tristeza!

    Que zebra!

    Paulo Borges fez o único gol de canhota de sua vida, Flávio Minuano sacramentou o fim do tabu, construído e destruído pelo técnico Lula, e foi difícil aguentar as gozações na quinta-feira, chegando ao colégio.

    Mas era tudo na boa e na amizade, como no próprio futebol da cidade grande com torcidas bem-humoradas e não assassinas.

    Tanto que, contou-me Carlos Alberto Torres, o time do Santos resolveu “até dormir” nos vestiários do Pacaembu, após a quebra do tabu, “porque, pensamos no dia, se a gente sair agora em meio a esse povão todo, poderemos apanhar”.

    O treinador Antoninho, Pelé e Ramos Delgado também ponderaram que seria de “bom alvitre” que o elenco aguardasse pelo menos até 2h da madrugada.

    Só que, com o vestiário santista calado e temeroso pelo som da monumental multidão cantando o hino do Corinthians, de repente ouviu-se um coro que pegou fogo no velho Paulo Machado de Carvalho.

    “Um, dois, três, o Santos é freguês. Um, dois, três, o Santos é freguês. Um, dois, três, o Santos é freguês...”.

    Pronto, o elenco santista caiu na risada, acabou o medo, todos saíram sorridentes dos vestiários até o ônibus e os jogadores foram inclusive aplaudidos pelos eufóricos corintianos felizes da vida.

    Que torcida, hein?

    Sofreu 11 anos, ganhou uminha só e levou tudo na gozação.

    É que 6 de março de 1968 foi o “Dia da Libertação Corintiana”.

    O tabu doía demais, e aquela vitória foi superior ao título do Quarto Centenário, ao gol do Basílio-77, à invasão do Maracanã-76, ao meio-título do mundo de 2000 e até à Libertadores e ao legítimo Mundial de Tóquio em 2012.

    Assim, viva o torcedor de futebol do Brasil e do mundo e xô torcida única nos estádios.

    Porque clássico sem torcida é como lua de mel por carta, viu, Rio de Janeiro?

    Foto: Portal TT

    Compartilhe:
    Imagem Nuvem de Notificações 9999
  • Errou contra Timão e goleou hacker da Marcela

    - Por Milton Neves / há 26 dias

    E Thiago Duarte Peixoto virou uma estrela às avessas.

    Expulsou o jogador errado em grande clássico de dia errado e virou Cristo.

    O Barbosa do apito.

    Sugeri após o jogo no “Terceiro Tempo” da Rádio Bandeirantes que ele convocasse uma coletiva e se explicasse.

    E não é que assim o fez, coincidentemente?

    Nada de relatório frio, mas que usasse a voz, porque “a palavra escrita não tem alma”.

    Em quase 20 anos de “Terceiro Tempo” na TV Record e Band, vários árbitros de lances polêmicos assim também o fizeram.

    E se deram bem.

    Acho que Thiago Duarte Peixoto também acertou, mesmo que só depois do jogo, ao pedir desculpas.

    Carlos Eugênio Simon, Heber Roberto Lopes, o hoje deputado federal Evandro Rogério Roman e muitos bandeirinhas, mais do que para defesa, igualmente apresentaram-se ao torcedor como eles realmente são, ao vivo na TV.

    Carlos Eugênio Simon costumava ir ao "Terceiro Tempo" para explicar suas decisões durante as partidas

    Ou seja, humanos.

    Humanos e passiveis de erros, é claro.

    “Jogam” sozinhos sem a moleza do desafio pela TV do tênis, do futebol americano, do vôlei, do beisebol, do atletismo, do basquete e etc...

    Até Márcio Rezende de Freitas, sete anos após o “crime” no gol do Camanducaia do Santos FC, moralmente campeão brasileiro de 1995, foi ao “Terceiro Tempo”, então na Record e, em programa épico, pediu ao vivo um close da câmera 3 e disse: “Errei, enorme erro e peço desculpas, antes tarde do que nunca”.

    Do lado, até o gigante Clodoaldo Tavares Santana, que tentou bater em Márcio naquela noite de 17 de dezembro de 1995 no Pacaembu, emocionado, o perdoou.

    Mas, antes, à época, nada de punição, “decapitação”, suspensão e etc...

    E com o pobre e jovem Thiago Duarte Peixoto?

    Com ele não teve moleza.

    “Foi feita justiça com as próprias mãos”.

    Foi “assassinado” em praça pública.

    Ou seja, com a rapidez da internet, os cartolas destruíram o jovem árbitro “palmeirense”.

    Ora, todos nós do mundo do futebol nascemos e vivemos com um time do coração.

    Em caso contrário seríamos outra coisa na vida.

    Cassado das escalas, advertido, humilhado, suspenso e virou um “alguém qualquer a ser reciclado”.

    Uma sacanagem!

    Por que não fizeram isso também com Armando Marques em 64, em 71 e em 73, com José Roberto Wright em 81 e em 85, com José de Assis de Aragão em 80, em 84 e em 86 e com Márcio Rezende de Freitas em 95, em 99 e em 2005?

    E o pênalti não marcado para o Grêmio em 82 contra o Flamengo na decisão do Brasileiro no Olímpico?

    Hein, Oscar Scolfaro?

    Todo mundo absolvido, anistiado, perdoado.

    Só receberam críticas ao vento pela “crônica especializada”.

    Sacanagem, sim, com o Thiago Duarte Peixoto!

    Foi julgado na velocidade da luz, humilhado, “preso” e “condenado à morte”.

    Nem o hacker da Marcela Temer teve um julgamento assim à la Usain Bolt.

    Evandro Rogério Roman também "dava a cara para bater" no "Terceiro Tempo"

    Fotos: Portal TT

    Compartilhe:
    Imagem Nuvem de Notificações 9999
  • Messi é Pelé contra amedrontados

    - Por Milton Neves / há 1 mes

    Na Argentina temos pelo menos uns três periodistas tipo Geraldo Bretas.

    Para quem não sabe, Bretas foi o mais cáustico jornalista esportivo do Brasil pela TV Tupi e rádios Tupi e Difusora.

    Teve até um jornal.

    Metia o pau em todo mundo, até no Pelé.

    Pois em Buenos Aires tem até quem chame Messi de “catalão”.

    Não se conformam pela existência de dois Messis: o do Barcelona e o da seleção argentina.

    Sempre com companheiros ruins ou médios, Messi é comum de azul e branco.

    Sempre com companheiros bons, ótimos ou excepcionais, Messi é genial de azul e grená.

    Mas vamos aos percentuais “cientificamente pesquisados”?

    Se parasse hoje de jogar pela Argentina, como já ameaçou, ganharia da história uma pífia nota 4.67.

    Perderia até para Burruchaga com 5.21.

    Não ganhou porcaria nenhuma que preste, sumindo em decisões “portenhas”.

    De Maradona então seria goleado por 7 a 1, “germanicamente” falando.

    Afinal, o segundo do mundo é nota 9.17 com a camisa de seu país.

    Só Pelé é 10.

    E Messi no Barcelona?

    Bem, aí, a coisa muda de Tubaína para Pêra-Manca.

    Na Catalunha, e pela Europa, Messi já garantiu sua condição de sétimo melhor jogador da história, parasse hoje.

    Seria o terceiro não tivesse aproveitamento médio de excepcional nota 9.2 “só” em 95% de seus jogos.

    Justamente aqueles ou quase todos em que o Barcelona enfrentou times amedrontados.

    Todo mundo, ou quase, entra em campo tremendo de medo do Barça-Seleção.

    Faz anos.

    O Santos 4 a 0 e 8 a 0 que o diga.

    Tanto se teme o Barcelona que a Liga dos Campeões-2017 passou a ter agora uns oito candidatos ao título.

    É que o “campeão antecipado” foi eliminado pelo PSG.

    Evitemos no caso, por favor, o covarde e hipócrita “praticamente”.

    Ou então “no futebol, tudo pode acontecer”, “o jogo só acaba quando termina”, “nenhum jogo termina sem o apito final do árbitro”, ou, como diz Mauro Escalpo Beting, “no futebol, o jogo é jogado e o lambari é pescado”.

    Mas, pera aí, que negócio é esse de Messi ser Pelé em 95% de seus jogos só contra times amedrontados atingindo o notável patamar de 9.2?

    E nos outros 5% em partidas enroscadas, duras, equilibradas, carne de pescoço e no pau a pau?

    Mesmo já tendo decidido muitos desses jogos com lances inesquecíveis, mas aí sua nota cai para “módicos” 6.42 porque fracassou bastante também.

    Terça-feira, contra o elétrico PSG, ganhou 0.81 assistindo ao jogo do campo, olhar distante, esquecido, ar de paisagem e ainda dando gol para os franceses como fez Lucas Lima quarta-feira na Vila.

    Messi parece um ser ausente ganhando ou perdendo e sorrir para ele remete que dói mais do que coice de beque.

    Seu semblante de sorriso amarelo não convence nem vendendo batata frita na TV por cachê estratosférico.

    Sim, é o jeito dele, mas poderia ter pelo menos 0.1% da exagerada vibração de... Felipe Melo!!!

    Aí, Messi, o Triste, não perderia tão longe de Maradona, em tudo.

    E até do Burruchaga na seleção argentina.

    Foto: UOL

    Compartilhe:
    Imagem Nuvem de Notificações 9999
Exibindo 5 de 300 Notícias

SOBRE O COLUNISTA

Milton Neves Filho, nasceu em Muzambinho-MG, no dia 6 de agosto de 1951.

É publicitário e jornalista profissional diplomado. Iniciou a carreira em 1968, aos 17 anos, como locutor na Rádio Continental em sua cidade natal.

Trabalhou na Rádio Colombo, em Curitiba-PR, em 1971 e na Rádio Jovem Pan AM de São Paulo, de 1972 a 2005. Atualmente, Milton Neves apresenta os programas "Terceiro Tempo?, "Domingo Esportivo? e "Concentraçã... Saiba Mais